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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A crise européia dos "refugiados" e a necessidade de uma direita forte e verdadeira ( ANDRÉ ASSI BARRETO)


Uma direita que acerta no campo econômico mas erra em todo o resto está invariavelmente fadada ao fracasso e não merece nenhum apoio.
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Manifestantes em marcha organizada pelo PEGIDA (Europeus Patriotas Contra a Islamização do Ocidente)
recebem jatos de água da polícia
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O público brasileiro, carente de qualquer direita organizada, costuma enamorar-se com toda sorte de pretensos direitistas: centro-direitistas, social-democratas, democratas cristãos, liberais e até mesmo meros anticomunistas. Contudo, a crise “imigratória” da Europa tem ajudado a revelar as fraquezas desses ditos políticos “de direita”. Foram as políticas de Angela Merkel, da União Democrata-Cristã (CDU), de centro-direita, que arreganharam as fronteiras da Alemanha para talvez um punhado de refugiados genuínos, mas outros milhares de jihadistas, simpatizantes do ISIS, interessados unicamente em duas coisas: os benefícios do estado de bem-estar social europeu e a implementação de uma governança islâmica sobre o ocidente (concretizando as profecias próprias do islã e de seus teóricos, como Guénon e Qutb). Isso tudo não, sem antes, espetáculos de molestação pública de mulheres e arrastões, como vimos na virada de ano em Colônia (na própria Alemanha).
Mesmo depois do ocorrido em Colônia, e de tantos outros por toda a Europa, os políticos da dita direita não mudam sua postura. Seguem atinados à agenda politicamente correta, multicultural e anti-ocidental a que, invariavelmente, pertencem (na Suécia isso é fato estabelecido há bons tempos). Quanto à mídia, o quadro é o mesmo ou ainda pior (a BBC só relatou o ocorrido de Colônia pelo menos dois dias depois e diversos outros órgãos substituíram a expressão “refugiados muçulmanos” por “imigrantes do Norte da África” – como a Deutsche Welle, por exemplo). A prefeita de Colônia sugeriu, como solução para o problema a criação de um código de conduta para as mulheres. Um imã salafista da cidade afirmou que as mulheres foram estupradas porque elas estavam “seminuas e usando perfume”. Exatamente como no lamentável caso da Charlie Hebdo, onde o sangue dos cartunistas ainda estava quente quando políticos e analistas sociais já estavam preocupados com as eventuais “reações (sic) islamofóbicas” que os ataques gerariam. O ministro alemão da Justiça, pouco preocupado em investigar o caso, teme as reações “xenofóbicas” da “extrema-direita”. No parlamento britânico discute-se a possibilidade de impedir a entrada de Donald Trump na terra da rainha enquanto a pregação radical em escolas, universidades e mesquitas segue livre.
A polícia alemã, que pouco fez (ou estava autorizada a fazer) nos arrastões em Colônia, agiu e age de maneira ostensiva nas manifestações do grupo Pegida, que propõe restrições à imigração: Tommy Robinson, outra voz potente contra a imigração muçulmana para o Reino Unido e criador do “Pegida britânico” foi, recentemente (mais exatamente, dois dias depois de criar a organização), preso (enquanto o clérigo radical que propõe a implementação da sharia na Grã-Bretanha e nos EUA e ameaçou a ativista Pamela Geller ao vivo, Anjem Choudary, continua solto).
É nesse contexto que surge um pequeno, porém importante livro, escrito pelo sueco Daniel Friberg chamado “A verdadeira direita” (a ser publicado pela editora Simonsen, em tradução minha, com campanha decrowdfunding em andamento). Friberg é figura central e basilar para a existência de uma nova direita real na Suécia, sendo que sem Daniel ela provavelmente não existiria, conforme atesta seu amigo, sócio e prefaciador do livro, John Morgan. Considerando o laboratório de causas progressistas que é a Suécia, podemos certamente depreender o elevado mérito de Friberg não apenas por fazer manter algum pensamento de direita no país nórdico, mas bem como por fazer existir um pensamento de direita coeso, forte e ativo.
