quarta-feira, 23 de março de 2016

A melhor maneira de se abordar a questão do terrorismo e da criminalidade urbana ( Jeff Deist)


img_como_evitar_os_assaltos_na_rua_6770_orig.jpgPessoas benevolentes naturalmente tentam entender e ver alguma lógica em eventos terríveis, como os ataques terroristas de ontem em Bruxelas.  O objetivo desse esforço seria o de tentar lidar com o desconforto psicológico que ocorre quando uma violência aparentemente incompreensível ocorre.
É difícil aceitar que vivemos em um mundo em que bombas aleatórias explodem e matam viajantes pacíficos em aeroportos e estações de metrô, pois isso ameaça nosso equilíbrio emocional e senso de bem-estar pessoal.  Esse desconforto foi intensificado nessa nossa era de notícias globais, em tempo real, 24 horas por dia, sendo que, apenas algumas gerações atrás, nossos ancestrais simplesmente nada sabiam sobre todas as coisas ruins que aconteciam no mundo.  O mundo parece mais perigoso hoje, independentemente de se ele de fato é mais perigoso.
Assim como os políticos e a mídia tentam criar uma narrativa que explique e influencie eventos, os indivíduos automaticamente tendem a inserir sua narrativa pessoal para tentar explicar o mundo à sua volta.  É da natureza humana querer que a realidade se comporte exatamente como nossa ideologia e visão de mundo.
Desnecessário dizer que, logo após os ataques, os noticiários imediatamente se tornaram repletos de perspectivas ideológicas a respeito do que deveria ser feito.  Conservadores, em geral, defenderam uma abordagem mais rigorosa da "guerra ao terror", com "medidas mais duras" para acabar com o terrorismo islâmico, medidas essas que sempre vêm acompanhadas da redução das liberdades civis.  Já os progressistas, em geral, defenderam mais repasse de dinheiro para os países do Oriente Médio, fronteiras abertas para todos os imigrantes, e uma maior assimilação dos mulçumanos por meio de políticas que tornem os países mais tolerantes e multiculturais (ou seja, os mesmos argumentos de "mais assistencialismo" e "mais educação" a que eles recorrem para solucionar o problema da criminalidade).
Ambas essas abordagens refletem tendenciosidades inerentes a cada ideologia, e estão, para ser bem sutil, fundamentalmente incorretas.
Libertários também são acusados de tentar fazer com que eventos do mundo real se encaixem em sua ideologia, em vez de adotarem uma abordagem inversa.  Com efeito, libertários são vistos como particularmente dogmáticos em seu viés anti-estado — especialmente no que diz respeito aos chamados bens públicos.  O argumento, ao menos em sua superfície, parece relativamente sensato: afinal, o terrorismo e a ameaça de grupos como o Estado Islâmico demonstram a necessidade de haver uma ação coordenada entre os governos do mundo.
Porém, se a justificativa para que o estado forneça bens públicos, como segurança, é a de que o livre mercado não pode provê-los — em termos técnicos, isso seria uma "falha de mercado" —, então qual é o argumento quando este serviço estatal fracassa fragorosamente?  E não se trata apenas de terrorismo, mas também da própria criminalidade urbana, cujo combate é monopólio do estado. 
Quando o estado fracassa — e ele fracasse recorrentemente — no provimento deste serviço, por acaso surgem economistas dizendo que houve uma "falha de burocracia" e propondo a desestatização e a subsequente privatização da segurança, quebrando assim este monopólio não-natural do estado sobre a polícia e serviços de inteligência?
Muito pelo contrário: ninguém culpa as agências do governo ou a polícia estatal quando ocorrem atos terroristas ou de criminalidade urbana.  Quando muito, os agentes estatais responsáveis por deixar isso acontecer são, em vez de punidos, recompensados com aumentos na fatia do orçamento destinada ao seu setor.  Em vez de punição, eles ganham mais dinheiro extraído dos pagadores de impostos.
Que fique bem claro: os únicos culpados por atos terroristas e pela criminalidade urbana são os próprios terroristas e os criminosos.  Ponto.
