terça-feira, 1 de setembro de 2015

Lula e o Sermão da Montanha ( ÂNGELO MONTEIRO)

O ex-presidente nos provoca inesperadas reflexões como a das palavras se converterem em altissonantes moedas, em questão de minutos, que valem antes pelo que nos custam que pelo valor daquele que as recebe.

É no mínimo estapafúrdio que alguém que, em momento algum, conseguiu sequer abrir um livro, nem que fosse apenas para fechá-lo, por enfado ou preguiça, tenha se tornado num dos mais caros palestrantes do país e merecedor, inclusive, de número maior de títulos de doutor honoris causa do que um Gilberto Freyre, por exemplo, aqui como no exterior; um personagem que, estando mais para Faustão do que para o Padre Vieira, vem atraindo aplausos de diferentes e distintas plateias que abrangem de sindicalistas a professores de célebres universidades. Como se pode chegar perto de quem sabe hipnotizar tanta gente, mesmo dispondo de pauta tão reduzida de assuntos, transmitida sempre numa voz rascante e engrolada, em meio a intermináveis erros de pronúncia e sintaxe a cada pronunciamento?
E assim o nosso ex-presidente Lula se nos apresenta o protótipo dos mágicos, porque de sua cartola sai principalmente aquilo que não existe, ou seja, qualquer tipo de utilidade ou de saber, por nunca lhe faltarem incríveis oportunidades de demonstrar seus dons como, recentemente, numa palestra de vinte nove minutos especialmente endereçada a operários, em que teve cada uma de suas palavras medida e custeada, por minuto, ao preço de treze mil reais. Mas justamente por ser um perfeito mágico é que o ex-presidente nos provoca inesperadas reflexões como a das palavras se converterem em altissonantes moedas, em questão de minutos, que valem antes pelo que nos custam que pelo valor daquele que as recebe.

O ex-presidente encontra, dessa forma, mesmo desconhecendo o marxismo que professa, um modo de nos dizer — tanto ou mais que a linguagem do capitalismo — que as coisas não têm outro destino senão o capital; porque embora não se acredite naquilo que se está dizendo, jamais há de faltar quem meça a realidade do mundo unicamente por tal dimensão. Pois nessa imensa desproporção entre o que prega e o que faz, — e entendendo mais o peso da moeda que o da palavra — a quem, finalmente, se dirige o ex-presidente Lula? Entre as prédicas até hoje ouvidas no mundo, e levando em conta a paga por minuto, quanto vale um sermão de John Donne ou de Vieira; e, para não tirar Jesus Cristo da jogada, quanto vale ainda o Sermão da Montanha?

Esquerda: não deu certo… mas agora vai! (Flavio Morgenstern)


simpsonNo famoso episódio d’Os Simpsons em que a família vem ao Brasil pela primeira vez (aquele que fez o Secretário do Turismo da cidade do Rio de Janeiro resolver ameaçar a Fox porque o desenho satirizava o Brasil naquele episódio, enquanto satiriza alegremente a própria sociedade americana em todos os outros), antes de toda a barafunda que envolve o Brasil, Homer Simpson tenta conseguir sinal gratuito de TV a cabo mexendo nos fios elétricos de um poste.Homer, profeticamente, começa tentando ligar o cabo no plug vermelho. E toma um choque. Tenta então no verde. Toma outro choque. E inicia individualmente o percurso social iniciado no século XX: “Vamos tentar o vermelho de novo!!” Desnecessário dizer que é seguido por um novo choque. Então tenta ligar o vermelho e o verde ao mesmo tempo. E lá se vai mais um choque.Esta experiência, que deixaria B. F. Skinner e seu behaviorismo de cabelos em pé (aquela teoria psicológica de dar choques em ratinhos no labirinto para ensiná-los um comportamento na base dos reforçamentos positivo e negativo), é exatamente o que fez a humanidade no “curto século dos extremos”, no dizer do stalinista Eric Hobsbawm.O mundo ocidental conheceu o socialismo pelas experiências fracassadas de Robert Owen, de Saint-Simon (de quem Auguste Comte, tão influente nas Forças