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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Três consequências da desvalorização da moeda - que muitos economistas se recusam a aceitar (RC)
Uma política de câmbio flutuante funciona bem para países já desenvolvidos e que possuem governos normais. Nesse arranjo, as flutuações cambiais ocorrem dentro de uma normalidade previsível, e normalmente não causam sustos nem instabilidade. Quando o país é sério, a moeda flutua no sentido da apreciação, melhorando ainda mais o poder de compra e a qualidade de vida da população (vide o recente caso da valorização do franco suíço).
Já em países ainda em desenvolvimento, dotados de governos bagunçados e políticos insensatos, o câmbio não flutua; ele afunda. E junto com ele vai o padrão de vida da população.
O Brasil está hoje vivenciando as consequências de ter um câmbio flutuante dentro de um contexto político extremamente instável.
A seguir — em uma compilação de tudo o que já foi publicado por este site sobre o assunto —, as três consequências diretas, e nefastas, geradas por uma moeda que está em contínua desvalorização.
1. Aumento dos preços
Essa é a consequência mais imediata e mais visível.
Uma moeda fraca, longe de afetar exclusivamente os preços dos importados, afeta também todos os preços internos, inclusive dos bens produzidos nacionalmente. Isso é óbvio: se a moeda está enfraquecendo, isso significa, por definição, que passa a ser necessário ter uma maior quantidade de moeda para adquirir o mesmo bem.
Essa é a definição precípua de moeda fraca: é necessária uma maior quantidade de moeda para se adquirir o mesmo bem que antes podia ser adquirido com uma menor quantidade de moeda.
Não tem escapatória: moeda fraca, carestia alta. Sem exceção.
No Brasil, o esfacelamento do real perante todas as moedas do mundo — e ainda mais intensamente perante o dólar — está gerando aumento de preços em todas as áreas da economia.
Não são apenas os preços dos produtos importados e das viagens internacionais que ficam mais caros. Bens produzidos nacionalmente também encarecem, pois as indústrias produtoras certamente utilizam insumos importados ou, no mínimo, peças importadas.
Uma simples firma que utiliza computadores e precisa continuamente de comprar peças de reposição vivenciará um grande aumento de custos.
Pior ainda: os preços dos alimentos são diretamente afetados pela desvalorização da moeda.
Com a desvalorização do real no mercado internacional, a aquisição de milho, café, soja, açúcar, laranja e carne do Brasil ficou muito mais barata para os americanos e estrangeiros em geral.
Consequentemente, os produtores brasileiros dessas commodities passaram a vendê-las em maior quantidade para o mercado externo, gerando uma diminuição da sua oferta no mercado interno e um aumento dos seus preços.
Fartura para os estrangeiros, carestia para nós.
Os preços da carne bovina, por exemplo, que foram até motivo de debate na campanha eleitoral, seguemcrescendo. E, nesse caso, a desvalorização do câmbio tem um efeito duplo: de um lado, ela aumenta as exportações do produto e reduz a oferta interna; de outro, ela encarece o preço da soja (a soja é uma commodity precificada em dólar. Se o real se desvaloriza perante o dólar, o preço da soja em reais aumenta). E, dado que o farelo de soja é utilizado como ração para bovinos, o encarecimento da soja encarece todo o processo de produção. (Apenas neste ano, a tonelada do farelo de soja subiu de R$ 1.070 para R$ 1.250)
Consequentemente, os preços da carne são pressionados tanto pela diminuição da oferta quanto pelo encarecimento da produção. Por trás de tudo, está o câmbio.
Mas piora. Como dito, a desvalorização cambial é um fenômeno que gera carestia generalizada em praticamente todos os bens e serviços do mercado interno, pois ela gera um efeito em cascata.
A desvalorização cambial também encarece os remédios (85% da química fina é importada), o pão (o trigo é uma commodity precificada em dólar; se o dólar encarece, o trigo encarece), os preços das passagens aéreas (querosene é petróleo, e petróleo é cotado em dólar), das passagens de ônibus (diesel também é petróleo), todos os importados básicos (de eletroeletrônicos e utensílios domésticos a roupas e mobiliários) e até mesmos os preços dos aluguéis e das tarifas de energia elétrica (ambos são reajustados pelo IGP-M, índice esse que mensura commodities e matérias-primas, ambas sensíveis ao dólar).
E o aumento do aluguel e o encarecimento da eletricidade, por sua vez, afetam os custos de todos os estabelecimentos comerciais, os quais terão de elevar os preços de seus produtos e serviços (o cabeleireiro e a manicure cobrarão mais caro, assim como o dentista e a oficina mecânica).
E todos esses aumentos generalizados farão com que os autônomos que atuam no setor de serviços — o eletricista e o encanador comem pão e carne, cortam cabelo, pagam conta de luz e levam seus carros para consertar — também tenham de aumentar seus preços.
Ou seja, não há escapatória: uma desvalorização cambial mexe com toda a estrutura de preços da economia.
2. Desestímulo aos investimentos
Além de ser o meio de troca, a moeda é a unidade de conta que permite o cálculo de custos de todos os empreendimentos e investimentos. Se essa unidade de conta é instável — isto é, se seu poder de compra cai contínua e rapidamente, principalmente em termos das outras moedas estrangeiras —, não há incentivos para se fazer investimentos.
Quando investidores investem — principalmente os estrangeiros —, eles estão, na prática, comprando um fluxo de renda futura. Para que investidores (nacionais ou estrangeiros) invistam capital em atividades produtivas, eles têm de ter um mínimo de certeza e segurança de que terão um retorno que valha alguma coisa.
Mas se a unidade de conta é diariamente distorcida e desvalorizada, se sua definição é flutuante, há apenas caos e incerteza. Se um investidor não faz a menor ideia de qual será a definição da unidade de conta no futuro (sabendo apenas que seu poder de compra certamente será bem menor), o mínimo que ele irá exigir serão retornos altos em um curto espaço de tempo.
Veja o caso do Brasil.
Em agosto de 2014, um dólar custava aproximadamente R$ 2,20. Naquela época, um investidor estrangeiro que houvesse trazido US$ 100 para cá, converteria para R$ 220.
Hoje, com o dólar a R$ 3,60, se esses R$ 220 fossem reconvertidos em dólares, o investidor estrangeiro teria apenas US$ 61.
Isso significa que, para que ele obtivesse algum ganho real com seu investimento — por exemplo, para que ele pudesse voltar pra casa com pelo menos US$ 101 —, sua taxa de retorno teria de ser de aproximadamente 65% (os R$ 220 teriam que se transformar em R$ 364) em um ano.
Hoje, com o dólar a R$ 3,60, se esses R$ 220 fossem reconvertidos em dólares, o investidor estrangeiro teria apenas US$ 61.
Isso significa que, para que ele obtivesse algum ganho real com seu investimento — por exemplo, para que ele pudesse voltar pra casa com pelo menos US$ 101 —, sua taxa de retorno teria de ser de aproximadamente 65% (os R$ 220 teriam que se transformar em R$ 364) em um ano.
Há algum investimento que gera um retorno de 65% em um ano?
Essa é a encrenca. País de moeda instável é prejuízo certo para o investidor estrangeiro. A taxa de retorno teria de ser altíssima para que ele se arriscasse a vir para cá.
Essa é a encrenca. País de moeda instável é prejuízo certo para o investidor estrangeiro. A taxa de retorno teria de ser altíssima para que ele se arriscasse a vir para cá.
No que mais, e como já dito, moeda se desvalorizando implica que a população está perdendo poder de compra. Por que seria racional investir em um país cuja população está perdendo poder de compra?
Para países em desenvolvimento, que precisam de investimentos estrangeiros, essa questão da estabilidade da moeda é crucial.
E há outro fator: uma moeda estável cria as condições necessárias para a transferência de conhecimento. O conhecimento acompanha o investimento: o capital estrangeiro vem acompanhado de conhecimento estrangeiro.
Se um país desvaloriza continuamente sua moeda, ele está mandando um sinal claro aos investidores estrangeiros: "mantenham sua riqueza financeira e intelectual longe daqui; caso contrário, você irá perdê-la sempre que for remeter seus lucros".
O máximo a que um país de moeda fraca pode aspirar é utilizar para fins de curto prazo o capital puramente especulativo (o chamado "hot money") que entra no país à procura de ganhos rápidos com arbitragem. Adicionalmente, os melhores cérebros do país abandonarão as profissões voltadas para o setor tecnológico e irão se concentrar no mercado financeiro, especialmente no setor de hedge.
Já um país de moeda forte e estável envia um sinal bem diferente ao mundo: "tragam seu dinheiro; mandem para cá seus especialistas; construam suas fábricas aqui; ensinem a nós tudo o que vocês sabem; e riqueza que vocês criarem aqui voltará para vocês multiplicada e em uma moeda que mantém seu valor".
E é exatamente por isso que uma moeda forte e estável é indispensável para o crescimento econômico. Quando a moeda é estável, investidores têm mais incentivos para se arriscar e financiar ideias novas e ousadas; eles têm mais disponibilidade para financiar a criação de uma riqueza que ainda não existe. O investimento em tecnologia é maior. O investimento em soluções ousadas para a saúde é maior. O investimento em infraestrutura é maior. O investimento em ideias para o bem-estar de todos é maior.
Já quando a moeda é instável — ou passa por períodos de forte desvalorização —, os investidores preferem se refugiar em investimentos tradicionais e mais seguros, como títulos do governo. Não há segurança para investimentos de longo prazo, que são os que mais criam riqueza.
É exatamente por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, (alta inflação de preços), são raros os investimentos vultosos de longo prazo. É por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, os juros são altos. É por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, os bens produzidos são de baixa qualidade. É por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, as pessoas são mais pobres.
Uma moeda instável desestimula investimentos produtivos. E, consequentemente, age contra o crescimento econômico.
Uma moeda forte e estável é indispensável para atrair o capital estrangeiro e, com isso, gerar crescimento econômico.
O gráfico abaixo mostra o histórico da taxa de câmbio do real em relação ao dólar (linha vermelha), ao euro (linha azul), ao franco suíço (linha amarela), e à libra esterlina (linha verde).

Observe que, no período 2004-2010, foi um grande negócio para os investidores estrangeiros investir no Brasil (a taxa de câmbio em contínua apreciação gerava ganhos reais enormes para seus investimentos).
Já a partir de 2012, e intensificando a partir de 2014, a chance de eles perderem — dinheiro mesmo tendo bons retornos em reais — se tornou crescente.
E aqui, o gráfico da evolução do preço de 1 grama de ouro em reais.

Veja que estabilidade...
3. Desindustrialização
Segundo os economistas desenvolvimentistas, a desvalorização do câmbio é o segredo para impulsionar a indústria e o setor exportador brasileiro.
Ao se desvalorizar o câmbio, dizem eles, as exportações são estimuladas e, liderada por um aumento nas exportações, a indústria volta a produzir e, por conseguinte, toda a economia volta a crescer.
O primeiro grande problema é que, no mundo globalizado em que vivemos, vários exportadores são também grandes importadores. Para fabricar, com qualidade, seus bens exportáveis, eles têm de importar máquinas e matérias-primas de várias partes do mundo. Uma mineradora e uma siderúrgica têm de utilizar maquinário de ponta para fazer seus serviços. E elas também têm de comprar, continuamente, peças de reposição. O mesmo vale para a indústria automotiva, que adicionalmente será prejudicada pele redução da oferta de aço no mercado interno (dado que agora mais aço está sendo exportado).
Se a desvalorização da moeda fizer com que os custos de produção aumentem — e irão aumentar —, então o exportador não mais terá nenhuma vantagem competitiva no mercado internacional.
Aliás, não deveria causar nenhuma surpresa o fato de a própria indústria automobilística ter vindo a público admitir que a desvalorização cambial — ao contrário do que pregam os economistas desenvolvimentistas — não apenas está encarecendo a produção, como também está gerando incertezas para o setor.
Vale lembrar, adicionalmente, que a desindustrialização no Brasil chegou ao auge justamente no período em que a moeda mais se desvalorizou. A desindustrialização está ocorrendo é justamente agora, quando temos uma moeda fraca, inflação alta, e as maiores tarifas protecionistas da história do real.
E a causa não é apenas o aumento dos custos de produção gerado pela desvalorização da moeda. Há também outro fator.
Como explicado no item 1, a desvalorização cambial faz com que haja um aumento generalizado dos preços. Consequentemente, a renda real das pessoas diminui. Com a renda em queda, as pessoas consomem menos. Consequentemente, as vendas do comércio diminuem e os estoques se acumulam.
Ato contínuo, a primeira medida dos comerciantes será a de diminuir a encomenda de novos estoques. Se há geladeiras, fogões, televisões e móveis se acumulando nos armazéns das lojas, então a encomenda de novos estoques será suspensa.
Logo, os fornecedores — o setor atacadista — reduzirão suas encomendas para as indústrias. E as indústrias, por sua vez, reduzirão sua produção.
Ou seja, uma desvalorização cambial impactou diretamente aquele setor que, segundo os economistas desenvolvimentistas, mais seria beneficiado por ela.
Os três gráficos a seguir, do IBGE, mostram a evolução do emprego na indústria brasileira em três momentos recentes da economia.
Nesse primeiro gráfico, de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, época de forte crescimento da economia, o emprego no setor industrial cresce continuamente (até a crise mundial do final de 2008).

Nesse segundo gráfico, que vai de janeiro de 2009 a dezembro de 2011, há uma contração no ano de 2009, prontamente superada pelo forte crescimento de 2010. Em 2011, o emprego na indústria se mantém estável.

Finalmente, neste terceiro gráfico, de janeiro de 2012 a junho de 2015, o emprego na indústria encolhe continuamente.