Mas a questão aqui é outra: conservadores dizem que políticas "progressistas" (leniência com a criminalidade e política externa frouxa) geram mais terrorismo e criminalidade, ao passo que os progressistas dizem que são as políticas "conservadoras" (intolerância cultural e política externa agressiva) que geram mais criminalidade e terrorismo.  No entanto, há uma política com a qual todos os governos de todos os países do mundo concordam:a política de não permitir que o livre mercado, inclusive o mercado de segurança privada, opere livremente.
Se a ideia de permitir que o livre mercado opere livremente for uma "ideologia", então que seja.  Do meu ponto de vista, o mercado representa uma ausência de ideologia.  O mercado não liga para o seu credo, sua cor, seu sexo, sua preferência sexual.  Ele quer apenas lhe servir em troca do seu dinheiro.  Ainda mais importante, o livre mercado fornece, disparado, as abordagens mais práticas para problemas difíceis como terrorismo e criminalidade urbana.  Com efeito, os conservadores e os progressistas é que são os verdadeiros sonhadores: não importa quantas vezes o governo fracasse em impedir atos terroristas ou de criminalidade urbana (que são monopólios seus); quanto mais ele fracassa, mais eles insistem que as mesmas e surradas políticas sejam reforçadas e que o carcomido aparato estatal seja "remodelado".
Uma abordagem libertária não requer nenhuma grande mudança na opinião pública e nem na política; requer apenas uma disposição para se começar a privatizar a segurança em aeroportos, estações de metrô e, por que não?, ruas.  (Para esta última, leia aqui um artigo específico sobre como poderia ser feito).  A segurança é privada em shoppings e, justamente por isso, a criminalidade nessas localidades é praticamente nula.
Mas vale ressaltar que crimes e violência existem em todas as sociedades.  O objetivo humanamente possível é minimizar o crime e a violência dentro de uma realidade que leva em conta os recursos disponíveis e o custo total geral, que tem de ser razoável.  Já o governo, por sua vez, é singularmente incapaz de fornecer serviços de segurança com competência pelo mesmo motivo que ele é incapaz de fornecer moradias, alimentação e serviços de saúde de qualidade: por operar à margem do mercado, por não ter de se submeter ao sistema de lucros e prejuízos, ele não é capaz de calcular, de maneira racional, os custos e os benefícios.
Como o governo, em tese, pode conseguir o tanto de dinheiro que quiser (via impostos e emissão de dívida), ele não possui rédeas sobre si mesmo; ele não está sob a exigência de satisfazer o teste de lucros e prejuízos que mede a qualidade do serviço ofertado a seus consumidores, algo que, no mercado, é o que permite a uma empresa obter fundos.  Uma vez que não há rédeas, deixa de haver também qualquer chance de o governo alocar recursos racionalmente.  Assim como o governo não é capaz de saber se deve construir a estrada A ou a estrada B, ou se deve "investir" em uma estrada ou em uma escola, ele também não sabe se deve produzir mais eletricidade, ou se deve prospectar mais petróleo, se deve alterar seu serviço de entrega de cartas, ou se deve fornecer mais segurança (e quanto a mais de segurança).
Com efeito, não há como o governo saber o quanto deve gastar em todas as suas atividades em que está envolvido.  Simplesmente não há maneira racional de o governo alocar fundos ou mesmo decidir o quanto ele deve ter. 
O sistema de lucros e prejuízos serve como guia crítico para direcionar o fluxo de recursos produtivos.  Tal guia não existe para o governo, que não possui uma maneira racional de decidir o quanto de dinheiro ele deve gastar, seja no total ou em algum setor em específico. 
O governo, para piorar, é também irremediavelmente burocrático e completamente politiqueiro em tudo o que faz.  Ele sempre estará sob os auspícios de uma gente cujo horizonte temporal é de no máximo quatro anos.  O governo é uma máquina voltada para procedimentos e não para resultados.
O setor público é um setor que, inevitavelmente, por pura lógica econômica, sempre funciona às escuras, sem ter a mínima ideia do que faz, e sempre tendo de fingir que está fazendo tudo certo.
