A ex-estrela do basquete cantando “Parabéns a Você” ao ditador carniceiro da Coreia do Norte (Foto: Kim Kwan Hyon / AP)
O conceito de “perfeito idiota latino-americano” foi lançado em livro publicado em 1996 pelos jornalistas e escritores Álvaro Vargas Llosa, peruano, Plinio Apuleyo Mendonza, colombiano, e Carlos Alberto Montaner, cubano radicado nos Estados Unidos.
Ali eles vergastam as ideias e iniciativas estatizantes, “anti-imperialistas” e similares que ainda vicejavam na América Latina, e que terminariam por fertilizar o “bolivarianismo” inventado pelo falecido coronel Hugo Chávez, na Venezuela, e seguido por outros governantes de países como a Bolívia, o Equador ou a Nicarágua.
Se Chávez e cupinchada seriam exemplos de “perfeitos idiotas latino-americanos”, há norte-americanos que, babando de admiração por tiranetes abaixo do Rio Grande, podem perfeitamente ser chamados de “perfeitos idiotas norte-americanos”. O cineasta Oliver Stone, sem dúvida, é um deles. Outro é o ator Benicio del Toro, porto-riquenho há décadas radicado nos Estados Unidos. E por aí vai.
O misto de jogador de basquete e clown Dennis Rodman, porém, está batendo todos os recordes em matéria de comportar-se como um perfeito e redondo idiota diante de um governante muito mais sinistro do que os bolivarianos.
Não bastava para Rodman — que, apesar de excelente jogador, o maior reboteiro da história da NBA, como lembram vários amigos do blog, tornou-se mais conhecido fora dos EUA por extravagâncias e conquistas amorosas — dizer-se “amigo” do tirano carniceiro da Coreia do Norte, Kim Jong-un, filho e neto de ditadores comunistas que se sucedem no poder há mais de seis décadas no que é, sem dúvida, o país mais totalitário do mundo.
Rodman, em seu atual giro pela Coreia do Norte, conseguiu participar de uma cerimônia em homenagem ao ditador e de até cantar parabéns pelo aniversário do gorducho com cara de bobo — isso dias depois de Kim haver horrorizado o mundo ao ordenar o fuzilamento do segundo homem na hierarquia do regime, seu próprio tio, Jan Song-thaek, pretextando uma fileira absurda de acusações de praxe encabeçada por “traição à pátria” –, exclusivamente como forma não permitir sombras a seu poder, além de determinar a prisão de centenas de parentes de Jan e de seus colaboradores (punição abjeta, mas corrente na Coreia do Norte, onde até parentes longínquos são remetidos a campos de trabalho forçado pelo resto da vida por “culpa” de gente que eles mal conhecem).
Não bastasse ser um dos regimes do mundo que mais violam os direitos humanos, e debaixo do qual a população sofre constantes surtos de fome, a Coreia do Norte ainda possui a bomba atômica e desenvolveu mísseis capazes de alcançar o território de vários países do Ocidente, sem contar o quase vizinho Japão. É um país declarada e formalmente inimigo dos Estados Unidos, de que Rodman é cidadão.
A desenvoltura com que o ex-jogador de basquete brinca com os inimigos de seu país é um benefício da democracia exemplar vigente nos Estados Unidos — algo de que, paradoxalmente, os norte-coreanos nunca tiveram e nem têm sequer uma pálida ideia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário