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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Capitalismo nos Dez Mandamentos? (ALBERTO MANSUETI)

Por isso votar nas esquerdas é tão imoral quanto o próprio sistema socialista, porque valida todas as faltas citadas à lei de Deus, e porque a cobiça manda o Estado roubar “dos ricos” para repartir “com o povo”.

“Em que parte da Bíblia há apoio para o capitalismo?”, me perguntam no rádio. Digo que principalmente nos Dez Mandamentos, o resumo da lei de Deus, ao condenar e proibir severamente todo tipo de abuso de poder e idolatria, incluindo a que se rende ao Estado. Porém, vamos por partes.

Primeiro, o que é o capitalismo? É o nome dado pelos comunistas ao “sistema de economia natural” ou de livre mercado que surgiu de maneira espontânea quando havia “governo limitado”, o sistema político que Deus ordena na Bíblia: em seus cinco primeiros livros, especialmente Deuteronômio. Ele já não existe porque em quase toda parte as esquerdas impuseram um governo totalitário e socialista sem limites, contrário à natureza das coisas, que o substituiu.
E o socialismo? É o oposto do capitalismo, e a forma atual de estatismo ou estatolatria. Como toda tirania, histórica ou atual, é uma transgressão completa e gravíssima de cada um dos dez mandamentos. Veja Êxodo 20 e compare:
  1. Não ter outros deuses. O socialismo é uma falsa religião, que nos impõe um falso deus: o mega-Estado totalitário, no qual se deposita toda a fé e esperança de salvação terrena, e ao qual se confere todos os atributos do Deus da verdade: sabedoria e providência, onipotência, onipresença, e plenitude de caridade e misericórdia. Exige-se para ele obediência incondicional, honra, glória e culto a partir da educação pública, que é sua catequese e discipulado.
  2. Não fazer imagens de escultura. Como era, por exemplo, o desfile de 1º de maio em Moscou? Com bandeiras gigantes de Marx e Engels, e do líder supremo da vez, sumo-sacerdote da liturgia. E os enormes mísseis, evidentes símbolos fálicos e do poder militar do deus-Estado. Com bandeiras e escudos, entoando hinos e cantos solenes, como no “Dia do Partido” da Alemanha nacional-socialista.
  3. Não tomar o nome de Deus em vão, para usá-lo com algum propósito periférico. É o que fazem as esquerdas religiosas, por exemplo, o socialismo sionista disfarçado de judaísmo; a “teologia da libertação” marxista disfarçada de catolicismo; o “evangelho social” travestido de protestantismo; e a “jihad” ou guerra santa política, como se fosse o genuíno islã.
  4. Guardar o dia do Senhor. Por que no domingo os socialistas fazem eleições, e as esquerdas “verdes” fecham ruas e interrompem o trânsito? Para dificultar os cultos, e as reuniões familiares; porque o socialismo é contra a igreja, a família, e contra tudo o que Deus abençoa.
  5. Honrar pai e mãe. Este Estado é “um deus ciumento”: rouba da família funções, liberdades e bens, a empobrece e anula; a destrói para ocupar seu lugar. O feminismo, criado pelo socialismo, põe o Estado como marido de todas as mulheres, e pai de todos os filhos, separados de suas famílias pela escola
    pública, onde o comunismo ensina a delatar aos pais “contrarrevolucionários”.
  6. Não matar. É um deus cruel e assassino. “O livro negro do comunismo”, editado na França (1997) por Stephane Courtois, registrou até agora uns cem milhões de mortos. E a conta segue...
  7. Não cometer imoralidade sexual. Ao marxismo clássico ou econômico do século 20, o “socialismo do século 21”, soma-se hoje o “marxismo cultural”, que em sua feroz investida contra a família, legitima o aborto e todo tipo de união sexual imaginável e inimaginável.
  8. Não roubar. O socialismo é um roubo. “Redistribuir a riqueza” é tomá-la de seus donos legítimos, todos nós que trabalhamos, com impostos excessivos, moedas sem lastro metálico e inflação galopante, crédito sem base em depósitos, dívida selvagem, pirâmides financeiras do tipo “seguro social” e outros confiscos.
  9. Não mentir. A mentira aparece sempre na lista pois serve para ocultar e dissimular ou justificar assassinatos, imoralidade e roubos. O socialismo é uma grande falsidade, para encobrir todos os seus delitos, montada sobre uma “teologia” estatista costurada em sofismas grosseiros, evidências e testemunhos truncados ou escamoteados, teorias forjadas, e especulações improváveis ou impossíveis.
  10. Não cobiçar. Os mandamentos anteriores protegem a vida, a família, a propriedade e trabalho, e a verdade; são os pilares e valores do capitalismo. E este, o décimo mandamento, põe uma proteção adicional, porque a maioria dos crimes começa pela cobiça, que é o princípio e a base ética do socialismo, assim como o trabalho produtivo e o desenvolvimento são princípio e base do capitalismo.

Por isso votar nas esquerdas é tão imoral quanto o próprio sistema socialista, porque valida todas as faltas citadas à lei de Deus, e porque a cobiça manda o Estado roubar “dos ricos” para repartir “com o povo”. Ainda que a realidade seja que os chefes e burocratas socialistas são deixados com todo o espojo e nada sobre para o povo; porém, esse é o castigo trazido pelas consequências do pecado!

Os socialistas “cristãos” dizem que a lei de Deus e, portanto, o capitalismo, são coisas do Antigo Testamento, não do Novo. Ah, é?! Pois assim se inverte o ônus da prova, e eles é que têm de mostrar no Novo Testamento onde se revogam os mandamentos, ou onde Jesus e seus apóstolos apoiam ou praticam o “cesarismo”, ou o socialismo. Somente um o pratica: aquele que “roubava da bolsa” (João 12.6).

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O capitalismo de estado tem de ser diariamente combatido (IMB)

delcidio-e-esteves-negociavam-dinheiro-para-evitar-delacao-premiada-de-cervero.jpgQuanto maior e mais poderoso um governo, quanto mais leis e regulamentações ele cria, mais os empresários poderosos e com boas conexões políticas irão se aglomerar em torno dele para obter privilégios.
Quanto maior e mais poderoso um governo, quanto mais leis e regulamentações ele cria, mais brechas ele abre para que empresários poderosos se beneficiem à custa dos concorrentes e da população como um todo.
Tais empresários irão, por meio de favores pessoais ou de propinas, burlar estas leis e regulamentações (com o aval de políticos) ao mesmo tempo em que defenderão a imposição destas leis e regulamentações sobre seus concorrentes.  
Isso, obviamente, não é capitalismo genuíno, mas sim uma variação do mercantilismo. Trata-se de um capitalismo mercantilista, um capitalismo de compadrio, um capitalismo regulado em prol dos regulados e dos reguladores, e contra os consumidores.
Neste sistema econômico, o mercado é artificialmente moldado por uma relação de conluio entre o governo, as grandes empresas e os grandes sindicatos.  Políticos concedem a seus empresários favoritos uma ampla variedade de privilégios que seriam simplesmente inalcançáveis em um genuíno livre mercado. 
Há a criação de privilégios legais, que vão desde restrições de importação, subsídios diretos, tarifas protecionistas, empréstimos subsidiados feitos por bancos estatais, e agências reguladoras criadas com o intuito de cartelizar o mercado e impedir a entrada de concorrentes estrangeiros, até coisas mais paroquiais como a obrigatoriedade do uso de extintores e do kit de primeiros socorros nos automóveis e a obrigatoriedade do uso de canudinhos plastificados (devidamente fornecidos pela empresa lobbista) em bares e restaurantes.  
E há a criação de privilégios ilegais, que vão desde fraudes em licitações e superfaturamento em prol de empreiteiras (cujas obras são pagas com dinheiro público) a coisas mais paroquiais como a concessão de bandeiras de postos de combustíveis para empresários que pagam propina a determinados políticos (bandeiras essas negadas para empresários honestos e menos poderosos).
Em troca, os empresários beneficiados lotam os cofres de políticos e reguladores com amplas doações de campanha e propinas. A criação destes privilégios pode ocorrer ou abertamente, por meio de lobbies e da atuação grupos de interesse, ou na surdina, por meio do suborno direto.
Em ambos os casos, empresários poderosos e grupos de interesse conseguem obter privilégios mediante o uso da coerção estatal.  E isso só é possível porque há um estado grande que a tudo controla e tudo regula.
Um estado grande sempre acaba convertendo-se em um instrumento de redistribuição de riqueza: a riqueza é confiscada dos grupos sociais desorganizados (os pagadores de impostos) e direcionada para os grupos sociais organizados (lobbies, grupos de interesse e grandes empresários com conexões políticas.
A crescente concentração de poder nas mãos do estado faz com que este se converta em um instrumento muito apetitoso para todos aqueles que saibam como manuseá-lo para seu benefício privado.
Os libertários, obviamente, se opõem radicalmente a ambos esses arranjos, tanto o legal quanto o ilegal. 
E a receita que propõem é bem simples: se os lobbies, os grupos de interesse e as propinas surgem porque o estado detém um grande poder regulatório e decisório, então nada mais lógico do que reduzir o estado a uma mínima expressão.
O problema é que esta receita rapidamente gera algumas dúvidas e suspeitas legítimas entre aqueles que estão dispostos a fazer um debate racional (e não um emocional e ideologizado): se por acaso o estado fosse reduzido a uma expressão mínima, os lobbies e grupos de interesse não acabariam tendo muito mais poder do que têm hoje?  Será que não necessitamos de um estado forte justamente para que ele mantenha os grupos de interesse dominados (muito embora a empiria confirme que os lobbies e os grupos de interesse prosperam justamente com estados fortes)? A diminuição do estado não levaria à criação de uma oligarquia capaz de nos impor unilateralmente suas vontades?
A resposta a todas essas perguntas sensatas é um sonoro 'não', e o motivo está vinculado ao conceito de autoridade política.
A autoridade política
Por que a maioria das pessoas aceita e legitima que o estado faça coisas que, caso fossem feitas por agentes privados, seriam vistas com horror?
Por exemplo, a maioria das pessoas vê com naturalidade que o estado cobre impostos dos trabalhadores e distribua esse dinheiro para ONGs, artistas e movimentos sociais, mas consideraria uma aberração caso uma turba invadisse uma casa, tomasse a carteira do morador e desse esse mesmo dinheiro para ONGs, artistas e movimentos sociais.  Igualmente, a maioria das pessoas vê com naturalidade que o estado restrinja — por meio da burocracia, da alta carga tributária e das licenças ocupacionais — a liberdade de empreendimento das pessoas, mas consideraria uma aberração caso um grupo qualquer, de maneira idêntica, também coibisse outras pessoas de empreender.
Por fim, a maioria das pessoas vê com naturalidade que o estado conceda monopólios e reservas de mercado (via agências reguladoras) para grandes empresas, mas consideraria uma aberração caso empresários se auto-arrogassem esses privilégios.
Por que então toleramos que o estado incorra em atividades que condenaríamos de imediato caso fossem executadas por indivíduos?
Porque, como bem explicou o filósofo Michael Huemer no livro  The Problem of Political Authority, o estado usufrui autoridade política.  Autoridade política seria a legitimidade política socialmente reconhecida ao estado para impor leis e usar a coerção sobre a sociedade (sociedade esta que, por sua vez, tem a obrigação política de obedecê-lo).  Segundo Huemer, embora a autoridade política seja limitada territorialmente (um estado possui autoridade política somente dentro de seu território), ela é total dentro deste território (todos, ou quase todos, os cidadãos são obrigados a obedecer ao estado).  Adicionalmente, o estado teria a legitimidade para legislar sobre diversas questões e o conteúdo dessas legislações seria quase ilimitado.  Por fim, trata-se de uma exercício de supremacia, pois, dentro deste território, não há nada que esteja hierarquicamente acima do estado.
Neste sentido, podemos definir o estado como aquele ente ao qual a imensa maioria dos cidadãos concede e reconhece autoridade política.  O estado, portanto, pode fazer o que faz porque o conjunto da sociedade aceita lhe conceder um vasto poder discricionário — poder este que a sociedade concede somente ao estado.
Os políticos "patrimonializam" autoridade política
Ao menos no Ocidente, os lobbies, os grupos de interesse e os empresários carecem de autoridade política.  Se a possuíssem, poderiam atuar à margem do estado, e consequentemente não teriam de exercer essa onerosa intermediação sobre o estado.  Se a possuíssem, poderiam por conta própria fechar mercados, criar monopólios, impor tarifas de importação, estipular licenças ocupacionais, e auferir subsídios para si próprios.
Obviamente, portanto, os lobbies, os grupos de interesse e os empresários carecem de autoridade política para exercerem, sozinhos, todos estes despautérios.  A sociedade não aceitaria que nenhuma empresa ou associação de pessoas se arrogassem tais poderes.  E, justamente por carecerem de autoridade política própria, os lobbies, os grupos de interesse e os empresários encontram apenas uma única via para exercê-la em proveito próprio: valendo-se da autoridade política que possui o estado.
E é exatamente a isso que se dedicam: a exercer pressão sobre os mandatários, a quem os cidadãos reconhecem autoridade políticas.  Em outras palavras, os políticos terceirizam os direitos de uso de sua autoridade política no mercado negro dos lobbies e das propinas: aquele grupo de interesse ou aquele empresário mais pujante receberá o favor do político correspondente.
A estratégia dos políticos, portanto, consiste em "patrimonializar" a autoridade política que a população lhe concedeu.  O político capitaliza essa sua autoridade e a arrenda a quem oferecer mais.
A solução libertária?  Limitar enormemente (ou até mesmo eliminar) a autoridade política que socialmente concedemos e reconhecemos ao estado.
E se o estado não possuísse (tanta) autoridade política?
Se o estado deixa de dar subvenções aos lobbies, aos grupos de interesse e aos empresários bem conectados, estes não irão adquirir autoridade política para cobrar privilégios da sociedade.  A sociedade é perfeitamente capaz de se auto-coordenar perfeitamente neste quesito.  Não é necessário haver uma "autoridade política que determine a transferência de renda de grupos menos organizados para grupos mais organizados".
O mesmo é válido para todas as hiper-regulamentações estatais que atualmente beneficiam grandes empresas e grupos de interesse.
Em definitivo, minimizar o tamanho do estado — deixar de lhe reconhecer autoridade política sobre várias atividades que hoje ele exerce — não implica maximizar o poder dos lobbies, dos grupos de interesse e dos grandes empresários, mas sim minimizá-lo por igual: tais grupos carecem de autoridade política para exercer coerção sobre a sociedade e, por isso, têm de instrumentalizar o estado (que no momento usufrui essa autoridade) a seu favor.
Diminuir drasticamente o estado não é sinônimo de repartir o poder político, mas sim de diminuí-lo.  A sociedade livre pode se autocoordenar internamente por meio da propriedade privada individual, das co-propriedades coletivas e dos contratos voluntários.  Se muito, pode-se ter uma autoridade política ultralimitada que se encarregue exclusivamente de velar pelo respeito aos contratos, mas nada mais.
Esse é, portanto, o caminho para se lutar contra a corrupção, contra os grupos de interesse e contra os lobbies empresariais: reduzir ao máximo o tamanho do estado para que se permita a pacífica, cooperativa e espontânea coordenação interna de uma sociedade.
Com estado grande, intervencionista e ultra-regulador, lobbies, grupos de interesse e subornos empresariais sempre serão a regra.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Socialista de iPhone: além da piada (João Cesar de Melo)