Somente a propriedade privada — seja ela um terminal de aeroporto, um avião de uma companhia aérea, uma estação de metrô, ou uma loja em uma rua — pode ser adequadamente protegida, vigiada e segurada.  Sendo assim, somente agentes privados que arriscam seu próprio dinheiro e sua própria reputação podem fornecer o nível "adequado" (isto é, aquele demandado pelas pessoas) de segurança em qualquer ambiente.  Somente agentes privados, que se preocupam com resultados financeiros, fatia de mercado e, como dito, reputação, sabem como fornecer um bom serviço na área da segurança. 
Ao contrário do estado, somente agentes privados estão totalmente sujeitos a um imperfeito porém existente sistema de penalidades jurídicas em caso de falhas, penalidades essas que lhes trazem grandes prejuízos.
Somente um modelo de seguros, no qual agentes privados arcam diretamente com os custos de suas ações ou inações, pode fornecer os incentivos adequados e, com isso, alinhar os interesses dos fornecedores de segurança com os interesses daqueles que estão sendo protegidos.
Em suma, somente agentes privados possuem todos os incentivos corretos para manter as pessoas seguras e protegidas contra atos de terrorismo e criminalidade.
O livre mercado não é perfeito, pois ele meramente reflete as ações imperfeitas dos seres humanas.  O livre mercado não pode criar uma utopia ou um mundo livre de riscos e de violência.  Porém, a segurança de aeroportos, de serviços de transporte e até mesmo das ruas pode ser acentuadamente melhorada, o que faria com que mais pessoas chegassem vivas às suas casas.
Quando oferecermos uma alternativa aos serviços de segurança ofertados pelas grosseiramente incompetentes e esclerosadas burocracias estatais, as condições melhoram.  E essa é o real objetivo da "ideologia" libertária: um mundo melhor, não um mundo perfeito.






terça-feira, 22 de março de 2016

O messianismo revolucionário de Lula e o império da lei (JOSÉ CARLOS SEPÚLVEDA DA FONSECA)


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O País tem sido abalado nos últimos dias, no âmbito político, por episódios desconcertantes e tumultuosos.
Após o protesto pacífico e ordeiro de milhões de brasileiros, no dia 13 de março último, em centenas de cidades de norte a sul do País, contra o PT e seu governo, a presidente Dilma Rousseff decidiu nomear Lula Ministro da Casa Civil, ante a eminente prisão deste pelas autoridades que conduzem a operação Lava Jato.
O gesto, uma afronta aos brasileiros que foram às ruas manifestar-se e um desacato às instituições do Estado de Direito, tinha a óbvia intenção de fazer Lula escapar do império da lei. E, de lambuja, dar um golpe de Estado, entregando o governo ao ex-presidente, num descarado 3º mandato sem eleição.
Se dúvidas houvesse, elas caíram por terra com a revelação ao País das gravações legais feitas durante as investigações a Lula, e tornadas públicas pelo Juiz Sérgio Moro a pedido do Ministério Público Federal.
Fogo cerrado contra a Lava Jato
A seqüência de eventos deixou o Brasil estarrecido. As inúmeras gravações expuseram as entranhas de um estilo pouco ortodoxo de governança, e revelaram o caráter autoritário e desrespeitador de pessoas e de instituições do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Abaladas e acuadas, as hostes do lulo-petismo, fora e dentro do governo, desencadearam com grande estridência um ataque cerrado às autoridades que conduzem as investigações. Com a colaboração de certo jornalismo “a soldo” e com o aval de uma verdadeira tropa de choque de “juspetistas”, para utilizar a expressão de Amauri Saad, Mestre em Direito pela PUC de São Paulo, a Lava Jato passou a ser o alvo.
O mais alarmante foi perceber que o novo Ministro da Justiça deu o tom, ao proferir ameaças muito pouco institucionais à Polícia Federal e ao investir contra o Ministério Público e a Justiça, denegrindo institutos, como a delação premiada, prevista na legislação. Não menos alarmante foi constatar que até um Ministro do STF, em afronta à Lei Orgânica da Magistratura, engrossou o coro desvairado.
