quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

PT E CNBB, 35 anos de união estável (PERCIVAL PUGGINA)


Quando o PT chegou ao governo, esse mesmo Lula que os amigos leitores conhecem tão bem quanto eu, era apreciado pelos operadores da CNBB como um anjo do Senhor caído em Garanhuns por descuido dos principados celestes.

Existem partidos políticos que se especializam em xingamentos. Chutam adversários sem dó nem piedade da canela para cima e da canela para baixo. São indulgentes apenas consigo mesmos. Afagam seus malfeitores e não há culpas que os leve a pedir desculpas. Na maioria, são pequenos partidos radicais, com militantes e dirigentes mal educados, rancorosos, socialmente desajustados. Há, no entanto, um grande partido que corresponde perfeitamente a essa descrição. Com tais métodos, chegou ao poder e governa o país há 12 anos (isso se não contarmos os últimos quatro de FHC durante os quais o PT influenciou fortemente decisões do governo).
Pois bem, observe as pautas petistas, suas reivindicações e as postulações dos grupos sociais que o partido comanda no estalar dos dedos e ao megafone. Examine a essência da ideologia da legenda nos textos que produz, no conteúdo de seus sites e nas resoluções de seus congressos. Procure identificar o rumo perseguido pelas proposições legislativas dos parlamentares do partido. Vejam com que tipo de governos e regimes se relacionam. Siga por essas trilhas e perceberá que o PT mantém com a Igreja Católica (que não se confunde com a CNBB) e com sua doutrina religiosa e moral uma relação de irredutível divergência e animosidade. A distância que separa o petismo da Igreja é intransponível.
No entanto... no entanto..., o Partido dos Trabalhadores e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, há 35 anos, vivem em união estável, garantidora não apenas de direitos, mas de afetos, regalias e privilégios. Todas as pastorais ditas sociais da CNBB trabalham ombro a ombro com o partido, de modo militante e diligente. Ao longo dos anos, quando o PT era oposição, os documentos da Conferência que tratavam de questões políticas e sociais atacavam os governos reproduzindo fielmente o discurso petista. O idioma era e prossegue sendo petista. Estridentes sutilezas que muitas vezes denunciei! Nas reuniões de pastoral a que compareci, regional e nacionalmente nos anos 80, falava-se muito mais de Lula e PT do que de Jesus Cristo e Igreja. Quando o PT chegou ao governo, esse mesmo Lula que os amigos leitores conhecem tão bem quanto eu, era apreciado pelos operadores da CNBB como um anjo do Senhor caído em Garanhuns por descuido dos principados celestes.
Passaram-se 12 anos e as coisas estão como se sabe. A última eleição transcorreu como se viu. A presidente enganou o eleitorado tanto quanto se assistiu. O partido e seus associados afundaram lá onde o olfato acusa. E a CNBB, na obscura alvorada do segundo mandato de Dilma, inicia a Campanha da Fraternidade de 2015 falando em Igreja e Sociedade, com destaque para os temas da corrupção e Reforma Política.
Ótimo, mas, corrupção de quem, senhores bispos? Nem um pio. Corrupção com sujeitos ocultos, em instâncias não sabidas, a sotto voce como diria o maestro Ricardo Muti. Corrupção tão impessoal e neutra quanto a voz passiva. A mesma instituição, primeiro atribuía a corrupção à infidelidade partidária e se empenhou nisso como se fosse a salvação da moralidade pública. Em seguida, mobilizou céus e terras por uma lei da ficha limpa (tremendo sucesso, não?). Agora, sem culpados nem fatos a discernir, e sem credenciais que a qualifiquem para propor temas de Direito Constitucional, Teoria do Estado e Sistemas Eleitorais, joga sobre a falta de uma reforma política a causa essencial das venalidades nacionais. Para extingui-la, põe na mesa uma proposta de reforma política e um oneroso plebiscito que são muito parecidos, mas muito mesmo, com o que o PT tirou da manga em 2013. E, por isso, tem total apoio desse partido.
Resumo da mensagem para o mau entendedor: temos corrupção porque a reforma política, apesar dos esforços petistas, não sai do papel. Assim, os corruptos e suas legendas emergem das barras dos tribunais e das delações premiadas e vão comandar o pretendido plebiscito sobre reforma política, numa espécie de Teoria Geral da Corrupção. Certamente eu também quero uma reforma política. Mas ela nunca será como proponham a CNBB, a OAB e o PT, porque, no fundo, politicamente, é tudo a mesma coisa.