Che iphone



Gargalhamos automaticamente sempre que vemos líderes e militantes socialistas se utilizando de produtos que simbolizam o capitalismo. Tentando transparecer maturidade ideológica, eles respondem ao nosso deboche dizendo que não são contra a produção desses produtos, mas sim a favor de que todas as pessoas tenham acesso a eles. Será mesmo?
Tendo em mente os discursos socialistas de coletividade e de controle estatal do mercado, analisemos um símbolo capitalista frequentemente utilizado até pelos mais fervorosos líderes da extrema-esquerda, o iphone.
Nenhuma tecnologia que vise o conforto humano pode ser criada e viabilizada a partir de imposições governamentais. De medicamentos à internet, todas as inovações são resultantes de ambientes criativos formados por pessoas livres o bastante para questionar as coisas que já existem, livres o bastante para pensar o que outras pessoas nunca pensaram, livres o bastante para estabelecerem parcerias apenas com pessoas e empresas de seu interesse; e esta liberdade apavora regimes socialistas porque, invariavelmente, desafia a estrutura e os procedimentos do Estado.
Tecnologias necessitam também de capital para serem criadas, desenvolvidas e levadas ao público; e esse capital não surge a partir de decretos e leis, como acreditam os socialistas. O capital é construído dispersamente pela sociedade por meio da liberdade que as pessoas têm para negociar umas com as outras o seu tempo, o seu talento e o seu trabalho, por meio da liberdade que as pessoas têm para pensarem em si mesmas e perseguirem recompensas específicas − o que os socialistas chamam deindividualismo, a origem de todas as desgraças humanas. É a partir da interação espontânea de interesses individuais que riquezas são criadas e distribuídas, já que na incapacidade de suprir todas as suas necessidades e todos os seus desejos, as pessoas precisam trocar umas com as outras o fruto de suas especialidades – eu vendo a você o que você não produz, você vende à mim o que eu não produzo. Isso é o capitalismo, enquanto o socialismo é a presunção de que essa troca deve e pode ser organizada pelo Estado.
Diante disso, como os socialistas pretendem fazer os frutos do capitalismo chegarem a todas as pessoas se eles trabalham sistematicamente contra os fundamentos do capitalismo?
Steve Jobs, que foi criado por um casal que mal tinha o 2° grau, não queria tornar o mundo um lugar melhor, nem foi obrigado pelo governo a trabalhar em função dos interesses sociais. Ele apenas viveu e trabalhou em benefício de si mesmo, assim como todos nós tentamos todos os dias.
Assim como todo empreendedor de sucesso, Steve Jobs entendia que para atingir seus interesses particulares − da sobrevivência à vaidade de ser admirado −, suas ideias e seus produtos teriam que atender as necessidades e os desejos de outras pessoas. Para tanto, ele não tinha que apenas desenvolvê-los, mas torná-los melhores do que os produtos feitos por outras empresas, ou seja: o iphone foi moldado pelo mercado, o ambiente que os socialistas chamam de injusto e opressor.
Para transformar ideias em produtos acessíveis à população, Jobs teve que perseguir o lucro para financiar suas pesquisas. Adotou o princípio de divisão do trabalho de Taylor, com linhas de montagens e hierarquias produtivas cujos salários não eram pagos em função dos esforços empregados por cada trabalhador, mas sim pela responsabilidade, pela especialidade e pela disponibilidade de cada um. Pagando salários modestos à maior parte de seus funcionários, Jobs obteve grandes lucros e tornou-se mais um bilionário americano, ou seja: sob o raciocínio marxista, Steve Jobs foi apenas um “explorador capitalista” como qualquer outro.
E então? Qual socialista de iphone sente-se desconfortável por contribuir com essa “inescrupulosa cadeia de exploração do trabalho humano”? Pelo que parece, nenhum.
O que muitos fazem questão de ignorar é que a Apple é consumida mais como grife do que como produto – vaidade! Windows e androide são para o povão. Quem quer algo mais requintado, paga mais caro por produtos Apple.
Todos os recursos mais importantes encontrados num iphone são encontrados na maioria dos smartphones mais baratos, mesmo assim, o iphone é o produto mais desejado do mercado. O que sustenta essa demanda? O lucro. O lucro obtido por centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro; e é apenas isso, o lucro, que possibilita que pessoas consumam algo além do que precisam para sobreviver.
Aos socialistas, uma pergunta: Considerando que vocês são contra o “excesso de lucro” e que todas as inovações dependem de pesquisas financiadas por recursos provenientes do lucro, como seria definido o lucro justo que cada pessoa e cada empresa poderia obter para financiar suas pesquisas, as quais são processos cheios de imprevistos?
Faz mais de um século que a humanidade aguarda uma resposta coerente.
A verdade: iPhones não representam apenas telefones celulares mais caros e bonitos que outros. Eles representam a essência do capitalismo que, ao contrário do socialismo, não é um sistema desenhado e imposto por governos para se atingir determinados fins. O capitalismo é apenas um ambiente desenvolvido espontaneamente pela civilização humana ao longo de sua história, permitido em maior ou menor grau por governos; e é a partir desse ambiente que pessoas obtém ou não seus lucros, que produtos ganham ou não a preferência dos consumidores, que tecnologias são ou não são desenvolvidas, que sociedades conseguem ou não prosperar.
Empreendedores de sucesso surgem em maior número em países capitalistas não porque são compostos por pessoas mais inteligentes, mas sim porque elas são pessoas mais livres; e é essa liberdade que cria a desigualdade de riqueza característica dos Estados Unidos, comprovadamente melhor do que a igualdade de pobreza imposta pelas ditaduras socialistas.
Regimes socialistas não conseguem criar produtos de qualidade e tecnologias relevantes simplesmente porque impedem que seus cidadãos empreendam negócios livremente, porque impõem condições para o sucesso e limite para a prosperidade individual.
Aos socialistas, uma sugestão: Não contribuam com a exploração do trabalho, nem com as culturas do individualismo, do lucro e da vaidade! Organizem um grande ato público e queimem seus smartphones! Queimem também suas roupas de grife! Apaguem suas contas de e-mail e seus perfis nas redes sociais! Chega de Google, de Netflix, de cartões de crédito e de tudo mais que esteja enriquecendo as grandes corporações capitalistas! Substituam lâmpadas por velas artesanais, computadores por cadernos de papel mache. Aproveitem o embalo para criar empresas de acordo com as relações de trabalho que vocês tanto defendem e provem ao mundo que a sabedoria que preenche suas mentes e a luz que emana de suas almas são suficientes para criar produtos e serviços melhores e mais baratos do que aqueles oferecidos pelo capitalismo, sem exploração, sem exclusão, sem interesses particulares se sobrepondo aos interesses coletivos.
SEJAM o que vocês cobram que os outros sejam!
FAÇAM o que vocês cobram que os outros façam!

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Ou temos capitalismo ou temos escravidão - não há terceira via ( Paul Rosenberg)