Observe que, exatamente ao contrário do que defendem os economistas desenvolvimentistas, é justamente quando o câmbio está se apreciando (de 2005 a 2008, 2010 a 2011), que a indústria fica mais forte. E é justamente quando o câmbio se desvaloriza (2009, e 2012 em diante), que a indústria encolhe.
E o motivo é óbvio: câmbio desvalorizado significa moeda com menos poder de compra. Moeda com menos poder de compra significa renda menor para a população e preços em contínua ascensão. E renda menor em conjunto com preços em contínua ascensão significa que a demanda por bens de consumo diminui.
E isso afeta todo o setor industrial e atacadista, como explicado no exemplo acima.
Não é à toa que a confiança do empresariado chegou ao menor nível da série histórica:

A relação entre câmbio apreciado e indústria forte é tão óbvia e direta, que é espantoso que ainda haja pessoas que acreditam que uma desvalorização cambial "ajuda a indústria".
A crença, sem nenhuma lógica, é a de que uma moeda desvalorizada, sem poder de compra, irá estimular as pessoas a produzir mais e melhor, e a investir com mais sapiência.
"Destrua a moeda, e surgirão uma Apple, uma Microsoft e uma Google", parece ser o lema deles.
Até mesmo o argumento de que o câmbio desvalorizado estimula as exportações não se sustenta. Se os exportadores de um país têm de recorrer continuamente ao mercado internacional para comprar maquinários e peças de reposição, e se os maquinários e as peças de reposição são demandados globalmente pelos exportadores de todos os outros países, então aqueles que tiverem uma moeda forte estarão em grande vantagem, pois poderão comprar tudo mais barato. Seu custo de produção será menor. Isso ajuda a explicar por que os produtos suíços — cuja moeda se valoriza continuamente desde 1971 — são de alta qualidade.
É por isso que uma taxa de câmbio valorizada ajuda as indústrias mais competentes. Uma moeda forte permite que as indústrias comprem bens de capital, máquinas e equipamentos de qualidade a preços baixos. Isso as deixa mais produtivas, aumenta a qualidade dos seus produtos, e faz com que eles sejam mais demandados lá fora.
(Nos primeiros anos do Plano Real, a moeda era muito mais forte do que é hoje, e não houve nenhuma desindustrialização; ao contrário, houve modernização do parque industrial).
Nenhum país que tem moeda fraca e inflação alta produz bens de qualidade que sejam altamente demandados pelo comércio mundial. Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação baixa e moeda forte. Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães, suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc.
Se moeda forte fosse empecilho para a indústria, todos esses países seriam hoje terra arrasada. No entanto, são nações fortemente exportadoras. Moeda forte e muita exportação.
Conclusão
Dado que o dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica, a saúde da moeda irá determinar a saúde de toda a economia. Se a moeda é instável, a economia também se torna instável.
Não há como uma economia se fortalecer se a sua moeda está enfraquecendo.
Essa destruição do poder de compra da nossa moeda tem de acabar. A carestia que estamos vivenciando hoje não será resolvida enquanto o real não voltar a se fortalecer. É impossível ter uma carestia minimamente tolerável se a sua moeda é gerenciada por incompetentes.
Moeda desvalorizada não apenas não traz pujança a um país, como ainda é sinal de debilidade econômica e de empobrecimento. Ninguém fica rico utilizando uma moeda que compra cada vez menos. Isso é tão óbvio, que aparentemente é necessário ter doutorado em economia para ser capaz de não entender.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
PAIS E ALUNOS, CUIDADO COM CANALHAS PROFESSORES DOUTRINADORES. OU:"Quando professores de história tentam reescrever toda a História para aliviar comunistas e culpar americanos (RC)"
É um espanto! Mas ainda assim é previsível, pois só se espera o espanto mesmo de “historiadores” marxistas. O mais famoso deles, Eric Hobbsbawm, chegou a admitir que vinte milhões de inocentes mortos seriam um preço aceitável a se pagar pela utopia socialista. Alguém pode esperar análise isenta dos fatos históricos de alguém tão fanático assim?
Pois bem: Daniel Aarão Reis, professor de Histórica Contemporânea da UFF e tradicional comunista, usou sua coluna de hoje no GLOBO para inverter totalmente os fatos históricos e pintar o tirano assassino Fidel Castro como um herói democrata, enquanto tudo de ruim em Cuba passa a ser culpa dos malditos americanos. Diz ele:
Um longo percurso desde janeiro de 1959, quando triunfou em Cuba uma revolução nacional e democrática. Os guerrilheiros no poder, liderados por Fidel Castro, apoiados pelo povo armado, passaram a decidir em praça pública os destinos da sociedade, anunciando o apocalipse em terras latino-americanas. Decretavam ousadas medidas e políticas: dissolução das forças armadas da ditadura, justiçamento dos torturadores, reforma agrária, reforma urbana, soberania nacional.
As autoridades americanas, incrédulas, indagavam-se: quem aqueles cucarachas pensam que são? O puteiro de empresários, turistas e traficantes queria fazer uma revolução? Só podia ser piada, e de mau gosto. Haveriam de provar da real correlação de forças. Começaram as represálias. Até chegar ao 3 de janeiro de 1961 quando o governo dos Estados Unidos rompeu relações diplomáticas. Cerca de um ano depois, decretou o embargo nas relações econômicas. Sucederam-se outras providências: estímulo à emigração de descontentes, financiamento e armamento de oposicionistas, patrocínio de invasão armada, planos de assassinar líderes.
É tanto absurdo, tanta mentira, tanta inversão histórica, que dá até preguiça de começar. O economista aqui terá que dar uma aulinha básica ao professor de História, que enfia esses mitos e falácias na cabeça de seus pobres alunos. Mas são os ossos do ofício, então vamos lá.
Cuba não era um “puteiro de empresários americanos”, e sim um país mais desenvolvido que a média da região, com vida cultural mais avançada, com mais médicos por habitante do que os demais. Claro, vivia sob uma ditadura, a de Fulgêncio Batista, mas não podemos ignorar os fatos só por isso. Muitos cubanos nessa época viajavam para os Estados Unidos, mais até do que o contrário. Não se tratava de um bordel explorado, como os comunistas antiamericanos dizem.
Tampouco a revolução foi democrática. Um bando de guerrilheiros tomou o poder após derrubar o ditador, e já começava ali mesmo a traição a todos que acreditaram nos ideais libertadores daqueles barbudos liderados por Fidel. Alguns eram de fato idealistas, mas esses Fidel logo se encarregou de eliminar. Sua psicopatia vinha de longa data, da juventude. Seu irmão Raúl Castro já era comunista convicto. Dados históricos que, curiosamente, o professor de História desconhece.
O “justiçamento de torturadores” era, no fundo, a eliminação em massa dos opositores do novo regime, inclusive inocentes cujo “crime” era realmente desejar uma democracia. A “reforma agrária” era o confisco das propriedades privadas, sendo que as mansões dos ricos seriam os novos palacetes da nomenklatura dos “abnegados” líderes da revolução.
E o “estímulo à emigração dos descontentes” era uma tentativa de salvar os cubanos vítimas de Fidel, pois o regime praticava a expulsão dos “burgueses”, que tinham que deixar suas vidas para trás sem nada, sem seus objetos pessoais, sem seus pertences e suas propriedades. Até hoje milhares de cubanos tentam, voluntariamente, chegar até Miami, ainda que em cima de qualquer coisa flutuante em meio a tubarões. Mas o professor segue com suas mentiras:
Como sabemos, não ocorreu o fim dos tempos, mas o improvável, mais uma vez, acontecera. Graças, em grande parte, à arrogância e à imprevidência dos Estados Unidos, Cuba tornou-se um país socialista, a menos de 170 quilômetros da Flórida.
Seguiram-se décadas de escaramuças. Mesmo depois da derrota da onda revolucionária na América Latina e do assassinato do Che Guevara, expressão maior desta aventura, em 1967; e da morte de Salvador Allende, defensor de uma alternativa pacífica para o socialismo, em 1973, Golias não desistiu, mantendo a intenção de eliminar David.
Vejam que ele culpa o Tio Sam pela guinada ao socialismo daqueles barbudos… comunistas! Afirma que Allende era um socialista pacífico, ignorando que montou sua guarda pessoal, expropriou proprietários, ignorou a Constituição e o Congresso, tudo isso enquanto destruía a economia e permitia o treinamento de comunistas guerrilheiros em território chileno. Pinta ainda a luta de Cuba e dos Estados Unidos como uma entre David e Golias, ignorando que Cuba contava com o apoio do império soviético e que apontou, deliberadamente, mísseis nucleares para a Flórida.
Mas lendo o texto do professor, não ficamos sabendo por que o governo americano adotou o embargo, que nada mais é do que proibir empresas americanas de praticar comércio com Cuba, algo que deveria ser aplaudido por socialistas que chamam tal comércio globalizante de “exploração ianque”. Ele não menciona que as empresas americanas foram expropriadas pela ditadura cubana, e não explica que os mísseis foram colocados lá por Fidel e que o tirano desejava, de fato, lançá-los contra civis americanos.
Nada disso. Fica parecendo que foi do nada que o governo americano resolveu “punir” os cubanos, só por não aceitar a revolução “democrática” e perder seu “puteiro”. E para não acusarem o autor de viés ou parcialidade, vejam só!, ele até tece umas “críticas” ao regime de Fidel, que depois teria se tornado personalista demais, mas só depois das “conquistas sociais” (inexistentes):
Enquanto isso, e apesar de notáveis realizações em vários campos, evidenciadas pelos altos índices de desenvolvimento humano, a gesta cubana, aninhada — e armadilhada — na aliança com a URSS, foi perdendo impulso, definhando. A ditadura revolucionária transformou-se numa ditadura de caráter pessoal, esfumando-se os sonhos democráticos de revolução libertária.
Cuba já tinha indicadores sociais melhores, e eles pioraram. Falar de conquistas sociais é uma piada de mau gosto. Um professor de História repetir essa ladainha é algo inaceitável. Educação? Qual? Cuba só tem doutrinação ideológica e seu povo não pode ler os livros clássicos que desejar, como os de George Orwell. Saúde? Falta o básico! Não tem remédio! O país não deu praticamente nenhuma contribuição relevante para a medicina mundial. Até Fidel se trata com médicos espanhóis!
Enfim, é tanta baboseira que cansa. E pensar que esses “professores” estão por aí, espalhando essas mentiras, deformando cabeças jovens, fomentando um antiamericanismo infantil e ressentido, enaltecendo porcarias como a revolução cubana. É tudo muito triste, muito asqueroso.
Para quem realmente quer aprender mais sobre a história cubana, seguem algumas sugestões de leitura:
Cuba Sem Fidel – Brian Latel
Fidel: O tirano mais amado do mundo – Humberto Fontova
A vida secreta de Fidel – Juan Reinaldo Sánchez
De Cuba, com Carinho – Yoani Sánchez
O verdadeiro Che Guevara – Humberto Fontova
Cuba, a Tragédia da Utopia – Percival Puggina
Silêncio, Cuba – Claudia Hilb
Antes que Anoiteça – Reinaldo Arenas
Contra Toda a Esperança – Armando Valladares
Há também esse artigo que derruba o mito do “puteiro” dos americanos antes de Fidel, e esse outro que reforça a mensagem. Recomendo, ainda, o filme “A Cidade Perdida”, com Andy Garcia, filho de cubanos exilados nos Estados Unidos. E há, para quem prefere, esse vídeo, com imagens de Havana antes da revolução comunista:
Posso garantir ao leitor uma coisa: após a leitura desses nove livros e dos artigos, do filme e desse vídeo acima, você terá uma visão bem diferente de Fidel e sua revolução, bem mais realista, e estará blindado, protegido dessa doutrinação patética que certos “professores” tentam fazer para salvar suas utopias e seus gurus.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Judeus e Nazistas: com quem os petistas realmente se parecem? (LUCIANO AYAN)
Como sempre, as avaliações de Lula são feitas para testar os limites da credulidade de seus zumbis.
Tanto Marina Silva quanto o PSB mostram que na hora de escolher entre a democracia e o totalitarismo, ficam com o segundo.
No Sindicato dos Bancários do ABC, o ex-presidente Lula, prestes a ver o sol nascer quadrado, mostrou-se ainda mais desesperado que o costumeiro dos últimos meses. Logo ele, cujo partido bate recorde de mentiras, se disse “cansado das mentiras e safadezas”. O mestre do cinismo quer nos convencer de que as pedaladas fiscais, a corrupção na Petrobrás e o estelionato eleitoral são antes invenções da oposição do que fatos do mundo, comprováveis empiricamente.
O livro Without Conscience, de Robert Hare, nos lembra de um detalhe fundamental: os psicopatas são caracterizados, dentre muitos outros fatores, por se fingirem de vítimas quando são pegos. Nessa toada, Lula faz seu draminha patético:
O que a gente vê na televisão parece os nazistas criminalizando o povo judeu.
Ah, parece, Lula? Então nada melhor que este vídeo mostrando quem realmente se comporta feito nazista. Aliás, há apenas duas diferenças entre o nazismo e o petismo: (1) a classe definida como “opressora” pelo nazismo era a judaica, no caso do PT são várias, de acordo com o marxismo cultural, (2) o nazismo fez tantas vítimas por ter conseguido o poder totalitário e ter criado um cenário de caos social absoluto, o que lhes serviu para facilitar seus massacres, e o petismo ainda não conseguiu concretizar suas ambições.
Mas, seja lá como for, o vídeo abaixo fecha a questão, não com as diferenças, mas com as semelhanças entre o nazismo e o petismo:
Este vídeo merece ser viralizado, com certeza.
Já o show de absurdos prossegue incansavelmente:
Não tem pessoa com caráter mais forte nesse País que a Dilma.