Três importantes e urgentes lições, tanto para direitistas europeus quanto brasileiros, podem ser deslindadas a partir do livro de Friberg (que tem por subtítulo, pertinentemente, “um manual para a oposição de verdade”): 1) uma direita forte não apenas é possível como é necessária, 2) a já moribunda e falsa direita pode e deve ser definitivamente rechaçada e 3) o caminho para a vitória da direita é pela via de uma batalha no terreno da “metapolítica”.
A Europa, ao menos, já teve uma direita forte, o que leva os teóricos da Nova Direita a se reportarem a políticos, pensadores e situações do passado que representaram bem a corrente de pensamento, ao passo que nós, brasileiros, não podemos ir tão longe*. Estamos, geralmente, acostumados a uma oposição insossa ao esquerdismo tão tipicamente latino, um anticomunismo de manual por parte dos sociais-democratas ou, nos servindo de um exemplo extraído da realidade atual para ilustrar o sentimento, um tímido antipetismo “democrático”; uma direita frágil, acuada, envergonhada e usuária dos cacoetes linguísticos da esquerda (e que, por isso, invariavelmente, pensa como ela).
Friberg mostra em seu livro como essa direita, já moribunda na Europa, pois não atende aos anseios das pessoas (segundo Friberg, por exemplo, embora os políticos “de direita” sejam partidários das políticas imigratórias malucas que têm levado à destruição da antiga cultura sueca e aos episódios ocorridos em Colônia, uma fatia considerável do povo sueco é favorável a políticas imigratórias restritivas, carecendo apenas de uma representação política que faça jus à sua vontade) deve ser absolutamente rechaçada e extirpada da vida política séria para que os problemas mais urgentes da realidade política atual sejam superados; tanto essa direita fraca quanto a esquerda são culpadas pelos problemas que assolam o continente europeu no momento.
Em determinada altura do livro, Friberg dá, literalmente, dicas práticas de como lidar com esquerdistas militantes hostis, como reagir a um jornalista militante de esquerda que bate à sua porta etc.; e a lição é bastante simples, a direita pode e deve ser forte, o que inclui uma militância ativa e ostensiva: Friberg é criador do empreendimento “Motpol”, que, além de assessorar vítimas de assédio ideológico esquerdista (algo extremamente comum na Suécia), é uma força crescente na imprensa, na área editorial, como think-tank e cresceu vertiginosamente em diversas outras atividades ao longo de sua década de existência completada em 2015.
E ainda mais importante, Freiberg é enfático em afirmar que para a direita vencer a guerra, o campo de batalha é a cultura ou, conforme Friberg chama, a “metapolítica”. Não se trata de meramente ganhar eleições, ocupar parlamentos, enfim, vencer a “política de rua”, é mister que as instituições produtoras de cultura sejam retiradas da alçada do esquerdismo radical. Escolas, universidades, imprensa, editoras etc. devem voltar a servir os interesses genuínos das pessoas e não à agenda do progressismo frankfurtiano e da estratégia gramscista. No livro, Friberg oferece todo o passo-a-passo de como essa ofensiva cultural de direita deve ser empreendida para que obtenha sucesso.
Os episódios que chamei a atenção no início do artigo mostram como o diagnóstico de Friberg é preciso: a esquerda preparou o terreno cultural para (entre outras coisas, evidentemente) a aceitação de políticas de imigração em massa, por exemplo, acusando todos que discordam dela de “fascista”, “racista” ou “nazista” e a dita direita, covarde, acuada e cúmplice, sorveu tudo que veio desse caldo politicamente correto que escorreu das universidades sob a alcunha de “multiculturalismo” e de “politicamente correto”, autorizando legal e moralmente a coisa toda. Uma direita que acerta no campo econômico (vale novamente o exemplo alemão, a mesma Merkel que abriu as fronteiras para qualquer um é o principal bastião da ortodoxia e da austeridade econômica) mas erra em todo o resto está invariavelmente fadada ao fracasso e não merece nenhum apoio consistente.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O conservadorismo é o inimigo comum ( FABIO BLANCO)

Para a grande mídia, meios intelectuais e para a classe política, o conservadorismo continuará a ser o que sempre foi: uma ameaça ao status quo.