servitude.jpgHá quem jure que a busca pelo lucro é algo cruel, abusivo, ultrajante, imoral e maléfico.  É fato que há pessoas desonestas que recorrem a métodos inescrupulosos para obter lucros em seus empreendimentos, mas basear-se em tais pessoas para fazer uma condenação automática do lucro é uma postura ignorante.
A verdade é que foi a busca pelo lucro o que aniquilou aquela milenar abominação que foi a escravidão humana.  Eliminar a capacidade das pessoas de buscar o lucro significaria reimplantar a escravidão no mundo.  E creio que nenhum de nós quer isso de volta.
A escravidão era um sistema econômico
O que até hoje ainda não é corretamente entendido é que a escravidão era a base do sistema econômico vigente no mundo antigo — como na Grécia e em Roma.
Todo o sistema escravocrata se baseava praticamente em um só objetivo: obter excedentes.  É claro que os defensores da escravidão sempre recorriam a justificativas criativas para defender o sistema escravocrata, mas, no final, tudo se resumia a obter excedentes.  Pode-se dizer, portanto, que a escravidão era uma espécie depoupança coercivamente impingida.
Um indivíduo rudimentar e despreparado irá, caso seja abandonado à própria sorte, gastar praticamente tudo o que ele ganha.  Se ele conseguir auferir algum excedente, ele provavelmente irá gastar este excedente em luxos, prazeres, frivolidades ou em coisas piores.  Enquanto ele não desenvolver um caráter mais forte, enquanto ele não adquirir uma personalidade mais estável, sobrará muito pouco de seu excedente para ser utilizado em outras coisas.
Um escravo, por outro lado, jamais aufere rendimentos e, consequentemente, não tem como gastá-los.  Todo o excedente produzido por um escravo é transferido para seu senhor.  Foi exatamente este tipo de arranjo gerador de excedentes o que tornou Roma um império rico.
Mas então surgiu a Europa cristã.  Antes do advento do cristianismo, não se encontra uma única cultura antiga que proibia a prática da escravidão; a escravidão era vista como algo absolutamente normal.  Sendo assim, a Europa abolir o sistema escravocrata que havia herdado de Roma foi uma mudança monumental.
Os europeus substituíram a escravidão — de maneira lenta e por causa de seus princípios cristãos, e não em decorrência de algum plano consciente e deliberado — adotando as seguintes posturas:
1. Desenvolvendo o hábito da frugalidade e da poupança em nível individual.  Isso requereu uma total mudança de postura e um enfoque vigoroso em virtudes como a temperança (autocontrole) e a paciência.
2. Substituindo o arranjo de "produção forçada de excedentes" pelo lucro.  Para isso, os europeus tiveram de recorrer à criatividade para alterar totalmente a natureza de suas atividades comerciais.  Eles tiveram de inovar, inventar e se adaptar para conseguir mais excedentes por meio do comércio.
Sob um novo sistema que acabou sendo rotulado de capitalismo, a poupança e a criatividade se tornaram os novos geradores de excedentes, e nenhum ser humano teve de ser escravizado.
Um mundo sem lucros
Por outro lado, temos exemplos bem recentes do que acontece quando uma cultura proíbe o lucro.  Pense em tudo o que ocorreu em paraísos socialistas como a URSS de Stalin, a China de Mao, e as nações escravizadas doLeste Europeu, e no que ainda ocorre na Coréia do Norte e em Cuba.
São exemplos lúgubres que ilustram exatamente o que ocorre quando toda uma população é escravizada pelo partido dominante.  Nestes sistemas, o indivíduo é obrigado a trabalhar e a produzir, mas é proibido de usufruir os frutos e os rendimentos de seu próprio trabalho, tendo até mesmo o seu consumo restringido pelo governo.
O lucro fornece incentivos para se trabalhar e empreender.  Quando ele é abolido, não apenas o ato de trabalhar e de empreender perde sua função, como também aqueles que querem prosperar não têm como fazê-lo de maneira honesta.  E isso leva ou ao desespero ou à criminalidade.
O lucro é obtido por meio de trocas comerciais inovadoras e recompensadoras.  Se o lucro é eliminado, tem-se a escravidão.  O formato dessa escravidão pode ser variável, mas será uma escravidão de algum tipo.
Com efeito, este resultado será o mesmo não importa se a eliminação do lucro ocorrer por meio do comunismo (em que o lucro é punido com a pena capital) ou do fascismo (em que todo o lucro é direcionado para os amigos do regime).
A questão principal é o excedente produzido:
  • Se o excedente pode ser produzido e acumulado pelo cidadão comum por meios honestos, a escravidão pode ser eliminada.
  • Se os cidadãos honestos não tiverem a permissão de produzir e de manter seus próprios excedentes (sendo seus excedentes confiscados ou pelo estado ou pelos parceiros do estado), o resultado será alguma forma de escravidão.
O lucro é simplesmente uma ferramenta — uma maneira de gerar excedentes sem a coerção imposta pela escravidão.
O que nos leva à conclusão definitiva: é impossível se livrar simultaneamente da escravidão e do sistema de lucros.  Você pode eliminar um dos dois, mas sempre que eliminar um, ficará inevitavelmente com o outro.
O lucro se baseia nas virtudes
Para se viver em uma civilização que prospera por meio do lucro, é necessário que o ser humano saiba domar todos aqueles seus instintos mais primitivos — algo típico dos animais —, como a inveja.  É necessário saber desenvolver o autocontrole, a paciência, a temperança e, principalmente, saber se concentrar em algo maior do que meras possessões materiais — afinal, é exatamente o materialismo o motor da inveja e do igualitarismo.
É vergonhoso que o Ocidente tenha, ao longo dos últimos séculos, se afastado de suas virtudes tradicionais, e passado a considerá-las vícios burgueses ou meras superstições.  Se algum dia finalmente perdermos todas as nossas virtudes, o sistema de lucros perderá sua proteção e não mais será visto como um motor da prosperidade, e a antiga e extinta prática da escravidão irá voltar.
Nossas ações têm consequências.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Os anticapitalistas de hoje continuam ignorando os problemas mais básicos do socialismo (Jonathan Newman)