Tal investida levou o jornal O Estado de S. Paulo (21.03.2016) a afirmar, em seu editorial, expressivamente intitulado “Não é a Lava-Jato que está fora da lei”, que o PT mostra ser capaz de ir longe em sua perversa retórica: “Diante dos avanços da Operação Lava Jato, o partido não tem se contentado em dizer que o que fez não foi ilegal ou que seu líder e seu séquito não são criminosos. Apregoam abertamente a ideia de que os criminosos estão do outro lado do balcão. Nessa tresloucada visão, os contrários à lei seriam a Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário – muito especialmente o juiz da 13.ª Vara Federal de Curitiba, Sergio Fernando Moro”.
Movimentos de índole justiceira e revolucionária
Mas, afinal, qual o motivo de tão grande escândalo por Lula ter que prestar contas à Justiça? Por que esses ataques tresloucados partem precisamente daqueles que pregam a igualdade absoluta entre os homens e, portanto, perante a lei? Parece contraditório.
Habitualmente os projetos revolucionários apregoam a insurreição (pacífica ou violenta) contra alguma ordem ou forma de poder legítimos, apresentados como “opressores”.
Deturpando ou exagerando o alcance de certas falhas ou vícios existentes, os movimentos revolucionários denigrem a própria natureza da ordem ou da autoridade legítimas contra as quais investem, vituperando-as como iníquas na sua essência; ao mesmo tempo mistificam o lado impoluto e quase sagrado da índole justiceira e revolucionária de que se revestem.
Muito frequentemente, uma máquina revolucionária assim erige um líder carismático como “encarnação” de seus ideais, deificando-o num misticismo perigoso e fanático. Na Revolução Francesa, por exemplo, Robespierre, conhecido como “O incorruptível”, tornou-se o ditador sanguinário durante a fase do Terror.
Furacão da “ética” em nome dos "pobres"
O bordão “nunca antes neste País” (até risível por alguns aspectos) passou a ser a síntese perfeita da “revolução” petista, encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva, o operário simples vindo das profundezas do Brasil.
Tudo precisava ser varrido, sob o efeito de um furacão da “ética” e em nome dos “pobres”: desde a História, às elites; desde as instituições do Estado e da sociedade ao sistema político; desde as leis e dos costumes à educação; desde a economia às relações diplomáticas. E até a imensa máquina corrupta que se incrustou no coração do Estado, e que sorveu bilhões de reais ao País, nada mais era do que a fonte material deste projeto revolucionário “redentor”, que se deveria estender para fora do próprio Brasil e que aqui se deveria perpetuar no poder.
“Intelectuais”, próximos à esquerda petista, sustentaram até que aceitar a pecha de corrupção para os atos ilegais e criminosos de seus líderes (qualificados por eles de “erros”) seria admitir a lógica da moralidade burguesa.
O “messias” revolucionário intocável
Desconhecendo profundamente a alma brasileira, após treze anos, o projeto petista de poder gerou inconformidade, agastamento e, por fim, a fúria de parte crescente da população. Milhões saíram às ruas, sempre de modo pacífico e ordeiro, a exigir: “Queremos nosso País de volta”.
Restou ao lulo-petismo o apoio de certos intelectuais, artistas, burgueses endinheirados, sindicalistas, militantes de “movimentos sociais”, jornalistas... ah! e de eclesiásticos próximos ao progressismo e ao esquerdismo ditos católicos.
Toda esta gente esperneia de modo virulento ao ver o chefe máximo de sua “revolução” cair nas malhas da Justiça. Afinal o “messias” do projeto revolucionário é, por definição, intocável.
Para melhor compreender esta perspectiva, convido os leitores do Radar da Mídia a conhecer o excelente artigo de Moacir Alencar, Mestre em Ciência política, pela Universidade Federal de São Carlos, publicado na revista Amálgama (11.03.2016). Abordando alguns dos recentes episódios envolvendo o ex-presidente Lula e os “abalos sísmicos” provocados no mundo do lulo-petismo, o artigo se intitula “O messianismo político e a mistificação petista”:
    “Quatorze anos. Este é o tempo que o PT está completando em 2016 no Palácio do Planalto. Em seu quarto mandato consecutivo, o partido atravessa sua fase mais crítica e dramática no poder. O lulopetismo está sob pressão, e o cenário atual deixa claro que o segundo mandato de Dilma marcará uma virada de página na funcionalidade de nossas instituições republicanas.