Cada vez mais, fica evidente que não se deve fazer concessões àqueles que não comungam dos mesmos objetivos, que não possuem a mesma cosmovisão e possuem paradigmas que se diferenciam muito dos seus, ainda que, politicamente, haja alguma afinidade de idéias.
No ano passado, quando a disputa presidencial ficou entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, a quase totalidade dos conservadores brasileiros fizeram uma campanha positiva em favor do candidato do PSDB. Apesar desse apoio ter sido dado com desconfiança, ele foi bem explícito, chegando a parecer mesmo uma aprovação à figura do senador mineiro.
Eu mesmo, ainda que sempre deixando claro que votaria nele bastante envergonhado, tomei uma posição muito clara em seu favor. Inclusive, cheguei a defender esse chamado voto útil, ou a escolha por um mal menor, de forma ardorosa contra a crítica de alguns outros conservadores um tanto mais inflexíveis. Estes negaram apoio a Aécio por uma razão muito simples: diziam que o partido social-democrata, apesar de ser um tanto mais liberal em matérias econômicas, em todo o resto, como nas questões de valores familiares, defesa da vida e assuntos culturais era tanto ou até mais radical em favor da visão esquerdista do que o próprio Partido dos Trabalhadores.
Na época, achei, sinceramente, que esse discurso estava equivocado. Na minha cabeça e de tantas outras que se expressaram nesse sentido, era melhor se concentrar em tirar o PT antes de tudo e, depois, poderíamos nos concentrar no PSDB, que estaria no poder.
No entanto, passado mais de um ano daquelas eleições e vendo a atitude da cúpula tucana, inclusive do senhor Aécio Neves e, agora, observando os ataques histéricos que um de seus maiores defensores na mídia, o senhor Reinaldo Azevedo, tem impetrado contra os conservadores e, principalmente, contra o provável candidato à presidência em 2018, o deputado federal Jair Bolsonaro, começo a reconhecer que talvez aqueles conservadores mais inflexíveis estivessem realmente com a razão.
Pode ser que, em algum momento, tenhamos acreditado que os tucanos, apesar de suas raízes fabianas, pudessem ser aliados dos conservadores. Talvez tenhamos tido a ilusão de que o apoio conservador ao candidato do PSDB causasse algum tipo de simpatia em seu partido pelas nossas causas, fazendo com que aliviassem um tanto o discurso progressista que sempre lhes foi próprio.
No entanto, os sinais foram claros que tudo isso não passara de um grande engano. O próprio Aécio Neves, ainda na época da campanha, declarou que jamais se direcionaria para o espectro da direita política. Além do mais, o programa de governo do PSDB era ainda mais radicalmente contrário aos valores conservadores do que o do próprio PT. Findadas as eleições, o candidato derrotado simplesmente se negou a dialogar com a parcela da população que votou nele, escolhendo a reclusão, em um sinal claro de que não havia qualquer afinidade entre ele e seu novo eleitorado.
Quanto aos seus defensores na mídia, principalmente no caso de Reinaldo Azevedo, que sempre foi um explícito apoiador dos personagens tucanos, até quando foi possível, tentaram manter uma relação cordial com a parcela mais conservadora da sociedade. Como havia um inimigo comum, pareceu que as aparentes pequenas divergências que havia entre eles ficaria diluída diante do problema maior, que era o PT.
No entanto, surgiu um fenômeno inesperado no meio do caminho: um provável candidato a presidente que está arrebatando grande parcela daqueles mesmos eleitores que apoiaram Aécio Neves em 2014: o deputado Jair Messias Bolsonaro.
É evidente que ao ver as cenas das pessoas carregando aquele que eles apelidaram carinhosamente de Mito nos ombros, em todas as cidades por onde passa, o alerta vermelho soou no quartel-general do PSDB e, a partir desse momento, um novo inimigo surgiu.