1409428824071.jpgA grande ironia é que, com o colapso do modelo social-democrata e assistencialista na Europa e na América Latina, a retórica anti-mercado e pró-socialismo está ressurgindo com força nas manchetes dos jornais (ver aquiaqui e aqui) e aparecendo cada vez mais frequentemente nas mídias sociais.
Invariavelmente, tais pessoas acreditam firmemente que organizações financiadas pelo governo — como o FMI (instituição criada por Keynes e financiada pelos impostos pagos pelos cidadãos dos países ricos) — são representantes da genuína economia de mercado.
Esse tipo de confusão conceitual não interessa a essas pessoas, pois os artigos e os memes de internet recorrem ao típico tom populista e a frases curtas e triviais, repletas de clichês e soluções fáceis — e são intencionalmente construídas assim para facilmente evitar ataques e causar mais impacto nos leigos. 
Ao final, tudo pode ser resumido à seguinte mensagem: o socialismo funciona e é melhor do que o capitalismo.
Embora a maior parte dessa retórica venha da esquerda, a direita não é inocente, uma vez que a direita parece estar majoritariamente preocupada em promover sua própria versão de populismo, a qual aparentemente não envolve a defesa dos mercados.  Por exemplo, "Vamos restringir a entrada de imigrantes pobres!" não é a resposta certa para "Abaixo os lucros abusivos!".
Em vez de descer a este nível tosco de argumentação ou de simplesmente dizer "Leiam Mises!" (essa, sem dúvida, uma resposta bem mais adequada), temos de mostrar, mais uma vez, que o socialismo — até mesmo sob o comando de líderes políticos angelicais e genuinamente bem intencionados — é impossível e gera consequências desastrosas.
A necessidade de haver lucros, preços e empreendedores
O socialismo é a propriedade coletiva (ou seja, o monopólio estatal) dos meios de produção.  O socialismo defende a abolição da propriedade privada dos fatores de produção (indústrias, fábricas, maquinários, bens de capital, e trabalhadores).  Salários e lucros são duas fatias do mesmo bolo, e o socialismo diz que a "fatia lucro" deve ser zero.
Todos os problemas teóricos do socialismo emanam de sua definição, e não de pontos específicos de sua aplicação.  Os defensores do socialismo definem "propriedade coletiva" como sendo a proibição de um mercado privado para os fatores de produção.  Só que, sem um mercado para esses fatores de produção, não há como haver formação de preços e salários para esses fatores.  E, sem essa formação de preços e salários para os fatores de produção, não há como mensurar os custos de produção.  E aí tudo se complica.
Em uma economia de mercado livre e desimpedido, os preços e os salários dos fatores de produção são determinados pela sua capacidade de ajudar a produzir bens e serviços que os consumidores querem.  Em termos mais técnicos, os fatores de produção tendem a ganhar o valor do seu produto marginal ("produto marginal" se refere às unidades extras produzidas quando se aumenta em uma unidade quantidade de fatores de produção).  E, dado que cada trabalhador possui alguma vantagem comparativa, há uma fatia do bolo para todos.
Se eventuais mudanças tecnológicas tornam certos fatores mais produtivos, ou se a educação e o treinamento tornam um trabalhador mais produtivo, então seus preços ou salários serão elevados a esse novo e mais alto produto marginal (um mesmo trabalhador ou um mesmo maquinário produzem agora mais bens).  Um empreendedor não irá contratar ou comprar um fator de produção cujo preço seja maior do que seu produto marginal, pois isso faria com que esse empreendedor sofresse prejuízos.
Prejuízos empreendedoriais são mais importantes do que muitos imaginam.  Prejuízos não são apenas um golpe no resultado financeiro do empreendedor.  Prejuízos significam que os recursos que estão sendo utilizados para produzir algo valem mais do que esse algo que eles estão produzindo.  Ou seja, prejuízos significam que o capital está sendo mal empregado; está sendo utilizado de maneira ineficiente.  Prejuízos, portanto, mostram que está havendo uma destruição de riqueza.
Já os lucros significam o oposto.  Lucros representam crescimento econômico e criação de riqueza.  Uma linha de produção lucrativa é aquela cujos itens utilizados para produzir um determinado bem de consumo custam menos do que o valor que os consumidores estão dispostos a pagar por esse bem de consumo.
Sendo assim, lucros e prejuízos são mais do que apenas incentivos importantes; são mais do que uma tramóia conspiratória do sistema capitalista.  Lucros e prejuízos são a única maneira de saber se está havendo criação de riqueza ou destruição de riqueza em alguma linha de produção.
Sob o socialismo, há um único proprietário para todas as linhas de produção.  E, por causa da ausência do sistema de lucros e prejuízos, esse proprietário não tem como utilizar os fatores de produção de maneira eficiente.  Ele não tem como saber quais fatores de produção devem ser direcionados para quais linhas de produção.  É impossível fazer uma alocação eficiente.  É impossível ter um mínimo de certeza sobre qual maquinário específico, qual ferramenta específica ou qual fábrica específica poderiam ser utilizados para produzir algum outro bem de maneira mais eficiente.
É impossível saber quanto de cada produto deve ser produzido em cada etapa da cadeia de produção.  É impossível saber quais técnicas ou quais matérias-primas devem ser utilizadas na produção como um todo.  É impossível saber qual a quantidade de matérias-primas a ser utilizada.  É impossível saber onde especificamente fazer toda essa produção. É impossível saber seus custos operacionais ou qual processo de produção é mais eficiente. 
Ninguém sabe o que produzir, quanto produzir, como produzir, onde produzir.  Tem-se apenas caos econômico.
Quem é contra a liberdade de preços e salários está, em maior ou menor grau, defendendo a instauração desse caos econômico no sistema produtivo. 
Sem mercado, impossível saber o que ou como produzir
O sistema de lucros e prejuízos é o que guia e corrige empreendedores no processo de produzir os bens que eles esperam ser demandados pelos consumidores. 
Sem essa informação, incluindo-se aí muito especificamente os custos de produção, os empreendedores não podem incorrer em nenhum tipo de cálculo econômico.  Sem o sistema de lucros e prejuízos, é impossível estimar a diferença entre receitas futuras e os custos de produção necessários para alcançar essas receitas futuras.
Consequentemente, trabalhadores serão alocados para trabalhar em áreas nas quais não possuem nenhuma vantagem comparativa.  Agricultores são enviados para trabalhar em fábricas, e alfaiates são enviados para trabalhar em minas.  Trabalhadores estão em linhas de produção erradas tendo de lidar com máquinas e ferramentas que desconhecem.  A economia se torna uma bagunça.
O filme polonês Brunet Will Call, de 1976, satiriza situações como essa ao longo de toda a película, mostrando bens de consumo e bens de capital nos lugares mais improváveis.  Um açougueiro retira um cabo de embreagem do seu congelador e o repassa ao personagem principal, que paga fornecendo informações sobre a localização de dois carrinhos de bebê que talvez sejam do interesse do açougueiro caso ele venha a gerar filhos gêmeos (os carinhos estão em uma loja de flores, obviamente).
O fracasso do socialismo não depende da cultura, da época ou da localização das vítimas.  O socialismo já é falho em seu núcleo: a propriedade "coletiva" dos meios de produção. 
Sendo assim, não há como criar uma versão funcional e produtiva do socialismo em lugar nenhum do mundo.  Na prática, os problemas teóricos do socialismo geram convulsões sociais e protestos, os quais são combatidos com rigor pelas forças policiais do estado, resultando em uma carnificina maior que a de todas as guerras oficiais já travadas no mundo.
Sem o sistema de lucros e prejuízos para guiar a produção, cotas de desempenho têm de ser impingidas.  Com essas cotas, e mesmo naqueles casos em que os trabalhadores não mintam sobre sua produção, o caos reina supremo.  Por exemplo, se o governo institui uma cota de produção de parafusos, impondo um número mínimo de parafusos a ser produzido, os trabalhadores dessa linha de produção irão produzir vários, pequenos e inúteis parafusos.  Já uma cota de parafusos baseada no peso estimularia os trabalhadores a produzir parafusos massudos e totalmente inúteis — uma situação satirizada neste desenho da revista satírica russa Krokodil durante a década de 1960.
Intermináveis filas se formavam na URSS repletas de pessoas procurando por sapatos — muito embora a produção de sapatos na URSS excedesse à dos EUA.  O problema era que todos os sapatos produzidos ma URSS eram pequenos demais, pois a produção de sapatos era mensurada unicamente pelo número de unidades produzidas, sem levar em consideração o tamanho e o estilo demandados pelos consumidores. 
Não há como escapar da lei da escassez: se o governo impõe que deve haver um grande número de sapatos produzidos, e se os recursos disponíveis para produzir esses sapatos não são infinitos, então cada sapato produzido tem ser pequeno; caso contrário, não haverá material para fazer o número mínimo de sapatos determinados pelo governo.
Essa lei vale não apenas para sapatos, mas também para absolutamente qualquer outro item cuja produção seja estimada por burocratas e não pelas forças de mercado guiadas pelo sistema de lucros e prejuízos.
Nos estertores do socialismo
Alguns casos são apenas engraçados; outros são trágicos.  Aproximadamente sete milhões de pessoas morreram de fome na Ucrânia apenas no biênio 1932-33.  Os autores d'O Livro Negro do Comunismo (1999) estimam em 100 milhões de pessoas o número de mortos gerados por regimes socialistas e comunistas.  Isso é mais de 200 vezes o número de americanos mortos na Segunda Guerra Mundial.
Mesmo hoje, em Cuba, o salário médio é de aproximadamente US$ 20 por mês.  Na Coréia do Norte, os cidadãos são rotineiramente capturados e publicamente executados pelo "crime" utilizar televisões sul-coreanas contrabandeadas para o país.  E, na Venezuela, há escassez de alimentos e remédios.
Quando o povo se torna faminto e infeliz, é impossível o estado sobreviver caso esse povo saiba que há pessoas em outros lugares do usufruindo uma vida muito melhor.  Por isso, os estados comunistas recorrem à propaganda, à desinformação e à censura para fazer com que uma já cativa população fique ainda mais confusa e submissa.
Por tudo isso, devo-me confessar surpreso ao ouvir clamores por socialismo em pleno 2015 — se o poderoso argumento da impossibilidade do cálculo econômico sob o socialismo e a astronômica carnificina gerada por esse regime ainda não foram capazes de desanimar a esquerda em suas reiteradas exortações por mais socialismo, então nada mais o fará. 
O socialismo é uma ideia falida e mortal, tanto na teoria quanto na prática.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Capitalismo - a grande invenção da humanidade (Lew Rockwell)














A era das trevas, a era da veneração do estado — mais especificamente, a sangrenta era do comunismo, do nacional socialismo, do fascismo e do planejamento central — infelizmente não ficou restrita apenas aos livros de história.  Os fenômenos ocorridos nos últimos cinco anos ao redor do mundo mostram que a liberdade e o bem-estar da humanidade estão sob sério risco de voltar a ser esmagadas pelos governos.  E o que é pior: dessa vez, planeja-se um ataque coordenado em escala mundial.

Nunca foi tão necessário conscientizar as pessoas da realidade e reafirmar nossa lealdade à liberdade humana, que é a base da prosperidade e da própria civilização.  Para isso, é necessário o repúdio geral e incondicional a todas as forças ideológicas que se opõem a ela.

Os primeiros ataques empreendidos pelos inimigos da liberdade vieram ainda no início do século XX, com a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Bolchevique.  Esses dois eventos acabaram com a esperança e o ânimo de toda uma geração de liberais clássicos, pois interromperam de forma sangrenta e dolorosa séculos de progresso rumo à paz e à liberdade.  Aqueles homens entenderam algo que hoje nós próprios ainda não entendemos: os momentos da história humana caracterizados pelo conforto, pela segurança e pela prosperidade infelizmente são raros.

E a realidade é que, para as massas, a história do último milênio foi uma história de fome, escassez e doenças.  Na Inglaterra do século XII, por exemplo, ocorria uma crise de inanição generalizada a cada 14 anos.  Do século XIII ao século XVII, a escassez de alimentos aparecia a cada 10 anos.  Já nos dias de hoje, quando se fala em 'tempos difíceis', isso nada tem a ver com surtos de fome, inanição e doenças letais — exceto em países da África, onde não há nem resquícios de capitalismo.  Esses episódios, comuns àquela época, mataram dezenas de milhões, e obrigaram as pessoas a comer cachorros e cascas de árvores.

