sexta-feira, 10 de junho de 2016

Só é socialismo enquanto funciona; quando deixa de funcionar, nunca foi socialismo ( Lawrence W. Reed)


ato-venezuela.jpgVocê já tentou pregar gelatina na parede com um martelo e um prego?  Isso é muito mais fácil do que encontrar um socialista que apresente uma definição clara sobre o que é socialismo.  Como a definição sobre o que é socialismo é extremamente volúvel, variando de acordo com os resultados, o socialismo se torna um alvo interminavelmente móvel.
Marx defendia a abolição da propriedade privada e a estatização de todos os meios de produção (fábricas, fazendas, minas, escritórios, maquinários, equipamentos, computadores etc.).  Ele chamou isso de "socialismo científico".
"Mas não é isso o que defendemos!", afirmam os socialistas de hoje.
Lênin estabeleceu a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).  Ele colocou o estado soviético no comando de cada aspecto da vida do indivíduo e fez isso "pelo bem do povo". Quando a coisa deu errado, recuou e permitiu um pouco de livre iniciativa.  Stalin o sucedeu, intensificou o socialismo e declarou que o arranjo iria fazer chegar à perfeição "o paraíso dos trabalhadores" prometido pelos intelectuais socialistas.  Gerou milhões de cadáveres.
"Mas não é isso o que defendemos!", alegam os socialistas de hoje.
Hitler e seus asseclas "planejaram" inteiramente a economia alemã, impuseram controle de preços, controle de salários e arregimentaram toda a produção. A propriedade dos meios de produção continuou em mãos privadas, mas era o governo quem decidia o que deveria ser produzido, em qual quantidade, por quais métodos, e a quem tais produtos seriam distribuídos, bem como quais preços seriam cobrados, quais salários seriam pagos, e quais dividendos ou outras rendas seria permitido ao proprietário privado nominal receber.  Os nazistas se auto-intitularam socialistas e até mesmo deram ao seu partido o nome de Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães.
"Mas não é isso o que defendemos!", gritam os socialistas de hoje.
Quinze diferentes repúblicas dentro do império soviético se proclamaram inteiramente dedicadas ao socialismo — até que todos os seus regimes entraram em colapso nos período de 1989 a 1991. (Veja alguns relatos sobre a vida nesses países aquiaqui e aqui).
"Mas não é isso o que defendemos!", dizem os socialistas de hoje.
Mais exemplos fracassados de socialismo
Desde a década de 1950, dezenas de regimes na África e na Ásia se comprometeram com a utopia socialista, abraçando orgulhosamente o socialismo pelo nome.  E gerando outros milhões de cadáveres, a maioria por inanição. 
Absolutamente todos eles geram a mesma proclamação dos socialistas de hoje: "Mas não é isso o que defendemos!".
Socialistas ao redor mundo se regozijaram com a ascensão ao poder do socialista Hugo Chávez na Venezuela.  "É exatamente isso o que defendemos!" tornou-se o mantra dos socialistas à medida que o governo venezuelano ia expropriando, estatizando e redistribuindo. 
Mal se passaram 15 anos, e a economia venezuelana está hoje à beira do total colapso, com pessoas matando cachorros nas ruas para ter o que comer e recém-nascidos morrendo como moscas nos hospitais públicos do país.  Consequentemente, tornou-se impossível encontrar um socialista que defenda o atual regime venezuelano.  Porém, aqueles poucos que se pronunciam apenas dizem "Mas não é isso o que defendemos!".
Por ora, todos os socialistas encontraram como último refúgio a defesa das economias escandinavas.  "Agora sim, é isso o que defendemos!", asseguram eles. 
O problema é que uma observação mais aprofundada dos países escandinavos mostra que: tais países não possuem leis de salário mínimo, a carga tributária sobre as empresas está entre as menores do mundo, as economias são abertas e há uma praticamente plena liberdade de importação (as tarifas são baixíssimas), há liberdade de empreendimento (quase nenhuma burocracia para se abrir empresas), e quase não há empresas estatais (a única mundialmente famosa é a estatal petrolífera da Noruega, país que tem a gasolina mais cara do mundo).  Veja todos os detalhes aquiaquiaqui e aqui.
O primeiro-ministro da Dinamarca recentemente veio a público fazer a seguinte declaração: "Sei que muitas pessoas nos EUA associam o modelo nórdico a uma espécie de socialismo.  Sendo assim, gostaria de deixar uma coisa bem clara: a Dinamarca está longe de ser uma economia socialista planejada.  A Dinamarca é uma economia de mercado". 
