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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Gilmar Mendes: "Existe um projeto de bolivarização do STF" (o antagonista)

Gilmar Mendes, entrevistado pela Jovem Pan, pulverizou o STF:
“Existe um projeto de bolivarização da Corte. Assim como se opera em outros ramos do estado, também se pretende fazer isso no tribunal e, infelizmente, ontem tivemos mostras disso”.
Ele denunciou também as artimanhas dos ministros governistas para salvar Dilma Rousseff:
“Vamos fazer artificialismos jurídicos para tentar salvar, colocar um balão de oxigênio em quem já tem morte cerebral”.
Gilmar Mendes é o homem mais valoroso do Brasil.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Wadih Damous,OAB PETRALHA BOLIVARIANA. OU:"Daqui a pouco, todos nós vamos estar na cadeia" (

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Bateu o desespero em Lula.
Lauro Jardim conta que ele está articulando freneticamente para substituir José Eduardo Cardozo por Wadih Damous no Ministério da Justiça.
Quando José Dirceu foi preso, Wadih Damous declarou:
"Daqui a pouco, todos nós vamos estar na cadeia. Somos todos governados por uma república fascista do Paraná. O que aconteceu com o companheiro José Dirceu foi uma excrescência. Sou solidário a ele. Mas é mais que isso. É ser solidário ao Estado democrático de direito".
Wadih Damous tinha razão: daqui a pouco, todos eles estarão na cadeia.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Para que serve a OAB?(Thiago Cortês)

