quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Como em 2010, novo limite financiará as eleições de 2014 (por. Observador do mercado)

Na última segunda-feira (28) o mercado foi surpreendido pela medida do governo federal que eleva o limite de financiamento da casa própria com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), de R$ 500 mil para R$ 750 mil.

Num primeiro momento, euforia de alguns consumidores, e alívio para o mercado de construção, que sob o guante da bolha imobiliária vinha, há muito, pleiteando mais essa benesse junto ao governo federal.

Porém, uma análise mais ampla das informações e do contexto em que a medida ocorre pode nos trazer uma conclusão ainda mais nefasta do que a própria bolha: Assim como ocorreu em 2009, o aumento do limite de financiamento ocorre exatamente um ano antes das eleições presidenciais (2014). Coincidência? Achamos que não.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o setor de construção liderou o ranking de doações para as eleições de 2010, sendo que o partido do governo (PT) foi o mais beneficiado, com R$ 61,6 milhões (PSDB recebeu R$ 49 milhões e o PMDB R$ 40,7 milhões).

E a preocupação de que a medida leve novamente à especulação e ao aumento de preços é legítima, e já é compartilhada por especialistas e entidades de defesa do consumidor, pois em 2009 (um ano antes da eleição presidencial), quando o limite passou de R$ 350 mil para R$ 500 mil, os preços subiram, de abril de 2009 a agosto de 2013, 127% na cidade de São Paulo, 177% no Rio de Janeiro e 75% em Belo Horizonte.

Além disso, a medida também ocorre exatamente um mês após a visita de Robert Shiller (conhecido como o “profeta” da bolha imobiliária americana), cuja simples presença provocou acalorados debates e inúmeras matérias sobre a existência da bolha no mercado imobiliário brasileiro. Sua afirmativa de que há sim uma bolha no Brasil causou irritação e indignação em representantes do setor, que exigiram do governo uma "atitude" para reverter a situação.

Assim, além da clara e manifesta tentativa de conter a justa e necessária queda dos preços dos imóveis, o governo age com total irresponsabilidade, colocando em risco um patrimônio do trabalhador para, em contrapartida, obter generosas vantagens financeiras no pleito de 2014.

Esta é a opinião do blog do Observador do Mercado.

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