cpt
PCT

O Brasil decente que defendemos não se calará diante dos abusos ditatoriais do governo da Venezuela (RC)


(Foto: Alejandro Cegarra/AP)
Em Caracas, manifestantes exigem a libertação arbitrária do prefeito Antonio Ledezma (Foto: Alejandro Cegarra/AP)
A julgar pela reação vergonhosamente tímida dos líderes, dos governos, das organizações regionais da América Latina — como a OEA e a Unasul — sobre a prisão arbitrária do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, é difícil não concluir que todos eles se tornaram uma organização de proteção para regimes repressivos.
Em vez de solicitar a libertação incondicional de Ledezma, bem como a do líder da oposição Leopoldo Lopez e outros presos políticos que, segundo a Organização das Nações Unidas, têm sido vítimas de detenções arbitrárias, as maiores organizações regionais e os líderes líderes latino-americanos têm, em grande parte, feito cara de paisagem e olhado para o outro lado.
De que servem essas organizações regionais se não levantam um dedo para fazer valer as suas próprias Cartas e os princípios que as justificam, exigindo o respeito e defesa da democracia?
Como se justifica a ausência de uma resposta forte do Brasil, o maior país da região, cuja MandatáriA posa nas fotos como líder de uma democracia moderna?
Como é possível acreditar – como a senhora presidentA – ser um “assunto interno” da Venezuela o fato de que qualquer liderança oposicionista que se fortaleça por lá seja simplesmente aprisionada, sem ordem judicial?
Como podemos engolir calados que o presidente do partido da presidentA, o petista Rui Falcão, em nome do “povo brasileiro”, embora sem nenhuma procuração, vá a Caracas na maior cara-de-pau para garantir apoio aos chavistas? Se os assuntos da Venezuela são só da conta dos proto-ditadores, por que Luizinácio Lula da Silva pediu votos para eleger o “presidente” herdeiro Nicolás Maduro nas últimas eleições presidenciais?
Como pode uma presidentA que se autodenomina “Coração Valente”, que participou da luta armada contra a ditadura militar brasileira e que por ela foi torturada, se calar covardemente diante de um regime cada vez mais liberticida?
Será que a PresidentA não se envergonha de ser cúmplice de todas as violações dos direitos humanos que vêm sendo cometidas diuturnamente pelo seu cumpanheiro bolivariano? Será que DilmA imagina que a sociedade brasileira – a exemplo dela e dos membros do seu partido corrompido – é formada por zumbis morais e por mentecaptos incapazes de sentir empatia ou de abstrair que os direitos humanos são universais e não uma mera questão “interna” da Venezuela?
Será que a política externa da senhora Dilma Rou$$eff – como escrevem seu nome nos blogs os revoltados cidadãos venezuelanos – desconhece que, desde 1988, a Constituição DESTE PAÍS, no seu artigo 4, passou a prever a defesa da democracia, dos direitos humanos, da autodeterminação dos povos e da paz?
Se for este o caso, é preciso que a PresidentA seja chamada à razão. Sugiro que alguém – pelamordedeus! – no nosso ruborizado Itamaraty, S-O-L-E-T-R-E para a MandatáriA o Compromisso de Santiago com a Democracia de 1991, a Declaração de Quito de 1995, a Declaração a Respeito da Manutenção da Democracia de 1997, o Compromisso Democrático de Cartagena de 2000, o Protocolo de Ushuaia do Mercosul de 1998, a Carta Democrática Interamericana de 2001, a Declaração de São José de 2002, todas elas assinadas por ESTE PAÍS, compromissado com a ordem democrática e, portanto, prevendo reuniões de emergência entre Estados membros no caso de haver interrupção dela.
(Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)
“Chega de presos políticos deste regime”, pede um manifestante (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)
Saiba a nossa leviana presidentA que décadas atrás, quando um país latino-americano descaradamente violava as liberdades democráticas, como a Venezuela está fazendo agora, os mais importantes líderes democráticos da região condenavam tais eventos, e pediam reuniões extraordinárias da Organização dos Estados Americanos para pressionar por ações de correção de rumo.
