Eu e meu co-autor Mario Jorge Cardoso de Mendonça realizamos um estudo, em agosto de 2012, para avaliar a possibilidade de existência de “bolha” especulativa no mercado imobiliário brasileiro (nosso estudo pode ser acessado online:
Deve-se ressaltar também que a esmagadora maioria dos contratos de financiamento habitacional no Brasil é feito com juros pós-fixados (pois a TR pode variar no tempo). Além disso, tal como os resultados da parte econométrica de nosso estudo sugerem, o mercado imobiliário é sensível, e responde negativamente, a um aumento nas taxas de juros. Isto é, aumentos nas taxas de juros podem trazer significativos problemas ao mercado imobiliário. Ressaltamos ainda que foi justamente o aumento nas taxas de juros, provocadas pelo Banco Central Americano, o gatilho que ocasionou a explosão da bolha imobiliária nos Estados Unidos em 2007/08.
Insistimos em ressaltar que as atuais políticas fiscais e monetárias do governo brasileiro são claramente inflacionárias. Tais políticas levarão inevitavelmente ao aumento do custo de vida no Brasil, e a todos os demais custos associados com o recrudescimento do processo inflacionário. Lembramos também, que as taxas de juros internacionais estão num patamar mínimo histórico. Isto quer dizer que, cedo ou tarde, as taxas de juros internacionais irão subir. Quando isso ocorrer, o Brasil também será obrigado a aumentar a taxa de juros doméstica. Então os verdadeiros custos, associados com as políticas fiscais e monetárias expansionistas adotadas pelo governo Brasileiro, irão aparecer.
Naturalmente, não acreditamos que uma crise no mercado imobiliário brasileiro terá efeitos tão pronunciados como os ocorridos nos Estados Unidos, e em alguns países da Europa, pois a oferta de crédito no Brasil é ainda bastante restrita. Contudo, tais custos não serão desprezíveis. Quando o governo brasileiro for obrigado a aumentar a taxa de juros doméstica, em resposta ao aumento dos juros no EUA, teremos um impacto direto dessa medida no setor imobiliário. E então será a vez do Brasil lidar com sua crise. Crise essa criada exclusivamente pelo mau gerenciamento das políticas fiscais e monetárias do governo brasileiro. Não terá sido o mercado o criador da crise, mas sim o governo do Brasil.
Para finalizar, quando esse desastre ocorrer o governo irá procurar culpados. Irá culpar a todos, exceto sua falta de responsabilidade fiscal e monetária. Quando a crise surgir, o governo dará uma resposta errada. Irá aumentar ainda mais os gastos, tornando a política fiscal ainda mais expansionista, e irá facilitar ainda mais o crédito (afrouxando ainda mais o lado monetário). Essas medidas irão tornar a crise mais duradoura e mais profunda.
Quando várias pessoas erram por um tempo prolongado e em magnitudes expressivas, então existe um custo a ser pago. A interferência do governo apenas prolonga, piora, e redistribui esse custo. A interferência do governo não elimina, não faz com que o erro desapareça, apenas transfere os custos de um setor que cometeu o erro para o restante da economia. A bolha no mercado imobiliário brasileiro está sendo criada e sustentada pelo governo. Quando ela explodir o governo se proporá a corrigir, de maneira errada, uma crise que ele mesmo gerou.
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