quinta-feira, 26 de novembro de 2015

PT total: para além da hegemonia da esquerda (SAULO DE TARSO MANRIQUEZ )

Os sonhos de Lula se chocam com as liberdades políticas básicas dos brasileiros e com a diversidade de pensamento existente na sociedade brasileira.

Em recente discurso durante o 3º Congresso da Juventude do PT, Lula afirmou que o "ideal" seria que um único partido pudesse governar o Brasil todo: "O ideal de um partido é que ele pudesse ganhar a presidente, 27 governadores, 81 senadores e 513 deputados sem se aliar a ninguém". O "desejo ideológico" de Lula é transformar o PT em um pleno partido de Estado.
A fala do ex-presidente de Lula não pode ser interpretada como uma mero sonho pessoal de transformar o PT em um partido mais forte, capaz de conduzir os rumos da política nacional sem a necessidade de construir alianças. Não se trata também simplesmente de uma forma de dizer aos jovens petistas que a realidade política acaba por tornar necessária a articulação e ou a união com outros partidos para garantir a governabilidade. Trata-se de uma declaração que comunica aos petistas o ideal de conduzir o PT para além da hegemonia dos partidos de esquerda.
Em 2009, enquanto ainda era presidente da República, Lula tratou como uma "conquista" digna de comemoração o fato de não existirem candidatos que representassem a direita política para concorrer as eleições presidenciais de 2010. Afirmou-se, portanto, a importância de as forças políticas de esquerda serem hegemônicas, Agora, em 2015, Lula vai além: diz que o ideal é que apenas um único partido conduza toda a política nacional.
Com suas últimas declarações, Lula acabou demonstrando que, para ele e para o PT, o pluralismo político é uma inconveniente formalidade das democracias representativas.
Ocorre, no entanto, que pluralismo político não é simples formalidade. É uma das condições de existência de uma democracia. O pluralismo político reflete ou pode refletir uma sociedade pluralista e pode favorecer a possibilidade de existência e a manutenção da mesma.
Na lição de Miguel Reale, "[...] a experiência democrática se concretiza como uma 'poliarquia', ou seja, como um governo subordinado às múltiplas fontes da vontade coletiva, numa relação dialógica e dialética entre 'poderes', mais ou menos institucionalizados, como o econômico, o militar, o universitário, o religioso, o sindical, o literário o artístico, etc., os quais se distribuem segundo círculos secantes que, em maior ou menor grau, tendem a influir sobre os centros do 'poder político'"[1].
O reconhecimento da realidade poliárquica da sociedade costuma ser uma característica das democracias representativas contemporâneas, nas quais o pluralismo existente na sociedade pode transformar-se em pluralismo político, ou seja, em uma pluralidade de forças políticas capazes de influenciar a condução do Estado.
Dentre os fundamentos do Estado Democrático de Direito brasileiro está presente o pluralismo político (inciso V do art. 1º da Constituição Federal de 1988).
Juridicamente, o pluralismo político se desdobra no direito de criar associações e cooperativas independentemente de autorização (art. 5°, XVIII da CF), na liberdade de associação para fins lícitos (art. 5°, XVII da CF) e na liberdade - não absoluta, diga-se - de criar partidos políticos (art. 17 da CF).
O pluralismo político não significa a mera existência de diversos partidos políticos, entretanto, o pluripartidarismo é, ao menos nas democracias representativas, uma de suas consequências.
A existência de mais um partido permite a representação das perspectivas políticas, econômicas, morais, culturais e religiosas presentes na sociedade.
O pluralismo previsto na Constituição Federal é também um pluralismo de partidos. De acordo com o art. 17 Constituição, a “criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos" deve respeitar o regime democrático e o pluripartidarismo. Esta implícita no referido dispositivo a proibição do unipartidarismo.
Segundo José Afonso da Silva, a Constituição consignou o “controle qualitativo (controle ideológico)” dos partidos, sendo ilegítimo nesse sentido o partido que “[...] pleiteie um sistema de unipartidarismo ou um regime de governo que não se fundamente no princípio de que o poder emana do povo, [...] ou que sustente o monismo político em vez do pluralismo”[2]. O controle qualitativo é uma realidade em diversos textos constitucionais do mundo. O controle qualitativo decorre do reconhecimento de que algumas agremiações políticas fazem uso da legalidade democrática para destruí-la por dentro.[3]
Um Estado Democrático de Direito não pode se assentar em bases unipartidárias, tal como ocorreu nas antidemocráticas “democracias populares” dos regimes totalitários do século XX e nos ainda vigentes regimes socialistas norte-coreano, chinês e cubano. De igual forma, dificilmente a democracia poderá sobreviver por muito tempo em um sistema pluripartidário nominal, com partidos satélites vinculados ideologicamente ao partido de Estado ou sem autonomia perante ele[4]. Onde o modelo de partido de Estado prevalece, seja na forma de partido único ou na forma de pluripartidarismo nominal, a validade da dissensão acaba sendo negada e a oposição termina sendo obstada[5].  
