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sexta-feira, 7 de março de 2014
Medalha para o bandido!(FLAVIO QUINTELA)
A lista de bandidos tornados em heróis vai desde criminosos no campo das ideias, como Paulo Freire, até terroristas como Cesare Battisti e Marighella, passando por corruptos golpistas como José Genoíno. Segue abaixo uma breve lista com alguns casos de dar nojo a qualquer um que preze pela justiça e pela verdade.
Carlos Marighella: fundador do grupo armado Ação Libertadora Nacional (ALN), responsável juntamente com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) pelo sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, chegou a ser considerado o inimigo número um do regime militar, e por essa razão precisou ser beatificado pela cúpula petista para ajudar na consolidação da mentira do golpe de 64. Marighella recebeu anistia post mortem pelo ministro petista da justiça, José Eduardo Cardozo (sim, esse que está envolvido na confusão do Cade) e deixou oficialmente de ser um terrorista, sequestrador e assassino para ser um mártir da luta esquerdista. Medalha para o bandido!
Cesare Battisti: membro ativo de um grupo armado de extrema esquerda, condenado na Itália pelo assassinato de quatro pessoas a prisão perpétua, extraditado pelo governo francês e foragido para o Brasil, aqui encontrou em seus amigos de guerrilha comunista a melhor companhia que poderia desejar. Em uma de suas últimas declarações como Presidente da República, o senhor Luis Inácio da Silva decidiu que não concederia a extradição do “militante” em nota divulgada pelo Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, no dia 31 de dezembro de 2010. O referido terrorista vive hoje solto no Brasil, tendo sido recentemente convidado a palestrar na Universidade Federal de Santa Catarina. Medalha para o bandido!
Paulo Freire: autor e inspirador da maior máquina emburrecedora já vista em ação, o sistema educacional público brasileiro, Paulo Freire cometeu um dos maiores crimes de nossa história recente: a destruição intelectual sistemática de três gerações inteiras através do adestramento marxista em todos os níveis de educação pública. Na era Paulo Freire, que parece nunca ter fim, o Brasil apresentou (e continua apresentando) uma queda consistente e constante em todos os comparativos de educação disponíveis, situando-se sempre em patamares de nações africanas, muito longe sequer do grupo intermediário de países. Eu mesmo já postei sobre esse criminoso aqui neste blog. Seguindo a mesma linha estratégica já descrita acima, o governo petista concedeu ao senhor Paulo Freire o título de “Patrono da Educação Brasileira” (lei 12.612/2012). Medalha para o bandido!
José Genoino: deputado federal pelo PT e condenado pelo Supremo Tribunal Federal pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa, co-responsável pelo Mensalão, o maior esquema de compra de votos de parlamentares já visto na república brasileira, e ex-guerrilheiro atuante principalmente no Araguaia, sempre com o objetivo de aplicar ao Brasil o mesmo destino de Cuba, o totalitarismo comunista. A primeira tentativa do governo petista de dar uma medalha à Genoino foi no início do governo Lula, quando foi indicado para o cargo de Ministro da Defesa, uma afronta que os militares não aceitaram. Agora, depois de condenado e já cumprindo pena, recebeu todo o apoio do ex-presidente e do partido governista, recebendo diversas menções heróicas e honrosas. Medalha para o bandido!
Dilma Roussef: ex-integrante de organizações terroristas de esquerda como o Comando de Libertação Nacional (COLINA) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), participou de assaltos a bancos, atentados com bombas, furtos de veículos e do assassinato de dois policiais. Depois de muitos anos de crimes e algum tempo na prisão, resolveu partir para a política, atuando sempre em cargos técnicos ligados primeiramente ao PDT e depois ao PT. Em 2005 substituiu José Dirceu, outro bandido petista, na Casa Civil, de onde foi catapultada para a Presidência da República, cargo que tem exercido da pior forma possível, esbanjando ineficiência e espalhando asneiras todas as vezes que abre a boca. De terrorista revolucionária a Presidente da República – Medalha para a bandida!
E assim a esquerda brasileira vai limpando a sujeira que deixa pelo caminho com essa vassoura mágica, que transforma bandidos em heróis, crimes em virtudes, vergonha em honra. Enquanto isso nossos poucos e verdadeiros heróis permanecem anônimos ou esquecidos, e a base comparativa de caráter disponível ao povo brasileiro é cada vez mais baixa. Quando nossos heróis são os próprios criminosos, quanto mais é possível descer? Já estamos na lama…
Afinal quando a Bolha estoura – Parte I: Olhando para dentro do furacão – FHMartins
Não se tem mais dúvidas quanto ao descolamento dos preços dos imóveis quanto à realidade econômica financeira do Brasil.
Muitos, por interesses financeiros, ganância ou pura e básica prepotência típica da ignorância e do desconhecimento básico insistem em afirmar a inexistência da tão temida Bolha Imobiliária no mercado Brasileiro.
Preferem afirmar que os preços estão apenas se ajustando ao mercado internacional, outros preferem alegar a inexistência de terrenos disponíveis para novas construções o que levaria a preços muito mais elevados, outros ainda afirmam que o pleno emprego juntamente com a farta oferta de credito são fatores mais que justificáveis para avaliar um Kitinete de 35 m² próximo a uma cracolândia em mais de 1 milhão de reais.
Alguns mais acanhados até admitem a existência da Bolha Imobiliária.
Mas em apenas alguns lugares como Brasília e Jenipapo dos Vieiras (MA).
Para os demais lugares passou-se a insinuar a patética idéia de estabilidade de preços.