    Amparado por um discurso e uma propaganda eloquente, que construiu uma ideia de que o Brasil nasceu apenas em 2003, com a chegada de Lula ao poder, o PT criou em torno de sua órbita a imagem falaciosa de que apenas seus dirigentes são os legítimos representantes e a encarnação do povo brasileiro.
    Ao promover a mistificação e criar um país de ficção nas propagandas político-partidárias, e ao mesmo tempo deslegitimar o processo democrático e a alternância de poder, o PT esqueceu há muito o projeto de Brasil e apenas se preocupou com o projeto de perpetuação sobre o controle da máquina pública, utilizando-se de mecanismos nefastos e hoje elucidados e conhecidos de todos: a corrupção institucionalizada, consagrando o presidencialismo de transação, exemplificados no Mensalão e no Petrolão.
    Desde o início da Operação Lava Jato, no início de 2014, considerando dados atualizados até 8 de março de 2016 pelo Ministério Público Federal, já ocorreram mais de 627 manifestações, 118 buscas e apreensões, 108 quebras de sigilo fiscal, 128 quebras de sigilo bancário, 101 quebras de sigilo telefônico, 2 quebras de sigilo telemático, 1 quebra de sigilo de dados, 12 sequestros de bens, 4 sequestros de valores, 42 instaurações de inquéritos, 7 denúncias, 21 denunciados, 94 investigados, 4 prisões preventivas e R$78 milhões repatriados.
    A reeleição de Dilma veio acompanhada de uma realidade diferente da ficção petista nas eleições: cortes orçamentários, repasses e recursos da União e Estados postergados, inflação fora do teto da meta, aumento de impostos, retração do crescimento da economia por tempo indeterminado e o aumento do desemprego, sem contar a cúpula do governo petista mergulhada no olho do furacão das investigações por corrupção, caso do ex-presidente Lula e ministros do governo.
    As oposições passaram a ser vistas pelos porta-vozes do petismo – que se encontram incrustados nas mais variadas esferas do Estado brasileiro – como algo incômodo, perturbador, capaz de ameaçar o “curso pacífico das transformações sociais”. E as investigações que atingem diretamente o Palácio do Planalto são categoricamente ridicularizadas e desqualificadas pelo PT e pela própria presidente, que abandona o cargo para ir acariciar a cabeça do investigado Lula em São Bernardo do Campo, em um gesto de subserviência ao criador e de profunda irresponsabilidade para com o povo brasileiro.
    Em 4 de março, após a condução coercitiva de Lula para depor diante da Polícia Federal, o petismo mostrou que é capaz de tudo para defender seu líder messiânico; e Lula, sabendo de seu messianismo diante da militância, irresponsavelmente conclamou o séquito para a “guerra santa”. Tentar tripudiar e triturar todas as instituições que buscam “dessacralizá-lo” e mostrá-lo como um dos maiores responsáveis por este esquema de corrupção será sua “tônica de batalha”. Para isso vale tudo, até mesmo rasgar a Constituição e buscar foro privilegiado como ministro no Titanic comandado pela pior presidente da história da República.
    Conforme destaca o historiador búlgaro Tzvetan Todorov, em Os inimigos íntimos da democracia, embora invoque o ideal de igualdade e liberdade, o messianismo político tem um objetivo final que lhe é próprio (estabelecer o equivalente do Paraíso na Terra), assim como meios específicos para alcançá-lo (Revolução e Terror). Em sua busca por uma salvação temporal, essa doutrina não reserva nenhum lugar a Deus, mas preserva outros traços da antiga religião, tais como a fé cega nos novos dogmas, o fervor nos atos que lhe são úteis, o proselitismo dos fiéis, ou a transformação de partidários caídos em combate em mártires, figuras a adorar como se fossem santos. As tentativas de impor um culto ao Ser supremo e de instituir uma festa para celebrá-lo resultam da mesma tendência.
    Hoje, o que é paraíso para o PT, é inferno para a população brasileira. Não precisamos de líderes messiânicos, ainda mais corruptos. Não precisamos de falsos mártires, que se autodenominam jararacas e são tratados como “guerreiros do povo brasileiro” por um séquito doentio e tresloucado. O país não é o PT, e incompetência e irresponsabilidade têm limite.”