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) acabou. O que existe hoje é uma paródia macabra do que a entidade significou em um longínquo passado de glórias. A pergunta do título refere-se, portanto, a esta paródia que hoje leva o seu nome. Para que ela existe?
De fato, é estranho que a OAB tome partido – se é que me entendem – em certas batalhas e se ausente de tantas outras. No mesmo timing do Palácio do Planalto, a entidade muitas vezes volta seus olhos para questões tão polêmicas quanto fugazes, e que roubam (até isso!) a atenção da opinião pública da epidemia de corrupção que enfrentamos no país.
A OAB agora reage até mesmo a posts malcriados de adolescentes babacas nas redes sociais e “manifestações de ódio” contra Dilma. É sério mesmo. Confira clicando aqui.
E sobre o fatiamento da Operação Lava Jato? E sobre a sórdida tentativa de desmantelamento da investigação do maior esquema de corrupção da história do Brasil?
Bem, sobre isso a OAB não diz absolutamente nada. Mas se o juiz Sérgio Moro escrever um postnegativo sobre a comida típica Paraíba é certo que a entidade fará um escândalo internacional e exigirá que Moro seja punido de alguma forma.
Dois trilhões não contabilizados pelo governo Dilma e a OAB gastando energias com posts e tuítes de gente mal-educada, classificados gravemente de “crimes de ódio”…
Qualquer babaquice que alguém poste em uma rede social ganha repercussão nacional graças ao governo federal, à OAB e outras entidades que lançam holofotes potentes para evidenciar qualquer bobagem vomitada por perfis que nem sequer sabemos se são reais.
A OAB e o governo federal dão cobertura total à qualquer bobagem dita nas redes sociais
A OAB e o governo federal dão cobertura total à qualquer bobagem dita nas redes sociais
Aliás, fica a dica: se você quiser ficar famoso escreva um post falando mal da comida nordestina, das mulheres cariocas, da hospitalidade sulista: a OAB e o governo Dilma farão o seu marketing.
Críticas contundentes
Não é a toa que importantes juristas e operadores de Direito critiquem publicamente a entidade da qual fizeram ou fazem parte, salientando que, comparada ao passado recente, a OAB parece caminhar para a total irrelevância.
É o caso do jurista Modesto Carvalho, especialista em direito econômico e mercado de capitais, que criticou a OAB em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura:
“Onde é que anda a OAB? A OAB não trata desse assunto da corrupção? A OAB foi a promotora do impeachment do Collor e hoje está completamente quieta. Ela sumiu? A OAB está em férias? Porque eu nunca vi uma entidade que tem a sua história sem nenhuma manifestação, sem nenhuma mobilização a favor dessas investigações”
É compreensível que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, tenha criticado de maneira tão dura a entidade no julgamento da ação direta de inconstitucionalidade proposta pela OAB com objetivo de acabar com financiamento privado de campanha.
Mendes acusou a OAB de se deixar manipular pelos interesses do PT. Os próprios advogados não estão contentes com a atual situação da OAB.
O advogado Leandro Mello Frota, mestrando em Ciência Política em Relações Internacionais pelo IUPERJ, sócio da Gomes & Mello Frota Advogados, falou ao Instituo Liberal, do qual é diretor jurídico, sobre a tomada da entidade pelos governistas:
“A OAB deveria ter um papel de vanguarda na luta pela liberdade; defendendo os advogados e com uma participação mais efetiva nos assuntos que afligem a sociedade. Nossa OAB no passado exerceu um papel fundamental no retorno ao regime democrático, além de ter se posicionado ao lado do povo no impeachment do ex-presidente Collor. [Hoje] temos uma OAB fraca, submissa e atrelada aos interesses do PT e do governo. Nossa OAB tem virado as costas para nós, advogados”
Leandro Mello não está sozinho. A fala dele representa a frustração de muitos estudantes de Direito e de advogados que atuam há décadas no Brasil. Percebe-se que tanto para a nova geração quanto para a mais antiga a OAB tornou-se uma fonte de decepções.
O desprestígio da OAB é tamanho que até mesmo lideranças políticas de expressão nacional começam a questionar de forma contundente as contradições da entidade. Em um passado não tão distante, nenhum político ousaria bater de frente com a Ordem.
Ao questionar a credibilidade de uma pesquisa encomendada pela OAB que aponta 74% dos entrevistados contrários ao financiamento empresarial de partidos, o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha aproveitou para questionar a ausência de democracia interna OAB:
“A OAB é um cartel, é um cartel de uma eleição indireta, que responde a uma série de poder feito com movimento de milhões sem fiscalização. Então, a OAB tem que ser questionada em muitos pontos. Ela precisa ser mais transparente”
O presidente da Câmara foi preciso ao expor as contradições da entidade:
“A credibilidade deles, que não têm eleição direta, que não prestam contas como autarquia que eles são, esse roubo do exame da Ordem, com aqueles que não conseguem ter o direito a exercer a profissão pela qual eles prestaram vestibular, exerceram a faculdade e se formaram, a OAB tem uma série de questionamentos”.
Goste-se ou não de Cunha, as críticas dele à OAB são válidas. No interior da entidade pululam em todos os níveis os conflitos por poder, as guerras de facções e disputas territoriais.
Microfísica do poder
Até mesmo nas pequenas cidades as subseções da OAB muitas vezes são capturadas por pessoas que se servem delas para seus projetos pessoais, o que gera conflitos entre aqueles que almejam utilizar-se das subseções para fins particulares.
A obsessão pelo poder, somada ao afã de estar sempre próximo dos poderosos e agradá-los sempre que possível, com certeza é um elemento que contribuí com a destruição da imagem pública da entidade ao longo dos últimos anos.
A OAB abandonou todos os grandes temas que estão fora da agenda do governo. A crise política e institucional só aparece no radar da entidade para municiar o discurso em favor de do financiamento público de campanhas e outras bandeiras petistas.
O presidente problemático
A OAB hoje é presidida a nível nacional por Marcus Vinícius Furtado Coelho. Além da sua discurseira sem fim em defesa do governo Dilma, Coelho tem até mesmo na sua prática profissional uma fonte de controvérsias.
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Coelho esteve na mira da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça
Em 23 de fevereiro de 2015, a revista Época noticiou os fatos inconvenientes envolvendo o presidente da OAB. Segundo a revista, as merendeiras e os professores do Piauí, que recebiam menos de um salário mínimo nos 1990, ganharam na Justiça indenização de R$ 400 milhões.
Mas um grupo de advogados, liderado por Marcus Vinícius Furtado Coelho, estava faturando – e antes de muitos dos trabalhadores – R$ 108 milhões desse total. Ainda de acordo com Época, a corregedoria do Conselho Nacional de Justiça considerou irregulares os honorários dos advogados e mandou suspender os pagamentos:
“Cada vez mais candidato a ministro do Supremo Tribunal Federal, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcus Vinícius Furtado Coelho, atuou para que um grupo de advogados do Piauí descolasse honorários superlativos – e, segundo a corregedoria do Conselho Nacional de Justiça, irregulares – num processo de R$ 400 milhões. Os R$ 400 milhões constituem uma dívida reconhecida pelo governo do Piauí a professores e merendeiras da rede pública do ensino, como forma de compensação por algo básico que eles não tiveram durante um período da década de 1990: ganhar um salário mínimo”
O mais surpreendente no caso é que Coelho nem sequer foi advogado no processo. E mesmo assim – detalhou Época – ganhou mais do que os beneficiários do processo:
“São 11.401 beneficiários que, ao contrário dos advogados, não ficarão milionários com o pagamento da dívida. A média de pagamento, para os sindicalizados, é de pouco mais de R$ 30 mil – alguns beneficiários vão levar anos até receber o dinheiro. Coelho nem sequer foi advogado no processo pelo qual ganhou os honorários. Foi advogado dos advogados.”
É o mesmo Coelho que tira da cartola a força, o simbolismo e a representatividade da OAB para, escorando-se na suposta independência da entidade, ofertar vereditos “imparciais” à imprensa e fazer a defesa do governo sempre que necessário.
Quando o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se encontrou com advogados que representam investigados da Operação Lava Jato, o notório presidente da OAB apressou-se defender Cardozo, considerando o encontro “natural”.
Coelho e Cardozo: onde começa o Ministério da Justiça e onde termina a OAB?
Coelho e Cardozo: mas onde é que começa o Ministério da Justiça e onde é que termina a OAB?
Na época o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa chegou a cobrar a demissão do ministro, por uma suposta contaminação do processo pela política:
“Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a presidente Dilma demita imediatamente o ministro da Justiça. Reflita: você defende alguém num processo judicial. Ao invés de usar argumentos/métodos jurídicos perante o juiz, você recorre à Política?”
Coelho estrela, vez ou outra, as manchetes da blogosfera da Petrobrás, sendo apresentado como uma voz isenta que representa uma instituição séria. É o mesmo uso instrumental que a esquerda faz de FHC, Alckmin e outras figuras “isentas”, “imparciais”, etc…
Graças à notoriedade do cargo que exerce, Coelho ganha espaços generosos no próprio site do PTcom suas estripulias retóricas em defesa do governo Dilma:
O presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coelho, posicionou-se contra o movimento golpista e defendeu o mandato da presidenta Dilma Rousseff. “Até o momento, a OAB não tomou conhecimento da prática de ato criminoso por parte da presidente da República”.
Em 2014, Coelho esteve cotado para ser candidato a Senador pelo PP (Partido Progressista), da base do governo Dilma. A dobradinha seria com o petista Wellington Dias. Coelho negou a coisa toda. Talvez a coisa toda tenha sido um teste junto à opinião pública.   
Leite derramado
O fato é que só agora, aos 45 minutos do segundo tempo, a OAB decidiu “constituir uma comissão para avaliar se a presidente Dilma Rousseff cometeu crime de responsabilidade”. É claro que é uma tentativa inútil de colocar o leite derramado novamente dentro da garrafa.
credibilidade da OAB está em sintonia com a popularidade do governo Dilma.
De acordo com o Estatuto da Advocacia e da OAB, a entidade tem por finalidade “defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito, os direitos humanos, a justiça social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas”.
Estatuto da Advocacia e da OAB
Estatuto da Advocacia e da OAB: defender a Constituição; nada sobre defender governos
Para exercer sua missão, a OAB deveria primar pela imparcialidade e se voltar à defesa desapaixonada das instituições e não de um partido ou de uma agenda ideológica.
Porém, são muitos os episódios que nos fazem suspeitar do aparelhamento ideológico da OAB, entre eles o papel ridículo do presidente da OAB do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que pediu a rejeição do registro de advogado de Joaquim Barbosa.
Por anos a OAB se comportou como um grêmio estudantil – ou melhor, como o Departamento Jurídico Informal do PT – e agora, quando os anjos tocam as trombetas do Apocalipse, a entidade decide “constituir uma comissão” para avaliar se é mesmo o fim.
Para que serve a OAB?