Passou-se ainda a afirmar que a nossa bolha, verde amarela e terceiro mundista com alma tropical é totalmente diferente das demais bolhas existente por ai, que SE um dia vier a realmente existir seu estouro não será nem de longe impactante para a economia e pouco ou nada afetará no lucro daqueles que investiram o que tinham e o que não tinham no mercado imobiliário.
Passou-se ainda a afirmar que a nossa bolha, verde amarela e terceiro mundista com alma tropical é totalmente diferente das demais bolhas existente por ai, que SE um dia vier a realmente existir seu estouro não será nem de longe impactante para a economia e pouco ou nada afetará no lucro daqueles que investiram o que tinham e o que não tinham no mercado imobiliário.
Pois bem.
Para tentar desvendar essa questão, não da existência da bolha imobiliária no Brasil, mas de quando ela tende a estourar vamos olhar observar a arquitetura da Bolha.
A imagem acima descreve qual bem é o desenrolar da evolução e do estouro de uma bolha Imobiliária.
Mas ela por sim só não significa absolutamente nada se não colocar dentro de um contexto. Então vamos contextualizá-la analisando os fenômenos recentes de outra bolhas imobiliárias
A Bolha Imobiliária Americana
A bolha Imobiliária Americana é o melhor exemplo desse século para a escala de referência da nossa avaliação. É uma bolha que se formou, passou por todas as etapas de Bolha e finalmente estourou e veio murchado desde então.
A compilação de dados abaixo demonstra tanto a escalada (e queda) dos imóveis médios americanos quanto a variação sofridas pelos preços ao longo desse período.
Quando traçamos a linha de tendência no que diz respeito aos preços praticados ao longo do tempo vemos claramente que a curva se projeta para a Verdadeira estabilidade de preço, podendo até afirma-se que a figura da Bolha Imobiliária americana de desestruturou e o mercado realmente voltou a seu estado normal. Sendo possível localizá-la na posição Return to the mean ou voltando a media, já na faseBlow off ou estouro
*fonte – www.jparsons.net
A Bolha Imobiliária Espanhola
Por outro lado temos a Bolha Imobiliária Espanhola.
De onde selecionamos os dados disponíveis do Valor do Preço do m² na cidade de Barcelona ( ao contrario dos EUA e assim como no Brasil as informações disponíveis retratam o preço do Metro Quadrado, não do valor do imóvel médio)
Ao traçarmos a linha de tendência para os preços praticados em Barcelona nota-se que o fenômeno da bolha imobiliária na Espanha (Por analogia já que de uma forma geral os dados das demais localidades se refletem nesses dados) ainda é um fenômeno atuante , já na fase Blow off ou estouro mas ainda dentro do campo de Capitulation ou Capitulação (onde os preços entram em queda livre). Porém não ainda no campo do Despair ou Desespero (quando os preços ficam abaixo do valor médio que se deveria observar em um mercado saudável. O que nós diz que ainda se verá sangue nas ruas de Barcelona.
*fonte – http://www.idealista.com/news/indicevivienda#indice
A Bolha Imobiliária Tupiniquim
MAS E O BRASIL ?
Bem o Brasil com todo seu atraso histórico ainda se encontra na fase da Bolha Imobiliária onde muito aqui (para o bem e para o mal) gostaria de já ter passado.
Conforme a variação dos preços médios praticados para o m² na cidade São Paulo (desde já aqui deixo meu agradecimento especial ao camarada Justiceiro que de tão bom grado forneceu seus arquivos pessoais com dados que viabilizaram esse levantamento) e a variação dos valores coletados pelo FGV em seu índice FipeZap.
Conforme a variação dos preços médios praticados para o m² na cidade São Paulo (desde já aqui deixo meu agradecimento especial ao camarada Justiceiro que de tão bom grado forneceu seus arquivos pessoais com dados que viabilizaram esse levantamento) e a variação dos valores coletados pelo FGV em seu índice FipeZap.
Ao traçarmos a linha de tendência observamos que ainda nos encontramos na Mania Phase ou na Fase onde os Investidores Institucionais já realizaram seu lucro e a mídia em geral insiste em noticiar ganhos fantásticos no Mercado Imobiliário. Com isso o publico em geral, amadores em sua totalidade, movidos pela ganância e a ilusão (Greed / Delusion) passaram a aplicar valores cada vez mais irrealistas ao preço dos imóveis.
*fonte – http://www.fipe.org.br/web/index.asp?aspx=/web/indices/fipezap/mensal_variacao.aspx
** Arquivo pessoal do Justiceiro
De um modo geral as três bolhas podem ser assim localizadas
Infelizmente, por mais freqüentes e constantes sejam as noticias sobre a Bolha Imobiliária Brasileira ela ainda encontra-se tecnicamente em sua fase de virulência.
Onde os dados e indicativos apenas indicam que quando a tempestade chegar (ela vai chegar) muita coisa vai ao chão.
Mas esse será assunto para a segunda parte dessa artigo
quinta-feira, 6 de março de 2014
Humor nos tempos modernos.Ou:"Dilma diz que consumo de cocaína dobrou porque a renda dos pobres aumentou"(Joselito Muller)
Em 2005, a entidade apontava que 0,7% da população entre 12 e 65 anos consumia cocaína no Brasil. Ao fim de 2011, a taxa chegou a 1,75%. De acordo com os dados da ONU, o consumo brasileiro é bem superior à média mundial, de 0,4% da população. A média brasileira também supera a da América do Sul, com 1,3%, e é mesmo superior à da América do Norte, com 1,5%.