O abecedário é golpista (O'antagonista)

Vamos elencar quem está no "golpe" contra o PT:
a) A bancada do PT que votou pela abertura do processo de impeachment na Câmara;
b) A bancada aliada do PT que votou pela abertura do processo de impeachment na Câmara;
c) Os oito deputados petistas que integram a comissão especial de impeachment;
d) Os partidos de oposição que decidiram, finalmente, fazer oposição;
e) Os senadores que já se dizem favoráveis ao impeachment;
f) Os juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal, que assinam o pedido de impeachment
g) O STF, a mais alta corte do país;
h) A maioria dos ministros do STJ;
i) A PF;
j) O MPF;
k) O juiz Sergio Moro;
l) A quase totalidade da Justiça de primeira instância;
m) O MP de São Paulo;
n) Os delatores da Lava Jato, inclusive Delcídio do Amaral, até recentemente líder do governo no Senado
o) O TCU, que rejeitou as contas do governo;
p) A imprensa brasileira, claro;
q) A Fiesp;
r) A OAB;
s) Os quase 70% de brasileiros que apoiam o afastamento de Dilma Rousseff;
t) Os 4 milhões de brasileiros que foram às ruas no último dia 13;
u) O MP suíço, que entregou extratos e documentos que provam a corrupção do partido;
v) Os investidores americanos que processam a Petrobras;
w) A SEC, que investiga as fraudes na Petrobras que prejudicaram acionistas na Bolsa americana;
x) A Justiça de Nova York, que vai julgar as ações coletivas dos investidores americanos;
y) A Justiça portuguesa, que investiga a relação promíscua entre Lula e Dirceu com empresários e políticos do país;
z) A imprensa portuguesa, que noticia a ação da Justiça portuguesa
O abecedário é golpista.

A mente da esquerda na visão de um insider ( MICHAEL FARADAY)


O que eu testemunhei dentro de uma doutrina de mentiras.
Antes de tudo: esqueça os anos 60. Esta situação vem fermentando há mais de 100 anos. Eu nasci em uma família de classe operária socialista na Nova Zelândia em 1960. O socialismo democrático tinha sido estabelecido por reformas populares na década de 1930. Ao final dos anos 50, quase todas as crianças da classe trabalhadora na Nova Zelândia foram criadas como socialista.
Mas nós não chamávamos de socialismo. Nós chamávamos de "direitos dos trabalhadores." Na minha família, meus irmãos mais velhos e eu éramos a terceira geração de socialistas. Nós nunca escolhemos o socialismo, nós o herdamos. No final dos anos 60, a classe média mais nova se juntou a nós.
Foi especialmente na Comunidade Britânica que milhões de pessoas foram criadas por esquerdistas, que foram criados por esquerdistas, que foram criados por esquerdistas, e assim por diante. Algumas famílias de esquerda têm sido assim há mais de um século. Eles se consideram esquerdistas realmente.
Para os milhões criados como esquerdistas, não é uma ideologia é uma cultura. Desde a infância, eles têm vivido e respirado isso todos os dias em casa. Eles não conhecem outra coisa. Como qualquer cultura, é uma maneira de falar, pensar e agir, com suas próprias narrativas e rituais. As narrativas são tidas como sagradas, repetidas, reforçadas e, ao longo do tempo, adicionadas. Aquilo que desafia as narrativas sagradas, até mesmo a própria realidade, é recebida com confusão e hostilidade. Como acontece com qualquer cultura agressiva, intolerante, se você entrar nela, ele entra em você.
Contrariamente à opinião, o esquerdismo não é apenas sobre o ódio. Esquerdistas são mais complexos do que isso. Do meu tempo como esquerdista de fralda vermelha (1), eu posso te dizer que toda uma gama de emoções está envolvida. Ódio, raiva, medo, amargura, ciúme, inveja, raiva, ganância, orgulho, presunção e paranóia (não tecnicamente uma emoção, mas é generalizada entre os esquerdistas).
Com tal desfile de emoções negativas, não é nenhuma surpresa que tantos esquerdistas sofram de depressão crônica, muitas vezes desde tenra idade. Mesmo que eles percam a raiva, eles ainda mantêm a atitude: que o governo deve resolver os problemas de todos, independentemente do custo e que há uma enorme conspiração de direita na primeira esquina.