terça-feira, 7 de julho de 2015

Pesquisa Datafolha demonstra o mal que a OAB, o PT e os ladrões podem fazer ao Brasil quando circunstancialmente associados. Ou: Lobby da Ordem, do PT ou de ambos?(RA)


Pesquisa Datafolha, encomendada pela Ordem dos Advogados do Brasil, indica que 74% dos entrevistados são contrários ao financiamento empresarial de partidos. Apenas 16% são favoráveis.  Em meio ao furacão da Lava Jato, esperava-se o quê? Afinal, o que se noticia a respeito? Empresários malvados teriam formado um cartel para tomar de assalto a Petrobras e, de quebra, teriam corrompido agentes públicos e representantes de partidos. Não foi isso o que escreveram outro dia procuradores da República para manter empresários em prisão preventiva?
Ora, se é isso o que aconteceu — o que me parece escandalosamente mentiroso —, é claro que a população cai na conversa e acaba considerando que o financiamento de campanha por empresa é a mãe de todos os males. Como se combate isso? De dois modos: a) demonstrando que, se a contribuição for proibida, aumentará o dinheiro no caixa dois; b) deixando claro que o PT é o partido que mais luta contra a contribuição de empresas e está na raiz da militância da OAB.
Há mais, segundo o Datafolha, 79% dizem que a corrupção é estimulada pelas doações privadas; só 12% não veem uma relação direta entre uma coisa e outra. Na Câmara, como se sabe, não foi aprovada a emenda que permitia a doação de empresas a partidos e candidatos, e passou o texto que limita as contribuições apenas às legendas.
Marcus Vinicius Furtado Coêlho, presidente do Conselho Federal da OAB, violando a lógica, os fatos e a história, afirma o seguinte à Folha:
“O mais adequado para limpar o Brasil, além da devida punição de eventuais culpados, respeitada a Constituição e o amplo direito de defesa, é acabar com o investimento empresarial em eleições e tornar crime a utilização do dinheiro não contabilizado, o chamado caixa dois”.
Tornar crime o caixa dois, ok. Afirmar que a contribuição empresarial é a origem da corrupção é tese do mais puro petralhismo. Eis aí um dos males de se insistir, como fazem a Procuradoria-Geral da República e o juiz Sergio Moro, na acusação estúpida de formação de cartel. Até fica parecendo que o esquema ladravaz montado na Petrobras seria possível em qualquer governo. Até parece que ali não estava a fina flor do jeito petista de fazer as coisas. O que se viu, isto sim, foi um azeitado esquema de extorsão que, com o tempo, se transformou em conluio entre políticos e empreiteiros.
Aí diz Coelho:
“As suspeitas sobre a origem do dinheiro que abasteceu campanhas, conforme revelado em delações premiadas da Lava Jato, reforçam a necessidade de mudanças no sistema eleitoral brasileiro. O atual sistema contém brechas que permitem a eventual ‘legalização’ de recursos ilícitos através de doações formais a campanhas eleitorais”.
Claro, doutor! Se todas as contribuições forem proibidas, nunca mais haverá extorsão nas estatais e, obviamente, ninguém vai doar dinheiro por baixo do pano, não é mesmo? A afirmação é de tal sorte ilógica que nem errada está. Doutor Vinícius e o PT querem nos convencer de que, se a doações fossem proibidas, não teria existido petrolão; de que, se as doações fossem proibidas, os petistas seriam exemplos morais.
Tudo falso
Tudo nesse debate, diga-se, é falso. A OAB assina a Ação Direta de Inconstitucionalidade que está no Supremo contra doação privada de campanha. Está apenas lavando a proposta. INFORMEI AQUI NO DIA 14 DE ABRIL (leia post) DE 2013 QUE O VERDADEIRO AUTOR DA TESE É ROBERTO BARROSO, MINISTRO DO SUPREMO. E QUE, PORTANTO, ELE DEVERIA TER SE DECLARADO IMPEDIDO DE VOTAR TAL QUESTÃO.
E por que escrevi isso? Na ADI apresentada pela OAB, há esta nota de rodapé:
“A presente Ação Direta de Inconstitucionalidade tem origem em representação dirigida à Presidência do Conselho Federal da OAB pelo Conselheiro Federal Cláudio Pereira de Souza Neto e pelo Procurador Regional da República Daniel Sarmento. As razões constantes da representação são ora adotadas, com acréscimos veiculados nos pareceres da Dra. Daniela Teixeira e do Dr. Eduardo Mendonça, apresentados, respectivamente, ao Plenário do Conselho Federal e à Comissão Nacional de Estudos Constitucionais. Ambas as peças acompanham a presente inicial.”
Muito bem. Quem é Daniel Sarmento, um dos que assinaram a representação? Professor de Direito Constitucional da Uerj, departamento que era chefiado por Barroso. O caso de Eduardo Mendonça é mais grave: foi sócio do ministro e seu assessor no STF.
Muito bem: quando escrevi isso aqui, em 2013, fui acusado de estar sendo irresponsável e coisa e tal. Vejam o que segue. Se necessário, clique na imagem para ampliá-la.
Harvard - ADI 
O que se vê ali? Trata-se de um evento havido em Harvard no dia 22 de abril. E, como se nota, o ex-sócio e ex-assessor de Barroso se apresenta, sim, como o verdadeiro autor da ação que está no Supremo. Este blog não tem receio de chamar as coisas pelo nome. Todos esses senhores que citei representam o direito filtrado pela ótica petista. Se têm ou não carteirinha do partido, não faz a menor diferença. O que interessa é que eles expressam a visão de mundo do partido na ordem jurídica.
A pesquisa encomendada pela OAB ao Datafolha é uma tentativa de pautar a votação da reforma no Senado. Se tivesse sido encomendada por Lula e por Rui Falcão, não teria endereço mais certo. E, mais uma vez, fica uma lição para os idiotas que insistem em não entender a minha crítica à tese do cartel. Se ela for levada a sério, a política brasileira cairá na clandestinidade e será tomada por máfias.
Gente estúpida!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Função da OAB: produzir manchetes a favor do PT (FMB)


Veja algumas manchetes recentes emplacadas pela Ordem dos Advogados do Brasil:
- Presidente da OAB diz ser ‘natural’ reunião [secreta] de ministro [José Eduardo Cardozo] com advogados [das empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato] (G1)
- OAB rebate Barbosa e defende reunião entre advogados e autoridades (Valor)
- OAB quer impedir [o juiz] Sergio Moro de usar documentos jurídicos da Odebrecht (Folha)
- Parecer da OAB aponta ‘desrespeito ao sigilo profissional’ de advogados da Odebrecht (Estadão)
- OAB diz que redução da maioridade é inconstitucional e que pode ir ao STF (Folha)
- Governo e OAB reagem a manifestações de preconceito contra Dilma e Maju (O Dia)
OAB montagem
Ordem dos Amigos do Brahma
São apenas alguns exemplos colhidos a esmo entre milhares.
A OAB está cumprindo direitinho o seu papel de legitimar as posições petistas diante do público ingênuo, com a autoridade de entidade “isenta” especializada em direito - exatamente como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil faz como suposta representante da Igreja Católica.
Nem o Instituto Lula defende tanto o PT quanto o presidente da OAB, Marcus Vinicius Coelho, e seu comparsa Pedro Paulo Guerra de Medeiros - ou o assessor político da CNBB, Daniel Seidel, não à toa ex-candidato petista a deputado federal (2002) e distrital (2014), como já retratei aqui.
O histórico da dupla
OAB 2Como boas almas petistas, Marcus e Pedro Paulo, que atua como procurador nacional adjunto de Defesa das Prerrogativas da OAB, têm um história antiga de problemas com a Justiça.
Além de réu por improbidade administrativa, Marcus foi acusado em fevereiro de enganar os pobres, embolsando honorários irregularmente, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça.
Segundo a Época, “as merendeiras e os professores do Piauí, que recebiam menos de um salário mínimo nos anos 90, ganharam na Justiça indenização de 400 milhões do governo estadual. Mas um grupo de advogados, liderado por Marcus Vinicius Coelho, que nem sequer atuou no caso, estava faturando – e antes de muitos dos trabalhadores – 108 milhões desse total. A corregedoria do CNJ considerou irregulares os honorários dos advogados e mandou suspender os pagamentos.”
Esse é o Marcus que deseja ser ministro do Supremo Tribunal Federal.
Além dos próprios esforços do presidente da OAB em defesa de Dilma e PT, Ricardo Lewandowski se esforçou muito para que ele fosse indicado por Dilma, mas até Luiz Edson Fachin podia passar com mais facilidade no teste de reputação ilibada.
Em 2013, poderia ter sido o Lula, também, o autor do discurso de Marcus ao ser eleito presidente do Conselho Federal da OAB: “O nosso compromisso é o de atrair e fundir os de baixo, o todo, para que o exercício do poder não seja uma obra dos de cima, nem das elites dirigentes”.
De exercício do poder das elites dirigentes, seu comparsa Pedro Paulo entende.
O advogado goiano, que chegou a ser preso em 2007 em meio a denúncias de fraude nas provas para ingresso na advocacia, deu suporte jurídico no processo do mensalão ao tesoureiro petista Delúbio Soares, condenado a oito anos e onze meses de prisão por formação de quadrilha e corrupção ativa:
“Se um cliente normal meu tomasse essa pena, eu falaria: ‘Fica tranquilo’, porque é óbvio que iam revisar e diminuir. Mas, nesse caso do mensalão, é tudo fora do padrão”, defendia ele na revista Piauí, atacando o STF como faz agora com Sergio Moro – e sendo repercutido pelos blogs sujos do PT, como o Brasil 171.
Para Pedro Paulo, a prisão podia até fazer bem à imagem dos condenados.
“Em seis meses, eles vão virar mártires. O PT não vai deixar a nação se esquecer daqueles que estão presos”, disse o advogado militante.
Quem não se esqueceu foi ele próprio, cujo escritório de advocacia em Brasília deu uma vaguinha de “estagiário” para o “mártir” João Paulo Cunha (PT-SP), oferecendo ao petista também condenado no julgamento do mensalão um salário de 1.500 reais mensais.
Essas, senhoras e senhores, são as pessoas “isentas” que emplacam no noticiário as manchetes da OAB e da CNBB. Duas entidades tão ativas politicamente quanto distantes dos ideais fundadores de suas respectivas doutrinas: o direito e o cristianismo.
As siglas de ambas deveriam aparecer em vermelho nos jornais, com o número 13 embutido e uma estrelinha no fundo.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O Senhor SOCIAL DEMOCRATA ANASTÁCIA também votou NO PETRALHA FACHIN .Ou:" Parabéns, Aécio Neves e José Serra! Trouxeram de Nova York uma toga para Fachin? (FMB)