Ele realmente está tirando com a cara do povo. Quer dizer então que não há “caráter mais forte” neste país do que a Dilma? O problema é que tirando os mamadores de tetas estatais e seus zumbis, tornou-se jogo ruim tentar convencer o povo brasileiro de que Dilma não tem falhas de caráter, principalmente depois da campanha política mais mentirosa da história, o que futuramente se exibiu como um grotesco caso de estelionato eleitoral, exatamente o ponto que tem derrubado mais a popularidade da presidente.
Em suma, é difícil encontrar falhas de caráter nesta dimensão no resto do Brasil. Se Dilma é um “exemplo de caráter” para Lula, isso explica muita coisa. E se no Brasil não há “caráter mais forte” do que ela, então é melhor fechar este país de uma vez, pois estaríamos em situação pior do que no filme Mad Max. Mas, como sempre, as avaliações de Lula são feitas para testar os limites da credulidade de seus zumbis. Ele com certeza morre de rir depois de proferir suas bravatas.
Como não poderia deixar de ser, ele conclui com o clichê, dizendo que a elite não gosta do PT por causa das conquistas sociais:
Sei que é difícil para parte da elite brasileira aceitar certas coisas […] Tudo que é conquista social incomoda uma elite perversa.
Que conquistas sociais, Lula? Com indicadores falsos, tudo não passa de alegação sem provas. Alias, se existisse uma conquista social verdadeira, a elite estaria em festa, pois pessoas com maior poder de compra podem comprar mais. Não existe mito mais inconvincente do que aquele que diz que “elite quer ver o pobre cada vez mais pobre”, o que seria, antes de tudo, uma burrice extrema. Os pobres dos Estados Unidos e da Europa, por exemplo, podem comprar muito mais.
Mas, em termos de elite, que tal lembrarmos dos vários empresários das empreiteiras, que fizeram a festa com verba estatal, hoje vendo o sol nascer quadrado? Ou seja, a elite ama o PT, não por “conquistas sociais” inexistentes, mas pelas tetas estatais rosadíssimas colocadas à sua disposição.
Que vergonha para um país ter sido governado por um sujeito como Lula.
Marina Silva apela ao embuste para defender Dilma
Depois de ter sido surrada feito cachorro ladrão, além de vítima de um verdadeiro assassinato de reputações por parte do PT durante as eleições de 2014, Marina Silva parece ter sido acometida pela Síndrome de Estocolmo, passando a amar seus agressores. Agora foi além, apelando aos embustes mais cínicos para defender Dilma. Observe o que ela diz, conforme o UOL:
Aqui no Brasil está todo mundo feliz de dizer que a culpada pela corrupção é a Dilma. Quando a corrupção virar um problema nosso, criaremos instituições para coibi-la.
Não, ninguém está “feliz” de dizer que a culpada pela corrupção é a Dilma. Mas é um fato que a protegida de Lula foi ministra de Minas e Energia, além de chefiar o conselho da Petrobrás durante quase todo o mandato do Brahma (ou seja, tinha acesso total a quaisquer dados). Marina não pode duelar com os fatos sem ser chamada de tapeadora. O problema da corrupção não é “nosso”. Ele pertence ao PT, e, conforme os fatos nos demonstram, também à Dilma. Ademais, podemos criar milhares de instituições. Isto não muda os fatos sobre o papel executado por Dilma na Petrobrás.
Ela prossegue:
Não é sustentável acharmos que a corrupção é o problema de uma pessoa, de um grupo ou de um partido.
Quanta canalhice!
Não estamos falando “da corrupção”, que é um problema do estado inchado brasileiro. E que devemos corrigir, tanto quanto possível. Mas estamos falando da corrupção na Petrobrás. Decerto não é o problema de “uma pessoa”, mas quem chefiou o conselho da Petrobras e é presidente do partido detentor das chaves do cofre deve ser apontado.
A tática de Marina é bem simples: ninguém pode apontar qualquer problema se não estiver tratando o todo. Imaginemos o que seria uma sociedade com a moral marinista: um estuprador não pode ser acusado de um estupro que tenha cometido, uma vez que “o estupro não é problema de uma pessoa”.
É isso aí: hoje em dia, tanto Marina Silva quanto o PSB mostram que na hora de escolher entre a democracia e o totalitarismo, ficam com o segundo.
P.S.: Alguns poderão dizer “Ei, Luciano, você chegou a apoiar a Marina no primeiro turno contra Dilma”. Sim, da mesma forma que eu apoiaria o Capiroto contra Dilma. Isto não muda em nada o status deplorável das palavras desonesta de Marina para proteger Dilma.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
O papa Francisco é comunista? Ou: Triste o mundo que já teve Reagan e João Paulo II ter que se contentar com Obama e Francisco! (RC)
O papa Francisco é comunista? Comentei nesta quinta o presente absurdo que ele ganhou – e aceitou – do cocaleiro Evo Morales. Muitos apontaram para a cara de constrangimento do papa, que ainda disse “não está bem isso”, como capturado em vídeo:
Ok, concedamos o benefício da dúvida ao papa nesse episódio bizarro, ainda que seja óbvio que o papa tinha, sim, alternativas, como recusar o presente, excomungar o comunista, ou demitir o responsável pelo cerimonial que não averiguou antes o que seria dado como presente, como de praxe. Aqueles que nutriam o benefício da dúvida, porém, acordaram com ressaca após o novo discurso do papa, o mais politizado e… comunista de todos. Papa Francisco assumiu de vez o tom anticapitalista, chamando o capitalismo de “ditadura sutil” e clamando por uma mudança de “estruturas”:
“Reconhecemos que este sistema impôs a lógica dos lucros a qualquer custo, sem pensar na exclusão social ou na destruição da natureza?”, perguntou o papa a algumas centenas de representantes de movimentos sociais de vários países, entre os quais o MST, sem-teto, indígenas e quilombolas brasileiros,durante o 2º Encontro Mundial de Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia).
“Se é assim, insisto, digamos sem medo: queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema já não se aguenta, os camponeses, trabalhadores, as comunidades e os povos tampouco o aguentam. E tampouco o aguenta a Terra, a irmã Mãe Terra, como dizia são Francisco”, completou o papa no encontro, realizado no auditório da Expocruz (feira agropecuária de Santa Cruz).
Ora, ora, e pensar que ontem mesmo escrevi sobre os palpiteiros aqui! Não pretendo ensinar o papa a rezar a missa em latim, mas ele agora quer nos ensinar sobre capitalismo? Deveria ficar quieto no seu canto, falando de temas religiosos com sua “infalibilidade papal” ex cathedra, e não se meter a pregar sobre o que não entende. Então o capitalismo é inimigo da natureza e dos pobres? Por isso os países socialistas poluem tão mais e possuem tanta pobreza a mais? Menos, papa Francisco, muito menos…
A verdade é que há, na Igreja Católica, uma ambiguidade constante em relação ao capitalismo, ao lucro, ao livre mercado. Encontra-se bases de defesa desse sistema nas escrituras sagradas e nas encíclicas papais, mas também é possível encontrar seu oposto. Papa Francisco, um jesuíta, mostra-se tão esquerdista quanto o papa Paulo VI, antecessor de João Paulo II, que escreveu, na Encíclica Populorum Progressio, uma verdadeira defesa do socialismo.