E mesmo aqueles que não sofriam com a fome também não viviam com conforto.  Para a maioria das pessoas, as casas eram minúsculas, com um buraco em seus tetos de junco e palha para permitir que a fumaça saísse.  As cidades tinham apenas uma bomba d'água, que era a fonte de toda a cidade.  A rede sanitária era precária, e surtos de lepra, escorbuto e tifóide eram coisas comuns e esperadas.  As pessoas se consideravam abençoadas quando seu filho conseguia sobreviver ao primeiro ano de vida, e eram muito poucos os adultos que passavam dos 30 anos de idade.

Oportunidade econômica era algo desconhecido, assim como a ideia de se ter uma prosperidade material em contínuo avanço. A primeira ruptura nessa longa história de sofrimento aconteceu com o surgimento das sociedades comerciais da Espanha e do norte de Itália, e depois com a revolução industrial na Grã-Bretanha.  As pessoas passaram então a fugir em manada do interior rural em direção às fábricas.  Hoje os historiadores dizem que as condições de trabalho nessas fábricas eram deploráveis, com longas e duras horas de trabalho.  Sim, mas qual o padrão de comparação?  As condições eram ruins comparadas a quais outras?  A alternativa para a maioria das pessoas era viver como um indigente ou como uma prostituta — ou morrer de fome nas áreas rurais.

Muito pouca atenção é dada aos heróicos proprietários das primeiras fábricas.  Eles geralmente eram pessoas humildes, que incorreram em enormes riscos empresariais e que reinvestiam seus lucros na expansão das fábricas, em benefício dos trabalhadores.

Eles conseguiram abrir suas fábricas mesmo sob forte oposição das elites já estabelecidas, que não queriam concorrência e que os acusavam de estar enchendo a cidade de "gentalhas" e "ralés".  O único apoio intelectual que esses empreendedores tinham vinha dos economistas liberais clássicos, que perceberam que essa iniciativa empreendedorial representava liberdade e prosperidade para o homem comum.

O que estava sendo produzido nessas fábricas? Não eram bens para a nobreza, mas vestuários e equipamentos utilizados pelas pessoas comuns para melhorar sua vida diária.  Como disse Mises, essa foi a primeira vez na história em que a produção em massa foi feita para as massas.

A população da Inglaterra dobrou no século seguinte à Revolução Industrial — prova evidente de que tal revolução expandiu dramaticamente o padrão de vida das pessoas comuns.  Em nossa geração também pudemos testemunhar uma extraordinária evolução da livre iniciativa sempre e onde quer que a liberdade tenha sido permitida.  Apenas considere que, em 1900, a expectativa média de vida no mundo era de 30 anos.  Hoje, essa média é maior que 65.  É isso o que explica o extraordinário aumento da população global.

Mas qual foi a causa fundamental dessa revolução?  O desenvolvimento econômico, que nos trouxe alimentos abundantes, boa nutrição, saneamento e um grande avanço medicinal.  E, no entanto, analise nosso comportamento atual: simplesmente assumimos que restaurantes, bares, lanchonetes e supermercados com enormes variedades são coisas comuns, que sempre existiram e sempre existirão.  Ficamos irritados quando acaba o estoque de picanha do supermercado, e sequer tocamos na alface que já murchou na prateleira. Deveríamos ter em mente que somos apenas a terceira ou a quarta geração na história do mundo que tem acesso rotineiro a essas coisas "banais" todos os dias do ano.

E qual é, por sua vez, a causa de todo esse desenvolvimento econômico?  Essa tão vilipendiada instituição chamada capitalismo, uma palavra que significa nada mais do que liberdade de gerir a sua propriedade, de fazer trocas voluntárias e de inovar.  O capitalismo se mostrou o mais espetacular motor do progresso humano, e sua expansão foi a maior ideia dos últimos séculos.  Todo o conforto material de que desfrutamos hoje devemos à economia de mercado, que talvez seja o menos compreendido e mais atacado alicerce da vida civilizada.

Mas por que o capitalismo, a economia de mercado e a liberdade, com todos os seus benefícios intrínsecos e óbvios, precisam de uma implacável e inflexível defesa intelectual?  Por causa de declarações como esta:

A legitimidade do capitalismo global como sendo o sistema dominante de produção, distribuição e trocas será erodida ainda mais, até o nervo central de seu sistema...; embora os vilões já tenham sido abundantemente apontados, todo o problema central está na dinâmica desse sistema capitalista global, desregulado e voltado para as finanças.

As palavras acima são do sociólogo e economista Walden Bello, mas em nada diferem das palavras normalmente proferidas por Paul Krugman, Joseph Stiglitz, acadêmicos, intelectuais e por todos à esquerda, à direita e ao centro. Certamente, essa convicção de que o problema está no sistema de mercado é acolhida gostosamente por todos os burocratas que atualmente regulam a economia e provavelmente por quase todos os professores universitários mundiais.

"O capitalismo precisa de consciência", dizem em uníssono, pois de outra forma acabará sendo consumido pela "ganância destrutiva" dos capitalistas.  Alan Greenspan, o responsável-mor pela crise financeira, concorda entusiasmadamente, acrescentando que quando a ganância torna-se "infecciosa", ela desestabiliza os mercados.

"Esse capitalismo desregulamentado tem de acabar",esperneia a mídia, sempre desnorteada, exigindo que os governos e seus bancos centrais assumam o controle (o qual nunca abandonaram) e apliquem regulamentações punitivas ao mercado, dando-lhe uma "consciência" e acabando com essa"ganância infecciosa".

A maior regulação das economias e dos mercados financeiros é apenas o começo.  Os gastos governamentais e as dívidas dos governos ao redor do mundo estão em franco descontrole. Clamores por mais protecionismo já estão sendo atendidos em vários países.  O estado policial já está atacando os indivíduos que ousam manter sua segurança e privacidade.  Países que até então zelavam pela privacidade de seus habitantes — como a Suíça — foram abertamente ameaçados pelas grandes potências, que consideram intolerável a ideia de sigilo bancário, e tiveram de ceder à ameaça.  Com a arrecadação não acompanhando o aumento dos gastos, políticos ameaçam colocar na cadeia empresários sob qualquer suspeita de 'sonegação', que nada mais é do que o pecado supremo de querer manter para si os frutos de seu próprio trabalho.

Vamos deixar de lado nesse artigo todas as evidências (relatadas aqui e aqui) de que o atual colapso econômico é uma consequência óbvia da intervenção governamental na moeda, nos juros, nos mercados de crédito, bem como da própria regulação dos mercados financeiros.  Em vez de nos centrarmos nessas obviedades, vamos nos concentrar apenas nas críticas e protestos feitos pelos que defendem mais regulamentações.

Eles dizem não querer erradicar a economia de mercado e nem substituí-la pelo socialismo; eles querem apenas melhorá-la, deixá-la mais transparente, torná-la mais honesta e salvá-la de si própria.  Essa é a argumentação favorita dos moderados, que se dizem a favor do mercado, mas contra um capitalismo sem controles. (A óbvia contradição entre mais controle estatal e mais honestidade e transparência é algo que aparentemente lhes escapa).

A pergunta fundamental que deve ser feita a essas pessoas é: vocês acreditam que o capitalismo é maculado pelos pecados dos indivíduos — sendo que, nesse caso, nenhum sistema social poderia ser melhor, uma vez que todos são compostos por indivíduos pecaminosos —, ou vocês acreditam que há um pecado intrínseco ao capitalismo em si e que este pode ser suprimido pelo estado?

A resposta deles é óbvia.  Afinal, se estamos falando de pecados individuais, o mercado foi brutal em sua punição.  Da mesma forma que, durante a expansão artificial fomentada pelo crédito fácil, as pessoas ignoraram preocupações básicas como histórico de crédito, viabilidade dos investimentos e rentabilidade das empresas, tão logo a expansão chegou ao fim e deu-se início à recessão, o mercado logo se prontificou a fazer uma caça àquelas empresas e pessoas que cometeram erros, que investiram no que não deveriam e que deram dinheiro para quem não podia pagar.  O grande problema é que este expurgo não pôde ser completado em decorrência das intervenções governamentais e de seus infindáveis programas de socorro, tanto por meio do aumento dos gastos quanto por meio da redução dos juros.