Então, aqueles que até aqui eram tratados como aliados, quase como companheiros de armas, de repente são tidos por fanáticos, radicais, ou como gosta de falar o senhor Azevedo, fascistas. Aquela que parecia uma aliança, ainda que tática, se mostrou, de fato, inexistente. O que se ouve, agora, é o destilar de um ódio irracional e a expressão de um medo histérico, que tentam demarcar os conservadores como extremistas que devem ser contidos.
Fica claro, com isso, que nós, os conservadores, realmente cometemos um erro. Acreditamos que era possível, de alguma maneira, compor-se, nem que fosse apenas precariamente, com esquerdistas aparentemente menos radicais. A realidade, porém, está deixando bem claro que tal acordo tácito apenas se sustentaria enquanto fosse favorável aos representantes social-democratas. Enquanto o apoio conservador oferecia suporte e votos para os políticos do PSDB, o fingimento permanecia. Bastou, porém, aparecer uma alternativa para esses conservadores e eles começarem a demonstrar que seu apoio e voto não seria mais para o tucanato, para se tornarem incômodos e não bem-vindos nos círculos progressistas, recebendo destes a pecha de radicais obtusos.
Isso deixa evidente, portanto, que o conservadorismo, se quiser se impor neste país, vai ter de buscar apoio onde ele sempre se manifestou da maneira mais natural, a saber, no meio do povo. Porque na mídia, nos meios intelectuais e na classe política ele vai continuar a ser o que sempre foi: uma ameaça ao status quo.

Bolsonaro cresce, para o desespero da esquerda light(EDNALDO BEZERRA)


rafhcO fato é que o deputado Jair Bolsonaro está incomodando não só os petistas, mas também aqueles que fazem parte e apoiam a esquerda “light”.

É impressionante o crescimento da popularidade do deputado Jair Bolsonaro! Em todas as cidades onde tem passado, ele é ovacionado e recebido como se fosse uma celebridade bastante querida. Creio que se fosse feita uma pesquisa de intenção de voto para presidência, o deputado já passaria dos 15%. Particularmente, isso não me espanta muito, pois, no início de 2013, escrevi um artigo intitulado “Chegou a vez da direita” e no ano das eleições escrevi “Carta aberta a Rodrigo Constantino” e “PP e PT ou Davi x Golias”, que já falavam da necessidade e da inevitável candidatura de Jair Bolsonaro à presidência.
Tal popularidade, sem dúvida, deixa a esquerda preocupada. Tanto é que no CADERNO DE TESES DO PT, item 157, está escrito:
“Neste congresso conservador e sob a presidência de Eduardo Cunha, temas como a reforma política, a lei da mídia democrática, a punição dos crimes da ditadura militar, o combate à corrupção e mesmo a cassação do deputado Jair Bolsonaro só terão chance de êxito se houver intensa pressão social”.
Diante da impossibilidade de derrubá-lo legalmente, parece-me que a tática dos opositores e da mídia em geral tem sido criar um Bolsonaro fictício, uma figura radical, adepto de ditadura militar, homofóbico, e por aí vai. Nada mais enganoso; ou seja, há o homem real e o criado. Quem assiste a um vídeo na internet em que o Bolsonaro tece elogios ao deputado Clodovil, fatalmente se pergunta: “Cadê a 'homofobia'?”