Em uma das passagens, o papa diz que é lamentável que o sistema da sociedade tenha sido construído considerando o lucro como um motivo chave para o progresso econômico, a competição como a lei suprema da economia, e a propriedade privada dos meios de produção como um direito absoluto que não tem limites e não corresponde à “obrigação social”. Em outras palavras, o papa lamentou que o capitalismo de livre mercado predominasse em relação ao socialismo. Os interesses coletivos, sabe-se lá quem os define, estariam acima do direito de propriedade privada, o que torna indivíduos sacrificáveis pelo “bem comum”.
O papa ignora que, no livre mercado, o lucro é fruto do bom atendimento da demanda dos consumidores, ou seja, é o indicador de que os indivíduos, por meio de trocas voluntárias, estão satisfeitos. Todos sabem o que aconteceu nos países que tentaram abolir o lucro, a competição e o direito de propriedade privada. O resultado foi a miséria, a escravidão e o terror. São conseqüências inexoráveis do socialismo colocado em prática.
Em outro trecho, o papa afirma que Deus pretendia que a terra e tudo que ela contém fosse para o uso de todo ser humano. “Logo”, ele continua, “enquanto todos os homens seguirem a justiça e a caridade, os bens criados deveriam abundar para eles numa base razoável”. E ainda conclui que “todos os outros direitos, incluindo aqueles da propriedade e do livre comércio, devem estar subordinados a este princípio”. O papa, entretanto, não define o conceito de “razoável”, que é totalmente arbitrário. Ou seja, enquanto todos não tiverem acesso aos bens produzidos de uma forma “razoável”, podemos invadir, pilhar e roubar.
A declaração é inequívoca: “O bem comum exige por vezes a expropriação, se certos domínios formam obstáculos à prosperidade coletiva”. Fora isso, devemos questionar: bens produzidos por quem? O minério de ferro encontra-se na natureza, mas dele até um automóvel existe um processo complexo que foi descoberto e realizado por indivíduos. Um fogão, uma geladeira, um avião, uma casa, nada disso cai do céu, nada disso nasce em árvores. Tudo é fruto do uso de mentes criativas e do esforço de indivíduos. Se todos terão direito a esses bens produzidos, significa que alguém terá o dever de produzi-los. Logo, podemos escravizar indivíduos, em nome da máxima socialista aqui implícita: “de cada um pela capacidade, a cada um pela necessidade”.
Como podemos ver, o viés socialista não é novidade no papismo. É lamentável, porém, verificarmos que justo numa época de avanço do socialismo, especialmente na América Latina católica, a Igreja tenha um papa simpático a tal agenda vermelha. E nos Estados Unidos temos uma liderança fraca, covarde, pusilânime, e também vermelha. Se nos tempos da Guerra Fria os Estados Unidos nos deram um Reagan e a Igreja um João Paulo II, hoje temos um Obama e um papa Francisco, o que é de arrepiar qualquer amante da liberdade.
“Reagan, Thatcher e João Paulo II foram o trio que destruiu o comunismo soviético e o seu Império do Mal”, escreveu o historiador Paul Johnson. E agora temos de nos contentar com Obama e Francisco, a dupla cuja maior “conquista” foi recolocar a ditadura comunista cubana em evidência e obter vantagens para os irmãos assassinos Fidel e Raúl Castro! Assim desanima…
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Thatcher: "No! No! No!" A Grécia expõe a fragilidade institucional da Zona do Euro; Thatcher previu o imbróglio numa magnífica atuação no Parlamento, em 1990. Assista a vídeo.(RA)
O “não” venceu o plebiscito na Grécia, como vocês viram, e por boa margem: essa foi a escolha de 61,31% do eleitorado, contra 38,69% que disseram “sim”. Era “não” ou “sim” a quê? A um pacote de austeridade proposto pelo Banco Central Europeu para renegociar a dívida brutal do país. Esse pacote incluía corte de gastos e elevação de impostos. Parecia-me quase milagroso que, mesmo insuflada pelo próprio governo, a população reconhecesse que não há saída para o país a não ser um sacrifício adicional. Bem, mais uma vez, um milagre dessa natureza não aconteceu. Não havia boa escolha para os gregos. Mas a maioria escolheu o pior.
Alexis Tsipras, o porra-louca da Syriza, a frente de extrema-esquerda que governa o país, está feliz. Fez campanha pelo não. Vamos ver se vocês entendem a ironia: entre passar por incoerente e condenar o país à inviabilidade, ele preferiu o segundo caminho. E agora? Agora o homem já convidou os líderes europeus para uma conversa. Orgulhoso, bate no peito e diz que a democracia está sendo respeitada. Ele só se esqueceu de que há regimes democráticos nos demais países da Zona do Euro. A rigor, também suas respectivas populações deveriam ser convidadas a aceitar ou não o calote grego.
A resistência vem de todo lado, mas o epicentro está na maior economia da Zona do Euro e da União Europeia: a Alemanha. Angela Merkel até estava empenhada em uma nova rodada de negociações com a Grécia, mas aí Tsipras decidiu se comportar um típico bandoleiro de esquerda: propor o plebiscito. Entornou o caldo. Democratas-cristãos e sociais-democratas estão unidos e dizem um sonoro “não” ao “não” grego. O que fazer?
Não dá para saber. A Zona do Euro, de cujo acordo não há cláusula de expulsão, é a unidade monetária de 19 países que compõem a União Europeia, formada por 28. Também desse grupo ampliado, só se pode sair voluntariamente, segundo o Tratado de Lisboa, que emenda o de Maastricht. Da leitura de tratados um tanto confusos, entende-se que um Estado-membro até poderia ser expulso da UE, mas seria preciso o voto unânime dos países-membros, inclusive do candidato à expulsão. Convenham, não vai acontecer. Ainda assim, a hipótese se refere a estados que não respeitem os direitos fundamentais, não aos que dão calote.
A Grécia, com sua desordem financeira, fiscal e monetária está expondo algumas das fragilidades da União Europeia e da Zona do Euro. Criou-se uma unidade que só funciona desde que todos sejam voluntariamente disciplinados. Há, apelando a Karl Marx e com ironia, uma aposta no idealismo alemão. Os gregos vieram bagunçar o coreto.
Quem deve estar rindo lá no céu — ou, segundo alguns, no inferno — é Margaret Thatcher, né? Ela previu que a Alemanha ainda ficaria com o saco cheio de ter de conviver com pressão inflacionária e que os países pobres não teriam condições de competir com os demais.