Não importa se o problema foi ganância, erro ou apenas um mau prognóstico, os mercados são implacáveis.  A bancarrota será o resultado.  Os governos podem apenas postergar o inexorável.  Que estejam utilizando dinheiro dos pagadores de imposto para tentar adiar os problemas e salvar empresas com boas conexões políticas é algo que, além de imoral, trará resultados maléficos mais pra frente.  Nenhuma instituição — e certamente não o governo — tem um maior desejo de se corrigir a si própria do que o mercado.

Entretanto, se você acredita que há algum pecado no cerne do capitalismo, então de fato não faz sentido permitir que o mercado se policie a si próprio.  Você certamente irá querer deixar tal serviço para políticos e burocratas.  A consequência será inevitável: uma vez que os reguladores estiverem livres para "corrigir" a economia de mercado, não haverá fim à quantidade de falhas e defeitos que a classe política — para proveito próprio — irá descobrir e tentar corrigir.

O resultado final serão mercados restringidos e aleijados até o ponto em que não conseguirão fazer o que supostamente devem fazer.  Na melhor das hipóteses, teremos uma sociedade imóvel, burocratizada e paralisada, com escassez de inovações e oportunidades, tendo de sustentar um estado assistencialista improdutivo e recheado de corrupção política. Isso, por sua vez, irá infectar toda a mentalidade das pessoas, encorajando uma atitude de dependência e de resignação, algo contrário ao espírito empreendedor, que é o que traz desenvolvimento.

E isso — a cultura da dependência — é também um dos maiores problemas da atualidade, gerado justamente pela difusão de ideias anticapitalistas e estatizantes.  Por exemplo, dentre as principais objeções à idéia de uma sociedade de mercado está a de que os mais incapazes serão deixados para trás, ficarão pobres e não terão ninguém para cuidar deles. Uma resposta fácil a essa questão seria dizer que a caridade privada poderia cuidar disso; no entanto, quando olhamos ao nosso redor, vemos as instituições beneficentes fazendo apenas tarefas comparativamente pequenas. O setor simplesmente não é grande o suficiente para cuidar da parte que o governo se omite em fazer.

É aqui que se requer imaginação. O problema é que as atividades do governo inibem as atividades privadas e reduzem os serviços do setor privado para níveis menores do que seriam em um livre mercado. Antes da era do assistencialismo, as instituições de caridade do século XIX formavam uma vasta operação cujo tamanho era comparável ao das maiores indústrias. Elas se expandiam de acordo com as necessidades. Eram em grande parte supridas por igrejas através de doações, e a questão ética estava lá: todos davam uma porção do orçamento familiar para o setor caritativo. Uma freira como Madre Cabrini chegou a cuidar de um verdadeiro império beneficente.

E então veio a era progressista, e a ideologia mudou. A caridade passou a ser considerada um bem público, algo a ser estatizado. O estado começou a invadir um território até então reservado ao setor privado. E à medida que o assistencialismo estatal cresceu durante o século XX, o tamanho comparativo do setor privado diminuiu.  Vejam a situação trágica de Europa, justamente o continente que deu à luz aos serviços de caridade. Hoje, poucos europeus doam para a caridade porque todos têm a crença de que esse é um serviço para o governo. Além do mais, tendo que pagar impostos abusivos, realmente não sobra muito para doações.

Parece absurdo ter de dizer isso, mas a legitimidade do capitalismo não está em questão.  Não fosse a misteriosa persistência desse viés anticapitalista, já estaria perfeitamente claro para todos que as únicas instituições que devem ser seriamente questionadas atualmente são os governos (reguladores, tributadores, burocráticos e protecionistas) e seus bancos centrais — estes, os causadores da bagunça; aqueles, os inibidores da recuperação.

Pense bem na histeria que vivenciamos nos últimos cinco anos, a quem direcionaram a culpa e a quem pediram soluções, e você terá a perfeita definição de um mundo às avessas.  É algo não apenas incrível, como também assustador.  A economia de mercado criou uma prosperidade incomensurável e, década após década, século após século, gerou miraculosos feitos de inovação, produção, distribuição e coordenação social.  Ao livre mercado devemos toda a nossa prosperidade material, todo o nosso tempo de lazer, nossa saúde e longevidade, nossa enorme e crescente população e praticamente tudo o que chamamos de vida em si.  O capitalismo, e apenas o capitalismo, salvou a humanidade da pobreza degradante, das enfermidades desenfreadas e da morte prematura.

Na ausência da economia capitalista e de todas as suas instituições essenciais, a população mundial iria, com o passar do tempo, definhar até uma pequena fração do seu tamanho atual, sendo que o que sobrasse da raça humana seria sistematicamente reduzido à subsistência, comendo apenas o que pudesse ser caçado ou acumulado.  Mesmo a instituição que é em si a fonte da palavra civilização — a cidade — depende das trocas e do comércio, e não poderia existir sem isso.

E isso é apenas para mencionar os benefícios econômicos do capitalismo.  Mas o sistema também é uma expressão de liberdade.  Ele não é exatamente um sistema social; ele é o resultado natural de uma sociedade em que os direitos individuais são respeitados, em que as famílias, os negócios e toda forma de associação podem se desenvolver sem coerção, roubo, guerra e agressão.

O capitalismo puro protege o fraco do forte, e garante liberdade de escolha e de oportunidade para as massas que antes não tinham outra opção senão viver em um estado de dependência em relação àqueles que detinham os poderes políticos.

Compare o histórico do capitalismo com o do estado, que, apenas no século passado, matou centenas de milhões de pessoas com seus campos de concentração, suas guerras e com a fome provocada tanto pela economia planejada quanto deliberadamente, como estratégia política.  E o próprio histórico do tipo de planejamento central que agora está sendo imposto ao mundo é totalmente abismal.

Sempre que o estado tentou erradicar alguma coisa — desemprego, pobreza, drogas, ciclos econômicos, analfabetismo, crime, terrorismo —, ele acabou gerando mais daquilo, muito mais do que seria gerado caso ele não tivesse feito absolutamente nada.

O estado nunca criou nada de bom.  Foi o mercado quem criou tudo.  Mas se a economia entra em recessão e o desemprego sobe, o que acontece?  Os principais intelectuais se assanham e saem propagando novamente que a Revolução Bolchevique foi uma ótima ideia, ainda que os resultados não tenham sido bem aqueles que os idealistas desejavam.  Todos começam a dizer que devemos repensar todas as bases da própria civilização.

Em toda sociedade há ganância, fraude e roubo.  Nas sociedades socialistas, quando esse tipo de comportamento é denunciado — não obstante a regra nestas sociedades seja a luta contínua e sanguinária pelo poder —, poucos se importam. Alguns até atribuem isso aos resquícios de pensamento capitalista.  Agora, quando esses vícios são denunciados em economias relativamente livres, a gritaria é inevitável: acabem com a liberdade de troca e coloquem o estado no comando!

Por fim, voltando à pergunta original: por que o capitalismo, a economia de mercado e a liberdade, com todos os seus benefícios intrínsecos e óbvios, precisam de uma implacável e inflexível defesa intelectual?

Considere a descrição que Ludwig von Mises fez da cultura intelectual predominante em 1931, quando o mundo ia se afundando na depressão econômica:

O sistema econômico capitalista, que é o sistema social baseado na propriedade privada dos meios de produção, é hoje rejeitado unanimemente por todos os governos e partidos políticos.  Mas nenhum acordo foi feito em relação a qual sistema econômico deve substituí-lo no futuro.  Muitos, embora nem todos, veem o socialismo como o objetivo final.  Eles teimosamente rejeitam o resultado do exame científico da ideologia socialista, o qual demonstrou a impossibilidade econômica do socialismo.  Eles se recusam a aprender com os experimentos socialistas da Rússia e de outros países europeus.

Entretanto, considerando-se os objetivos das atuais políticas econômicas, parece haver um completo acordo entre as partes.  A finalidade é um arranjo econômico que supostamente represente uma solução conciliatória, um "meio-termo" entre socialismo e capitalismo.  Não há a intenção de abolir a propriedade privada dos meios de produção; a propriedade privada poderá continuar existindo, embora sendo regulada, controlada e tributada, e tendo suas aplicações direcionadas pelo governo e por outros agentes do aparato coercivo do governo.  Com relação a esse sistema intervencionista, a ciência econômica demonstra com indiscutível lógica que ele é contrário à razão; demonstra que essas intervenções, que objetivam moldar o sistema, jamais poderão cumprir os objetivos que seus proponentes esperam alcançar, e que cada intervenção terá consequências inesperadas e indesejáveis.

Após Mises ter escrito isso, o fascismo se intensificou na Itália e o Terceiro Reich começou seu programa de extremo intervencionismo, militarismo e protecionismo na Alemanha.  O New Deal chegou aos EUA e tudo terminou em uma guerra mundial e em um holocausto.  Quanto você acha que as coisas realmente mudaram de lá pra cá?  O ódio ao mercado deve ser retaliado com a defesa da liberdade, em todas as gerações. Não é nenhum exagero dizer que nossas vidas dependem disso.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Em defesa da desigualdade. Ou: A história do capitalismo é a de tornar acessível a todos aquilo que era luxo de alguns(RC)

Em sua coluna na Folha, Helio Schwartsman fez uma defesa da desigualdade, ainda que de forma um tanto tímida, fazendo concessões demais aos igualitários seguidores de Rousseau, como se fosse legítima sua busca por “justiça”. Até mesmo Piketty, lembra ele, contudo, compreendeu que o capitalismo é responsável pela mais extraordinária melhora nas condições materiais das pessoas:
Os mesmos mecanismos de mercado que promovem a disparidade –eles exigem certo nível de desigualdade estrutural para funcionar– são também os responsáveis pelo mais extraordinário processo de melhora das condições materiais de vida que a humanidade já experimentou.
Se o capitalismo exibe o viés elitista da concentração de renda, ele também apresenta a vocação mais democrática de tornar praticamente todos os bens mais acessíveis, pelo aprimoramento dos processos produtivos. O próprio Piketty cita o caso da bicicletas, que, em 1880, custavam seis meses de salário médio e eram uma porcaria. Em 1960, já estavam muito melhores e saíam por menos de uma semana de trabalho.
O fenômeno, lembra o autor, não está circunscrito a velocípedes. O crescimento econômico que o mundo conheceu após a Revolução Industrial, escreve Piketty, fez com que as pessoas passassem a “comer melhor, vestir-se melhor, viajar, aprender, receber cuidados médicos etc”.
A história do capitalismo é a de tornar produto acessível aquilo que antes era luxo de poucos. Meias de seda como coisa de aristocracia? Hoje qualquer “proletária” pode ter uma. Carro motorizado, item de milionário? Hoje quase todo americano tem dois na garagem, com muito conforto e luxo. E por aí vai. A classe média é a grande beneficiada com o capitalismo, ainda que ele também ajude bastante a classe baixa.
Na palestra que fez no meu painel durante o Fórum da Liberdade em Porto Alegre, Donald Boudreaux mostrou justamente isso, com slides que comparavam a quantidade necessária de horas trabalhadas pelo americano médio para comprar os itens hoje e em 1975. Dessa forma se evita o fator inflação no tempo, pois estamos comparando os salários da época com os preços da época. Ele usou um catálogo da Sears de 1975, que ele comprou na Amazon por menos de $2 e chegou no dia seguinte.
Apenas o preço é comparado, sem levar em conta os acréscimos na qualidade do produto, o que faria a comparação bem mais desigual a favor de hoje. O tempo ajudou, e muito, a classe média americana a ter bem mais conforto material. Com bem menos horas trabalhadas se consegue os produtos, que hoje são muito melhores. É o “milagre” do capitalismo, que os invejosos ignoram em nome da igualdade. Abaixo, alguns dos itens comparados, extraídos da apresentação que Donald gentilmente me enviou:
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Para comprar uma máquina de fazer café, o americano médio levava 7,7 horas, enquanto hoje leva 49 minutos, ou seja, quase dez vezes menos! Sem falar que hoje você programa o horário, conta com mais tecnologia, recursos, etc.
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Para se barbear, o americano médio de 1975 precisava investir 6,3 horas do seu precioso tempo e adquirir um “moderno” barbeador elétrico. Hoje, com apenas 2 horas ele compra um bem mais seguro e moderno. Ou seja, caiu para um terço do esforço necessário.
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Para vestir uma calça (brega, aos olhos de hoje), o americano médio precisava trabalhar uma hora e meia, enquanto hoje, com apenas 43 minutos de trabalho ele compra uma. A entrada da China no mundo capitalista globalizado ajudou muito nos setores intensivos em mão de obra, como o têxtil.
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Para viajar, o americano médio de 1975 precisava ralar mais de 11 horas só para comprar uma boa mala e agregar a ela aquelas rodinhas na estrutura de ferro. Hoje, com pouco mais de duas horas de trabalho ele compra uma ótima mala que já vem com as rodinhas embutidas e girando em qualquer direção, dessas que vejo os brasileiros empurrando feito loucos no Sawgrass Mills encantados com os preços menores daqui dos Estados Unidos (outro detalhe interessante é compararmos os preços de hoje pagos pelos americanos médios, que ganham cinco vezes mais que o brasileiro médio, com o preço que pagamos hoje no Brasil).
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Para fotografar a viagem, o americano médio teria que trabalhar mais de 70 horas e comprar uma máquina de primeira em 1975. Depois teria que gastar dinheiro revelando o filme. Hoje, com menos de 30 horas de ralação ele compra uma ultra-moderna e equipada máquina da melhor marca, com tudo que tem direito. Mas se quiser, pode trabalhar apenas 2,4 horas e comprar uma outra menor, mais simples, mas ainda assim infinitamente melhor do que aquela do passado. E as fotos vão automaticamente para seu computador e para seus familiares do outro lado do mundo!
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Limpar a sujeira não é moleza, e os americanos não contam com um exército de mão de obra barata para lhes servir como doméstica. Logo, a praticidade vale ouro. Em 1975, para ter um aspirador de pó, o americano precisava trabalhar quase 30 horas. Hoje, bastam menos de 3 horas, ou seja, dez vezes menos.
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Exercício faz bem à saúde, é fundamental. Após aquele dia cansativo no trabalho, o americano médio de 1975 podia pedalar numa “incrível” bicicleta que ele levou quase 16 horas de trabalho para comprar. Hoje, com pouco mais de 6 horas ele compra uma, bem mais moderna, digital, que marca o ritmo de seu coração para garantir um exercício melhor para a saúde.
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Por fim, o lazer, aquele programa de televisão para relaxar, ou para informar (dependendo do canal, para desinformar). O americano médio de 1975 tinha que labutar praticamente incríveis 160 horas para levar aquele caixote enorme para casa e ver seus (poucos) programas. Hoje, com menos de 9 horas ele leva uma moderna TV de tela fina, com internet e tudo mais, para escolher entre as centenas de canais disponíveis.
Espero ter deixado claro que o capitalismo é o melhor amigo do homem, depois do cachorro. Sua história é a de levar às massas aquilo que, antes, só os ricaços tinham (também graças ao próprio capitalismo, pois se depender do socialismo ninguém tem nada, além de armas, claro, concentradas na elite no poder e apontadas para a população refém). Diante desses fatos, como pode alguém ainda focar na desigualdade em si, em vez de lutar para facilitar a vida dos capitalistas?
Viva a desigualdade! É graças a ela que temos tudo isso, pois seres humanos são desiguais e a economia não é um jogo de soma zero, onde João é rico porque Pedro é pobre. Ao contrário: ambos podem enriquecer juntos, melhorar absurdamente sua qualidade de vida, seu conforto material, graças ao capitalismo. No fundo, é o capitalismo que é mais igualitário, no bom sentido: ele leva a quase todos os produtos criados por alguns. Quem não tem uma televisão em casa hoje? Até os índios ostentam as suas!
Só mesmo a inveja desses “intelectuais” que odeiam a classe média “alienada” pode justificar tanta revolta contra o capitalismo. Ou muita ignorância, talvez. Mas quem continua condenando o capitalismo mesmo após conhecer esses fatos perde o direito de alegar ignorância, restando apenas a primeira opção. Igualitarismo é uma bandeira de invejosos, de gente que finge não perceber que foi o capitalismo que possibilitou esse incrível avanço material para a enorme maioria das pessoas.