Quando, por exemplo, em 1992, o ex-presidente peruano Alberto Fujimori fechou o Congresso de seu país, o governo da Venezuela rompeu relações diplomáticas com o Peru, a Argentina mandou para casa o seu embaixador, o Chile e vários outros países solicitaram oficialmente que o Peru fosse desligado da OEA, e a OEA protestou contra a ação de Fujimori, forçando-o a convocar eleições antecipadas para um novo Congresso alguns meses depois.
Nada disso aconteceu após a prisão de Leopoldo Lopez, a perda do mandato de deputada de María Corina Machado e, na quinta-feira, 19, do sequestro do prefeito Ledezma, um dos recordistas de votos na Venezuela e um de seus principais líderes oposicionistas.
Nenhum governo latino-americano teve a dignidade de condenar essa prisão autoritária feita no figurino covarde das piores ditaduras, nem solicitou uma reunião extraordinária dos ministros das Relações Exteriores da OEA para resolver a questão.
Maduro, que no início deste mês promoveu comemorações oficiais para homenagear a tentativa de golpe de 1992 comandada pelo falecido presidente Hugo Chávez, acusou Ledezma e outros líderes da oposição de “conspirar e organizar” ações violentas contra o governo, o que eles negam categoricamente, e a nomenclatura chavista não consegue provar.
Na sexta-feira, o Secretário-Geral da OEA José Miguel Insulza expressou sua preocupação sobre os últimos acontecimentos na Venezuela. Mas, na ausência de qualquer pedido de qualquer país membro para que a questão fosse discutida, o que faz hoje é basicamente assistir aos eventos venezuelanos de longe.
A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) anunciou sexta-feira que vai enviar uma delegação de ministros das Relações Exteriores do Brasil, Equador e Colômbia para a Venezuela, em data ainda a ser determinada, para observar a situação de perto. Isso pode ser uma boa notícia para Maduro, uma vez que a Unasul é o grupo regional mais simpático ao seu governo.
No ano passado, a Unasul despachou pra Caracas os ministros das Relações Exteriores dos mesmos três países em um suposto esforço de mediação após os protestos estudantis em Caracas que deixaram um saldo de pelo menos 43 mortos pela repressão “coletiva castrista”.
Mas os mediadores da Unasul não só não conseguiram intermediar um acordo entre Maduro e a oposição – que conversa pode-se ter com trogloditas que acreditam ser “submissão” o único sinônimo da palavra “diálogo”? – mas ajudou Maduro ganhar um tempo precioso para dizimar os protestos. Os três ministros de Relações Exteriores dos países cúmplices não conseguiram a libertação de todos os estudantes presos durante os protestos nem um compromisso de Maduro para atender a algumas exigências básicas da oposição, tais como a nomeação de autoridades eleitorais independentes para as eleições legislativas deste ano.
Em 2013, a Unasul já havia corrido para abençoar a vitória eleitoral duvidosa de Maduro, depois de um tribunal eleitoral pró-governo tê-lo proclamado vencedor por 1% dos votos, apesar das acusações de fraude maciça feitas pelo eleitorado e pelas oposições.
Na última sexta-feira, o presidente Ernesto Samper, da bolivariana Unasul, em vez de lamentar a ausência de modos democráticos de Maduro, criticou as sanções norte americanas contra cerca de cinco dezenas de funcionários venezuelanos suspeitos de abusos de direitos humanos e corrupção.
O Human Rights Watch classificou as colocações de Samper como lamentáveis, porque não há absolutamente nenhuma conexão entre o cancelamento legítimo pelos EUA de seus vistos e o congelamento dos bens de funcionários venezuelanos envolvidos em abusos de direitos humanos, em corrupção e em narcotráfico com as cada mais frequentes detenções arbitrárias na Venezuela.
É claro como o sol do meio-dia que estamos assistindo a uma deterioração diária das liberdades fundamentais na Venezuela. É evidente que os chavistas, com uma taxa de aprovação popular de meros 22%, não poderão mais concorrer em eleições democráticas. É óbvio que o regime de Maduro está apenas se adaptando a esta nova realidade política e que se encaminha a largos passos para se transformar em mais uma homicida ditadura no continente.
Contra a escalada da repressão chavista, que vozes latino-americanas se elevarão? Não é surpresa para ninguém que os aliados mais próximos da Venezuela chavista – os demagogos populistas dominantes no Brasil, Bolívia, Equador, Nicarágua e Argentina – tenham se mantido e vão continuar num silêncio abjeto. Entre eles Dilma Rou$$eff.