Armadas brasileiras, foi secretário), da utopia natureba de Rousseau.Era apenas uma bizarra e malfadada prática de aplicação de poder em pequena escala – algo como uma São Tomé das Letras que queria ser o Vale do Silício.Vamos testar o vermelho?Quem surge para criar uma vasta teoria para propor o socialismo, crendo ser o capitalismo um jogo de soma-zero, é Karl Marx, cujo primeiro grande aplicador foi Lenin, na Revolução Russa. Um evento de tamanho porte estremeceu não a Rússia, mas o mundo (já sacudido em seus pilares pela sanguinolenta Revolução Francesa).O resultado é conhecido, ou ao menos foi conhecido no Ocidente a partir da queda do Muro de Berlim, 80 anos depois: o Gulag, os expurgos, os fuzilamentos, famílias destruídas, reeducação “cidadã” que chegou a dar choques em bebês, imprensa oficial censora e mentirosa, miséria, fome, mais de 100 milhões de mortes em menos de 80 anos. Em suma, a pior forma de totalitarismo até então inventada. E algo que faz os nazistas parecerem a seleção Dentinho de Leite dos genocidas.Entretanto, toda vez que a esquerda precisa apresentar seu apelo perante aqueles de quem precisa de voto, dizendo-se defensora (os primeiros que serão futuramente por ela oprimidos), esta esquerda é a primeira a pintar a história com as cores do revisionismo. “Aquilo não foi socialismo”, talvez tenha sido até mesmo capitalismo (!), Stalin era de direita, o verdadeiro socialismo é uma maravilha e ainda está por vir.Vamos agora testar o vermelho.Claramente, este é o discurso feito para uma plateia avessa ao totalitarismo genocida. Entre os seus, quando não é preciso convencer seres humanos “de fora”, a esquerda inverte a jogada, e defende as supostas “maravilhas” do socialismo (como a superstição de que Cuba tem altíssimos índices educacionais e de saúde, embora os Mais Médicos, no Brasil, tenham acabado com a fábula da “medicina cubana que cura até câncer”), afirma que é preciso uma revolução bolivariana, que Stalin não foi tão ruim assim, ou menospreza e fala em tom de deboche (ou de perigo) que haja algo como “uma tendência anti-comunista” no Brasil – ridicularizando-se a “paranoia” e o “discurso de ódio” de “Rottweillers” que criticam o socialismo, ou veem algo de socialismo no PT pregando socialismo ou financiando ditaduras socialistas.Este duplipensar (no linguajar de Orwell, um dos primeiros a estudar a linguagem totalitária da esquerda – e ele próprio um socialista), que poderíamos chamar de “dialético”, é a raiz do caótico abismo entre discurso e realidade política e factual, hoje.Já é esboçado no próprio termo fantasioso de Marx, o “socialismo científico”, por nada ter de científico, ser a maior das “ideologias” que tanto critica, e que justamente o “socialismo utópico” anterior a ele ser uma aplicação, enquanto o seu é uma teoria assassina que, sempre que sai do hagiográfico e virginal reino das ideias, transforma-se misteriosamente em catástrofe.Vamos testar o vermelho.Mas é ainda piorado pela retórica propagandística do socialismo. Afinal, o chamado “socialismo científico” acabou sendo bem pouco científico na prática.Assim, se não deu certo e gerou a ditadura de Lenin e Stalin, foi porque foi “traído”. Ou não era o verdadeiro socialismo – o verdadeiro socialismo ainda estava por vir.Vamos testar o vermelho de novo.Mas tivemos a experiência também na China… e o saldo de mortes passou de cerca de 30 milhões para mais de 60 milhões. Então, novamente, o socialismo científico, aquela teoria que, sem falhas, explica e propõe uma sociedade justa e perfeita, foi misteriosamente traída mais uma vez.Qual plug nos resta? Vamos testar novamente o vermelho.E então a teoria foi surrupiada e traída – logo a teoria perfeita, aquela que nos livraria do odioso capitalismo, este sistema tão ruim que nos serve, produz para as massas, enriquece os pobres e em que o cliente tem sempre razão – novamente na Iugoslávia. E na