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Os brasileiros de bem jamais esquecerão que os senadores Aécio Neves e José Serra, do PSDB, trocaram a sabatina do petista Luiz Edson Fachin na CCJ para comparecer à entrega de um prêmio a Fernando Henrique Cardoso em Nova York.
Agora temos no STF um fraudador constitucional, que atuou como advogado particular enquanto era procurador do Estado do Paraná e recebeu recursos para defender o governo paraguaio ao mesmo tempo em que era professor da Universidade Federal do Paraná – nos dois casos, descumprindo a legislação vigente à época.
Fica a pergunta: Aécio e Serra trouxeram de Nova York, além de vinhos e champanhes, uma toga mais moderninha para Fachin?
FHC

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Fachin representa rendição de poder do Legislativo, diz Demétrio Magnoli (RC)


Quem precisa de uma Constituição quando tem juízes e ministros “iluminados”?
coluna de Demétrio Magnoli na Folha hoje está imperdível. O sociólogo vai direto ao ponto que faltou ser abordado na longa sabatina de Fachin pela CCJ: seu ativismo jurídico, sua visão de que as leis podem e devem ser construídas pelos próprios juízes com base em interpretações subjetivas. Isso é o oposto do que deve fazer o STF, guardião da Constituição. E representa, como coloca Demétrio, uma rendição do poder do próprio Legislativo. Seguem alguns trechos:
Nenhum senador desviou-se dos rumos óbvios para inquiri-lo sobre o que interessa: a fonte das leis. Fachin acredita que os juízes têm a prerrogativa de inventar a lei. Se seu nome for aprovado em plenário, os senadores estarão assinando um termo de rendição do Poder Legislativo.
Fachin é da corrente de pensamento de outro Luís, Roberto Barroso, que já está no STF. Eles são expoentes da vertente radical do neoconstitucionalismo, a árvore teórica de um ativismo judicial ilimitado. 
[...]
Tudo que está escrito pode ser lido pelo avesso –eis a mensagem de Luís e Luiz. Na “nova dogmática da interpretação constitucional” de Barroso, a filtragem do Direito escorrega da norma objetiva para o terreno do arbítrio subjetivo. A Constituição abriga o princípio da igualdade perante a lei? Basta reinterpretá-la à luz do imperativo de justiça histórica –e concluir pela recepção de leis raciais na ordem jurídica nacional. A letra constitucional proíbe a discriminação de cor no acesso à educação superior? Basta atribuir um significado paradoxal à palavra –e explicar que a meta axiológica da igualdade demanda a “discriminação positiva”.
[...]  surgiu uma escola jacobina que prega a reforma social pelo Direito e, não por acaso, repete incessantemente o mantra da “carência de legitimidade” dos atuais parlamentos.
Os fundadores da arquitetura moderna queriam “mudar a cidade para transformar a sociedade”. Os juristas jacobinos cultivam o mesmo sonho exagerado, mas escolheram a ferramenta do Direito, o que os coloca em rota de colisão com o poder encarregado de fazer as leis. Fachin não é petista, a não ser num sentido puramente circunstancial. Mais que um partido, precisa de alianças com o “povo organizado”: movimentos sociais, entidades corporativas, ONGs. A reengenharia da ordem jurídica, por cima dos representantes eleitos, deve ser vista como produto da vontade da sociedade civil. Fachin compartilha com o PT o objetivo de anular os direitos do Congresso, isto é, do “povo desorganizado”.
O “jurista iluminado” vai assumir o poder, passar por cima dos representantes eleitos pelo povo, e finalmente impor a “justiça social” de que tanto “necessitamos”. Eis o pensamento arrogante, arbitrário e autoritário desses advogados e juízes que pretendem se colocar acima das leis e da própria Constituição. Seu “ativismo revolucionário” é o verdadeiro perigo às regras do jogo e à própria democracia representativa. O mandato dos legisladores seria, na prática, transferido para tais ativistas.
Ainda há chance de barrar mais um desses ativistas no STF. Mas, ao que tudo indica, dificilmente Fachin será vetado. Até porque com uma “oposição” dessas, como a do PSDB, só mesmo um milagre para impedir o avanço do arbítrio que destrói nossa República constitucionalista…

terça-feira, 12 de maio de 2015

Fachin e o mi-mi-mi do pobrismo. Quando é que vai aparecer um “pobre menino rico” para choramingar, hein?(RA)