Que barbáries precisará Maduro cometer para que o governo brasileiro se toque que a cláusula democrática do Mercosul – que para os amigos tem sido flexibilizada – tem que ser usada para fazer frente aos abusos dos regime totalitários de seus cumpadres aliados? Onde está escrito que a cláusula democrática do Mercosul existe para ser descumprida a menos que, como já vimos, o impedido legal e constitucionalmente seja um Lugo amigo?
Será necessário que o mundo assista horrorizado ao exército venezuelano – cumprindo uma LEI recentemente elaborada no Ministério da Defesa da Venezuela – atirando para matar contra manifestantes antes que Dilma Rou$$eff decida honrar o cargo que exerce?
O Brasil petista, a PresidentA, os países cumpanheiros, a Unasul, o Mercosul e todos os outros pseudo-democráticos grupos regionais estão cada vez mais assumindo, sem qualquer vergonha, o papel de protetores dos abusos de governos autoritários em vez daquele de defensor das liberdades democráticas.
Mas o Brasil do qual fazemos parte não se calará. Somos solidários ao povo venezuelano.
Finalizo com palavras antigas da lavra de Mario Vargas Llosa que são mais atuais do que nunca:
“Em nome da cultura da liberdade, aprovada pelos povos da América Latina, exorto todos os governos democráticos e todas as organizações internacionais a cortar todos os laços com o governo ilegítimo da Venezuela e a fazê-lo sentir o repúdio das instituições e dos homens do mundo livre”.
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A simbiose nefasta entre CNBB e PT: os bolivarianos infiltrados na igreja (RC)

A CNBB lançou sua campanha de 2015 com o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, com direito à presença do presidente da OAB. Ambas as entidades se mostram cada vez mais ideologizadas, agindo em prol de uma agenda política. A mistura entre religião católica e socialismo não é nova, e a infiltração vermelha na CNBB já é praticamente total. O mesmo ocorre na Pastoral da Juventude, organização de jovens ligada à CNBB. O uso político dessas entidades foi tema de editorial do Estadão desta segunda-feira. O jornal diz:
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Eu mesmo já chamei a CNBB de Conferência Nacional dos Bispos Bolivarianos, tamanha a adesão da entidade à cartilha socialista. Ocorre que o cristianismo, ou mesmo o catolicismo, se bem entendido, não pode ser confundido com socialismo. Um legítimo cristão jamais endossaria a agenda autoritária e antagônica ao indivíduo como aquela dos bolivarianos, representados no Brasil pelo PT.
É verdade que passagens isoladas da Bíblia podem ser usadas para tal propósito, mas isso fala apenas da ambiguidade de algumas mensagens bíblicas. O socialismo é uma tentativa laica de se apropriar do conceito de solidariedade, até então presente nas diferentes religiões. Uma espécie de monopólio das virtudes, que tenta conquistar o seguidor com base nas supostas intenções, não nos atos concretos em prol dos demais.
Que a CNBB finalmente fale de corrupção nessa campanha nova já é um alento, mas ainda é muito pouco. Seu histórico tem sido de conluio com a esquerda nacional, especialmente o PT. Um afastamento político para voltar a focar em mensagens religiosas seria um ótimo passo para a CNBB.
A caridade não tem ideologia, mas uma coisa é certa: não faz sentido falar em “caridade compulsória”, o que anula justamente o precioso livre-arbírio cristão. Logo, defender a agenda confiscatória da esquerda em nome da “justiça social” não tem nada de católico ou cristão. É uma bandeira socialista autoritária, que não combina com a mensagem de Cristo.
O jornal conclui em tom mais otimista, mas confesso manter meu ceticismo quando se trata da CNBB. A explicação vai abaixo, em vídeo no qual Lula explica a estratégia de uso da Igreja para a tomada do poder:
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Gramsci fala por trás desses “católicos bolivarianos”. Eles envergonham os verdadeiros católicos, aqueles que prezam o livre-arbítrio, o indivíduo como um fim em si mesmo. A Teologia da Libertação, ligada ao PT, é uma excrescência, um marxismo disfarçado de religião católica. E a CNBB também está totalmente poluída pelo petismo. Essa simbiose nefasta entre catolicismo distorcido e PT precisa acabar logo, pelo bem do Brasil.