Polônia. E na Romênia. E em Cuba. E na Coréia do Norte. E no Azerbaijão. E no Camboja. E na Alemanha Oriental. E no Paquistão. E em Zimbábue. E no Laos. E em Uganda. E na Ucrânia. E na Venezuela. E na Tchecoslováquia.Sempre traída, a pobre teoria perfeita, tão perfeitamente excelente na virgindade de contato com a realidade.Restou, ao menos, o ódio contra o que dá certo – e a riqueza do capitalismo (ignorando-se que ela não surge por exploração, e sim porque estes ricos de agora eram pobres antes do capitalismo). Não é por coincidência que todo o argumento da esquerda brasileira, por exemplo, tenha se resumido a chamar o interlocutor de “coxinha”.Vamos testar o vermelho mais uma vez!Aliado a tal repetição de um discurso pronto e da negação da realidade mais inescapável, resta sempre o expediente de classificar que qualquer forma de esquerda no poder, por ser ruim, se tornou “de direita”, ou não-esquerda.Assim, o nacional-socialismo passa a ser considerado “extrema-direita” (e o apelido pegou, como se algum nazista alguma vez tivesse se auto-declarado direitista), a União Soviética passa a ser chamada “capitalista de Estado” (como se isso significasse alguma coisa), nenhuma esquerda é verdadeiramente de esquerda, o PT é de direita e por aí vai.A característica que une todas as esquerdas que deram certo é serem inexistentes.É claro que, entre os esquerdistas, continua o horror a quem tenha uma “retórica reacionária” que não goste de comunistas, mas nunca isto é defendido em público.Mesmo assim, vamos testar o vermelho dessa vez?No Brasil, o discurso pronto pode ser resumido em meia dúzia de chistes que formam esquerdistas profissionais saindo de fábrica em linhas de produção fordistas.A miséria cubana é culpa do embargo americano, mesmo que isto seja, ehrr, admitir que o livre mercado enriquece os pobres.A Rede Globo é “golpista”, mesmo que chegue ao disparate de cobrir as imensas janelas de seu prédio em São Paulo, que dá para a ponte Estaiada, onde se realizava um protesto com o boneco “Lula Inflado” na ponte, apenas para (wait for itum telejornal esconder uma notícia na janela dos âncoras, pela primeira vez na história deste país desde que ele virou a Coréia do Norte.E a educação brasileira, dominada de cima abaixo por Paulo Freire e pelo socio-construtivismo, que nos legou os últimos lugares nos testes internacionais aos quais nossos alunos são submetidos, é considerada “muito pouco de esquerda”, e cada nova reforma educacional propõe… estudar Paulo Freire, porque dessa vez vai. Vamos testar o vermelho agora?O expediente é sempre afirmar que nossa educação é ruim porque não é de esquerda o suficiente. De novo. E de novo. Afinal, ninguém ainda conhece Paulo Freire no Brasil, mesmo que toda discussão sobre educação seja citando Paulo Freire de cima abaixo. Afirma-se até que a educação é… direitista, como se na escola aprendêssemos que o Partido Republicano americano soube acabar guerras geradas pela esquerda (fato), que acabou com a escravidão (fato), que a esquerda começou com o terrorismo antes de a ditadura militar se instaurar (fato), que o socialismo matou ainda mais do que o nazismo (fato), que Auschwitz foi baseado no Gulag (fato) etc etc.Isto se dá porque a retórica da esquerda é se fazer de vítima. E quanto mais a esquerda ganha poder (tanto poder estatal quanto poder cultural), mais pode se fazer de vítima, e afirmar que está sendo dominada por uma misteriosa direita inexistente.Quanto mais nossa educação é paulofreireana, mais sentimos falta de uma “educação cidadã” que algum dia virá e nos tornará uma potência.Quanto mais o PT está no poder, nas estatais, no jornalismo, na educação, dominando as notícias (e sua manipulação), mais se faz um discurso de vitimismo em que todo o país é “golpista”. Quanto mais esquerdistas na Rede Globo, fabricando polêmicas e nos legando deputados de extrema-esquerda e atores que fazem