Abaixo, há um vídeo magistral — e a transcrição do diálogo está aqui, na página da Fundação Margaret Thatcher, em que ela debate na Câmara dos Comuns por que se deve dizer “não” à Zona do Euro. O debate aconteceu no dia 30 de outubro de 1990. É claro que o Reino Unido também pode ser afetado pela crise grega, já que se trata de uma ilha apenas física, não econômica. Mas sofrerá muito menos porque não embarcou na união monetária. Thatcher não deixou..
Os problemas enfrentados agora pela Zona do Euro foram quase milimetricamente antevistos por Thatcher. Veja o vídeo. Na sequência, traduzo um trechinho.
Traduzo um trecho:Perhaps the Labour party would give all those things up easily. Perhaps it would agree to a single currency and abolition of the pound sterling. Perhaps, being totally incompetent in monetary matters, it would be only too delighted to hand over full responsibility to a central bank, as it did to the IMF. The fact is that the Labour party has no competence on money and no competence on the economy—so, yes, the right hon.”
Talvez o Partido Trabalhista entregasse todas essas coisas [ela se refere ao que considera a soberania do Reino Unido] facilmente. Talvez concordasse com a moeda única e com a abolição da libra esterlina. Talvez, sendo totalmente incompetente na administração da política monetária, ficaria feliz em delegar toda a responsabilidade a um banco central [europeu], como fez em relação ao FMI. O fato é que o Partido Trabalhista não tem competência para lidar nem com dinheiro nem com a economia. Sim, é isso mesmo, excelência!”
sexta-feira, 3 de julho de 2015
terça-feira, 19 de maio de 2015
JÔ SOARES, OFFICE BOY DA ESQUERDA. OU:" A imagem da decadência: Jô Soares resolve emprestar fama para defender Dilma."(RC)
Jô Soares já foi um querido humorista, um entrevistador respeitado, ainda que sempre tenha demonstrado seu viés de esquerda. Era um ícone da esquerda caviar, sem dúvida, mas tinha algum pudor. Vaidoso, não demonstrava conforto quando o entrevistado se sobressaía mais do que o entrevistador, mas fez boas entrevistas mesmo assim.
De uns tempos para cá, Jô foi perdendo aparentemente o saco, suas entrevistas começaram a ficar enfadonhas, e a perda de audiência foi inevitável. Jô não era, afinal, o David Letterman brasileiro, apesar do cenário e até do estilo do programa serem parecidos (copiados?).
Enquanto isso, Danilo Gentili, com um programa bem mais dinâmico e engraçado, e com a coragem de remar contra a maré vermelha e a ditadura do politicamente correto, foi comendo pelas beiradas, ganhando mais audiência e respeito.
Pois bem: o programa do Jô virou uma relíquia, algo que só os “colecionadores” continuaram assistindo, talvez por inércia. Comentei aqui sobre seu papelão ao defender a presidente Dilma, tendo que mentir escancaradamente para tanto. E eis, agora, que temos a imagem perfeita de sua decadência, não só profissional, mas principalmente moral:
No momento em que Dilma precisa se manter afastada da televisão para não gerar um enorme panelaço como reação, em que sua credibilidade após o estelionato eleitoral é nula, em que sua aprovação sumiu, em que a inflação ultrapassa 8% e a atividade econômica cai, em que o escândalo do petrolão continua espantando o país, eis o momento em que Jô empresta sua fama para defender Dilma. Um momento em que até Chico Buarque anda completamente sumido, vale notar!
Poderíamos dizer que isso é uma forma de coragem, ou quiçá de loucura, o que às vezes se confunde com coragem. Infelizmente, não acredito que seja nem uma coisa, nem outra. Também não acho que Jô está “gagá”. Restam, então, poucas alternativas para explicar o vergonhoso papel. Prefiro deixar a imaginação do leitor responder por mim quais seriam essas alternativas…
PS: Jô Soares teve seu nome exposto no caso do HSBC. O apresentador é relacionado a quatro contas numeradas, abertas entre abril de 1988 e janeiro de 2003. Em 2006/2007, todas elas estavam zeradas. Nos documentos do banco, Jô aparece associado a duas pessoas jurídicas: a Lequatre Foundation, de Liechtenstein, e a Orindale Trading, nas Ilhas Virgens Britânicas. Petista sim, mas com dinheiro no exterior pois ninguém é de ferro. Especialmente a esquerda caviar…
sexta-feira, 8 de maio de 2015
PSDB e DEM,chega de esquerdismo e covardia.Ou:" A “mais doce” vitória dos conservadores. Aprende, Brasil"(FMB)
Hoje o mundo acordou “ultra” de novo.
Meses após a vitória de Benjamin Netanyahu em Israel, o primeiro-ministro David Cameron “surpreendeu” os “especialistas” da Globo News e venceu lindamente no Reino Unido.
Os conservadores conquistaram 330 dos 650 assentos parlamentares e agora podem governar sozinhos.
Quem mandou os trabalhistas guinarem à esquerda?
Eles perderam 26 assentos, em uma das piores surras de sua história.
O líder do partido, Ed Miliband, foi o primeiro a renunciar. Os líderes Nigel Farage (que nem sequer se elegeu), do Ukip, e Nick Clegg, do partido Liberal Democrata, também renunciaram.
Ao comemorar o resultado dos Tories, Cameron disse que era a “mais doce vitória dentre todas”.
Docinha mesmo: gerou três renúncias em menos de uma hora.
O PSDB (risos) já devia saber que o conservadorismo de verdade não só vence, como pode pedir música no Fantástico.
Outra boa notícia é que Boris Johnson se elegeu para o Parlamento e, certamente, deixará a House of Commons mais animada.
O prefeito de Londres foi elogiado pela última vez neste blog quando elogiou o prefeito muçulmano de Rotterdam após ele dizer na TV que imigrantes muçulmanos que não apreciam o modo de vida nas civilizações ocidentais podem ‘fuck off”.
Sim, sim. Somos todos “ultra”, sabe como é.

“Parabéns a David Cameron por uma impressionante vitória e a renovação do mandato. Estou ansioso para trabalhar com você em objetivos comuns de paz e prosperidade”, escreveu Netanyahu no Facebook.
Para a Folha de S. Paulo, o Jornal Nacional e a Globo News, desejo uma Feliz Páscoa atrasada.
Aprende, Brasil.
terça-feira, 14 de abril de 2015
sexta-feira, 10 de abril de 2015
segunda-feira, 30 de março de 2015
PT, PARTIDO DO CRIME, É ILEGAL. Ou:"O Foro de São Paulo governa o Brasil"(BRUNO BRAGA)
No dia 16 de Dezembro de 2014, Renato Simões, deputado federal do PT de São Paulo, tomou o microfone na Câmara dos Deputados para registrar com entusiasmo a presença de representantes do Foro de São Paulo na Casa - representantes com os quais ele mesmo se reuniria em um "grupo de trabalho" em Brasília.
