Duas estratégias de retórica são muito comuns à esquerda. A primeira é tentar monopolizar as virtudes, os fins nobres, e demonizar os oponentes, rotular a oposição ideológica com base em suas supostas más intenções, insensibilidade, interesses mesquinhos. A segunda é fugir dos fatos, da realidade, e buscar refúgio na Torre de Marfim, condenando o que há de imperfeito no mundo real de cima de uma utopia imaculada.
O professor Denis Rosenfield, em sua coluna de hoje, detona ambas as estratégias dos ditos “progressistas”, incapazes de olhar para trás para sustentar que seus métodos efetivamente entregam os resultados prometidos. Sobre a primeira delas, o monopólio das virtudes, Rosenfield toca logo no começo do artigo:
Já se tornou lugar-comum considerar progressista uma pessoa de esquerda, como se houvesse equivalência entre esses termos. Tais ideólogos se atribuem uma imagem que esperam ser acatada por todos, como se os cidadãos fossem tolos para aceitar outro embuste. E todos os que não aceitam esse dogma são considerados de “direita”, conservadores e reacionários, como se compartilhar esse credo fosse uma premissa básica de qualquer discussão. Ou seja, os ditos progressistas exigem de seus oponentes a submissão prévia à sua crença, a aceitação de sua religiosidade política. Qualquer contestação desses fundamentos conduz ao opróbrio e à heresia.
Estamos cansados de ver esse tipo de postura por parte dos “progressistas”. O capitalismo é ruim, o capitalista é cruel, ou insensível, ou só quer saber de seus interesses imediatos. É, enfim, um egoísta! Mas, como o professor gaúcho mostra no restante do texto, é esse egoísmo, ou busca dos próprios desejos pessoais, que permitiu o avanço e o verdadeiro progresso sob o regime capitalista.
Isso, diga-se de passagem, foi ainda mais impressionante quando se trata dos trabalhadores mais humildes, que tiveram um avanço na qualidade de vida extraordinário nos países mais capitalistas ou liberais. Ao contrário, nos países socialistas até os sindicatos acabaram vetados, e os trabalhadores foram os maiores prejudicados pelas práticas coletivistas.
Conquistas sociais foram possíveis nos países capitalistas, não nos socialistas. O mecanismo de defesa dos “progressistas” é alegar que jamais houve socialismo de fato, que aquelas experiências fracassadas foram todas variações de um “capitalismo de estado” ou algo do tipo. É a segunda estratégia. Sobre ela, Rosenfield diz:
Se olharmos para a História, constataremos como realizações socialistas, “progressistas”, a aniquilação da liberdade de escolha como a maior de suas façanhas, passando por uma noção bizarra de cidadania que torna todos os indivíduos súditos do Estado. O interesse coletivo, do estatal, impõe-se, então, como forma de correção do “egoísmo”, levando, como se sabe, aos campos de reeducação – na verdade, campos de eliminação dos que se recusavam a essa política liberticida.
Eis os fatos. Os “progressistas” são os verdadeiros inimigos do progresso real, principalmente para os trabalhadores mais humildes. Já os capitalistas “egoístas”, vistos como demônios pelas esquerdas, são aqueles que entregam os bons resultados na prática. Alguém fica surpreso ao ver o ódio que os “progressistas” sentem dos fatos históricos?
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