propaganda do PT, mais se afirma que a Rede Globo é tucana e defende a ditadura.Quanto mais as faculdades de Humanas só produzem politicagem, micareta psolista e alunos ricaços votando na extrema-esquerda, mais se considera que as salas “reproduzem as desigualdades da sociedade”, que a educação é ruim porque não é de esquerda, que os pobres não se identificam com a Universidade (no que, por um lapsus linguæ, estão até corretos).Por que é justamente este o canto das sereias da esquerda: de que são coitadinhos, e quanto mais poder tiverem, mais poderão dizer que são os vencidos, os oprimidos, o futuro glorioso que ainda não veio.Mas vamos desta vez apertar o vermelho? Vai que agora finalmente fiquemos inteligentes e competiremos com Japão, Coréia do Sul (que era tão pobre quanto o Haiti antes de se tornar uma potência liberal), a Alemanha, o Canadá, a Austrália e, claro, a América com suas trocentas Universidades de ponta e prêmios Nobel?Claro, nos primeiros lugares em qualquer ranking internacional de educação, apenas países que, por mera coincidência, são também os primeiros lugares nosrankings de liberdade econômica (ou seja, mais capitalistas, menos estatais) – incluindo aqueles do “Estado de Bem Estar Social” da Escandinávia – que são incrivelmente mais capitalistas do que o Brasil do “neoliberalismo”.Mas, só por desencargo de consciência, vamos apertar o vermelho agora? Vai que dessa vez funciona.

PAIS, PROTEJAM SEUS FILHOS DESSES PROFESSORES CANALHAS. OU:" Educação sexual: agenda progressista insiste em “conscientizar” crianças"(rc)

Você, caro leitor, está tranquilo quanto aos valores morais que tenta transmitir aos seus filhos, inclusive sobre o que diz respeito ao sexo? Então pense novamente. Você pode achar que está educando seus filhos com seus valores, que isso é um direito básico e inalienável das famílias, dos pais, e que na escola os professores apenas ensinam conteúdo objetivo sobre a biologia do sexo, mas está muito enganado.
Esses “professores” querem tomar o seu lugar, e se julgam no direito de enfiar na cabeça dos jovens alunos sua visão estreita de mundo, que consideram a única aceitável, mais “aberta”, “tolerante” e “moderninha”. Se acha que isso é papo de conservador paranoico, de direita reacionária que enxerga fantasmas por todo canto, então veja o que dizem os próprios “educadores” nessa reportagem do Estadão:
estadao
Aqui já podemos ver a marca registrada desses “educadores”: a arrogância. Eles “sabem” melhor do que os pais como lidar com a educação sexual, e eles acham que podem, então, orientar os nossos filhos. O que eles entendem por orientar sexualmente essas crianças? Cuidado, leitor, para não cair da cadeira:
estadao
Um aluno de 13 anos comentou que achou interessante aprender porque algumas pessoas se identificam com a transexualidade, em vez de se identificar com aquilo que é considerado normal para os outros. Entendeu? O conceito de normalidade, que pode ser defendido tanto pelo lado histórico e biológico como pelo lado estatístico (curva normal), foi simplesmente jogado no lixo. Essa coisa de ser normal é apenas mais um conceito. O que um julga normal, o outro pode julgar diferente. Logo, vale o que cada um quiser como normalidade, i.e., mata-se o conceito de normal. Vale tudo!
Se você não concorda com isso, se você ainda acha que, por exemplo, normal e preferível é uma pessoa que nasceu homem continuar homem, ainda que você se solidarize com o sofrimento de quem julga ter nascido no corpo errado, então você é careta, reacionário, preconceituoso, e precisa ser afastado da educação sexual de seus filhos, para que eles possam aprender com os educadores algo bem diferente. Poderão, por exemplo, entender que meninas podem tranquilamente brincar das mesmas coisas que meninos e vice-versa, que rosa ou azul são cores socialmente construídas para definir os sexos já com base no machismo patriarcal.
Outra coisa que seus filhos na mais tenra idade vão aprender com tais educadores é como o sexo é, no fundo, algo absolutamente normal, do cotidiano, derrubando-se assim os velhos tabus religiosos. É a banalização do sexo, que já vemos na televisão, e precisa chegar às escolas também, para termos uma sociedade mais avançadinha e progressista, sem freios, sem limites, sem culpa ou vergonha. Precisamos evitar o bullying, dizem os educadores. Todos devem endossar o hedonismo e a “moral” de Foucault ou Sade, para que todos os impulsos e desejos sexuais, os fetiches e as fantasias colocadas em prática, sejam vistas como a coisa mais normal do mundo, até porque não existe esse lance de normal e anormal.
E lembrem-se: a propaganda deles foi tão forte e bem-sucedida, e o mundo mudou tanto em tão pouco tempo, que basta afirmar que ainda acha mais normal menina brincar de boneca e menino de luta para ser visto pelos “progressistas” como um neandertal reacionário machista preconceituoso homofóbico, praticamente um psicopata que sairia por aí matando ou espancando pessoas diferentes. É o ponto bizarro em que chegamos. Mas fique calmo, leitor. Pois ainda vai piorar muito…




segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Brasília: um fardo crescente sobre os nossos ombros (RC)

O grande vilão do trabalhador brasileiro é, uma vez mais, o governo federal. Brasília representa um fardo crescente sobre os nossos ombros, dificultando a vida de todos aqueles que criam riquezas. À medida que os gastos públicos aumentam, para supostamente atender às inúmeras demandas sociais reprimidas, o resultado acaba sendo mais demandas sociais ainda, pois esses gastos retiram recursos que poderiam gerar maior crescimento econômico.
Como mostra o GLOBO de hoje, o funcionalismo público no governo federal aumentou quase 30% em dez anos, de 2003 a 2013. O PT foi responsável por esse aumento, que adicionou 144 mil servidores federais à folha de pagamentos do governo. São quase 600 mil servidores hoje. Alguém sentiu uma melhora absurda nos serviços prestados? A burocracia está mais ágil, a educação está muito melhor, há mais segurança?
Além de aumento do total de servidores federais, ao longo dos anos 2000 e até o fim do 1º governo Dilma também houve aumento no número de cargos comissionados, aponta levantamento de Felix Garcia Lopez, também pesquisador do Ipea. Lopez mostra que, de 1999 a 2013, o número de comissionados foi de 16,6 mil para cerca de 23 mil, um aumento de 38%.
O que mais cresceu foram as faixas superiores dos cargos DAS (Direção e Assessoramento Superiores, conhecidos como comissionados ou de confiança): nos DAS 4 a 6, a ampliação foi de 85%, enquanto nos 1 a 3, de 29%. O crescimento maior ao longo de todas as faixas foi, porém, dos cargos comissionados ocupados por servidores.
Ou seja, o PT deu preferência para seus companheiros em vez de priorizar concursos, o que significa um aparelhamento maior da máquina estatal por pelegos. A falta de critérios objetivos para aferir o desempenho desses servidores é total. O inchaço do estado tem uma parcela constitucional que vem de antes do PT, como mostra o estudo conhecido de três economistas mais ortodoxos, mas tem também total ligação com as decisões petistas dos últimos anos.
Diante desse quadro, fica claro o acinte que é o governo Dilma falar em aumento de impostos. Brasília é um oásis em meio a um país em crise, pois para o governo federal parece que nunca há a necessidade de cortar seus próprios gastos, reduzir seu quadro de pessoal. Brasília só cresce em relação ao Brasil, e quanto mais Brasília, menos Brasil, ou seja, quanto mais governo, menos sociedade, menos crescimento econômico.
Estamos cercados por governo de todos os lados! E como isso custa caro, como asfixia o empreendedorismo, como tira a energia necessária para se produzir riqueza! O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho, resumiu bem a coisa ao cobrar um corte profundo de gastos do governo em vez de aumento de impostos:
É a consagração do quadro de irresponsabilidade econômica e de descontrole total das contas públicas e de incapacidade de fazer o dever de casa. Tem que cortar na carne, diminuir o tamanho da máquina. A sociedade não aguenta mais aumento de imposto. O Estado está grande demais, sufocando o setor produtivo e os trabalhadores. Tem que cortar cargos comissionados, ministérios, funcionários terceirizados. As agências de risco e o mercado têm sido muito tolerantes com o governo, mas ele está anestesiado, não consegue apresentar nada de solução.
Para o economista Paulo Guedes, por trás disso estão crenças erradas, de que o governo será a grande locomotiva do progresso nacional. Ele diz, em sua coluna de hoje no GLOBO:
Bastou ao governo escapar da asfixia política por um breve momento, e a conversa em Brasília volta a ser sobre o aumento dos impostos. É apenas mais um episódio de um fenômeno que se repete há décadas. Já deveríamos ter desconfiado de que há algo fundamentalmente errado em nossas práticas fiscais, pois o Brasil exibe o mais longo esforço anti-inflacionário da história universal.
A falta de compromisso com o controle dos gastos públicos foi o calcanhar de aquiles de todos os nossos programas de estabilização. Esse descontrole acaba levando sempre ao aumento das taxas de juros e à elevação dos impostos, na tentativa de frear a aceleração inflacionária. O resultado a curto prazo é o aprofundamento da recessão pela queda da produção e do emprego. E a persistência de juros astronômicos e impostos excessivos desestimula investimentos e derruba nossa dinâmica de crescimento a longo prazo.
O Brasil está em uma encruzilhada, e está na hora de decidir se vamos realmente avançar, ou se seguiremos os caminhos trágicos da Argentina e da Grécia. A solução é conhecida, ao menos pelos economistas sérios. Passa por uma forte redução dos gastos públicos, do tamanho do estado, de seu escopo de atuação, permitindo mais liberdade para a iniciativa privada produzir riqueza, menos impostos para que os recursos possam ser canalizados para investimentos produtivos.
Ou esse caminho liberal, ou o parasita ficará cada vez mais letal para o hospedeiro. O país não aguenta mais sustentar Brasília. Como definiu André Lara Resende: “No Brasil, o Estado é caro como nos países mais desenvolvidos e incompetente como nos mais atrasados”. Uma combinação explosiva. Precisamos de menos Brasília para ter mais Brasil!

A democracia deles – Milicianos petistas, como os chavistas, tentam bater em manifestantes contra o governo. Cardozo deveria mandar abrir investigação! (RA)


Pixuleko em manhã de sol na Paulista. Quanto mais os petistas esperneiam, mais ele vira um símbolo (Foto: Aruay Goldshmidt)
Pixuleko em manhã de sol na Paulista. Quanto mais os petistas esperneiam, mais ele vira um símbolo (Foto: Aruay Goldshmidt)
Escrevi aqui na manhã de ontem um post alertando para uma página no Facebook — e muitas outras havia e há — em que petistas e esquerdistas no geral incitavam o confronto de rua com aqueles que marcaram um protesto contra o governo Dilma, exibindo o Lula Inflado, que virou um ícone desses tempos. Seu nome de batismo não poderia ser mais adequado : “Pixuleko”. Os petistas deveriam reclamar com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do partido.
Dito e feito. O protesto, pacífico, como sempre, acontecia na Avenida Paulista quando chegaram os milicianos do PT. Prontos para a briga. Prontos para o confronto. Prontos para resolver as coisas na base dos socos e dos chutes.
Quem sãos os responsáveis por isso? Muita geste. Mas citro os três principais Lula, Rui Falcão e Dilma Rousseff.
Lembremo-nos de que, na sexta-feira, alguém atacou o boneco com uma faca ou estilete. Imaginem a chance de uma tragédia acontecer num caso assim, em que o confronto se torna inevitável. Os manifestantes acusam pelo ato a estudante de direito da FMU Emmanuelle Thomazielo. Ela nega. Só não conseguiu explicar o que fazia lá no meio, ao lado do boneco.
Os três chefões petistas citados estão, na prática, incitando o confronto de rua quando tacham a liberdade de manifestação e a liberdade de expressão, garantidas pelo Artigo V da Constituição, de golpismo.  Mais de uma vez, Dilma associou um bomba caseira jogada em frente ao Instituto Lula a manifestantes de oposição. Ela já pertenceu a dois grupos terroristas. Conhece a lógica interna dessas coisas. Sabe muito bem que não interessa às oposições e àqueles que cobram a sua deposição que os petistas sejam vistos como vítimas. Quem jogou aquela bomba quer o PT na condição de agredido. Como nós vimos na Paulista neste domingo, o PT é o agressor.
Os petistas que resolveram invadir o protesto exigiam, ora vejam!, que o boneco fosse retirado de lá. É mesmo? Com que autoridade? Quantas foram as vezes, são ainda, em que petistas e esquerdistas fazem caricaturas de seus desafetos? Quantos foram os enterros simbólicos a que os “companheiros” submeteram adversários ao longo de sua trajetória? Em quantas ocasiões as imagens de políticos tucanos e de outros partidos foram associadas às piores práticas nas ruas? Quando é que seus adversários foram molestá-los?
O que quer Dilma? O que quer Lula? O que quer Rui Falcão? Sangue nas ruas? Pois não terão. Torço muito para que não tenham. Espero que os que se manifestam contra o governo e pedem o impeachment não abandonem jamais a luta pacífica. Será preciso muito cuidado para não ceder à provocação de profissionais do crime.
Atenção! As pessoas que se oferecem para esse tipo de enfrentamento não são os coxinhas vermelhos, não! É gente da viração. É gente treinada para enfrentar os outros no braço. São profissionais da arruaça.
Cardozo
José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, resolveu dar pinta na Paulista neste domingo. Por mais desavisado que seja — consta que até sua sala foi invadida —, um dos homens mais bem-guardados do país certamente sabia que havia manifestação de protesto na Avenida. Se não tinha sido informado, então a coisa por lá anda pior do que parece.
Foi hostilizado e ouviu coisas como “Pega ladrão!”, “Fora PT” e “Fora Dilma”. Acabou conversando com manifestantes e, ao fim, parece que se esboçou a cordialidade possível. Na conversa, acabou dizendo que as manifestações são “absolutamente legítimas”, mesmo discordando da pauta, e que “democracia é divergência”. E acrescentou: “O que não pode é xingar, ofender pessoalmente, que foi o que alguns fizeram.”
É? Então por que ele também já se referiu à defesa do impeachment — que só acontecerá, se acontecer, dentro da lei — como golpe? Por que, na condição de petista e ministro da Justiça, não censura os truculentos do seu partido, que foram para a Avenida Paulista para puxar briga? E se a maioria antipetista decidisse interromper protestos da minoria petista ou de esquerda?
Já disse que não apoio, e reitero aqui, atos hostis a petistas nas ruas. Não acho que seja um bom caminho. É fácil manifestações dessa natureza acabarem fugindo ao controle. Agora é absolutamente inaceitável que o PT estimule seus milicianos a partir para a briga e que acabe assumindo publicamente a defesa de agressores.
O Brasil não e não será a Venezuela. Já está claro que nós não permitimos e não vamos permitir que isso aconteça.
Ah, sim: Cardozo mandou a Polícia Federal investigar o suposto atentado ao Instituto Lula. Deveria aproveitar e mandar apurar também quem anda a estimular confrontos de rua.
O momento em que os vermelhos chegam em busca de confusão. Não se deve fazer o que eles esperam (Voto: Vìctor La Regina/ Jovem Pan)
O momento em que os vermelhos chegam em busca de confusão. Não se deve fazer o que eles esperam (Foto: Vìctor La Regina/ Jovem Pan)