Aceitar a oposição política significa dizer “que os inimigos do Governo não são inimigos do Estado e que um oposicionista não é por isso um rebelde”[6].
Apesar dos 35 partidos existentes no Brasil, há uma homogeneidade ideológica na atuação dos partidos[7]. A maioria dos partidos brasileiros fortes são de esquerda. O fortíssimo PMDB, representante do centrão ideológico, dá sustentação ao PT. As últimas eleições presidenciais foram polarizadas por partidos de esquerda. Não existem partidos verdadeiramente conservadores e liberais, tampouco partidos nacionalistas e mais patrióticos. O surgimento de agremiações favoráveis ao liberalismo econômico e a existência de lideranças conservadoras e liberais pouco mudou o cenário político-partidário nacional. Esse cenário deveria satisfazer as pretensões hegemônicas de Lula, só que não. Para Lula o ideal é ir além; o ideal é o PT mandar em tudo.
Lula e o PT já conseguiram internalizar no imaginário de parte significativa da população a ideia de que fazer oposição de verdade é "baixar o nível", que opor-se é ser "golpista". A legitimidade da dissensão está sendo esvaziada. E agora a ideia é superar o pluripartidarismo quase nominal brasileiro e transformar o PT em um perfeito partido de Estado.
O sonhos Lula para o PT e o Brasil são contrários à Constituição brasileira. Nada que cause espécie, haja vista que Lula não tem compromissos com a Constituição. Mas não é somente contra a Constituição que estão os sonhos de Lula. Os sonhos de Lula se chocam com as liberdades políticas básicas dos brasileiros e com a diversidade de pensamento existente na sociedade brasileira.
Lula sonha com um PT total, que não mais terá se sujeitar às inconveniências do pluralismo político; enfim, com um PT que não precisará aguentar a democracia.

9 dos 13 senadores que votaram para soltar Delcídio são petistas, os outros são 4 aliados do PT. Veja quem são (reaça)

O Senado Federal é a Câmara Alta do Congresso Nacional e nunca teve um senador preso durante o exercício do mandato. Hoje, o PT inaugurou mais uma página da história do Parlamento brasileiro.
A votação pela liberação ou não de Delcídio Amaral (PT) foi histórica, a decisão de a sessão ser por voto aberto ou fechado também foi histórica. Os senadores que tiveram o bom senso de discursar no dia de hoje marcarão o nome em uma sessão histórica.
Histórica, histórica, histórica.
O número eleitoral do PT é 13, assim como 13 foi o número de senadores que votaram pela soltura de Delcídio. Dos 13 senadores, 9 são petistas e os outros 4 são aliados do petismo no poder.
Segundo O Globo:
“O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI) não votou, e o senador Edison Lobão (PMDB-MA) , investigado na Lava-Jato, se absteve. (…) Foram 73 senadores que votaram. Contabilizando o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que não votou por ser presidente e o senador Delcídio, que está preso, somam-se 75, dos senadores dos 81 senadores da Casa. Ou seja, faltaram à sessão ou não votaram seis senadores: Álvaro Dias (PSDB-PR) e Antonio Anastasia (PSDB-MG), ambos tucanos; o presidente do PP e investigado na Lava Jato, Cyro Nogueira (PI); a senadora Fátima Bezerra (PT-RN); o senador Gladson Cameli (PP-AC); e o novo líder do PR no Senado, Wellington Fagundes (MT).”
Agora, saiba quem foram os 13 senadores que votaram pela soltura de Delcídio Amaral:
Ângela Portela (PT-RR)
Donizetti Nogueira (PT-TO)
Gleisi Hoffman (PT-PR)
Humberto Costa (PT-PE)
Jorge Viana (PT-AC)
José Pimentel (PT-CE)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Paulo Rocha (PT-PA)
Regina Souza (PT-PI)
Roberto Rocha (PSB-MA)
Telmário Mota (PDT-RR)
João Alberto Souza (PMDB-MA)
Fernando Collor (PTB-AL)













quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Por que o intervencionismo estatal leva à manutenção da pobreza (IL)

estadoA grande saída para o cenário político atual é o aprofundamento no tema “liberalismo”, que se assenta essencialmente em um dos valores mais centrais para a vida humana: a liberdade. Por sua própria definição, o liberalismo simplesmente recorre ao princípio da ação humana, inerente a cada indivíduo, visando efetuar realizações e criações.