Consequentemente, os socialistas de hoje dizem: "Bom, não é isso o que defendemos...".  Afinal, os socialistas de hoje defendem um salário mínimo imposto pelo governo e frequentemente reajustado, mais impostos sobre as empresas, mais regulamentações estatais sobre os empreendimentos, e maciça intervenção estatal sobre o comércio.
É até não ser mais
Socialistas são espécies intelectualmente escorregadias.  Para eles, os modelos que defendem são socialistas até o momento em que deixam de funcionar.  Quando deixam de funcionar, então não são mais socialistas.  Pior: nunca foram socialistas. 
É socialismo até que tudo degringole; e então passa a ser qualquer coisa, menos socialismo.
Sob o socialismo, você ou mata a vaca de uma vez ou a ordenha 24 horas por dia.  Mas uma coisa é certa: quando o leite acaba, os socialistas culpam a vaca.  Talvez o motivo de os socialistas não gostarem do conceito de responsabilidade individual é porque eles não querem ser vistos como pessoalmente responsáveis pelas consequências práticas das idéias que defendem.
O Dicionário Oxford (cujo slogan é "a linguagem é tudo") define socialismo como sendo "uma teoria política e econômica de organização social que defende que os meios de produção, de distribuição e de troca devem ser propriedade da (ou regulados pela) comunidade como um todo".  E oferece os seguintes termos como sinônimos: esquerdismo, assistencialismo, progressivismo, social-democracia, comunismo e marxismo.
Talvez agora estejamos chegando a algum lugar.  Tal definição soa precisa, certo?  Mas não é.  O que significa dizer que "os meios de produção, de distribuição e de troca devem ser propriedade da (ou regulados pela) comunidade como um todo"?  Acaso uma padaria deveria pôr em votação pública suas decisões sobre o que colocar em suas prateleiras ou quem contratar para o turno da noite?
E essa parte de "ou regulados pela comunidade como um todo"?  Você conhece um corpo regulatório que seja formado por todas as pessoas de uma cidade?  Mais ainda: formado por todas as centenas de milhões de pessoas de um país?  Não seria mais correto simplesmente reconhecer que tais organizações sempre acabam sendo formadas por algumas poucas pessoas que usufruem poderes políticos quase que ilimitados?
Mesmo tendo em mãos um dicionário no qual pesquisar a palavra socialismo, ainda me vejo coçando a cabeça e perguntando: "Mas, afinal, que diabos é isso?".  Talvez seja algo imaginário — algo que alguma pessoa espera que seja, mesmo que jamais tenha sido assim todas as vezes em que foi tentado.
Ou talvez seja como a pornografia: ninguém sabe definir exatamente o que é, mas todos reconhecem quando vêem.
Solidariedade excludente 
Creio que a melhor definição que já vi sobre o socialismo foi dada pelo colunista Kevin D. Williamson da revistaNational Review.  Ei-la:
O socialismo e o assistencialismo, assim como o nacionalismo e o racismo, se baseiam a apelos à solidariedade — solidariedade que tem de ser impingida sob a mira de uma arma.  Tal apelo vai muito além de uma preocupação genuína pelos pobres e oprimidos, ou pelo povo em geral.  Trata-se, ao contrário, de uma solidariedade excludente, uma noção supersticiosa que vê o "corpo político" não como uma mera figura de linguagem, mas sim como uma descrição substantiva que diz que estado e pessoas são um organismo unitário, cuja saúde é de tão suprema importância, que os direitos individuais — propriedade, liberdade de ir e vir, liberdade de expressão, liberdade de associação — devem ser restringidos ao máximo ou mesmo eliminados quando passam a ser vistos como insalubres.
Os países "socialistas" que parecem funcionar — como Suécia, Noruega e Dinamarca — funcionam não por causa de suas características tidas como socialistas, mas sim por causa do capitalismo que eles ainda não aboliram.  Adote o socialismo pleno e você vira a Venezuela.  Ou, pior ainda, a Coreia do Norte.
Socialismo é violência
No final, tudo se resume ao combate persuasão versus violência.  Todo o resto é trivial.  É mais ou menos assim:
Sob o capitalismo, uma pessoa bate à sua porta e pergunta: "Você gostaria de comprar esses biscoitos?".  Você tem a liberdade de dizer sim ou não.
