Não deu outra (e os economistas ortodoxos avisaram, como bons amigos). A ata do Copom da última reunião, que subiu a taxa Selic para 10% ao ano, deixa claro que vem mais aumento por aí:
O Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso.
Tradução - “A inflação vai continuar alta, mas, para evitar que fique ainda maior, os juros vão continuar subindo em 0,5 ponto percentual de cada vez.
O barato sai caro, meu pai sempre me ensinou. A economia porca pode gerar transtornos e mais gastos à frente. Com visão míope, a equipe econômica esqueceu que a queda abrupta na taxa de juros era um pacto com Mefistófoles. Ele retornaria para cobrar seu preço elevado. Virá em ano eleitoral…
O Banco Central foi bastante criticado por economistas mais liberais, mas rebateu todas as críticas com desdém, alegando que não haveria a volta da inflação. Ela voltou. Com tudo. Está no incômodo patamar de 6%, mesmo com vários controles em preços administrados pelo governo. E mesmo com a economia sem crescimento.
O crédito público continuou sendo estimulado, assim como os gastos do governo. O Copom até toca nesse ponto, mas parece que os membros do governo não falam a mesma língua:
O Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.
Tradução - “O BC reprova discretamente a recente injeção de mais R$ 24 bilhões no banco oficial de fomento, o BNDES, para a concessão de empréstimos subsidiados às empresas.”
Só tem um detalhe que acrescenta um tom de esquizofrenia nisso tudo: sabemos que tanto Guido Mantega (Ministro da Fazenda), como Alexandre Tombine (Presidente do BC), como Luciano Coutinho (Presidente do BNDES), no fundo não gozam de tanta autonomia assim. A cabeça da hidra desenvolvimentista é a própria presidente Dilma! Por isso ninguém é demitido, apesar desse resultado pífio, medíocre. Ela teria que demitir a si mesma!
Não tenhamos tanta esperança. Não vai acontecer. Logo, é melhor se preparar mais mais aumento nas taxas de juros, com o Copom sempre correndo atrás do mercado e da inflação. Os investidores já sabem que vem chumbo grosso por aí. As taxas de juros no mercado futuro já apontam para isso:
Dilma pode esquecer a bandeira do combate aos altos juros. Pode esquecer a bandeira do crescimento acelerado também. Pode esquecer a bandeira da faxina ética (risos). Vai lhe restar as esmolas estatais e o programa “Mais Médicos”, que trouxe escravos cubanos para o Brasil, enquanto financia a ditadura mais longa e assassina do continente. E o povo vai votar… nisso?
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