O fato é que o deputado Jair Bolsonaro está incomodando não só os petistas, mas também aqueles que fazem parte e apoiam a esquerda “light”. Sim, porque ser contra o PT não significa ser de direita. Acho, inclusive, que a maioria dos jornalistas é de esquerda. O PSDB, por exemplo, é um partido de linha marxista, de esquerda. E há muitos que não toleram o PT e são tucanos. Dizer que esses camaradas são de direita é uma aberração. Não temos uma oposição de verdade; aliás, temos, de direita mesmo, só um combatente fazendo oposição implacável. Por isso, como disse alhures, querem tirá-lo de cena. O Bolsonaro tem a coragem, por exemplo, de combater um ponto primordial, ou seja, a farsa de que os militares foram vilões e a farsa de que no passado vivemos uma autêntica ditadura (o período do governo militar foi uma ditadura à brasileira, como diria o historiador Marco Antônio Villa). Assim, parece-me um equívoco pensar que o Bolsonaro defende a volta do regime militar, o deputado só está tentando desconstruir uma mentira engendrada pela esquerda. E é aí, nessa mentira, que está estruturada a força ideológica da esquerda brasileira.
Cabe dizer que temos no Brasil aqueles que são da esquerda radical, aqueles que são da esquerda moderada e os que são de direita. É bom ficar claro que não existe a dicotomia: socialistas ou militares (a função das Forças Armadas é outra) o que há é a dicotomia entre socialistas do PT ou socialistas do PSDB, e ambos distorcem os fatos relativos ao regime militar. Sempre farão assim, por questão ideológica. Claro! A realidade é que houve erros de ambos os lados, não tem nenhum santo. Creio que os militares não desejam vir a administrar o país novamente. Aliás, eles sequer cogitam essa possibilidade. Os tempos são outros! E qualquer regime autoritário é ruim! No entanto, faz-se necessário reconhecer a farsa engendrada pela esquerda com relação àquele período da nossa história. Há que se combater primeiro essa farsa e trazer a verdade histórica à tona, a fim de aniquilar a ideologia esquerdista. E são pouquíssimos indivíduos na mídia que fazem isso. Levantar bandeiras do PSDB é pregar o socialismo do mesmo jeito. Será que isso é difícil de perceber?
Enfim, precisamos de algo novo; ou seja, PT e PSDB representam o mesmo atraso socialista, e o deputado Bolsonaro está sabendo conquistar esse espaço que lhe foi deixado, daí a razão do crescimento de sua popularidade.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Liberalzinho ( Pedro Henrique Medeiros)

 
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Vocês já devem ter visto por aí o famoso liberalzinho pó-de-arroz.
Esse liberal não segue um padrão unificado, mas muitos estereótipos fazem com que ele seja facilmente reconhecido.
Uma dessas características é a ojeriza que ele tem com os palavrões, que ele chama de 'palavras de baixo calão' -- sem saber que está usando um termo racista derivado da palavra 'caló', de origem cigana do sul da Espanha e que significa 'preto'. Ou seja, dizer que alguém usa palavras de baixo calão é o mesmo que dizer que a pessoa está usando linguagem de preto. O liberalzinho é todo afetadinho; quando escuta ou lê um palavrão, ele diz que está "horrorizado" (sic). Ui!
É o típico academicista. Geralmente formado em Ciências Econômicas ou Ciência Política; é um amante inveterado de diplomas, títulos, prêmios, currículo Lattes. Odeia os autodidatas com todas as suas forças. Os pais trabalharam duro para acumular certa riqueza e agora o filho liberalzinho desfruta das benesses daqueles que se privaram de toda liberdade para que o filhinho querido pudesse andar pelas ruas chamando todo mundo de socialista. Nunca criou ou administrou nada.
Temos, também, a versão mais velha: o liberalzinho oldschool. Esse aí é aquele que usa um blazer desbotado, com os botões abertos, por cima de uma camisa Tommy Hilfiger, uma calça jeans com a bainha rasgada e um tênis All Star velho, bem surradinho. Compra livros velhos em sebos na av. Augusta e os carrega embaixo do braço. Freqüenta lançamentos de livros de autores suspeitos e chega à Livraria Cultura com a testa suada, com pressa, para uma sessão de fotos e autógrafos. Seu objetivo é ‘fazer contatos’, ‘network cultural’.
Meu amigo Filippe Irrazábal chama alguns de liberaizinhos Puc-Rio. Gente que toma chopp com os amigos petistas. O liberal se acha o descoladão, vive de bajulação social, pensador independente. Quando possui alguma empresa, o papo gira em torno de ‘o PT atrapalha meus negócios’, ‘o PT não entende de gestão’.