Simões enalteceu a organização fundada por Lula e por Fidel Castro, e entre chavões e clichês que nem bobo enganam mais, deixou transparecer o principal objetivo do Foro de São Paulo: promover a integração da América Latina e formar a "Pátria Grande" comunista. O parlamentar petista observou que vários países do continente - entre eles o Brasil - são governados por "partidos" e "frentes políticas" de "distintas tonalidades de vermelho".
O discurso de Renato Simões, no entanto, contém mais que uma alusão. É da boca de um parlamentar do próprio partido que sai a confirmação: o PT está vinculado e subordinado a uma organização internacional - o que é expressamente vedado pela norma constitucional e eleitoral (Cf. Constituição Federal, art. 17 e Lei 9.096-95, art. 28). Portanto, o Partido dos Trabalhadores é um partido ilegal.
E mais: o deputado petista, por descuido ou por descaramento mesmo, acaba colocando em cheque a legitimidade do seu próprio mandato. Ele descumpre - por estar filiado ao PT e por participar de reuniões do Foro de São Paulo - o primeiro dever fundamental de um deputado: "promover a defesa do interesse público e da soberania nacional" (Cf. Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, Art. 3, I).
Por fim, o que é mais grave: quando o deputado petista inclui o Brasil entre os países governados pelos partidos do Foro de São Paulo, ele automaticamente rebaixa a presidente petista. Dilma Rousseff que, naquela oportunidade, havia acabado de ser eleita por meio de uma fraude eleitoral - e com a colaboração direta da organização comunista - é posta como um simples fantoche. Renato Simões, ao observar que o Foro de São Paulo precisa estar em alerta contra supostas "ações de desestabilização política de seus governos" - repito, de "seus governos" -, deixa claro quem está no comando: o Foro de São Paulo governa o Brasil.
segunda-feira, 2 de março de 2015
Boas notícias para os cristãos decapitados - (Andrew Klavan/fmb)
Depois de “Como falar a língua da esquerda“, “O que quer que digam os esquerdistas, é o ‘Dia do Contrário’!” e “Quais vidas de negros importam?“, trago mais um divertido vídeo legendado do premiado escritor, roteirista e comentarista de mídia Andrew Klavan, autor, entre outros, dos livros True Crime, que deu origem ao filme “Crime verdadeiro” de Clint Eastwood, e Don’t say a word, que resultou no filme “Refém do silêncio” com Michael Douglas.
Dessa vez, Klavan ironiza o anticolonialista Barack Hussein Obama por ter dito em entrevista à Vox acreditar “absolutamente“ que a mídia “às vezes exagera o nível de alarme que as pessoas devem ter sobre o terrorismo” em oposição à “mudança climática”. A Casa Branca enrolou, enrolou, mas, na prática, reiterou a tese obamista de que a mudança climática é uma ameaça maior que o terrorismo. Como disse o escritor best seller David Limbaugh:

“A propósito: ‘mudança climática’ tem algum significado discernível a não ser ‘nós vamos elaborar à medida que avancemos’?”
Claro que não. Mas Obama, o Brizola do mundo, precisa avançar a agenda esquerdista com qualquer pretexto engana-trouxa e menosprezar o terrorismo islâmico que se expandiu com a sua conivência, conforme descrito neste blog aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, entre outros posts.
Klavan cuida bem do impostor. Divirta-se.
Eu sou Andrew Klavan, e esta é a “Verdade Revoltante”.
Boas notícias, cristãos decapitados! O terrorismo não é uma ameaça existente. O presidente dos Estados Unidos ele próprio nos contou. Ele diz que a fantasiosa ameaça das mudanças climáticas é muito pior que a ameaça da jihad islâmica mundial existente. Provavelmente é por isso que ele estava tirando selfies com caras e bocas enquanto os bobos do ISIS cortavam as cabeças de 21 de vocês na Líbia. Vocês terem suas cabeças cortadas não esquenta o clima… ou esfria… ou seja lá o que deveria ocorrer ao clima. Então, essa não é uma ameaça existente, exceto para vocês. Não é uma maravilha?
E aliás, talvez vocês tenham notado que a Casa Branca não mencionou as palavras “islâmico” ou “cristão” quando emitiu sua declaração sobre o totalmente lamentável incidente das decapitações. Vocês podem pensar: “Por que não? Esse foi o motivo de termos perecido. Nossos assassinos nos decapitaram em nome de Alá porque seguimos o que eles chamam de ‘a ilusão da cruz’.” Mas nã-nã-não — este é o tipo de pensamento confuso que você tem quando… perde a cabeça.
Vejam, o inteligentíssimo presidente Obama explica que “nenhuma religião é responsável pelo terrorismo”. Aposto que é um alívio para vocês, não é? Os terroristas que mataram vocês apenas pensavam que agiam por motivos religiosos. Tolinhos! Suponho que eles estavam apenas seguindo seus… corões e cimitarras.
E ouçam, só porque vocês foram mortos em nome de um Alá militarista e opressivo por louvar a um Cristo de amor e liberdade, não significa que vocês podem empinar os narizes… Afinal, como Obama salientou, algumas pessoas fizeram algumas coisas ruins em nome de Cristo, tipo, há uns mil anos… Então, sério, vocês meio que tiveram o que mereceram, não é? Apenas tentem manter isto em mente. Desculpe… talvez isso tenha sido insensível.
E há algumas boas notícias para judeus mortos também. Eu sei que islâmicos têm metido bala em vocês e assolado seus locais de culto, e que lhes têm intimidado e aterrorizado nas ruas das outrora civilizadas cidades europeias. E talvez vocês tenham pensado: “Céus! Onde foi parar o ‘nunca mais’?” Sobre aquilo de “nunca mais”, lembram-se do “esperança e mudança”? Isso mudou.
Vejam, vocês podem pensar que os ataques implacáveis do Islã militante contra os judeus, assim como o apoio tácito da esquerda a esses ataques em sua campanha perversa e estúpida contra a existência de Israel, sejam apenas parte da guerra milenar do mal contra o povo da Bíblia. Grandes notícias: de forma alguma o são. Em sua resposta à carnificina islâmica contra quatro pessoas em um supermercado judaico em Paris, Obama disse que as vítimas eram apenas “quaisquer uns”… mortos aleatoriamente por outros quaisquer uns que matavam quaisquer uns de forma aleatória. Então, judeus, vocês não têm com o que se preocupar. Não é formidável?
Vejam bem, todo o seu povo está sendo morto pelo ISIS, pela Al Qaeda, pelo Talibã, pelo Boko Haram, pelo Al-Shabaab e por outros grupos islâmicos ao redor do mundo. Oh, e todas as suas mulheres estão sendo indizivelmente violentadas por eles. Vocês têm sorte de nosso presidente Barack Obama ser sábio o suficiente para não fazer coisa alguma para ajudá-los, porque ele entende que os terroristas estão no lado errado da história. Então tudo o que ele tem que fazer é se sentar no lado certo da história. É estar certo, enquanto vocês sofrem e morrem. Não são ótimas notícias?
Eu sou Andrew Klavan, com a “Verdade Revoltante”.
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