Eu, que fui muito pobre — e não entro em detalhes porque ninguém tem nada com isso —, não aguento mais
– o chororô do pobrismo;
– a estética do pobrismo;
– a ladroagem do pobrismo;
– a vigarice intelectual do pobrismo;
– o orgulho cretino do pobrismo…
Não aguento mais o pobrismo como categoria de pensamento. Luiz Edson Fachin está sendo sabatinado no Senado. Indagado por que um publicitário que trabalha para o PT faz a sua campanha na Internet — como se fosse o caso —, ele optou pela saída petista: NÃO SABE. Indagado quanto custa, ele também não sabe. Não sabia nem que a agência trabalhava para o partido.
Mas gravou quatro vídeos para a turma. Vale dizer: o candidato ao Supremo vai gravando o que lhe pedem sem saber para quem. Como diria Fernando Pessoa, mordomos invisíveis administram-lhe a casa.
Mas, de saída, como um Lula das letras jurídicas, saiu-se com esta:
“Sobrevivi a uma adolescência difícil e enriquecedora. Não me envergonho; ao contrário, me orgulho de ter vendido laranjas na carroça de meu avô pelas ruas onde morava. Me orgulho de ter começado como pacoteiro de uma loja de tecidos. Me orgulho de ter vendido passagens em uma estação rodoviária”.
A gente viu aonde nos levou o culto a essa tolice. É claro que sempre me seguro para não chorar em horas assim e, como sou meio briguento, tenho vontade de dar início a um campeonato de pobreza. Mas meu senso de decoro me impede.
Oh, meu Deus! Quando é que vai aparecer no Brasil um pobre menino rico que venha chorar as pitangas porque oprimido por seu pai rico, hein? Quando? Posso imaginar: “Ah, Vossa Excelência não sabe como eu sofria… Queria ir brincar de pipa na rua, mas meu pai me obrigava a ficar dando ordem para os mordomos…”.
Sempre que alguém me conta uma história pessoal triste e fora do contexto, acho que o sujeito está querendo me enganar. Eu estou me lixando se a infância de um candidato ao Supremo foi pobre ou rica. Quero saber o que ele entende das leis. Quero saber quais princípios organizam seu pensamento. Quero saber quais são seus valores. Quero saber o que ele pensa de alguns dos pilares da Constituição. Quando eu estou com vontade de chorar e não encontro bons motivos, corto cebola, não preciso de Fachin. Chega dessa conversa mole! E com esse espírito que o país está passando por um dos momentos mais difíceis de sua história.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

DESCONSTRUINDO FACHIN – CUIDADO, SENADORES! Em vídeos, candidato ao STF tenta negar seu pensamento e sua militância. Cabe a pergunta: enganava antes ou agora? O adversário da propriedade privada e da família se diz difamado. Eu provo que não!(RA)