O liberalzinho planta a própria maconha para não financiar o tráfico. Burguesinho drogado, do moleton da GAP e do Iphone 5s que só não é comunista porque entendeu que o livre mercado é melhorzinho. Quando a conversa com os amigos de esquerda esquenta um pouco, ele sai pela tangente: “veja bem, meu amigo. Não é bem assim...”, ligeiramente recuado e de cabeça baixa, sem apelar para não ferir a susceptibilidade dos coleguinhas com camisas Che Guevara.
Acredita na esquerda democrática. Leitor de Wunderblogs, assinante na Veja. Tem fotos no Pinterest porque o Instagram tá -- como dizem -- meio vilanizado...
Assinante da newsletter do Mises Brasil. Vai em todas as palestrinhas dos amigos liberais. Fala pra mamãe que está indo à conferência do instituto. Nossa! Millenium, Ordem Livre, Mises Brasil, Estudantes Pela Liberdade, o caralho. Crachazinho no pescoço. Senta na frente. Tira selfie com o Ron Paul.
Percebe que aquilo ali tá meio paradão, com muita cueca. Aí começam o recrutamento de jovens garotas adolescentes – na maioria das vezes conservadoras. Ou então alguma vadiazinha libertina revoltada com os pais. Oferecem alguns brindes às moças, viagens, passagens de avião, hospedagem em hotéis, resorts. Afinal de contas, ser conservador, cristão -- e principalmente católico -- é meio careta. Muito carola. Pra ser descoladão tem que ser liberalzinho e debater a legalização das drogas.
Faz um colóquio com Alex Catharino. Toma um café com Hélio Beltrão. Participa de uma conferência com Fabio Ostermann. Tem uma reunião agendada com Fernando Ulrich. Uma conversa com Juliano Torres.
Pronto. Ganha o direito de fazer uma palestrinha ou então vai debater com algum esquerdista. Senta de pernas cruzadas e fica balançando o pezinho. Segura o microfone apenas com o polegar e o indicador. Uma veadagem sem tamanho.
Alguns vão mais fundo e conhecem os livros de uns malucões como Rothbard, Block e Hoppe. Daí já era. Viram libertários. O cérebro vira paçoca. Fica convencido de que é possível ser um católico-libertário. Hahaha! Mas isso é assunto para outro post.
Se vai para o lado do conservadorismo anglo-saxão e britânico, topa com Russell Kirk e Edmund Burke, mas se cair no colo do Catharino, já era. Daí todo mundo é neocon.
Alguns liberaizinhos são os típicos arrivistas. Alpinistas sociais. O amigo de todo mundo. Manda solicitação de amizade pra toda a galera. No Facebook é todo dia post com “Quem é John Galt?”, mas nunca leu 'A Revolta de Atlas'. Ayn Rand é sua musa. A capa de Facebook é uma Gadsden Flag: “Don't Tread on Me”. Auto-intitulado 'enemy of state'.
Liberalzinho Partido Novo, liberalzinho Movimento Brasil Livre, liberalzinho Vem Pra Rua.
Temos também o liberalzinho do “ceticismo político”, leitor de Mateus Minuzzi (vulgo Luciano Ayan). Meu amigo Luciano Geronimo chama de liberalzinho de TI (tecnologia da informação). Esse tipo específico acha que o mundo é um sistema operacional e as pessoas são seres como programas de computador. Bitcoins são as armas dos guerreiros digitais da liberdade contra o petrodólar. Babam ovo de Tesla mesmo com o Elon Musk sendo um comedor de subsídios. Ayan saca seu manual de programação neurolinguística e mistura com o que ele chama de "infowar" e cria uns termos em inglês para "enquadrar" os inimigos. Alguns termos são tão engraçados que parecem nomes de banda de rock. Verbal Assault Patterns, controle e inversão de frames, direita "true", ceticismo político, shamming, negacionismo político. Uma piada. O que vale é o pragmatismo.