Visão liberal-conservadora sobre o nazismo (RC)


"Se somos socialistas, então devemos definitivamente ser anti-semitas. Como, sendo um socialista, você pode não ser um anti-semita?" - Adolf Hitler
O nazismo, nome abreviado do nacional-socialismo (Nationalsozialismus) entrou para a História como o mal-em-si. Revistas de variedades publicam quase trimestralmente artigos de especialistas se perguntando “como foi possível que Adolf Hitler existisse”.
O vocabulário popular, e sobretudo sua manipulação por formadores de opinião, força ofensas, associando todos os inimigos de sua opinião ao nazismo (sobretudo os que se ofendem com tal associação, por rejeitarem mortalmente o nazismo).
Da visão do vulgo (moldada por especialistas tarimbados em moldar visões) aos livros acadêmicos, o nazismo é interpretado como um fenômeno de intolerância e de ódio, com um apreço pela supremacia racista e um culto à morte de todos os rejeitados. O nazismo seria a concretização do projeto de poder pessoal de Adolf Hitler em busca de uma sociedade conservadora e oposta aos ideais de libertação do homem do Iluminismo.
Nada mais longe da realidade.
O nazismo não existiu por causa de Adolf Hitler. Adolf Hitler existiu por causa do nazismo.
O mundo enfrentou duas grandes tragédias no século XX: o nacional-socialismo e o socialismo internacional. E o mundo enfrenta uma grande tragédia no século XXI, além da ascensão do totalitarismo islâmico em busca do califado mundial: acreditar que o nacional-socialismo é lixo orgânico, e que o socialismo internacional é lixo reciclável.
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O nacional-socialismo deixou um legado de quase 30 milhões de mortes em menos de 5 anos, em tempos de guerra. O socialismo internacional legou uma montanha de cerca de 150 milhões de mortes em tempos de paz. Muitas vezes, em menos tempo, mas com alguns períodos que deixariam os campos de concentração nazistas com inveja, como o Khmer Vermelho de Pol-Pot, que assassinou 24% da população do Camboja em questão de 4 anos. Sem guerra.
Tal não aconteceu porque Hitler e Pol-Pot são pessoas psicopatas, que tomaram um sistema de governo e o tornaram em algo vil, assassinando quem se opusesse às suas vontades – como geralmente tais homens são retratados quando se tornam personagens da ficção e da historiografia acadêmica (ainda que a psicopatia e o poder estejam intimamente ligados, como mostra o estudo Ponerologia: psicopatas no poder, do psiquiatra Andrzej Łobaczewski).
Os genocídios em escala industrial do século XX acontecem porque há um sistema que transforma o Estado em uma máquina de “correção” da sociedade, em busca de um “mundo ideal” mais igualitário  – e, como define o exímio pensador Kuehnelt-Leddihn, árduo estudioso do nazismo, a igualdade, não sendo natural, exige força para ser conquistada socialmente.
Não é, portanto, a infância e a índole de Adolf Hitler ou a situação da República de Weimar – nem tampouco o resultado da Primeira Guerra para a Alemanha – que explicam Auschwitz.
flavio3Como não o são o gênio indomável de Lenin, Trotsky e Stalin que explicam o horror do Holodomor, do Gulag e dos Grandes Expurgos socialistas: é o modelo de poder buscado por tais pessoas para erigir uma nova sociedade, em um movimento revolucionário contínuo para “corrigir” o passado e se livrar de preconceitos, desigualdade, exploração – para tal, mandando para a vala comum aqueles que julgam serem preconceituosos, desiguais, exploradores.
Há tempos já não se estuda História de fato, e sim historiografia – a saber, chaves de interpretação de fatos históricos sob uma perspectiva ideológica específica. A situação se complica quando as chaves de interpretação se tornam elas próprias tentativas de atuação na história atual e, para tal, falsificam o passado com vias a explicar todos os fenômenos por sua própria clave.