A narrativa vitimista da esquerda é muito infecciosa. Você é sempre a vítima e sempre te devem algo. Os ricos são sempre maus, enquanto você é sempre bom e íntegro. Convertidos são muitas vezes mais intensos do que aqueles que nasceram nisso. Meu pai criou um esquerdista, que finalmente amadureceu e começou a questionar algumas crenças esquerdistas. Minha mãe, não foi criada como esquerdista, mas tendo-se tornado uma, jamais amadureceu.
A narrativa do vitimismo estava em todas as conversas.
A narrativa da luta de classes/vítima oprimida é parte da vida diária na esquerda. Quando criança, eu ouvia os adultos falando. Com amigos e colegas de trabalho, com as mães conversando sobre o chá, era parte de todas as conversas. Eles falavam sobre o tempo, seus filhos, televisão, mas antes de partir, um deles sempre dizia algo relacionado à opressão gananciosa dos ricos – e o outro tinha de concordar. Não concordar era suicídio social.
Embora houvesse diferenças entre os esquerdistas da classe trabalhadora e da classe média, certas atitudes eram universais:
Um esquerdista que nunca trabalhou, se sente muito generoso em relação a qualquer um que alegue precisar de ajuda, que se encaixe na narrativa. Eles são generosos com suas emoções.
Quando eles obtêm o seu primeiro emprego de verdade, eles ficam muitas vezes chocados com a quantidade de impostos retidos e têm um momento de dúvida. Mas esse momento de dúvida dá a não-esquerdistas uma abertura. Então, o jovem esquerdista, aterrorizado em que ele/ela mudará, de forma rápida isola essa dúvida em sua mente e se recusa a tocar no assunto, até que desapareça.
A economia não é geralmente considerada parte de uma cultura, mas para os esquerdistas de fralda vermelha, a sua atitude em relação à economia é cultural. É parte do núcleo, a narrativa sagrada. Eles geralmente têm uma visão pueril da economia, que muitas vezes eles herdaram de seus pais. Isto é provavelmente porque a dúvida desencadeada por seu primeiro choque fiscal é tão facilmente esquecida por esquerdistas. A visão infantil é confortável e familiar. Uma vez que a amnésia se instala e o conforto retorna, as discussões sobre a realidade econômica são vistas como propaganda de direita.
Esquerdistas ouvem grandes números e visualizam o cofre do Tio Patinhas, e não infra-estrutura, manutenção, equipamentos especializados, transporte, treinamento, folha de pagamento, etc.
Para os esquerdistas, a indústria tem muito dinheiro. As empresas obtêm enormes lucros. O preço de tudo é demasiado elevado. O governo tem bilhões. Eles querem manter tudo para si e seus amigos ricos. Então os esquerdistas acreditam que essas pessoas más devem ser obrigadas a gastar o dinheiro em coisas que os próprios esquerdistas escolham.
Esquerdistas combinam ingenuidade infantil e agressão paranóica em todas as suas narrativas. É um emparelhamento notável e muito prejudicial. A ingenuidade pueril protege a narrativa dos fatos, enquanto a agressão paranóica protege a mente da dúvida. Para os bebês vermelhos de fralda, este pensamento concorre com o seu desenvolvimento emocional e intelectual normal, causando uma luta interna em que pode acontecer qualquer coisa.
Numa mesma família, uma criança poderá ser um esquerdista suave, sem convicção, enquanto outra será um comunista dedicado. Aquele que sente maior necessidade de agradar os pais provavelmente será o comunista dedicado. A esquerda, na superfície, pode parecer para alguns como um movimento de jovens desajustados, mas é antiga, enorme e culturalmente arraigada, não só na Europa, mas também na maioria dos países de língua Inglesa. O esquerdismo é uma história familiar, uma mentalidade cultural e um modo de vida para milhões de famílias. É um conjunto de narrativas sagradas básicas e de conversas diárias.
Os filhos herdam o esquerdismo como um sistema de convicções, sem conhecer outra coisa. No momento em que eles tiverem idade suficiente para ouvir outros pontos de vista, eles já estão doutrinados. Torna-se sua bússola moral.