Sob o socialismo, uma pessoa arromba a sua porta acompanhada de uma exército paramilitar e diz: "Você vai comer essas drogas de biscoitos, queira ou não, e irá pagar por eles também!".
Alguns socialistas dizem que estão simplesmente defendendo a "solidariedade" e o "compartilhamento".  E, dado que os defensores do socialismo têm boas intenções, então tal doutrina, por definição, tem também de ser voluntária e benéfica.   Exceto que nunca é.  Se fosse voluntária, não seria socialismo; e se fosse benéfica, não seria necessária a violência para criá-la e mantê-la.
Os socialistas de hoje pensam e agem como se houvessem acabado de chegar de um universo paralelo: 
a) Um endividamento trilionário significa que o governo federal ainda não gastou o bastante para resolver nossos problemas. 
b) Confiscar dinheiro que pertence a terceiros por meio da tributação é algo perfeitamente certo se for direcionado para "coisas boas". 
c) Pessoas se tornam instantaneamente mais honestas, competentes e preocupadas com o povo tão logo são eleitas para cargos públicos. 
d) Se você obrigar patrões a pagar salários maiores do que a produtividade de seus empregados, eles ainda assim continuarão contratando mais pessoas, aceitando heroicamente seus prejuízos. 
e) Regulamentações sempre fazem o bem, pois seus defensores têm boas intenções. 
f) Civilizações ascendem e se tornam grandiosas ao punirem o sucesso e subsidiarem o fracasso.  E entram em colapso que adotam a liberdade e a livre iniciativa. 
g) As pessoas têm o direito de ter tudo aquilo que quiserem que os outros paguem, como educação gratuita, saúde gratuita e aborto gratuito.
Talvez toda essa insensatez tenha sua origem em uma falha fundamental de definição: se não for pelo uso da violência para moldar a sociedade da maneira que você quer, então o socialismo nada mais é do que uma fantasia nebulosa.  Trata-se de um gigantesco quadro-negro no céu, no qual você pode escrever qualquer coisa que seu coração desejar — e rapidamente apagar tão logo as circunstâncias se tornarem constrangedoras.
De qualquer maneira, não quero de maneira alguma fazer parte desse experimento.  Mas os socialistas insistem que eu tenho de participar.  À força e para o meu bem.




quarta-feira, 8 de junho de 2016

Principal Sobre nós Clube Artigos Blog Multimídia Biblioteca Eventos Loja Virtual Ensino Cinco características típicas da mentalidade do atraso (Lawrence W. Reed)

ATRASO.01.jpgUma crença que sempre ressalto, dia após dia, é que estamos em guerra — não uma guerra física, que envolve tiros e bombardeios, mas uma guerra suscetível a se tornar tão destrutiva e custosa quanto.
A batalha pela preservação e avanço da liberdade é uma batalha não contra pessoas, mas sim contra idéias contrárias.  O autor francês Victor Hugo certa vez disse: "É possível resistir a uma invasão de exércitos; mas é impossível resistir à invasão de idéias". 
Essa declaração é frequentemente reformulada como "Existe uma coisa mais poderosa que todos os exércitos: uma idéia cuja oportunidade chegou."
Idéias possuem consequências abaladoras e impactantes.  Foram elas que determinaram o curso da história. 
O feudalismo existiu por milhares de anos porque, em grande parte, os professores, intelectuais, educadores, sacerdotes e políticos da época propagavam e defendiam as idéias feudalistas.  A noção de "uma vez servo, para sempre servo" fez com que milhões de pessoas jamais questionassem a situação estacionária de suas vidas.
Sob o mercantilismo, o conceito amplamente aceito de que a riqueza do mundo era fixa e pré-determinada levou indivíduos a roubar tudo aquilo que queriam de outros, o que culminou em uma longa série de guerras sangrentas.
A publicação, em 1776, do livro Riqueza das Nações, de Adam Smith, representou um marco na história do poder das idéias.  À medida que a mensagem de Smith sobre o livre comércio foi se espalhando, as barreiras políticas à cooperação pacífica (via transações voluntárias de mercado) foram entrando em colapso, e praticamente todo o mundo decidiu, pela primeira vez na história, tentar a liberdade.
Marx e os marxistas queriam nos fazer crer que o socialismo era inevitável.  Com mesma certeza que temos de que o sol nascerá amanhã a leste, eles afirmavam que o socialismo é uma ideia que, no futuro, seria implantada em todo o mundo.  No entanto, enquanto os indivíduos forem dotados do livre arbítrio (o poder de preferir o certo ao errado), nada que envolva a escolha humana pode ser inevitável.  Se o socialismo vier, será porque os indivíduos optaram por abraçar seus princípios.
Mas embora o socialismo seja um fracasso completo e comprovado, suas idéias constituem a principal ameaça atual à liberdade.  A meu ver, o socialismo pode ser decomposto nas seguintes cinco idéias.
1. As síndromes do "deveríamos criar uma lei para" e "o governo tem de fazer alguma coisa!"
Criar uma lei ou exigir que o governo "faça algo" são medidas que aparentemente se tornaram um passatempo entre políticos, intelectuais e ativistas. 
Um setor da economia está mal?  O governo deve lhe conceder subsídios ou então aumentar a tarifa de importação sobre os concorrentes estrangeiros.  Pobreza?  Criemos um projeto de lei para aboli-la.  A educação está ruim?  Que se crie um projeto de lei que obrigue o governo a destinar ainda mais dinheiro para os sindicatos dos professores.  A cultura nacional é fraca?  Uma lei que dê mais dinheiro para a classe artística é impreterível.  Os taxistas estão descontentes?  Uma lei proibindo a Uber é urgente.
Quase que invariavelmente, uma nova lei significa: (a) mais impostos para financiar sua imposição e administração; (b) aumento no quadro de funcionários públicos para regular algum aspecto da nossa vida que até então não era regulado; e (c) penalidades a quem violar essas novas leis.
Mais leis significam mais controle governamental, mais poder a políticos, e mais coerção.  Que não haja dúvidas quanto ao significado de coerção: força, espoliação, compulsão, restrição.  Sinônimos para a forma verbal da palavra são ainda mais instrutivos: impingir, exigir, subjugar, extorquir, extrair, arrancar, intrometer, distorcer, coagir, obrigar, pressionar.
Quando o governo intervém na economia, burocratas e políticos passam a maior parte do tempo tentando corrigir as consequências inesperadas de suas intervenções anteriores.  E fazem isso por meio de novos projetos de lei.  Para corrigir os danos causados pela providência A, eles criam o dispositivo B.  Mas como B também gera consequências não-previstas, eles concluem que, para corrigir essas distorções causadas pelo dispositivo B, é necessário criar a cláusula C.  Como C também cria desarranjos, é necessário então aprovar a provisão D.  E assim vai, até que todo o alfabeto, em conjunto com nossas liberdades, seja exaurido.
As síndromes do "deveríamos criar uma lei para" e "o governo tem de fazer alguma coisa!" evidenciam uma fé irracional no processo político e uma confiança plena na força e na coerção, coisas que deveriam ser anátema em uma sociedade livre.
2. A fantasia de que é possível conseguir algo do governo
O governo, por definição, não tem nada para distribuir que antes não tenha confiscado das pessoas.  Impostos não são doações.
Esse fato tão básico é solenemente ignorado pelos clamores de melhores remunerações para o funcionalismo público, mais programas assistencialistas, mais "serviços públicos e gratuitos", mais incentivos ao lazer e à cultura.
Se você acredita que o governo pode lhe dar algo que você não conseguiria adquirir voluntariamente, faça a si mesmo esta pergunta: "De que bolso está saindo isso?  Estaria eu sendo roubado para pagar por esse benefício, ou o governo está roubando outra pessoa para me privilegiar?".  Frequentemente, a resposta é "as duas coisas". 
O resultado dessa fantasia é que todas as pessoas estão com as mãos nos bolsos de outras pessoas.
3. A psicose do "quero mais"
Recentemente, nos EUA, uma mãe que vivia de assistencialismo estatal escreveu uma carta para o Ministério responsável pelo programa e demandou: "Estou grávida do meu sexto filho.  O que vocês farão a respeito?"
Um indivíduo se torna vítima da psicose do "quero mais" quando ele deixa de se enxergar como o único responsável por si mesmo.  A mentalidade é: "Meus problemas não são realmente meus; são da sociedade como um todo.  E se a sociedade não resolvê-los, e rápido, então teremos problemas!".
O socialismo prospera com o abandono da responsabilidade individual.  Quando os indivíduos perdem seu espírito de independência e de iniciativa, quando perdem a confiança em si próprios, eles se tornam mera massa de manobra nas mãos de tiranos e déspotas, que adoram pessoas sem iniciativa e com espírito derrotista.
4. A aflição do "eu sei o que é melhor para você"
Essa é a característica central da ideia socialista. 
O "eu sei melhor" é o tirano que se intromete na vida dos outros.  Sua atitude pode ser expressa desta forma: "Eu sei o que é melhor para você, mas não me satisfaço em apenas tentar convencer você de quão certo eu estou; o que realmente quero é obrigar você a adotar as minhas medidas."
O "eu sei melhor" é a perfeita encarnação da arrogância e da intolerância. 
No linguajar governamental, o refrão do "eu sei melhor" segue este raciocínio: "Se eu não pensei nisso antes, então não pode ser feito; e já que não pode ser feito, tenho de proibir qualquer um que queira tentar".  Como um exemplo prático, o governo proíbe empresas privadas de atuar no serviço de correios com o argumento de que tal serviço não pode ser operado de maneira lucrativa (uma vez que os Correios estatais só operam com prejuízo).
milagre do mercado é que, quando os indivíduos são livres para tentar, eles podem — e realmente conseguem — alcançar grandes feitos.  Se simplesmente aceitarmos que não deve haver restrições artificiais às energias criativas dos seres humanos, a aflição do "eu sei melhor" seria prontamente rejeitada e escarnecida.
5. A inveja obsessiva
cobiça pela riqueza e renda de terceiros foi exatamente o que deu origem à esmagadora maioria das legislações de cunho socialista que são criadas hoje.  A inveja é o combustível que alimenta o motor da redistribuição.  Os vários clamores para que se "tribute mais os ricos" têm suas raízes na inveja e na cobiça.
O que acontece quando as pessoas são obcecadas em sua inveja?  Elas dizem que seus problemas são causados por aqueles que estão em melhor situação financeira do que elas.  Elas atribuem a causa de suas frustrações a quem tem mais posses.
Para tais pessoas, a sociedade está fraturada em classes, e cada facção se alimenta daquilo que rouba da outra.  A história está repleta de exemplos de civilizações que se esfacelaram sob o peso da inveja e de todo o desrespeito à propriedade privada gerado pela inveja.  
Um aspecto em comum
Há algo em comum em todas essas cinco idéias socialistas.  Todas elas apelam aos instintos mais primitivos e sombrios do indivíduo: o lado não-criativo, preguiçoso, dependente, desmoralizante, improdutivo e destrutivo da natureza humana. 
Nenhuma sociedade pode perdurar por muito tempo se sua população se entregar, sem resistência, a tais noções suicidas.
Agora, veja a filosofia da liberdade.  Trata-se de uma filosofia edificante, motivadora, criativa, regenerativa e estimulante.  Ela recorre às — e depende das — qualidades mais nobres da natureza humana, como a responsabilidade individual, a autoconfiança, a iniciativa própria, o respeito à propriedade privada, e à cooperação voluntária.
O resultado dessa batalha entre liberdade e servidão dependerá inteiramente de quais idéias terão maior aceitação nos corações e mentes dos indivíduos.  O júri ainda está deliberando.

50 anos de mudanças de sexo, transtornos mentais e suicídios aos montes ( WALT HEYER)

whbaaTrinta e três anos atrás passei por uma cirurgia de redesignação de sexo apenas para descobrir que era um alívio temporário, não uma solução para as comorbidades subjacentes.


Pioneiros nas cirurgias de mudança de sexo e estudos clínicos recentes concordam que a maioria do transexuais sofrem de distúrbios psicológicos simultaneamente, levando à tragédia de um elevado número de suicídios. A proibição da psicoterapia para pessoas transexuais pode ser politicamente correta, mas mostra um desrespeito imprudente pela vida humana.
Linha do tempo:
04 de outubro de 1966: A coluna de fofocas do New York Daily News informou que uma moça que estava circulando em clubes de Manhattan admitiu ser um homem em 1965. Ela tinha passado por  uma operação de mudança de sexo em Baltimore, na clínica Johns Hopkins.
Em 1979, treze anos mais tarde, um grande número de cirurgias desse tipo haviam sido realizadas, sendo possível avaliar os resultados. Era hora para uma pesquisa com base em pacientes reais.
1970: Qual a eficiência da cirurgia de mudança? Quais foram os resultados para os transexuais?
O primeiro relatório vem do Dr. Harry Benjamin, um forte defensor de terapia hormonal com o sexo oposto e da cirurgia de "reatribuição de gênero", que era realizada num clínica privada para transexuais. De acordo com umartigo  no Journal of Gay & Lesbian Mental Health, "em 1972, Benjamin tinha diagnosticado, tratado e feito amizade com, pelo menos, mil dos dez mil americanos conhecidos por serem transexuais."
Um colega do Dr. Benjamin, o endocrinologista Charles Ihlenfeld, administrou a terapia hormonal para cerca de 500 pessoas "trans" ao longo de um período de seis anos na clínica de Benjamin – até que ficou preocupado com os resultados. "Há muito descontentamento entre as pessoas que fizeram a cirurgia", disse ele. "Muitos deles acabam como suicidas. 80%  dos que querem mudar de sexo não devem fazê-lo." Mas, mesmo para os 20% que ele achava que poderiam ser bons candidatos para isso, a mudança de sexo não é de nenhuma maneira uma solução para os problemas da vida. Ele pensa nisso mais como uma espécie de alívio. "Compra-se talvez 10 ou 15 anos de uma vida mais feliz", disse ele, "e vale a pena por isso."
Mas o próprio Dr. Ihlenfeld nunca fez mudança de sexo. Eu fiz, e discordo dele nesse último ponto: o alívio não vale a pena. Eu tive um alívio de sete ou oito anos, e depois? Eu estava pior do que antes. Eu parecia uma mulher – meus documentos legais me identificavam como uma mulher – mas eu achei que no final do "alívio" eu queria ser um homem com a mesma intensidade com que eu tinha uma vez desejado ser uma mulher. A recuperação foi difícil
No entanto, com base em sua experiência no tratamento de 500 transgêneros, o Dr. Ihlenfeld concluiu que o desejo de mudar os sexos provavelmente resultava de fatores psicológicos poderosos. Ele disse em 'Transgender Subjectivities: A Clinicians Guide': "o que quer que a cirurgia tenha feito, ela não cumpriu um desejo básico de algo que é difícil de definir. Conclui-se que estamos tentando tratar superficialmente algo que é muito mais profundo". O Dr. Ihlenfeld deixou a endocrinologia em 1975 para começar uma residência em psiquiatria.
Há cerca de três anos, ao escrever meu livro 'Paper Genders', fiquei curioso e chamei Dr. Ihlenfeld para perguntar se alguma coisa tinha mudado em suas idéias sobre os comentários que fez em 1979. Ihlenfeld foi educado comigo no telefone e rapidamente disse que não, nada tinha mudado. É interessante, na atmosfera de hoje do politicamente correto, que o Dr. Ihlenfeld, um homossexual, sustente a opinião que a cirurgia de "redesignação de gênero" não é a resposta para aliviar os fatores psicológicos que levam à compulsão para mudar de sexo. Eu aprecio sua honesta avaliação clínica, da evidência e recusa em dobrar os resultados médicos a um ponto de vista político particular.
Em seguida, vamos dar uma olhada na Clínica de Gênero da Universidade Johns Hopkins, onde a moça transgênero da fofoca no New York Daily News fez sua cirurgia. O Dr. Paul McHugh tornou-se diretor de Psiquiatria e Ciências Comportamentais em meados da década de 1970 e pediu ao Dr. Jon Meyer, diretor da clínica na época, a realização de um estudo aprofundado dos resultados de pessoas tratadas na clínica.

McHugh diz:
[Aqueles que foram submetidos a cirurgia] foram pouco modificados em sua condição psicológica. Eles tinham praticamente os mesmos problemas com relacionamentos, trabalho e emoções como antes. A esperança de que eles iriam agora emergir de suas dificuldades emocionais para florescer psicologicamente não tinha se cumprido.
Em 2015 eu estava sentado em frente ao Dr. McHugh em seu escritório na Universidade Johns Hopkins e fiz-lhe a mesma pergunta que havia feito ao Dr. Ihlenfeld: Alguma coisa tinha mudado em suas idéias a respeito da mudança cirúrgica de  sexo? McHugh me disse que ele ainda deve ter uma justificação médica para a alteração cirúrgica da genitália, e que é obrigação dos médicos praticantes seguir a ciência até onde ela leva, em vez de ignorar a ciência para avançar o politicamente correto.
Estes dois médicos poderosos e influentes foram pioneiros no tratamento do transexualismo. Dr. Ihlenfeld é um psiquiatra homossexual. Dr. Paul McHugh é um psiquiatra heterossexual. Ambos chegaram à mesma conclusão: fazer a cirurgia não resolve os problemas psicológicos dos pacientes.
Década de 2000: Os fatores psicológicos das clínicas Hopkins e Benjamin foram confirmados por estudos posteriores?
Estudos mostram que a maioria das pessoas transexuais têm outros transtornos psicológicos coincidentes, ou co-morbidades (1).
Um estudo de 2014 constatou que 62,7% dos pacientes diagnosticados com disforia de gênero (ver o conceitoaqui) tinham  pelo menos um distúrbio associado e 33% foram diagnosticados com graves transtornos depressivos ligados à ideação suicida. Outro estudo de quatro países europeus em 2014 descobriu que quase 70% dos participantes apresentaram um ou mais transtornos do Eixo I(2), principalmente transtornos afetivos (humor) e ansiedade.
Em 2007, no Departamento de Psiquiatria da Case Western Reserve University, em Cleveland, Ohio, observou-se a avaliação clínica das comorbidades dos últimos 10 pacientes entrevistados em sua Gender Identity Clinic. Eles descobriram que "90% destes diversos pacientes tinham, pelo menos, uma outra forma significativa de psicopatologia... [incluindo] problemas de humor e regulação de ansiedade e de adaptação no mundo. Dois dos 10 tiveram arrependimentos significativos persistentes sobre suas transições anteriores".
No entanto, em nome de "direitos civis", as leis estão sendo aprovadas em todos os níveis de governo para impedir que os pacientes transexuais recebam terapias para diagnosticar e tratar os transtornos mentais concomitantes.
Os autores do estudo da Case Western Reserve University pareciam prever esta onda legal chegando quando eles disseram:
“Esta constatação (média) parece contrastar com a retórica pública, forense, e profissional de muitos que cuidam de adultos transgêneros... A ênfase nos direitos civis não é um substituto para o reconhecimento e tratamento da psicopatologia associada. Especialistas em identidade de gênero, ao contrário da mídia, precisam se preocupar com a maioria dos pacientes, não apenas com os que estão aparentemente indo bem na transição”.
Como alguém que passou pela cirurgia, estou inteiramente de acordo. A política não se mistura bem com a ciência. Quando a política se impõe sobre medicina, os pacientes são os que sofrem.
E sobre os suicídios?
Vamos ligar os pontos. Transexuais relatam tentativas de suicídio em um índice dramático – acima de 40%. De acordo com Suicide.org, 90% de todos os suicídios são resultado de distúrbios mentais não tratados. Mais de 60% (e possivelmente até 90%, como mostrado na Case Western) das pessoas trans têm comorbidades psiquiátricas, que muitas vezes são totalmente negligenciadas.
Poderia o tratamento das doenças psiquiátricas subjacentes prevenir suicídios transexuais? Acho que a resposta é um sonoro "sim".
A prova está na cara. Um número tragicamente elevado de pessoas trans tenta o suicídio. O suicídio é o resultado de distúrbios mentais não tratados. A maioria das pessoas transexuais sofre de distúrbios de comorbidade não tratados. E, desafiando toda a razão, leis estão sendo introduzidas para impedir o seu tratamento.
Escrevo levado pela profunda preocupação pelos homens e mulheres transexuais que tentam o suicídio, que são infelizes, e que querem voltar ao seu sexo de nascimento. Os outros - aqueles que parecem estar funcionando bem em transição, pelo menos por agora durante o seu "alívio" –, são celebrados na mídia. Mas eu ouvi de outros que preferem ficar no anonimato, que estão, sim, contemplando o suicídio; suas vidas estão dilaceradas pois, apesar da cirurgia, ainda têm questões debilitantes físicas ou psicológicas: aqueles para os quais o "alívio" já acabou.
Na década de 1970 e também hoje a cirurgia de redesignação de sexo tem sido realizada rotineiramente quando solicitada. As pessoas trans constituem a única população autorizada a se auto-diagnosticar com disforia de gênero, apenas com base em seu desejo pela cirurgia de reatribuição sexual, e não porque a comunidade médica tenha encontrado provas objetivas de que essa cirurgia é medicamente necessária.
Depois de cinquenta anos de intervenção cirúrgica nos Estados Unidos, uma base científica para o tratamento cirúrgico das pessoas trans ainda está faltando. Uma força-tarefa encomendada pela Associação Psiquiátrica Americana fez uma revisão da literatura sobre o tratamento do transtorno de identidade de gênero e em 2012 e declarou: "A qualidade das provas referentes à maioria dos aspectos do tratamento em todos os subgrupos foi determinada como sendo baixa”.  Em 2004, a revisão de mais de 100 estudos médicos pós-operatórios internacionais de transexuais não encontrou "nenhuma evidência científica sólida de que a cirurgia de mudança de sexo seja clinicamente eficaz".
Nós ouvimos os ecos dos pioneiros nas clínicas Hopkins e Benjamin e vemos as suas primeiras conclusões confirmadas em estudos de hoje, mostrando mais uma vez que existem transtornos psiquiátricos e psicológicos nas psiques dos que mudam de sexo – mas quem está prestando atenção?
Escárnio e vilipêndio aguardam quem se atreve a sugerir que a psicoterapia é necessária para tratar eficazmente a disforia de gênero. Dr. McHugh, Dr. Ihlenfeld, e outros como eles mostram grande integridade quando levantam publicamente preocupações sobre os problemas psicológicos daqueles que mudam de sexo, e quando respondem contra a "abordagem rolo compressor", de tratamentos que fornecem hormônios e cirurgia de mudança sem antes buscarem tratamentos menos invasivos e que alterem a vida.
Advogados e clientes trans temem que, se um psicólogo ou um psiquiatra olhar muito profundamente na psique do paciente eles possam descobrir a presença de uma doença que, se tratada adequadamente, tiraria o sonho de mudança de sexo, uma fantasia que alimentaram na maior parte de suas vidas. Viver em negação é muitas vezes um meio de fuga, uma maneira de evitar olhar para trás, para eventos da primeira infância, e de lidar com um passado doloroso. As causas desses distúrbios estão enterradas profundamente, e agita-las leva a níveis elevados de ansiedade. E então a mudança da identidade e aparência – embora extrema – parece preferível.
Trinta e três anos atrás passei por uma cirurgia de redesignação de sexo apenas para descobrir que era um alívio temporário, não uma solução para as comorbidades subjacentes. Tenho escrito livros, publicado artigos, e falado publicamente com todo o mundo para esclarecer as pessoas sobre a prevalência de suicídio entre as pessoas transexuais e sobre os riscos e os arrependimentos da mudança de sexo.
As redes de televisão, tais como a ABC, que exaltam transgêneros como Bruce Jenner em sua turbulência psicológica, fazem um grande desserviço para transexuais e para aqueles que os tratam, negando-lhes um ambiente seguro no qual resolvam os problemas mais profundos de comorbidades e suicídio. Continuar a ignorar a história e as advertências de estudos e relatórios – embora inconvenientes ou politicamente incorretas que possam parecer – não é solução para o tratamento de distúrbios psicológicos. Ignorar os suicídios não vai ajudar a preveni-los. Proibir certas intervenções médicas quando sabemos que 90% dos suicídios são devido a transtornos mentais não tratados, e que a maioria das pessoas trans coexistem com transtornos psicológicos, não avança os protocolos de tratamento eficazes, e perde-se a liberdade de seguir até onde a ciência conduz.
Ao se permitir que uma agenda política anule e silencie o processo científico, não irá se impedir os suicídios, nem levar melhores tratamentos para esse grupo. Isso não é compaixão, é desrespeito imprudente para com a vida das pessoas.

Notas de Heitor De Paola:
(1)  Co-morbidade (Comorbidity) é a preseça de uma ou mais doença ou síndrome que ocorre simultaneamente com uma condição clínica primária. O distúrbio secundário pode ser de ordem mental ou comportamental. 
(2) Axis I é um dos cinco eixos considerados pelo Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders  (DSM) para determinação diagnóstica. O diagnóstico das principais perturbações depressivas geralmente estão acompanhados de distúrbios no trabalho, problemas físicos como hipertensão, tristeza e desespero. (Psychiatric Axis I Comorbidities among Patients with Gender Dysphoria) -http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25180172

Walt Heyer
 é um autor e orador público com paixão para ajudar os outros que lamentam a mudança de sexo. Através de seus site, SexChangeRegret.com, e blog, WaltHeyer.com, Heyer sensibiliza a opinião pública sobre o arrependimento e outras trágicas consequências sofridas. A história de Heyer pode ser lida de forma inovadora no Kid Dakota and The Secret at Grandma’s House , bem como em sua autobiografia, A Transgender’s Faith.  Outros livros de Heyer incluem Paper Genders e Gender, Lies and Suicide.