Tal se dá tanto com defensores do fascismo e do nacional-socialismo e sua tentativa de recriar a Roma gloriosa (como Ezra Pound e Wyndham Lewis, para ficar em homens de gênio, que tornam passado e presente opostos e usam a beleza do primeiro para sabotar e destruir a variedade do segundo) quanto com os defensores do socialismo internacional e sua busca pelo “bom selvagem” – tornando-se este próprio socialismo na “ciência historiográfica” que interpreta para o público qualquer fenômeno histórico segundo seu próprio cabresto.
flavio4Com tal poder de interpretação acreditada, o socialismo, que até cumpriu um pacto de não-agressão com o nazismo contra a “Inglaterra imperialista” nos auspícios da Segunda Guerra, é visto como oposto ao nacional-socialismo, quando na verdade são variações locais do mesmo fenômeno socialista – como há variações nacionalistas do socialismo da Internacional Comunista (Comintern) no socialismo juche da Coréia do Norte (posteriormente copiado por Ceaușescu na Romênia), no eixo Camboja-Vietnã (enxergado como “vítima do imperialismo estadunidense”) ou o primeiro, na Iugoslávia do marechal Josip Tito.
Para tal, a grande propaganda historiográfica, que hoje é acreditada por qualquer universitário ou profissional dos fenômenos públicos, é a de que o socialismo é uma “traição” do “socialismo real” de Karl Marx (invertendo-se o sentido dos termos, pois o que existe é o socialismo real, e o que não existe é o socialismo ideal).
O socialismo seria a “extrema-esquerda”, enquanto o nacional-socialismo teria “socialismo” no nome apenas por acidente de batismo, e, para ser associado com os inimigos do socialismo, foi chamado a posteriori de “extrema-direita” – tentando forçar uma associação com uma versão ainda mais “forte” dos ideais de Tocqueville e Burke, de Coleridge e de Maistre, de Rivarol e Disraeli, de Santayana e Oakeshott – notadamente, os maiores inimigos de ambos os socialismos.
Com efeito, é muito fácil encontrar semelhanças entre a União Soviética de Stalin e a Alemanha nazista de Hitler (que nunca se definiu como “extrema-direita” ou “direita”, e sim como socialista) do que entre o nazismo e o liberalismo de Churchill, Thatcher, Reagan ou mesmo Adenauer. Tampouco o socialismo real pode ser considerado “traição” eterna, “sendo traído” onde quer que seja aplicado: como bem o diz o filósofo conservador Roger Scruton, o socialismo não deu errado. O socialismo é errado.
flavio5É exatamente por esta confusão, bem planejada por manejadores de opinião pública (seja o stalinista Eric Hobsbawm, seja o “revisionista histórico” neonazi Robert Faurisson, que não por outro motivo publicava seus artigos no jornal mais esquerdista da Europa, o Le Monde), que muitas pessoas que estudam apenas omainstream acadêmico, a propaganda totalitária travestida de ciência, se assustam quando alguém afirma que o nazismo é, na verdade, uma modalidade enviesada não da “extrema-direita”, e sim justamente daesquerda revolucionária anti-conservadora, e que busca reconstruir a sociedade desde a raiz. Não à toa, o argumento de tais pessoas é sempre “vai estudar”, fechando-se ainda mais no casulo da propaganda.
O perigo para o presente e futuro é infinitamente maior do que as palavras permitem descrever. Se o socialismo do século XXI não tem Gulag e o sindicalismo ainda é aceito como método político, não significa que a ameaça de um “nazismo 2.0” é nula. E, definitivamente, ela não vem dos chamados grupos “neonazistas”, minoritários e desacreditados, justamente por também crerem que o nazismo só existe com uma ressurreição de Adolf Hitler.
verdadeira ameaça fascista vem da inversão dos fatos, que trata o nazismo como “intolerância à divergência” e incapacidade de viver com o próximo, e crê que ele é o mesmo que conservadorismo – a um só tempo em que prega a atuação estatal para “corrigir” a sociedade dos “intolerantes”, escolhidos a dedo a cada mudança da moda (o que conservadores, defensores de um Estado hiper controlado e restrito, nunca aceitaram).
flavio6As vítimas do nazismo não foram os pobres e oprimidos, nem os supostos tolerantes nas mãos de intolerantes. O judeu, o povo mais perseguido da Terra, era considerado o “rico”, o “explorador”, o que causava “desigualdade” diante do “povo” alemão, “trabalhador” e “operário”. O judeu, comerciante, banqueiro, “burguês”, era o “coxinha” da época. O mesmo que o kulak para o socialista – embora tal termo não seja conhecido no Brasil, que da História conhece apenas o próprio revisionismo socialista.