O esquerdismo incentiva e é impulsionado pelas emoções mais negativas, prejudiciais. Ele se aproveita de emoções infantis e processos de pensamento paranóico. Suas narrativas são um filtro pelo qual a realidade tem que tentar lutar, muitas vezes falhando.
O pensamento pueril resolve todos os problemas sem detalhes incômodos e fatos que interfiram, levando a ilusões de brilho intelectual.
É realmente muito difícil desistir de ser um esquerdista, mesmo quando você quiser. Conheço pessoas cujas famílias foram assassinadas pelos comunistas e eles ainda são esquerdistas. Não é suficiente ver os problemas. Se você é um bebê de fraldas vermelhas, é tudo o que você sabe. Você foi doutrinado (com a ajuda da mídia) a pensar que a chamada Direita é gananciosa e má e que os religiosos são hipócritas e delirantes. Mesmo que você tenha dúvidas, não há outro lugar para ir, não sem literalmente mudar de opinião.
Eu vi as rachaduras cedo. Meus pais tinham um ódio fanático da classe média e, se fosse possível nunca falavam com eles. Na minha adolescência eu percebi que meu pai odiava os ricos, porque ele não era um deles. Mesmo entendendo, não me impediu de ser um esquerdista. Isso me fez querer ser um esquerdista melhor do que os meus pais. Comecei a ver que a luta de classes estava se tornando uma farsa para obter mais coisas grátis. Eu ainda procurei uma forma perfeita de comunismo. Eu conheci esquerdistas de classe média alta e fiquei chocado com sua arrogância e esnobismo. Eu viajei pelo mundo e não havia nenhuma forma de comunismo que não dependesse de capitalismo para salvá-lo do colapso.
Voltando para casa, tive conversas diárias com um médico judeu que era pró-vida. Todos os dias nós discutámos moral e fé. Comecei a entender o conceito de fé, moral absoluta e auto-sacrifício tudo novo para mim. Algumas semanas mais tarde, Deus falou comigo.
Eu tentei ser um cristão e um esquerdista moderado. Eu não estava sozinho. Esquerdistas moderados não acreditam em si mesmos como esquerdistas. Eles pensam em si mesmos como equilibrados e razoáveis. Eu trabalhei com os refugiados e eles me disseram sobre a tortura, escravidão e assassinato em massa pelos comunistas "combatentes da liberdade". Isso matou qualquer sentimento que ainda persistisse sobre o comunismo.
Casei-me com uma refugiada e ela tentou me esfaquear. Eu também achei que os refugiados tinham segredos muito obscuros. Meu multiculturalismo tolerante lentamente morreu. Comecei a ver a força da civilização judaico-cristã. Eu vi a desonestidade e crueldade das marxistas-feministas, que tinha dominado a esquerda. O feminismo, que minha mãe tinha me empurrado goela abaixo dia a dia, tinha morrido. Quando eu discutia com esquerdistas, sua raiva quase psicótica me chocava. Eu senti que estava falando com lunáticos.
Apesar de tudo isso, é difícil deixar totalmente o pensamento de esquerda porque ele o rodeia. Tornou-se dominante. É como tentar socorrer um barco com furos no fundo. É preciso um esforço intelectual persistente para deixar isso para trás. Mas há outra razão pela qual é preciso tempo para extrair o parasita esquerdista do cérebro. Uma poderosa mentira vive ali. É a mentira mais poderosa que eles têm. É de que a esquerda "se importa." Você deve abraçar plenamente o fato de que isso é uma mentira. Todo "cuidado" esquerdista tem uma agenda oculta.

Nota
:

(1) Red Diapers: Growing Up in the Communist Left (Vermelhos de Fraldas) é a primeira antologia de escritos autobiográficos de "Red Diaper Babies" – filhos de comunistas ou outros pais radicais de esquerda. Editado por Judy Kaplan e Linn Shapiro, consiste de memórias, contos e poemas. Entre os 40 autores estão comunistas bem conhecidos como o jornalista Carl Bernstein, escritora feminista Kim Chernin, cientista Richard Levins, e autor / ativista Robert Meeropol (filho de Julius e Ethel Rosenberg).