Fachin capa 2
Pois é… Luiz Edson Fachin tem o direito de pleitear uma vaga no Supremo Tribunal Federal. E as pessoas responsáveis, MUITO ESPECIALMENTE OS SENADORES, têm o direito de saber o que ele pensa. O doutor resolveu lançar quatro vídeos no Facebook em que tenta tratar como mero “boato” e atribuições indevidas coisas que são de sua lavra e que levam a sua assinatura, das quais ele nunca abdicou. A página se chama “FachinSim”, lançada por um grupo coordenado por seu genro, o também professor de direito Marcos Rocha Gonçalves. Que coisa! Uma cadeira no Supremo é agora disputada em confrontos de vagas de opinião nas redes sociais. Essa simples iniciativa deveria levar o Senado Federal a pensar. Será mesmo esse o caminho?
A propriedade privada
Nos vídeos, Fachin responde a quatro perguntas. Uma delas é esta: “Alguns falam que Fachin é contra a propriedade privada. Vou perder minha terra?” O advogado, claro!, nega. E diz que a propriedade é “um direito fundamental e, como tal, nós devemos seguramente obediência a esse comando constitucional. Porque a Constituição é o nosso contrato social. [...] Nenhum de nós pode ter uma Constituição para chamar de sua”.
Isso é o que ele diz no vídeo. Agora vamos ver o que ele escreveu:
“O instituto da propriedade foi e continuará sendo ponto nevrálgico das discussões sobre as questões fundamentais do País. Ou ainda: “De um conceito privatista, a Constituição em vigor chegou à função social aplicada ao direito de propriedade rural. É um hibridismo insuficiente, porque fica a meio termo entre a propriedade como direito e a propriedade como função social. Para avançar, parece necessário entender que a propriedade é uma função social. Querem mais: “Se, ao invés de a propriedade rural ter uma função social, ela se tornar função social, concluir-se-á que não há direito de propriedade sem o cumprimento dos requisitos da função social.” Mais um pouco: “Aqueles imóveis que estiverem produzindo (…) estariam sujeitos à desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária”. A íntegra de seu artigo está aqui, entre as páginas 302 e 309. Ah, sim: para Fachin, proprietários rurais são “espíritos caiados pelo ódio e pela violência”.
Quando o Supremo estiver discutindo questões que envolvam sem-terra, quilombolas, áreas indígenas, qual Fachin vai prevalecer?
A família
Outro vídeo procura responder se Fachin é mesmo “contra a formação tradicional da família” e a favor da poligamia. Por tudo o que escreveu e apoiou, ele é, sim! Mas, agora, no Face, diz que não. E isso não é bonito. O advogado escreveu o prefácio de um livro em que flerta abertamente com a poligamia (leia aqui) e em que a família tradicional é tratada como “jugo”.
E como ele vê o direito de família vigente no Brasil? Ele mesmo diz: como um“coro crédulo e entusiástico da manualística rasteira”. Quando Fachin tentava nos enganar? Quando escreveu o prefácio ou quando gravou o vídeo? Antes, convenham, o engodo era desnecessário porque ele não ganhava nada com isso. Agora, o prêmio seria grande: uma vaga no Supremo.
É impressionante este senhor tentar negar o óbvio. Na IV Jornada de Direito Civil em Brasília, ele propôs o conceito de “famílias simultâneas” (os direitos de amante), que acabou recusado. O enunciado era este:
“A determinação de não-constituição de união estável quando um dos companheiros for casado com terceiro deve conter exceção quando se tratar da existência de famílias simultâneas, averiguados os pressupostos de sua formação, além das hipóteses já previstas de separação de fato e judicial.”
Eu posso provar o que digo. O texto está aqui, a partir da página 708. Eu me preparo para o debate. Não tento desempatar as coisas com vídeos de baixo proselitismo.
Vocês pensam que ele se conformou? Em 2013, há menos de dois anos, ele voltou à carga, aí na VI Jornada de Direito Civil, e fez três propostas abrigando o conceito da família plural, não monogâmica. Todas foram rejeitadas. Leiam:
Enunciado 1
“Uma relação conjugal paralela a um casamento ou união estável, em sendo pública, contínua e duradoura, com o objetivo de constituição de família, produz efeitos no campo do Direito de Família e Sucessões, desde que todos os núcleos familiares formados manifestem a aceitação expressa ou tolerância implícita com a manutenção da simultaneidade conjugal, constituindo concubinato e não mera relação adulterina”.
Enunciado 2
“É juridicamente possível a configuração de famílias simultâneas, sendo inconstitucional o §1º do artigo 1.727 do Código Civil.”
Enunciado 3
“Na concorrência entre o cônjuge e os demais herdeiros (descendentes ou ascendentes), havendo duplicidade de uniões estáveis, o patrimônio do de cujus deverá ser amealhado na concomitância das duas relações.”
Doutor, o senhor fez ou não fez essas propostas há menos de dois anos? Quer dizer que, no Supremo, terá ideias diferentes? Ou pretende mudar de convicção só para conseguir o cargo? Se for assim, convenha: não o merece.
Ele é um militante da causa. Os senadores querem saber mais? Leiam o artigo que ele escreveu para a “Revista Brasileira de Direito das Famílias e Sucessões/Edições/6 – Out/Nov 2008”. A íntegra está aqui. Destaco trechos:
“(…)
A compreensão do texto constitucional brasileiro vigente vai dando espaço para que a família, nessa concepção contemporânea do Direito, se inclua como ente aberto e plural.

É desse degrau de efetivação da cidadania que reclama a pluralidade constitucional da família, não exclusivamente matrimonializada, diárquica, eudemonista e igualitária.
(…) Sustenta-se uma concepção plural e aberta de família que, de algum modo, conforte, agasalhe e dê abrigo durante o trânsito da jornada de cada um e de todos coletivamente.
(…) Todavia, o novo Código Civil nasce desatualizado e excludente, como quanto ao debate sobre a biogenética, as uniões estáveis em sentido amplo, a família fraterna (entre irmãos ou irmãs), a filiação sócio-afetiva, para dar alguns exemplos.
(…)
Fim do casamento
Doutor Fachin é diretor de um troço chamado IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito da Família). Numa palestra no IX Congresso Brasileiro de Direito de Família, ele abordou o fim do contrato formal de casamento. A assessoria da própria ONG, da qual ele é chefão, resumiu assim o seu pensamento:
“Mostrar que o casamento tal qual foi emoldurado, como um contrato, não tem mais lugar no Direito de Família contemporâneo. Foi com esse foco que o jurista Luiz Edson Fachin, diretor nacional do IBDFAM, conduziu sua palestra no último dia 22, durante o IX Congresso Brasileiro de Direito de Família, em Araxá/MG.
O casamento como um contrato formal, uma herança que o Direito brasileiro recebeu do chamado Direito clássico, fundado em alguns pressupostos formais e rígidos, não existe mais. E são vários os motivos que justificam tal mudança, segundo Fachin, como a chamada ‘transubjetivação do contrato’, segundo a qual quem contrata não contrata apenas com quem contrata, portanto o casamento não envolve apenas os que são formalmente integrantes do casamento.”
O texto então redigido por sua assessoria está aqui. Fachin diz estar sendo vítima de campanha de difamação. É mesmo?
Oh, ele pode ser quase poético ao tratar do assunto. Leiam o que disse no encontro, com suas próprias palavras:
“Esse modelo de contrato [de casamento] morreu. Nasce, todavia, mantendo a ideia importante do casamento como uma das possibilidades de organização das famílias, e não a única, um novo conceito de contrato de casamento. Morto o velho nasce um novo que é o que se chama de pacto substancial de convivência. O casamento não pode ser um mero contrato onde há sujeito, objeto, forma e licitude. O casamento é um pacto de convivência que muitas vezes supera as questões da licitude estrita, que alcança um conjunto de indeterminações abertas e plurais que obviamente o modelo clássico do casamento não mais incorporava, portanto falar da morte do casamento a rigor significa propalar a renovação do casamento como uma das possibilidades de expressão do afeto, dentre várias outras que uma lei inclusiva, um sistema inclusivo tem que admitir”.
Agora, num dos vídeos, ele diz o contrário:
“A estrutura da família brasileira é uma estrutura monogâmica, e qualquer interpretação que tenha sido feita de algo que possa ter vindo de algum debate acadêmico é uma compreensão equivocada, não corresponde ao meu ponto de vista. Eu tenho entendido que família é basicamente uma comunhão de vida que está no centro da família, a união matrimonializada não apenas como um contrato formal, mas como um projeto de vida que se explica numa história a quatro mãos”.
Dizer o quê? VERGONHA ALHEIA, DOUTOR!
Querem mais? Pois não!
“A espacialidade e a temporalidade contemporâneas esboroaram o contrato clássico [de casamento] e demonstram que o conceito  é incompatível com os pactos existenciais plurissubjetivos. A finitude dos arranjos famílias fez nascer, para muito além de mera liberdade de contratar, um significado renovado da responsabilidade e mesmo da liberdade. A liberdade deixa de ser meramente formal ou negativa, demandando uma prática de liberdade substancial, vale dizer, liberdade para o desenvolvimento pessoal, com limites próprios que inexistente nas relações contratuais. O contrato, pois, para dar conta dessas ressignificações do casamento, não mais serve. (…)”
E o doutor vem dizer que não flerta com a poligamia e com o fim da família tradicional? Vamos ser claros? Flerte não há! Trata-se de adesão mesmo às duas causas.
Para encerrar esse capítulo, lembro que o IBDFAM de Fachin fez as seguintes propostas, contidas no PLS 470/2013 — SIM, 2013 —, o que define o Estatuto da Família (íntegra):
a) Ampliação das entidades familiares, com inclusão das relações extraconjugais;
b) família pluriparental;
c) multiparentalidade;
d) presunção de paternidade.
Doutor Fachin tem duas saídas: dizer que estava equivocado em todas essas teses até o ano retrasado e que agora mudou de ideia. E os senadores avaliarão a sua seriedade. Ou dizer que pensa isso e quer chegar ao Supremo mesmo assim. SÓ NÃO PODE TENTAR ENGANAR OS SENADORES E SILENCIAR OS SEUS CRÍTICOS COM VIDEOZINHOS NA INTERNET QUE DESMENTEM SEUS TEXTOS E SUA MILITÂNCIA.
A dupla militância ilegal
Finalmente, ele tenta negar que tenha exercido ilegalmente a dupla militância, isto é: atuou como advogado privado e como procurador do Estado. A questão já foi devidamente respondida por um estudo da Assessoria Jurídica do Senado.
A argumentação chega a ser pueril para quem pretende chegar ao Supremo. Ele diz ter atuado regularmente por três razões:
1ª: o edital do concurso em que ele foi aprovado abria espaço para o duplo trabalho, e foi baseado nesse edital que ele tomou posse no cargo de procurador;
ERRADO – O edital foi feito na vigência de lei que foi tornada sem efeito pela Constituição Estadual promulgada em 5 de outubro de 1989 e por Lei Complementar de 18 de janeiro de 1990. Ambas proibiam a dupla militância. Fachin só foi nomeado procurador no dia 12 de fevereiro de 1990. Quer dizer que, ao simplesmente ser aprovado num concurso, já se sentia procurador? Chega a ser ridículo!
2ª: ele diz que a OAB, consultada por ele, autorizou a advocacia;
ERRADO – a OAB não tem competência nem autoridade para mudar o conteúdo da Constituição do Estado e da Lei Complementar.
3ª: por fim, argumenta ele, uma emenda à Constituição do Paraná, em 2000, estabeleceu “o direito adquirido ao exercício concomitante” da dupla atividade.
ERRADO – Ainda que assim fosse, ele está admitindo ter exercido a dupla militância ilegalmente, entre 1990 e 2000?
Concluo
Até ontem, eu achava que Fachin não poderia ser ministro do Supremo por três motivos:
a: porque acho que alimenta verdadeiro ódio à propriedade privada e aos produtores rurais;
b: porque é um adversário explícito da organização familiar como o mundo democrático a conhece;
c: porque exerceu ilegalmente a dupla militância profissional: advogado e procurador do Estado.
Agora, eu tenho um quarto motivo, tão ou mais grave dos que os outros:
d) acho que ele está querendo nos enganar e nos engabelar.
O que ele pensou está escrito, converteu-se em militância e em proposta. À época, suas ideias exóticas lhe rendiam a fama de progressista, de moderno, de bacana, de antenado… E ele não era nada suave com quem discordasse dele. Chamava o pensamento adversário de “gosma”.
Agora, com uma vaga do Supremo pela frente, tenta esconder do Senado o que pensa e apostar na confusão. Vai cair na conversa quem quiser. Os fatos estão aí. Os textos estão aí. Os links estão aí.
De resto, o Supremo é coisa séria demais para virar motivo de guerrinha no Facebook, disputa, convenham, que fica melhor quando protagonizada pela molecada. O fato de seu genro coordenar a página é insuficiente para que eu veja Fachin como um amigo da família… Isso, no máximo, o torna amigo de sua própria família.
Fachin tem de ter o destemor de assumir seu pensamento. Ele tem o direito de ser contra a propriedade privada, contra a família e contra o ordenamento jurídico. Não pode é tentar enganar os senadores e os demais brasileiros