Não é à toa que a esquerda mundial, que costuma associar todos os seus inimigos ao ”nazismo”, seja a principal força no mundo a odiar Israel – mais até do que muitos muçulmanos.
Para construir uma sociedade mais igualitária, fosse pela classe (a “burguesia” dos socialistas), fosse pela etnia (a “impureza judia no sangue ariano” dos nacional-socialistas), foi preciso apelar para a solução final das câmaras de gás e dos Expurgos. Não foi, como se pensa, uma obra de “conservadores” e “ultrapassados” buscando acabar com os oprimidos: desde a Revolução Francesa, o sacrifício é obra dos progressistas, e as vítimas são os supostos “exploradores”.
flavio7Para povos cultos como o alemão e o russo, mesmo que fossem pobres na época, aceitarem um genocídio que deixa as proporções bíblicas e homéricas parecerem infinitesimais, foi preciso um intenso trabalho dos formadores de opinião tratando esta “velha ordem”, estes “conservadores”, estes “exploradores”, estes “bem-nascidos” como não-pessoas, como “poderosos” contra os quais qualquer violência estaria automaticamente justificada em busca de um mundo novo, sem injustiças e governados por um Estado que controlasse os empregos dos “trabalhadores”, através de partidos trabalhistas, benesses e controle econômico para aqueles que aceitassem o planejamento central do governo social.
É bastante preocupante notar que justamente as pessoas que mais criticam acertadamente o nazismo pelo seu horror sejam aquelas que mais trabalhem para dividir as pessoas em “merecedoras” ou “ultrapassadas” de participação na existência, que notem “oprimidos” que devem se voltar contra supostos “opressores”, que mais querem uma força estatal toda-poderosa para “corrigir” a sociedade e se livrar de pessoas “conservadoras”, para as quais não haverá espaço no mundo do porvir.
Este foi o primeiro passo para que o nazismo de Hitler pudesse algum dia ter apoio popular. Na época dele, os socialistas faziam o pacto de Molotov–Ribbentrop com os nazistas contra um inimigo comum. Hoje, a esquerda odeia Israel e relativiza todos os crimes anti-semitas de terroristas muçulmanos com a mesma sem-cerimônia.
Ou existe direitista pedindo o fim do Estado de Israel, como lemos na Carta Capital, ou relativizando crimes anti-semitas de terroristas muçulmanos, como boa parte da esquerda mundial faz?

Mercantilismo do século XXI (RC)


O mercantilismo acabou mesmo?
Por Ivan Dauchas, publicado no Instituto Liberal
O mercantilismo foi um período de transição do feudalismo para capitalismo. Essa transição durou aproximadamente trezentos anos e envolveu os séculos XVI, XVII e XVIII. Foi justamente nesse período que se formaram os principais Estados Nacionais europeus – Inglaterra, França, Espanha, Holanda etc. Dentro desse contexto histórico,  as pessoas começaram a desenvolver um forte sentimento de nacionalidade, que não existia até então. E, no bojo dessas transformações, surge naturalmente uma questão fundamental: o que explica a riqueza ou pobreza das nações? Por que algumas nações são ricas e outras são pobres? Os reis, mais que qualquer outra pessoa, queriam saber o que fazer para tornar suas respectivas nações mais ricas e poderosas.
Essa pergunta chegou naturalmente aos homens inteligentes da época. Eles não eram acadêmicos ou intelectuais. Eram simplesmente comerciantes, homens de negócios bem sucedidos. Esses mercadores (ou mercantilistas) apresentaram uma resposta muito tosca para o grande questionamento dos reis. Eles disseram que a riqueza de uma nação dependia essencialmente da quantidade de metais preciosos (ouro e prata) que a nação conseguisse acumular.
Os mercantilistas cometeram um erro muito freqüente em economia chamado de “falácia da composição”. O nome pode soar estranho, mas a ideia é bem simples. Um raciocínio perfeitamente lógico para um indivíduo não será necessariamente verdadeiro se considerarmos um grupo de indivíduos. Vejamos um exemplo bem simples. Se João tem muito dinheiro, João é rico. Se Pedro tem pouco dinheiro, Pedro é pobre. João e Pedro são brasileiros. O governo brasileiro conclui que a melhor forma de eliminar a pobreza é emitindo dinheiro e distribuindo aos pobres. Muito bem, se o governo brasileiro usar tal medida, vai acabar com a pobreza? A resposta é não. A riqueza de uma nação depende da sua capacidade de produzir bens e serviços e não da quantidade de dinheiro circulando. Se o governo brasileiro emitir moeda e distribuir aos pobres, em vez de riqueza, vai gerar somente inflação. Esse é um exemplo clássico de falácia da composição.