Filosofia? No Brasil, para o liberalzinho, Pondé é autoridade máxima. Olavo de Carvalho? Que nada. Ele fala palavrão, é astrólogo, diz que cigarro faz bem pra saúde, diz que tem feto dentro da Pepsi, acredita no geocentrismo, que combustível fóssil não existe e o velho ainda tem fé que refutou Newton. Onde já se viu?
O pior liberalzinho é aquele que em algum momento foi aluno do Olavo, que diz que leu seus artigos, livros, etc. Ele fica meio em cima do muro por um tempo e se assume como liberal-conservador. Mas chega uma hora que a pressão dos liberais "true" (para usar um termo do Ayan) é muito forte. Então, para não ser chamado de membro de seita e de olavete fanático, o ex-olavete inicia um novo caminho: do pensador independente. Agora ele pensa com os próprios miolos. É um autônomo. Independente. Diferentão. Não anda com a ralé. Começa a tocar na sua cabeça a música do Chitãozinho e Xororó: “vou negando as aparências, disfarçando as evidências”. O passo seguinte é negar as influências. Diz em alto e bom som que o Olavo não o influenciou em nada. Vocês conhecem o roteiro desse filme. Apaga tudo o que consegue achar de seu passado que o incrimine. Engana a si mesmo, mas sempre alguém consegue um print comprometedor e o sujeito nem queima a cara de vergonha, pois já caiu nos braços dos amigos liberais. Foi acolhido. Vai ser convidado pra palestrar na próxima conferência do Movimento Brasil Livre.
O liberalzinho continua a ler Olavo escondido, mas suas fontes oficiais passam a ser outros liberaizinhos como Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Diogo Mainardi, Mário Sabino, Leandro Narloch, Marco Antonio Villa, etc. A mesma panelinha que Olavo chama de ‘direita permitida’. São os defensores do ‘Estado Democrático de Direito’, os ‘devotos das instituições’. É só um tucanismo baba-ovo de PSDB.
Pra ser liberalzinho direferentão é preciso defender a bicudagem. Fazer aliança com a ‘esquerda democrática': Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Aloysio Nunes. O Flavio Morgenstern e o Fabio Pegrucci ficaram com a bicudagem e lacraram likes em posts que desciam o cacete no Olavo, sem contar as indiretas dos dois sem citar o nome do professor.
Se acham capazes de julgar o Olavo desde uma posição superior. Citam as influências verdadeiras excluindo o Olavo e não lembram que só existem esses livros em português porque o Olavo deu um jeito que fossem traduzidos e colocados em circulação no Brasil.
Um verdadeiro liberalzinho tem que atacar o Jair Messias Bolsonaro. Chamá-lo de "nacionalista estatista".
O liberalzinho não fala comunismo. Ele combate apenas o socialismo, porque sabe que sua agenda cultural é a mesma dos comunistas: drogas, "casamento" gay, aborto, ideologia de gênero, etc. Não estão muito interessados com esse negócio de cultura, de moral, de ética, de valores.
Peguem o Constantino, por exemplo. O cara diz que as desculpas que pediu ao Olavo foram ‘desculpas táticas’, desculpas estratégicas. Esses caras são uns arrivistas que crescem nas sombras do Olavo, cooptando os seguidores deste e, quando acham que chegou a hora, dão um jeito de arrumar uma briga com o Olavo, depois inventam uma versão totalmente mentirosa da treta, enganam uns otários e seguem a vida, desfrutando de tudo que o Olavo conquistou.
Liberal não é contra kit gay porque este ensina crianças sobre sexo e homossexualismo, mas simplesmente porque o Estado usa dinheiro de impostos. Não há nenhuma objeção moral por parte deles. O argumento é puramente economicista. Se fosse em uma escola privada e os pais demandassem esse tipo de ‘educação’ nas salas de aulas de crianças, para o liberal está tudo certo.
Muita coisa pode ser dita desse tipo de gente que trombamos todos os dias pelo feed do Facebook, mas por hoje é só.