O Brasil, segundo o documento, se consolidou não apenas como rota da cocaína dos Andes para a Europa como também passou a ser um mercado fundamental. Em 2012, as maiores apreensões de cocaína no Brasil ocorreram a partir de carregamentos da Bolívia, seguidos por Peru e Colômbia.
Ao tomar conhecimento dos dados, a presidente Dilma Rousseff, por meio da assessoria do Palácio do Planalto, comentou que tal fato se deu em razão do crescimento da renda dos mais pobres, que “agora, além de consumirem produtos de primeira necessidade, também podem se dar ao luxo de consumir coisas supérfluas.”
A presidente esclareceu que “não significa que eu apoie o consumo de cocaína, mas vejamos pelo lado positivo. Se a economia estivesse indo mal, jamais seríamos um dos maiores consumidores de cocaína do mundo.”
Ao tomarem conhecimento dos dados divulgados, dirigentes das FARC’S comemoraram a expansão cada vez maior de seu marcado no continente.
A mobilização para a Terceira Guerra Mundial (JEFFREY NYQUIST)
Os russos acreditam que o balanço do poder mudou a seu favor, e portanto podem agir impunemente.
“O intolerante e ciumento olho do Kremlin no final das contas pode apenas distinguir entre vassalos e inimigos. Se um país não desejar ser este, deve se reconciliar e tornar-se aquele”.
George F. Kennan
Comecei esta série de comentários dia 20 de janeiro com o artigo “Previsões para a Terceira Guerra Mundial”. Naquele primeiro texto, eu relatei como um conhecido grupo de astrólogos, xamãs e parapsicólogos russos previram o início da Terceira Guerra Mundial para março de 2014. E aqui estamos próximos ao início de uma séria crise que pode facilmente escalar para uma guerra mundial. Um leitor do meu blog recentemente observou: “Ou essa coisa escapou do controle de Moscou ou Moscou tem planos muito maiores no horizonte”.
Sim, as coisas escaparam do controle russo e planos maiores estão no horizonte. Isso é óbvio na invasão militar russa na Criméia. A esta altura, por que o Kremlin deveria se preocupar com uma demonstração aberta de violência contra os povos inocentes? O balanço militar já pendeu a favor da Rússia, porquanto a China está se preparando para a guerra contra o Japão no extremo oriente. Além disso, nossa prontidão militar [N.T.: dos EUA, país do autor] não está como deveria. (v. O fim do domínio militar americano: Hagel anuncia profundos cortes orçamentários para a defesa, incluindo aeronaves, navios, tropas e armas)
A América tem lutado uma guerra contra o terrorismo nos últimos doze anos. Ficamos distraídos e sem rumo. Nossa política militar passou longe de se preparar contra um grande adversário e, sendo assim, não estamos prontos. Além disso, que país europeu está preparado para enfrentar a Rússia? Apenas a Ucrânia está se preparando para lutar, e ela está em um patamar militar desesperadamente inferior.
O famoso desertor da KGB, Anatoliy Golitsyn, alertou para a estratégia de longo prazo de Moscou em 1984: “A dialética dessa ofensiva consiste em uma mudança calculada da velha e desacreditada prática soviética para um novo e ‘liberalizado’ modelo, com uma fachada social-democrata, com o objetivo de realizar a estratégia dos planejadores comunistas de estabelecer uma ‘Europa Unida’. No início, eles apresentariam uma variação da “democratização” checoslovaca de 1968. Numa fase posterior, mudarão para uma variação da encampação da Checoslováquia em 1948.” [in New Lies for Old. Em português Novas Mentiras no Lugar das Velhas: A Estratégia Comunista de Dissimulação e Desinformação].
Parece que estamos próximos dessa fase posterior. Os estrategistas em Moscou sabem que a revolta na Ucrânia deve ser colocada abaixo, independentemente do que venha a pensar o mundo. Os russos acreditam que o balanço do poder mudou a seu favor, e portanto podem agir impunemente. Evidentemente eles estão temerosos de que haja um “grande deslindar” da estratégia deles se eles não pegarem pesado com Kiev. Além da propaganda russa, aqueles que dizem que o Ocidente está por trás da liberdade ucraniana não conhecem o Ocidente e não conhecem a Ucrânia. O pior nessa incompreensão é que ela traz consigo um menosprezo à coragem e à articulação política dos patriotas ucranianos. Os melhores dentre eles sabem que não pode haver plena liberdade na Ucrânia sem haver liberdade na Rússia.
A verdadeira luta então é política. A verdadeira luta é pelo coração da Rússia. Os criminosos que governam a Rússia sobreviveram cometendo assassinatos. Eles perderão o poder apenas quando o povo russo estiver totalmente acordado. Aleksandr Solzhenitsyn disse uma vez que o caminho do assassinato é o caminho da mentira. Agora, então, estamos vendo os assassinos trabalhando e estamos a observar um desfile de mentiras. Veja com atenção se a mídia ocidental irá associar a causa patriótica ucraniana ao antissemitismo. Essa também é a retórica de um país que está se preparando para esmagar a Ucrânia.
E sim, o perigo de guerra é crescente. De acordo com oficiais ucranianos, as tropas russas já ocuparam a Crimeia. A manchete da Fox News diz: Ucrânia acusa Rússia de ‘invasão militar’ após homens armados tomarem aeroportos. Embora oficiais russos neguem ou mesmo se recusem a comentar quando questionados sobre a invasão, o Ministro do Interior ucraniano Arsen Avakov declarou publicamente: “Só posso descrever isso como uma invasão militar de ocupação”. De acordo com a CNN, a Ucrânia mobiliza tropas após a ‘declaração de guerra’ da Rússia: “Kiev mobilizou tropas e convocou os militares da reserva em uma rápida escalada da crise que suscitou o temor de um conflito”.
Enquanto isso, a 20ª e a 48ª divisões do exército russo se preparam para invadir o leste ucraniano. Ao mesmo tempo, o Secretário de Estado John Kerry viajou para Kiev e afirmou que potências estrangeiras estão considerando sanções econômicas à Rússia. “Todas elas”, disse Kerry. “Cada uma delas está preparada para tomar medidas extremas para isolar a Rússia no que diz respeito a essa invasão. Elas estão preparadas para levar as sanções a cabo e estão preparadas para isolar a Rússia economicamente”, completou.
Não nos apressemos, contudo. Há de se considerar as muitas cartas a serem jogadas pela Rússia: as tropas americanas dependem da Rússia para manter sua linha de suprimentos no Afeganistão. A Alemanha depende do gás natural russo para aquecimento no inverno. Sanções podem não ser uma solução prática. E também há a China no front. Em janeiro, o vice-Ministro da Defesa russo Pavel Popov alertou que uma guerra no Pacífico envolvendo EUA, Japão e China estava “a algumas semanas de distância”.
Não se pode descartar uma ofensiva maciça e coordenada pela Rússia e pela China, ou uma escalada de ‘terrorismo cinza’[1] com um ataque nuclear em Nova York. Qualquer movimento nesse aspecto é digno de mencionar. É difícil dizer exatamente qual será a jogada.
Terminarei com uma citação de Golitsyn: “Daqui a não muito tempo, os estrategistas comunistas podem ficar persuadidos de que a balança pendeu irreversivelmente a seu favor. Nesse caso, eles podem decidir pela ‘reconciliação’ sino-soviética. A estratégia da tesoura daria lugar à estratégia ‘de um só punho fechado’. Nesse ponto, a mudança na balança político-militar seria evidente para todos.”
[1] N.T.: O ‘terrorismo cinza’, conforme apontado pelo próprio Nyquist em outra ocasião, é uma tática descrita pelo desertor do serviço de inteligência militar soviético russo (GRU), Viktor Suvorov, no 15º capítulo do livroSpetsnaz: A história secreta por trás da força especial russa. Nessa tática, leva-se a cabo “uma série de operações terroristas de pequeno e grande porte com o propósito de, antes de a ação militar começar, enfraquecer a moral inimiga criando uma atmosfera de suspeita, medo e incerteza, além de desviar a atenção do exército e da polícia inimiga para um vasto e variado número de alvos”. De acordo com Suvorov: “O principal método aplicado nesse estágio é o ‘terrorismo cinza’”. Trata-se de um tipo de terrorismo que é levado a cabo “em nome de grupos extremistas já existentes e não necessariamente conectados à União Soviética ou em nome de organizações fictícias”.
A economia da hiena (ROLF KUNTZ - O Estado de S.Paulo)
De que se ri o animalzinho? - pergunta o cidadão, na velha piada, ao saber da parcimônia sexual e das preferências gastronômicas da hiena. A mesma perplexidade é inevitável diante da aparente alegria de tantos analistas ao conhecer os números da economia nacional em 2013. O miserável aumento de 2,3% do produto interno bruto (PIB) foi descrito como surpreendente. O crescimento de 0,7% no trimestre final quase foi celebrado como o início de uma era de expansão chinesa. Dois argumentos foram usados para justificar a comemoração. Projetado para um ano, aquele resultado trimestral equivale a 2,8%, lembrou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O outro argumento, um pouco mais complicado, aponta o esperado efeito de carry over, ou carregamento. Se a expansão econômica for nula nos primeiros três meses deste ano, será pelo menos mantido o patamar alcançado no trimestre anterior. Daí a necessidade, segundo os mais entusiasmados, de uma revisão das projeções para 2014. Na semana passada, a mediana das projeções coletadas para o boletim Focus, do Banco Central (BC), havia ficado em 1,87%.
Essa alegria é mais preocupante que os números ainda muito ruins das contas nacionais. Com um pouco de juízo e medidas certas pode-se fazer a produção crescer muito mais que nos últimos três anos, quando a média ficou em vergonhosos 2%. Mas o problema se complica sensivelmente quando as pessoas começam a encarar como normal um desempenho pífio, muito abaixo das possibilidades do País, e a festejar pequenas melhoras.
Quem aceita esse padrão de normalidade passa a raciocinar dentro dos limites da política econômica em vigor nos últimos anos. Passa a falar a linguagem do ministro da Fazenda e a aceitar como razoáveis seus critérios de avaliação. Uma coisa é destacar, por seu efeito estatístico, a expansão de 6,3% do investimento em capital fixo. Outra, muito diferente, é apontar esse número como algo extraordinário. Só se entusiasma quem esquece dois fatos bem conhecidos e, de toda forma, indicados com clareza nas contas publicadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nem um estrangeiro se enganaria ao ver esses números.
Em primeiro lugar, o investimento 6,3% maior que o de 2012 ocorreu depois de uma queda de 4%, detalhe aparentemente esquecido ou negligenciado por muita gente. Em termos de volume, ficou pouco acima, portanto, do registrado em 2011. Em outras palavras, a formação bruta de capital fixo ficou praticamente estagnada ao longo de dois anos.
Em segundo lugar, a taxa de investimento passou de 18,2% do PIB em 2012 para 18,4% em 2013, muito inferior aos padrões dos emergentes e ainda abaixo do pico de 19,5%, registrado em 2010. O nível de 24%, já alcançado por alguns sul-americanos, será atingido até 2020, prometeu o animado ministro da Fazenda.
A estagnação da indústria está refletida tanto no crescimento do setor, 1,3%, quanto nas contas externas. As exportações de bens e serviços aumentaram 2,5%, em termos reais, enquanto as importações cresceram 8,4%. A piora das contas externas já era conhecida. O déficit em conta corrente passou de US$ 54,25 bilhões em 2012 (2,41% do PIB) para US$ 81,37 bilhões em 2013 (3,66% do PIB). A deterioração do balanço de pagamentos é explicável principalmente pela erosão da conta de mercadorias. Essa conta continua em mau estado.
Entre o começo do ano e a terceira semana de fevereiro o País acumulou um déficit comercial de US$ 6,75 bilhões. As vendas ao exterior, US$ 26,91 bilhões, foram 3,7% menores que as de um ano antes, pela média diária, e as importações, US$ 33,65 bilhões, 0,6% maiores, pelo mesmo critério.
Mais uma vez, em 2014 o saldo comercial dependerá do amplo superávit obtido com as commodities, principalmente do agronegócio. A julgar pelos dados até agora conhecidos, dificilmente a indústria será muito mais competitiva, nos próximos meses, do que tem sido nos últimos cinco ou seis anos. As importações começaram a crescer mais velozmente que as exportações antes da crise de 2008. O problema, na época, já era o enfraquecimento da indústria diante dos concorrentes estrangeiros. Afinal, o famigerado custo Brasil já estava na pauta desde muitos anos e nada se havia feito para torná-lo mais suportável. Enquanto a discussão se prolongava sem resultado, o problema se tornava mais grave e a economia nacional ficava menos eficiente e menos capaz de produzir de forma competitiva.
O mau uso do dinheiro público, o desajuste fiscal e a inflação elevada são componentes desse quadro de baixa produtividade, mas há pouco estímulo para o governo cuidar seriamente de qualquer desses problemas. Há oposição à alta dos juros, apesar da inflação resistente e ainda muito elevada. Até a meta fiscal anunciada há poucos dias foi criticada, como se o governo estivesse empenhado, com sua modesta exibição de austeridade, em matar o crescimento.
Há alguns anos o economista Mohamed El-Erian, então um dos chefões do Pimco, um dos maiores fundos de investimento, criou, juntamente com seu colega Bill Gross, a expressão "novo normal", para descrever o padrão observado desde o começo da crise: crescimento baixo, desemprego alto e juros próximos de zero no mundo rico. No Brasil, a reação de muitos analistas aos números pífios de 2013 parece indicar a consolidação de uma nova normalidade econômica. Mas, neste caso, o crescimento baixo é combinado com inflação alta e resistente e contas públicas precárias. Junta-se a isso uma baixíssima disposição para cuidar de problemas bem conhecidos, mas nunca atacados para valer. Nesse quadro, incentivos parciais e de pouco efeito para o crescimento acabam valendo mais que mudanças de grande alcance. Reformas para tornar a economia mais eficiente são complicadas e tomam tempo. Para que esperar? Nesse novo normal, menos e menos pessoas, a cada dia, acharão estranha a satisfação da hiena.
JORNALISTA
O socialismo na prática - o laboratório da morte (Gary North)
Se alguém lhe pedisse para defender a ideia de que o socialismo fracassou, qual exemplo você forneceria?
Onde o formato moderno de socialismo começou?
Nos Estados Unidos.
É isso mesmo: na "terra da liberdade". Mais especificamente, nas reservas indígenas, sob o comando da Agência de Questões Indígenas, subordinada ao Ministério do Interior.
As reservas indígenas foram inventadas com o intuito de controlar combatentes adultos. Elas tinham como objetivo manter a população nativa pobre e impotente.
O sistema funcionou? Pode ter certeza.
O experimento tem se mostrado um fracasso? Muito pelo contrário, tem sido um sucesso total.
Quando foi a última vez que se ouviu a respeito de alguma insurreição dos índios americanos?
Eles são pobres? Os mais pobres dos EUA.
Eles recebem auxílios do governo americano? É claro que sim.
No ano passado, o Ministério da Agricultura dos EUA destinou US$21 milhões para subsidiar eletricidade para os moradores daquelas reservas indígenas cujas casas são as mais isoladas de empregos e oportunidades de trabalho. Você pode ler mais a respeito aqui. Como toda e qualquer medida assistencialista, esta é apenas mais uma para mantê-los continuamente pobres. Eletricidade tribal significa impotência tribal.
As tribos são dependentes. Elas permanecerão dependentes. O programa foi criado exatamente para este objetivo.
Por alguma razão, os livros-textos de economia não oferecem sequer uma página relatando a corrupção, a burocratização e a pobreza multigeracional criadas por este socialismo tribal. Temos aqui uma série de exemplos de laboratórios sociais gerenciados pelo governo. Quão exitosos eles têm se mostrado? Onde estão as reservas que de maneira sistemática tiraram pessoas da pobreza?
A próxima será a primeira.
O paraíso dos trabalhadores
A União Soviética foi o paraíso socialista dos trabalhadores de 1917 a 1991. Como resultado direto deste experimento, pelo menos 30 milhões de russos morreram. Os números verdadeiros podem ser o dobro desta cifra. Já o experimento chinês foi mais curto: de 1949 a 1978. Talvez 60 milhões de chineses tenham morrido. Há quem fale em 100 milhões.
O sistema foi incapaz de fornecer os bens prometidos. Não consigo imaginar um tópico mais apropriado para se discutir em uma aula de economia do que o fracasso do socialismo. O mesmo é válido para um curso sobre a história do mundo moderno. Qualquer curso decente de ciência política deveria cobrir este fracasso em detalhes.
Mas isso não ocorre, é claro. Nenhum curso menciona o mais fundamental desafio já proposto à teoria econômica socialista, o ensaio de Ludwig von Mises, escrito em 1920, O cálculo econômico sob o socialismo. E por que não? Porque a maioria dos cientistas sociais, economistas e historiadores nunca ouviu falar desta obra. Entre aqueles com mais de 50 anos de idade, os poucos que já ouviram a respeito ouviram da boca de algum defensor do socialismo ou de algum entusiasta keynesiano, que apenas repetiu o que havia aprendido na sua pós-graduação: que tal ensaio havia sido totalmente refutado por Oskar Lange em 1936.
Mas o que eles nunca dizem é que, quando Lange, um devoto comunista, voltou à sua Polônia natal em 1947 para atuar no alto escalão da burocracia estatal, o governo comunista não pediu para que ele implementasse sua grande teoria do "socialismo de mercado". Com efeito, nenhum país socialista jamais implementou sua teoria.
Durante 50 anos, poucos livros-textos de economia mencionavam Mises. E, quando o faziam, era apenas para dizer que ele havia sido totalmente refutado por Lange. Os acadêmicos do establishment simplesmente jogaram Mises no buraco orwelliano da memória.
No dia 10 de setembro de 1990, o multimilionário escritor, economista e socialista Robert Heilbroner publicou um artigo na revista The New Yorker intitulado "Após o Comunismo". A URSS já estava em avançado processo de colapso. Neste artigo, Heilbroner recontou a história da refutação de Mises. Ele relata que, na pós-graduação, ele e seus pares foram ensinados que Lange havia refutado Mises. Porém, agora, ele anunciava: "Mises estava certo". No entanto, em seu best-seller, The Worldly Philosophers, um livro-texto sobre a história do pensamento econômico, ele em momento algum cita o nome de Mises.
Os fracassos visíveis
O fracasso universal do socialismo do século XX começou já nos primeiros meses após a tomada da Rússia por Lênin. A produção caiu acentuadamente. Ato contínuo, ele foi forçado a implementar um reforma marginalmente capitalista em 1920, a Nova Política Econômica (NEP). Ela salvou o regime do colapso. A NEP foi abolida por Stalin.
Durante as décadas seguintes, Stalin se entregou ao corriqueiro hábito de assassinar pessoas. A estimativa mínima é de 20 milhões de mortos. Tal prática era peremptoriamente negada por quase toda a intelligentsia do Ocidente. Foi somente em 1960 que Robert Conquest publicou seu monumental livro O Grande Terror — Os Expurgos de Stalin. Sua estimativa atual: algo em torno de 30 milhões. O livro foi escarnecido à época. O verbeteda Wikipédia sobre o livro é bem acurado.
Publicado durante a Guerra do Vietnã e durante um surto de marxismo revolucionário nas universidades ocidentais e nos círculos intelectuais, O Grande Terror foi agraciado com uma recepção extremamente hostil.
A hostilidade direcionada a Conquest por causa de seus relatos sobre os expurgos foi intensificada por mais dois fatores. O primeiro foi que ele se recusou a aceitar a versão apresentada pelo líder soviético Nikita Khrushchev, e apoiada por vários esquerdistas do Ocidente, de que Stalin e seus expurgos foram apenas uma "aberração", um desvio dos ideais da Revolução, e totalmente contrários aos princípios do leninismo. Conquest, por sua vez, argumentou que o stalinismo era uma "consequência natural" do sistema político totalitário criado por Lênin, embora reconhecesse que foram os traços característicos da personalidade de Stalin que haviam causado os horrores específicos do final da década de 1930. Sobre isso, Neal Ascherson observou: "Àquela altura, todos nós concordávamos que Stalin era um sujeito muito perverso e extremamente diabólico, mas ainda assim queríamos acreditar em Lênin; e Conquest disse que Lênin era tão mau quanto Stalin, e Stalin estava simplesmente levando adiante o programa de Lênin".
O segundo fator foi a ácida crítica de Conquest aos intelectuais ocidentais, os quais ele dizia sofrerem de cegueira ideológica quanto às realidades da União Soviética tanto durante a década de 1930 quanto, em alguns casos, até mesmo ainda durante a década de 1960. Personalidades da intelectualidade e da cultura da esquerda, como Sidney e Beatrice Webb, George Bernard Shaw, Jean-Paul Sartre, Walter Duranty, Sir Bernard Pares, Harold Laski, D.N. Pritt, Theodore Dreiser e Romain Rolland foram acusados de estúpidos a serviço de Stalin e apologistas de seu regime totalitário devido a vários comentários que fizeram negando, desculpando ou justificando vários aspectos dos expurgos.
A esquerda ainda odeia o livro, e continua até hoje tentando dizer que ele exagerou nos números e nos relatos.
E então veio o Livro Negro do Comunismo (1999), que coloca em 85 milhões a estimativa mínima de cidadãos executados pelos comunistas, deixando claro que cifras como 100 milhões ou mais são as mais prováveis. O livro foi escrito por esquerdistas franceses e publicado pela Harvard University Press, de modo que ele não pôde simplesmente ser repudiado como sendo apenas mais um panfleto direitista.
A esquerda até hoje tenta ignorá-lo.
O blefe dos cegos
A resposta da academia tem sido, até hoje, a de considerar todo o experimento soviético como algo que foi meramente mal orientado, algo que se desencaminhou, e não como algo inerentemente diabólico. O custo em termos de vidas humanas raramente é mencionado. Antes de 1991, era algo ainda mais raramente mencionado. Antes de Arquipélago Gulag (1973), de Solzhenitsyn, era considerado uma imperdoável falta de etiqueta um acadêmico fazer mais do que apenas mencionar muito discretamente e só de passagem toda a carnificina, devendo limitar qualquer crítica apenas aos expurgos do Partido Comunista comandados por Stalin no final da década de 1930, e praticamente quase nunca mencionar que a fome em massa havia sido adotada como uma política pública. "Ucrânia? Nunca ouvi falar." "Kulaks? O que são kulaks?"
A situação decrépita de todas as economias socialistas, do início ao fim, não é mencionada. Acima de tudo, não há nenhuma referência aos críticos do Ocidente que alertaram que estas economias eram vilarejos Potemkins em grande escala — cidades falsas criadas pelo governo para ludibriar os leais e românticos esquerdistas que iam à URSS ver o futuro. E eles voltavam para seus países com relatos entusiásticos e incandescentes.
Há um livro sobre estas ingênuas e crédulas almas, que foram totalmente trapaceadas: Political Pilgrims: Travels of Western Intellectuals to the Soviet Union, China, and Cuba, 1928-1978 de Paul Hollander. Foi publicado pela Oxford University Press em 1981. Foi ignorado pela intelligentsia por uma década.
A melhor descrição que já li sobre estas pessoas foi fornecida por Malcolm Muggeridge, que trabalhou no início da década de 1930 como repórter do The Guardian em Moscou. Tudo o que ele escrevia era censurado antes de ser enviado para a Inglaterra. E ele sabia disso. Ele não podia relatar a verdade, e o The Guardian não publicaria caso ele relatasse. Eis um trecho do volume 1 de sua autobiografia, Chronicles of Wasted Time.
Para os jornalistas estrangeiros que residiam em Moscou, a chegada de ilustres visitantes era também uma ocasião de gala, mas por uma razão diferente. Eles nos propiciavam nosso melhor — praticamente nosso único — momento de alívio cômico. Por exemplo, ouvir [George Bernard] Shaw, acompanhado de Lady Astor (que havia sido fotografada cortando o cabelo de Shaw), declarar que estava encantado por descobrir, em meio a um banquete fornecido pelo Partido Comunista, que não havia escassez de comida na URSS, era algo de imbatível efeito humorístico. Ou ouvir [Harold] Laski cantar glórias à nova Constituição Soviética de Stalin.Jamais me esquecerei destes visitantes, e jamais deixarei de me assombrar com eles; de como eles discursavam pomposamente sobre as maravilhas do regime, de como eles iluminavam continuamente nossa escuridão, guiando, aconselhando e nos instruindo; em algumas ocasiões, momentaneamente confusos e envergonhados; mas sempre prontos para se reerguer, colocar seus capacetes de papelão, montar em seusRocinantes, e sair galopando mundo afora em novas incursões em nome dos pobres e oprimidos.Eles são inquestionavelmente uma das maravilhas de nossa época, e irei guardar para sempre na memória, com grande estima, o espetáculo que era vê-los viajando com radiante otimismo até as regiões famintas do país, vagueando em bandos alegres por cidades esquálidas e sobrepovoadas, ouvindo com inabalável fé as insensatezes balbuciadas por guias cuidadosamente treinados e doutrinados, repetindo, assim como crianças de colégio repetem a tabuada, as falsas estatísticas e os estúpidos slogans que eram incessantemente entoados para eles.Eis ali, pensava eu ao ver estas celebridades, um ardoroso burocrata de alguma repartição local da Liga das Nações, eis ali um devoto Quaker que já havia tomado chá com Gandhi, eis ali um feroz crítico das exigências de comprovação de renda para se tornar apto a receber programas assistenciais do governo, eis ali um ferrenho defensor da liberdade de expressão e dos direitos humanos, eis ali um indômito combatente da crueldade contra animais; eis ali meritórios e cicatrizados veteranos de centenas de batalhas em prol da verdade, da liberdade e da justiça — todos, todos eles cantando glórias a Stalin e à sua Ditadura do Proletariado. Era como se uma sociedade vegetariana se manifestasse apaixonadamente em defesa do canibalismo, ou como se Hitler houvesse sido indicado postumamente para o Prêmio Nobel da Paz.
Este fenômeno não acabou junto com a década de 1930. Ele perdurou até o último suspiro da farsa econômica criada pelos soviéticos. A falência intelectual e moral dos líderes intelectuais do Ocidente, algo que vinha sendo encoberto pela própria durabilidade do regime soviético, foi finalmente exposta em 1991, quando houve o reconhecimento mundial de que os regimes marxistas não apenas haviam falido economicamente, como também eram tiranias que o Ocidente havia aceitado como sendo uma alternativa válida para o capitalismo.
Não há exemplo melhor deste auto-engano intelectual do que o de Paul Samuelson, professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), o primeiro americano a ganhar o Prêmio Nobel de economia (1970), ex-colunista da revista Newsweek, e autor daquele que é, de longe, o mais influente livro-texto de economia do mundo pós-guerra (1948 — presente): pelo menos 3 milhões de cópias vendidas em 31 idiomas distintos. Ele escreveu na edição de 1989 de seu livro-texto: "A economia soviética é a prova cabal de que, contrariamente àquilo em que muitos céticos haviam prematuramente acreditado, uma economia planificada socialista pode não apenas funcionar, como também prosperar."
Foi o economista Mark Skousen quem encontrou esta pérola. E ele também descobriu esta outra, ainda mais condenatória.
O experimento soviético
Em sua autobiografia, Felix Somary recorda uma discussão que ele havia tido com o economista Joseph Schumpeter e com o sociólogo Max Weber em 1918. Schumpeter foi um economista nascido na Áustria mas que não era da Escola Austríaca de economia. Mais tarde, ele viria a escrever a mais influente monografia sobre a história do pensamento econômico. Já Weber foi o mais prestigioso cientista social acadêmico do mundo até morrer em 1920.
Naquela ocasião, Schumpeter havia expressado alegria em relação à Revolução Russa. A URSS seria o primeiro exemplo prático de socialismo. Weber, por sua vez, alertou que o experimento geraria uma miséria incalculável. Schumpeter retrucou dizendo que "Pode ser que sim, mas seria um bom laboratório." E Weber respondeu: "Um laboratório entulhado de cadáveres humanos!". E Schumpeter retrucou: "Exatamente igual a qualquer sala de aula de anatomia".[1]
Schumpeter era um monstro em termos morais. Não vamos medir as palavras. Ele foi um homem altamente sofisticado, mas, no fundo, um monstro moral. Qualquer pessoa que menospreze a morte de milhões de pessoas desta forma é um monstro moral. Weber saiu extremamente irritado da sala. Não o culpo.
Weber morreu em 1920. Foi neste ano que Mises lançou seu ensaio, O cálculo econômico sob o socialismo. Weber o mencionou em uma nota de rodapé em sua obra-prima, publicada postumamente como Economia e Sociedade(página 107 na versão original). Weber compreendeu sua importância tão logo leu este ensaio. Já os economistas acadêmicos, não. Até hoje, há poucas referências a esta obra de Mises.
Mises explicou analiticamente por que o sistema socialista é irracional: não há um mercado para os bens de capital. Sendo assim, é impossível saber quanto cada coisa deveria custar. Ele disse que um sistema socialista inevitavelmente se degeneraria em uma dessas duas alternativas: ou ele iria abandonar seu compromisso com um planejamento total ou ele fracassaria por completo. Mises nunca foi perdoado por esta falta de etiqueta. Ele estava certo, e os intelectuais, errados. As sociedades socialistas entraram em colapso, com a exceção da Coréia do Norte e de Cuba. Pior ainda, ele se mostrou correto em termos de simples teoria de mercado, algo que qualquer pessoa inteligente podia entender. Exceto, aparentemente, os intelectuais do Ocidente. E este seu ensaio é um testemunho para os intelectuais do Ocidente: "Não há pessoas mais cegas do que aquelas que se recusam a enxergar."
A prova do pudim
Mises acreditava que a real prova do pudim está em sua fórmula. Se a pessoa que faz o pudim acrescentar sal em vez de açúcar, ele não será doce. Você nem precisa experimentá-lo para saber disso. Mas os acadêmicos estão oficialmente comprometidos a aceitar apenas coisas empíricas. Eles creem que uma teoria tem de ser confirmada por testes estatísticos. Mas os testes ocorreram durante décadas. As economias socialistas fracassavam seguidamente, mas divulgavam estatísticas falsificadas. E todos sabiam disso. Mas, mesmo assim, os intelectuais do Ocidente insistiam na crença de que o ideal socialista era moralmente sólido. Eles insistiam que os resultados iriam, no final, provar que a teoria estava certa.
Nikita Kruschev ficou famoso por haver dito isso a Nixon no famoso "debate da cozinha", em 1959. Ele era um burocrata que havia sobrevivido aos expurgos de Stalin por ter supervisionado o massacre de dezenas de milhares de pessoas na Ucrânia. Ele disse a Nixon: "Vamos enterrar vocês." Ele estava errado.
Estudantes universitários não são ensinados nem sobre a teoria do socialismo nem sobre a magnitude de seus fracassos. Nem economicamente nem demograficamente. Na era pré-1991, tal postura era mais fácil de ser mantida do que hoje. A intelligentsia hoje já admite que o capitalismo é mais produtivo que o socialismo. Sendo assim, a tática agora é dizer que o capitalismo é moralmente deficiente. Pior, que ele ignora a ecologia. Foi exatamente esta a estratégia recomendada por Heilbroner em seu artigo de 1990. Ele disse que os socialistas teriam de mudar de tática, parando de acusar o capitalismo de ineficiência e desperdício, e passar a acusá-lo de destruição ambiental.
Conclusão
A natureza abrangente do fracasso do socialismo não é ensinada nos livros-textos universitários. O tópico é atenuado e minimizado sempre que possível. Era mais fácil impor sanções contra qualquer um que se atrevesse a escrever em jornais acadêmicos ou na imprensa antes de 1991.
Deng Xiaoping anunciou sua versão da Nova Política Econômica de Lênin em 1978. Mas isso, na época, não ganhou muita publicidade.
Em 1991, a fortaleza soviética desmoronou. Gorbachev presidiu o último suspiro do regime em 1991. Ele recebeu da revista Time o título de "Personalidade da Década" em 1990. Em 1991, ele se tornou um ex-ditador desempregado. O socialismo fracassou — totalmente. Mas a intelligentsia ainda se recusa a aceitar a filosofia social de livre mercado de Mises, o homem que previu todas as falhas do socialismo e que forneceu todos os argumentos em prol de sua condenação universal.
É exatamente por isso que é uma boa ideia sempre prever o fracasso de políticas econômicas ruins em qualquer análise que se faça sobre elas. Poder dizer "Eu avisei que isso iria ocorrer, e também expliquei por quê" é uma postura superior e mais respeitável do que apenas dizer "Eu avisei".
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