Os pilares do liberalismo estão no indivíduo e seu direito à liberdade, crença que vai contra a visão paternalista de um Estado patrão e dirigista, que determina o destino dos seus cidadãos como se esses fossem seus súditos. Para o homem livre, o país é precisamente a coleção de indivíduos que o compõem, e não algo acima deles. O governo é visto apenas como um meio para seus objetivos, nunca um fim em si, nem um agente garantidor de favores ou um mestre que devesse ser cegamente seguido, detentor de uma sabedoria clarividente. A maior ameaça à liberdade individual é justamente a concentração de poder.
Diferentemente da imagem que a esquerda busca inventar, os liberais se preocupam com a classe mais hipossuficiente e entendem que tirar dinheiro dos mais pobres (e praticamente a metade do que eles ganham tem como destino o pagamento de impostos) e entregar para que o Estado decida o que fazer em nome deles é a maneira mais irracional de realocar esse dinheiro. No fim, não sobra nada além de serviços públicos precários e um total abandono – quando muito, um dinheiro que termina no bolso de grandes empresários que se aproveitam de um Estado centralizador para exercer seus poderes econômicos, criar barreiras para a concorrência e lobbies dos mais diversos tipos. Como dizia o economista austríaco Ludwig von Mises: “os ricos, que já estejam na posse de suas riquezas, não têm qualquer razão especial para desejar a preservação de um sistema de livre competição, aberto a todos; particularmente, se não ganharam, eles próprios, sua fortuna, mas a herdaram, têm mais a ter medo do que a esperar da concorrência. De fato, demonstram interesse especial no intervencionismo, que tem sempre a tendência de preservar a existente divisão das riquezas entre os que a possuem. Mas não podem esperar por qualquer tratamento especial do liberalismo, um sistema que não dá qualquer atenção a reivindicações de tradições consagradas pelo tempo, propostas por interesses investidos de riqueza estabelecida.”
“Uma coisa é dizer aos ricos que eles devem cuidar dos pobres”, escreveu John Stuart Mill, “outra coisa é dizer aos pobres que os ricos devem cuidar deles”. O senso de responsabilidade dos ricos para com os pobres não pode substituir o senso de responsabilidade que os pobres devem ter para com eles próprios.
Não se deve confundir responsabilidade com culpa. Montesquieu dizia que um povo “empobrecido pela dureza do governo” se tornava “incapaz de grandes atos porque sua pobreza fazia parte da sua escravidão”. O pobre não pode responder pela sua própria vida e a de sua família sem antes ter a propriedade sobre a caneta e a folha de respostas.
A legislação brasileira não dá ao pobre a propriedade sobre sua própria casa, a burocracia o impossibilita de se tornar seu próprio patrão, a legislação trabalhista joga sua força de trabalho para o escanteio da informalidade e o sistema tributário faz com que ele tenha que pagar preços escandinavos em produtos de péssima qualidade.
“Entre as coisas a serem feitas”, também dizia Mill, “a mais óbvia é remover todas as restrições e todos os obstáculos artificiais que os sistemas legal e fiscal lançam sobre as tentativas das classes trabalhadoras de melhorar sua própria condição”.
Essas coisas começavam a ser feitas quando Mill escrevia na Inglaterra do século XIX. Duzentos anos depois do início do século de Mill, escreve Deirdre McCloskey em A Dignidade da Burguesia:
O mundo sustenta uma população mais de seis vezes e meia maior. E contra a expectativa malthusiana pessimista de que o crescimento populacional seria um problema, o cidadão médio hoje ganha e consome quase dez vezes mais bens e serviços do que o fazia em 1800. O salário real por pessoa no mundo está dobrando a cada geração, e essa tendência está acelerando. A fome mundial nunca esteve com taxas tão baixas, e continua caindo. A alfabetização e a expectativa de vida nunca estiveram tão altas, e continuam subindo. A liberdade está avançando. A escravidão está recuando e, em particular, a escravidão das mulheres. Nos países mais ricos, como a Noruega, o cidadão médio ganha 45 vezes mais do que ganhava em 1800, estupendos U$137 ao dia. O meio ambiente — uma preocupação de uma burguesia bem de vida — está melhorando nesses países ricos.
