Mas não precisamos chegar a esse extremo de pureza antimercado. Podemos ficar com uma versão mais amena. Vejam a Venezuela. A felicidade daquele povo é garantida, no momento, por um sábio que reúne os poderes do Legislativo e do Executivo. O homem regula até o valor dos aluguéis comerciais. Nicolás Maduro gosta do mercado ético. Falta papel higiênico no país — por isso, ultimamente, as pessoas têm visto pouco a imagem estampada de Chávez em borrões… —, mas não falta patriotismo.
É o mercado que estraga tudo.
Vejam o caso da Petrobras. Trata-se de uma empresa de capital misto. Durante os danosos anos tucanos, o Brasil chegou perto da autossuficiência de petróleo — não alcançada até agora, a despeito das mentiras de Lula — e ao pré-sal. E alcançou esse patamar seguindo as regras do… mercado. Mas aí se descobriu que isso era muito pouco social, entenderam? Em tese, as gestões petistas fortaleceram enormemente a empresa. A gigante petroleira é obrigada, por exemplo, a ser a operadora do pré-sal. Tem de entrar na exploração como sócia, queira ela ou não, tenha autonomia de caixa ou não. Não é pelo petróleo, não é pela eficiência, é pelo patriotismo, pô! Então vamos entregar todo o nosso “ouro negro” — que, a cada dia, menos gente quer — a sagazes negociantes? Nem pensar? Um dia veremos a imagem de Lula estampada por aí nas coisas mais improváveis… Você pedirá um suco e vai perceber uma caca meio repulsiva no copo mal lavado… Olhe direito, preste bem atenção… Você terá visto aquilo em algum lugar.
Com todo o poderio que o PT devolveu à Petrobras, deixou a empresa menor do que era, mais fraca, mais vulnerável. Culpa de quem? Dos homens de negócios! Podem reparar: as nações mais prósperas da Terra, aquelas que garantem a seus cidadãos uma vida verdadeiramente digna, são as que repudiam o jogo perverso dos que só pensam no lucro. Nesses países, falar em setor privado é um anátema. Todo mundo sabe que os grandes progressos da humanidade — das vacinas ao vaso sanitário, passando pelo McLanche Feliz — foram garantidos pelo estatismo, pelos sábios que se reúnem para definir os caminhos da felicidade humana.
Do petróleo ao mercado de arte, o estado sabe o que é melhor para nós. Os “neoliberais” ficam fazendo pressão porque estão a serviço de interesses inconfessáveis, entenderam? Vejam o caso do preço dos combustíveis. O que quer esse bando de gente indecente? Ora, elevar o preço e ver disparar a inflação para Dilma perder a eleição… E bem verdade que a gente constata que a inflação continua a pressionar mesmo com o preço dos combustíveis reprimido, o que é um sinal bastante evidente de que algo não vai bem na equação geral… Pare por aí, leitor!
Interrompa esse raciocínio! Isso é só o diabo da Razão tentando o seu cérebro, fazendo um esforço para se insinuar na sua crença, tirando-o do caminho reto. Toda a força da argumentação dos homens do livre mercado deriva do mundo que existe, do mundo dos fatos, e nós, os esquerdistas de antes e de agora, falamos em nome de um outro mundo possível. Não aceitamos que a realidade seja uma tirana do nosso pensamento.
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