Já disse aqui em outros posts. É incrível a capacidade que as pessoas têm de acreditar em ideias ruins, em teorias mal elaboradas. Foi justamente isso que aconteceu no século XVI. Os reis adotaram o metalismo – crença de que a riqueza de uma nação era proporcional a quantidade de metais preciosos acumulados – como uma verdade absoluta. E o que os reis poderiam fazer para acumular metais preciosos? Simples, aumentar as exportações (entrada de ouro) e diminuir as importações (saída de ouro). Vejam, não é preciso muito esforço para perceber que há algo de errado no pensamento mercantilista. É possível que todos os países do mundo aumentem simultaneamente as exportações e diminuam as importações? É evidente que não. As exportações de um país são as importações de outro.
Levou muito tempo para que as pessoas entendessem que comércio internacional traz vantagens por outros motivos. De acordo com a teoria econômica clássica, a vantagem do comércio entre nações reside no fato de que cada país vai se especializar e exportar bens em que é relativamente mais eficiente e irá importar bens em que é relativamente menos eficiente.
Vejam um exemplo bem simples. O Brasil, por ser um país de clima tropical, tem vantagens na produção de café. A Argentina, por ser um país de clima temperado, tem vantagens na produção de trigo. Se houver comércio entre Brasil e Argentina, naturalmente o Brasil vai produzir e exportar café. A Argentina vai produzir e exportar trigo. Quem saiu ganhando nesse jogo entre Brasil e Argentina? Logicamente que os dois países saíram ganhando. O comércio internacional é, portanto, um jogo de soma positiva, um jogo em que todos ganham. Esse entendimento do comércio internacional desenvolvido pelos economistas clássicos é bem superior à visão mercantilista. Concordam? Para os mercantilistas, o comércio era um jogo de soma zero. Um jogo em que, para alguém ganhar, outro tem de perder. O exportador ganhava porque havia um fluxo positivo de ouro para esse país. O importador perdia, porque havia uma saída de ouro do país.
O pensamento mercantilista está ultrapassado, mas será que ele desapareceu por completo? Infelizmente, não. Até hoje, existem pessoas que pensam como os mercantilistas, que entendem que uma economia de mercado funciona como um jogo de soma zero, em que, para alguém ganhar, outro tem de perder.
Vejamos um exemplo. Imagine uma cidadezinha pobre, sem graça, perdida no meio do nada. Eis que num determinado momento, uma grande empresa resolve construir ali uma fábrica de suco de laranja para exportação. Essa empresa compra laranjas, extrai o suco, transforma esse suco em uma espécie de pasta concentrada, acondiciona essa pasta em tonéis e vende a produção principalmente para outros países. Essa empresa gera muitos empregos e renda. Propriedades agrícolas improdutivas transformam-se rapidamente em produtores de laranja para abastecer a fábrica. O aumento da renda gera um incremento no comércio e no setor de serviços na cidade. Todos saem ganhando, não há perdedores nesse jogo. Mas algumas pessoas discordam, têm uma visão meio que mercantilista do mundo. Para essas pessoas, se alguém ganha em uma ponta, necessariamente alguém está perdendo em outra. É como se a economia fosse um enorme bolo, se alguém recebe uma fatia maior, outro recebe uma fatia menor.
Eu não vejo a economia como um bolo a ser dividido, prefiro imaginá-la como o oceano. Segundo o economista norte-americano Simon Kuznets (1901-1985), “o crescimento é como a maré alta: levanta todos os barcos”. Ou seja, levanta tanto um transatlântico, como uma jangada. Voltando aos mercantilistas, é interessante ressaltar que eles eram homens do mar. Devem ter visto a maré alta levantar barcos diversas vezes. Mesmo assim, suas idéias prevaleceram por trezentos anos. Será que serão necessários mais trezentos anos para que os mercantilistas do presente entendam que a economia de mercado é um jogo de soma positiva? Sinceramente, espero que não.