Na contramão do real auxílio às classes menos favorecidas socioeconomicamente, os socialistas cumprem hoje com o Marxismo econômico, que é aquele “Programa Mínimo” do “Manifesto Econômico” de 1848, redigido por Marx e Engels. Constavam dez pontos que convém lembrar: 1. a “reforma agrária”, 2. o imposto progressivo aos ingressos, 3. o imposto às heranças, 4. a estatização das grandes empresas e companhias estrangeiras, 5. o Banco Central com seu monopólio de emissão, 6. transportes do Estado, 7. empresas de propriedade estatal e indústrias e comércios sob o controle do governo, 8. leis salariais e sindicais, 9. imposto aos lucros extraordinários, 10. educação pública socializada.
Assim suprimiram há muito tempo o “laissez faire” e, em troca, impuseram uma ditadura estatal à economia, embora só até certo ponto: o ponto no qual já não podem mais “avançar” sem cair na tragédia dos grandes desastres econômicos causados pelos atuais Governos de “esquerda”. Ir além seria exterminar 100% da produção, que quase passa nos anos 70 com o “cepalismo” [1], e por isso retrocederam nos anos 90: privatizaram segundo o Consenso de Washington (CdeW), cedendo nos pontos 4 e 7 do Manifesto. Dois passos atrás, para depois ir três adiante, disse Lenin.
As esquerdas enfrentam o dilema do parasita: têm de comer, então alguém tem de produzir. Assim que ao menos “no momento”, como disse Chávez, os socialistas pactuaram com os mercantilistas, velhos e novos, respeitando seus privilégios, em troca de seguir produzindo sob as condições por eles ditadas, que comem dos altos impostos que eles e a classe média pagam. E para isso, o CdeW serve.
No Brasil a ideologia intervencionista só cresce, fruto de um socialismo tardio, pois o fracasso desse sistema político como forma de distribuição de riqueza está mais do que comprovado. As esquerdas argumentam que o capitalismo, e mais recentemente o “neoliberalismo” adotado no governo FHC, levaram à elevada concentração da renda e da riqueza. Ora o Brasil nunca adotou o regime democrático de livre mercado capitalista, e somente as privatizações do governo FHC não são suficientes para caracterizá-lo como liberal. Continuamos no sistema mercantilista da colonização portuguesa, com o velho Estado patrimonialista e cartorial de sempre, onde o desenfreado empreguismo com nepotismo levaram este país a ter uma das mais altas cargas tributárias do mundo, concentrada numa  minoria da sociedade, que se destina a satisfazer os ganhos exorbitantes e as gordas aposentadorias da alta burocracia, e nada beneficia os cidadãos contribuintes ou não. Estes, por não terem, em sua maioria, acesso ao ensino básico, nem ao saneamento, nem à saúde pública, não se podem habilitar a bons empregos, com remuneração condigna, e se mantêm na condição de “excluídos” da economia monetária, na pobreza ou mesmo na miséria. A implantação do socialismo não vai alterar essas causas. Vai mantê-las, distribuindo a pouca riqueza entre os militantes dos partidos socialistas então aboletados nos cargos públicos. As massas pobres continuarão iludidas por promessas vazias e seus integrantes se manterão como “proletários”.

O que foi de verdade a nossa Monarquia? Ou: a República deu mesmo certo?(RAFAEL HOLLANDA)

brasil_07Completaram-se 126 anos do golpe militar dado por setores positivistas das Forças Armadas que, contrariamente à vontade popular, instaurou a forma de governo republicana no nosso país, transformando a única democracia que existia na América do Sul em um estado policial onde os primeiros atos do novo governo foram:
1 – dissolver todos os partidos políticos existentes no país;
2 – colocar em um navio a família imperial e proibí-la em caráter vitalício de voltar à sua terra natal;
3 – fechar a Assembleia Geral, a Suprema Corte de Justiça e substituir suas funções por comitês das Forças Armadas e pelo ministério recém-nomeado;
4 – reprimir qualquer manifestação a favor da família real;
5 – ameaçar com prisão os donos dos jornais que se posicionassem contrários ao movimento.
A falta de noção, de compreensão dos valores nacionais do Brasil e de patriotismo imperavam na cabeça dos oficiais das armas que proclamaram a República naquele tempo. Deodoro da Fonseca chefiou o movimento por conta de uma razão passional, visto que ele perdeu para o então Senador gaúcho, Silveira Martins, o coração da Baronesa de Triunfo, uma bela fazendeira da região, enquanto era Presidente da Província do Rio Grande do Sul. Silveira Martins seria o escolhido naquela primavera de 1889 por D.Pedro II para suceder o Visconde de Ouro Preto no cargo de Primeiro-Ministro, o que enfureceu Deodoro e o fez juntar todas as suas forças, mesmo doente, para chefiar o movimento. Podemos dizer, em outras palavras, que um “rabo de saia” foi a principal motivação para que a República fosse proclamada no Brasil.
Se, como disse Aristides Lobo, “ os brasileiros não compreenderam e assistiram bestializados À Proclamação da República, pensando que era uma parada militar”, mal compreenderiam a ideologia por trás do movimento republicano, baseado em uma estranhíssima filosofia que misturava traços de ciência política com racionalismo científico e teologia: o Positivismo.
Conhecida como “ Religião da Humanidade”, pelo seu lema “o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”  e querida nas nossas forças armadas da época por justamente defender a instauração de um governo forte e centralizador para a consolidação do seu projeto, o seu fundador, Auguste Comte, era figurinha marcada nos círculos intelectuais europeus por conta da sua personalidade esquisita. Comte, assim como Deodoro, tinha a sua musa inspiradora: Clotilde de Vaux.
Nos escritos positivistas, Clotilde é colocada como a “Mãe Espiritual da Religião da Humanidade”, e o próprio Comte admitia que Clotilde era a sua principal motivação para a fundação do Positivismo e para propagar as suas ideias pelo mundo.
Com diretrizes confusas, prolixas e completamente utópicas, essa filosofia foi a escolhida para representar os anseios de um povo que, até hoje, pouquíssimo ouviu falar sobre ela e o que ela exatamente defende. O encantamento com essa utopia nas Forças Armadas era tamanho que  uma abreviação do seu lema foi colocada na bandeira republicana do Brasil: “Ordem e Progresso”, retirando a esfera armilar, a cruz e os ramos de açúcar e tabaco, que de fato representavam o Brasil e tinham um profundo significado para o seu povo. Alarmados e ao mesmo tempo achando a situação tremendamente caricata, integrantes da embaixada francesa enviaram um telegrama ao Itamaraty perguntando se os republicanos haviam declarado o Positivismo como a religião oficial do País. Ninguém entendia direito o que se passava naquela semana de Novembro de 1889.
Cabe ressaltar também que a bandeira republicana era tremendamente impopular. A grande maioria dos brasileiros achou a nova bandeira feia e sem significado exato. Alguns pensavam que o Brasil havia colocado o mundo na sua bandeira e a maioria não entendeu o lema. A bandeira só atingiu aceitação popular na Semana da Pátria de 1922, quando o povo finalmente se acostumou com ela.
Falando agora dos dados estruturais mais importantes, ao final as senhoras e os senhores poderão responder com clareza a pergunta que corresponde ao título deste artigo.
O Brasil, no Século XIX, era um dos Países mais respeitados do mundo. Tinha uma diplomacia vibrante, usada para fins nacionais e não para fins políticos. O Brasil, recém-fundado, acompanhou com cautela as disputas sangrentas entre os republicanos latino-americanos e, como manda a boa tradição conservadora, manteve prudência e continuou com a Monarquia como forma de governo, sempre buscando aprimorar suas instituições ao invés de destruí-las por interesses políticos como fizeram os nossos vizinhos.
Outro mito que é necessário desconstruir é o da questão da escravatura. Na semana do Plebiscito de 1993, o ator Milton Gonçalves, apoiador da República, foi à televisão dizer que a volta da Monarquia representaria a volta da Escravidão. Nada mais falso. A Família Imperial esteve na vanguarda na luta contra os escravocratas. D.Pedro I escreveu repetidos artigos na imprensa contra a escravidão, a Família Imperial alforriou todos os seus escravos, D.Pedro II usava o seu vencimento para comprar a libertação de escravos, além de ter enviado muitos escravos libertos para estudar no exterior e, finalmente, a Princesa Isabel sancionou a Lei Áurea, símbolo máximo da igualdade de todos perante as leis e talvez o mais importante documento que versa sobre Direitos Humanos no País.
Enquanto isso, o Partido Republicano, que teve seus direitos amplamente assegurados durante todo o Segundo Reinado, era, em caráter majoritário, favorável à escravidão e a achava um meio interessante para impulsionar a economia.
Um partido nanico, o PR ficou famoso apenas em 1888, logo após a assinatura da Lei Áurea, quando os Senhores de Engenho, revoltados com a libertação dos escravos e por perder a sua mão de obra gratuita, fizeram um gigantesco lobby de financiamento ao Partido e a clubes republicanos e buscaram influenciar a Maçonaria, o que foi fundamental, sem dúvida, na ajuda para depor o regime que libertou os escravos do Brasil. O mais irônico de tudo é que no pouco conhecido Hino da Proclamação da República, composto pelo maestro Leopoldo Miguez,  existe um verso: “nós nem cremos que escravos outrora tenham havido em tão nobre País; hoje o rubro lampejo da aurora, acha irmãos não tiranos hostis” – o que dá a impressão de que os Republicanos foram os responsáveis por libertar os escravos e que instauraram, de imediato, uma república que livrou o Brasil de uma ditadura sanguinária. Mais falso do que isso apenas uma nota de três reais.
Vale a pena trazer à tona, a desconhecida carta da Princesa Isabel ao Visconde de Santa Victória, que tratava de um projeto conjunto do Governo de Sua Majestade com o banco do Visconde para indenizar todos os antigos escravos, fato que não ocorreu por conta da proclamação da República. A carta pode ser encontrada aqui.
Outro ponto de suma importância a se tocar é o da economia. Gerida por economistas identificados com as ideias liberais, a economia do Brasil era uma das mais estáveis do mundo. O País, mesmo no período da guerra do Paraguai, não enfrentou nenhuma recessão na sua economia que tinha, naquela época, o mesmo tamanho da dos Estados Unidos. O Brasil era um exemplo de responsabilidade fiscal, tendo o Imperador D.Pedro II doado títulos da dívida brasileira. Se o Brasil tivesse mantido um crescimento vegetativo daquela época até hoje, seríamos já na segunda metade do século XX, um país de renda alta e com um elevado padrão de vida.
A inflação durante os 67 anos de Monarquia foi, em média, de 1,58% ao ano. O Brasil teve apenas 1 moeda, o Real, e o salário mínimo equivalia a 22 gramas de ouro. Os monarquistas sabiam que uma moeda é parte da historia de um país e um dos símbolos da sua identidade e, por conta disso, deve ser preservada e gerida com prudência e dinamismo, o que já não ocorreu na República.
Em 126 anos, o Brasil teve 9 moedas, algumas que não duraram nem 1 ano de existência, quebrou 4 vezes, e registrou a cifra assustadora de 1.400.000.000.000% de inflação acumulada. A burocracia atingiu níveis estratosféricos, produzir se tornou um fardo, e o Brasil tem hoje a maior carga tributaria do hemisfério sul e o pior retorno de impostos do mundo. Obviamente que o sistema não era perfeito, mas funcionava perfeitamente bem dentro da medida do possível e, com toda a certeza, teria sido aperfeiçoado caso o Império fosse mantido até os dias de hoje.
Outro fator que diferenciava o Brasil dos seus vizinhos era a estabilidade política e o respeito pela democracia. O Brasil teve, durante os 67 anos de Império, dois Imperadores e 33 Primeiros-Ministros, sempre com alternância de poder entre os Partidos Liberal e Conservador. O Parlamento nunca foi fechado e funcionava a pleno vapor, com os parlamentares trabalhando de segunda a sexta e não, como é hoje na república, apenas de terça a quinta.
O calendário eleitoral era rigorosamente cumprido e o país nunca teve eleições adiadas ou antecipadas por conta de uma crise.
D.Pedro II apenas perdia para a Rainha Victoria em tempo de reinado. Enquanto isso, as Repúblicas recém-independentes que nos cercavam já tinham tido dezenas de Presidentes, Diretores-Supremos, Juntas Militares e Guerras Civis. Os parlamentos já haviam sido abertos e fechados diversas vezes, golpes de estado eram frequentes e os cofres estavam sempre vazios. O Império Brasileiro era tão democrático, estável e respeitoso para com os seus cidadãos que o Presidente da Venezuela em 1889, Rojas Paul, ao saber do Golpe de 1889, disse: “foi-se a única República do Hemisfério Sul.”
D.Pedro II nunca aumentou o seu salário, do qual usava parte, como já dissemos, para libertar escravos e financiar estudos de brasileiros no exterior. Fez apenas duas viagens ao ultramar e bancadas do seu próprio bolso, onde ficou na casa de amigos ou de hóspede em hotéis modestos, pois o respeito ao dinheiro do pagador de impostos era, como dizia o Imperador, fundamental. Em sua comitiva, ele levava somente a Imperatriz Consorte, três assessores e uma Dama de Companhia.  Comparem isso com a comitiva suntuosa da Presidente Dilma em Roma que, no dia da investidura do Papa Francisco, ficou no hotel mais caro com o nosso dinheiro, gastando uma cifra absurda superior a R$ 200 mil.
Um ponto em que o Brasil podia se orgulhar era no que dizia respeito ao prestígio que o governo dava à ciência e à discussão de ideias. O Brasil foi o primeiro país do mundo a ter um telefone graças à amizade de D.Pedro II com Graham Bell; foi o segundo País a usar um selo postal. D.Pedro e José Bonifácio abriram centenas de Escolas Imperiais onde os alunos aprendiam música clássica, latim, francês, inglês e religião com professores que D.Pedro II trazia do estrangeiro, além do fato de que os alunos tinham de fazer, para passar de ano, uma prova oral para treinar sua capacidade de argumentação. D.Pedro II, inúmeras vezes, era o professor que arguia os alunos nestas provas orais. Os alunos mais premiados iam para o exterior estudar.
A Imprensa do Brasil era, seguramente, a mais livre do mundo. Observadores do Reino Unido e da França ficavam impressionados com o nível de liberdade de que os jornais gozavam no Brasil. Um enviado da Inglaterra uma vez comentou que se um jornal britânico tratasse a Rainha da mesma forma por que tratavam o Imperador D.Pedro II, seriam fechados imediatamente e seus donos responderiam por traição. Algo que jamais acontecia no Brasil, onde D.Pedro II, uma vez indagado sobre essa questão de deixar os jornais falarem o que bem entendessem e no teor que entendessem sobre ele, respondeu ao jornalista: “veja meu filho, imprensa é algo muito sério, é o pilar da democracia, e ela não deve ser combatida com ações estatais, deve ser combatida com mais imprensa.”
O Brasil foi o primeiro país da América do Sul a ter jornais e revistas de diferentes correntes politicas competindo entre si harmoniosamente e sem censura estatal. Existe uma história, também pouco conhecida, dando conta de que o dono de um jornal republicano, sem dinheiro para continuar a produção e para fazer um empréstimo em um banco, marcou uma audiência com o Imperador para pedir-lhe dinheiro. D.Pedro o recebeu, ouviu a historia e no final assinou um cheque dizendo: “tome isto e continue a publicar as suas ideias”.
Outro ponto importante a ser ressaltado era que as liberdades civis eram profundamente respeitadas: o Brasil, mesmo tendo a Religião Católica como oficial, assegurava constitucionalmente o direito de cada grupo religioso realizar seu culto, seja lá ele qual fosse. A monarquia gozava de alta popularidade entre os setores judaicos e entre os religiosos de matriz africana. Naquela época isto era uma inovação, visto que eram poucos os países no mundo que admitiam liberdade de culto.
O projeto nacional que a Monarquia traçou para o Brasil era até mesmo superior ao projeto que os pais fundadores traçaram para os Estados Unidos. José Bonifácio, o pai da nossa independência, escreveu um plano para o Imperador D.Pedro I que era da seguinte maneira: o Brasil seria uma Monarquia Constitucional Parlamentar, com um Poder Moderador exercido pelo Imperador para servir de freio e contrapeso aos outros 3 poderes, teria a mais plena liberdade econômica, religiosa e de imprensa e seria totalmente livre da escravidão assim que ficasse independente. Tal projeto só não foi aplicado em sua plenitude por conta dos Senhores de Engenho que, como classe produtiva do País, ameaçavam constantemente parar de produzir caso algo ameaçasse a eles e ao seu sistema escravista. Quando finalmente o Governo de Sua Majestade interferiu para libertar os escravos, em 1888, a elite se uniu às Forças Armadas e derrubou o Império.
A Constituição de 1824, inspirada pela Constituição Francesa de 1814, trazia a inovadora figura do Poder Moderador, a partir da qual o Imperador, acima de qualquer querela partidária, interesses financeiros ou parlamentares, servia como um agente neutro de equilíbrio entre os poderes. Era função do Imperador nomear, por exemplo, os Ministros da Suprema Corte e sancionar ou vetar a indicação do Primeiro-Ministro.
Como nós vimos, a República faz-de-conta, imbuída de uma crença que o povo pouco conhecia e financiada pelo que havia de pior na época do Brasil, destruiu um país que tinha um presente em progresso e um futuro promissor, destruiu o 14º maior império do mundo e a única democracia no hemisfério sul, em favor de um regime que nos deu 6 constituições, 3 ditaduras, 9 moedas. Éramos reconhecidos no mundo inteiro pela nossa Cristandade, o apego que o nosso governo tinha pela ciência, pela nossa estabilidade e pela sabedoria do nosso Imperador; hoje somos reconhecidos internacionalmente por dois fatores montados artificialmente pelo governo Vargas: o futebol e o carnaval ( ler o livro de Leandro Narloch, Guia politicamente incorreto da historia do Brasil).
A República pariu o populismo, pariu Getúlio Vargas e o seu fascismo, os regimes socialistas de João Goulart, Lula e Dilma, os generais de 1964, os “coronéis nordestinos” e tantos outros que marcam a nossa história como um exemplo de autoritarismo e uso do poder público para fins pessoais ou partidários.
O escritor Gustavo Nogy, nos brindou no dia de hoje com esse texto, na sua magistral e elegante prosa:
“Quando Dom Pedro II foi melancolicamente deposto e a república proclamada, o que se viu não foi apenas, ou principalmente, a troca de um sistema de governo por outro. Sistemas e regimes vêm e vão ao sabor das intempéries políticas, isso nunca foi propriamente novidade. Alguma coisa mais importante se perdeu.
O que se seguiu ao fim da monarquia foi uma sucessão de golpes e contragolpes, de revoluções e reacionarismos, da ascensão vertiginosa de oportunistas famintos de poder e, a depender das necessidades, de sangue, suor e lágrimas. A Constituição de 88, muito naturalmente, culminou no irônico coroamento dessa história fraturada: teríamos então um diploma para registrar todas as virtudes que já não conhecíamos.
Mas sobretudo: o fim da monarquia representa uma cisão histórico-cultural com o que somos originariamente. Desde então estamos à procura do que não sabemos ser. Se o brasileiro cotidiano um dia encontrasse na rua outro brasileiro – autêntico, meticuloso, indesculpável brasileiro –, não seria capaz de reconhecê-lo e passaria adiante, “vagaroso, de mãos pensas”.
O irresolúvel problema da identidade brasileira começa precisamente quando rompemos com Portugal – sua literatura, sua história, seus clamorosos erros – e nos reinventamos, ex nihilo, como selvagens inclassificáveis, monstrengos civilizacionais, novidades irreconhecíveis sob a harmonia carnavalesca das esferas.”
Tendo mostrado às senhoras e aos senhores tudo isto, façam-se a seguinte pergunta: a República deu mesmo certo?

Aplicando à França o que é imposto a Israel (EZEQUIEL EIBEN)

Se aplicarmos lei igual, deve-se tratar a França agora como os franceses e europeus tratam Israel. Isto seria:

1. Toda esta semana nos fazermos de idiotas com os atentados. Que não saia (a notícia) em nenhum jornal.
2. Quando a França responder, aí começaremos a falar. Mas a falar mal da França, não do ISIS.
3. Organizamos uma marcha contra a embaixada francesa pela desproporcionalidade em sua resposta. Cartazes com legendas “França imperialista”“Fora franceses da França”, são de uso obrigatório.
4. Exortamos Hollande a que se sente na mesa de negociações com o ISIS imediatamente para ouvir seus pedidos.
5. Apoiamos o Conselho de Direitos Humanos da ONU em sua reunião de urgência após a condenável reação francesa, quando sancionar o país europeu por não se medir.
6. Repetimos nos jornais e televisão uma história fraudulenta de que os muçulmanos viviam na França antes dos franceses.
7. Exigimos ao Estado francês que mude sua bandeira, hino e demais simbologias nacionais porque não são representativas de todas as culturas que há na França e ofende os muçulmanos.
8. Faremos documentais financiados pelo resto da Europa e Arábia Saudita sobre a pobre vida que os jovens magrebes vivem na França, e os trataremos como “vítimas do sistema”.
9. Exigimos que a França seja repartida em duas: uma parte vai para os muçulmanos. “Dois Estados para dois povos”, como agrada aos europeus pró-palestinos.
10. Paris deve ser divida em Paris ocidental em Paris oriental, esta última exclusiva para muçulmanos, e a primeira de matiz cosmopolita.
11. Todo francês que viver no novo Estado, Al-França Jihadistão, deve ser assinalado como um colono invasor e transferido, até pelo próprio exército francês. Os produtos franceses neste lado devem ser etiquetados para que as pessoas saibam que estão consumindo imperialismo.
12. Todo muçulmano que queira viver na França ocidental poderá fazê-lo em igualdade de condições.
13. Denunciaremos a França como um regime apartheid, por estabelecer precauções de segurança para evitar futuros atentados provenientes da Al-França Jihadistão.
14. Exigiremos da França a abertura total de fronteiras para o livre trânsito de muçulmanos. Exigiremos que não haja postos de controle nas fronteiras.
15. Condenaremos o governo francês se ele decidir demolir as casas dos terroristas.
16. Pediremos boicote, desinvestimentos e sanções contra a França se os franceses construírem casas do lado muçulmano. Os muçulmanos podem construir do lado francês sem problema.
Creio que, com isto, a França vai ser julgada corretamente, com o mesmo padrão que usam para Israel, não? Se lhes ocorrer outras, acrescentem. Não podemos permitir que a França se mova um centímetro do caminho, embora alegue auto-defesa.